Capítulo 24: Dó Não Te Salvará
Bauvalier tenta usar seus poderes, mas se sente fraco.
— O que você pensa que está fazendo…? — ele puxa, caindo em cima dela.
— Tão rápido assim? — ela o segura e o ajeita na cadeira. — Infelizmente, não tenho escolha… e você entenderá.
— Do que você está falando? Me solta, se não… — Bauvalier se esforça, e espadas flutuantes surgem, mas param antes de atingi-la. — O que…?
— Acha mesmo que eu não estaria preparada? — Tulipán pega o microfone. — Já cuidei da sua cabecinha — ela encosta a ponta bem no centro da testa dele.
— Seja clara. O que quer de mim? — ele diz, olhando firme para ela, tentando ler sua reação.
— Quero você, bobinho — ela responde, como se fosse óbvio.
— Se isso for o que você quer, eu não tenho problema em estar junto a você — ele sorri, calmo demais.
— Sério…? Que ótimo… então meu destino não será só desgraça… — ela segura o microfone com força, mas seu olhar se perde ao ver, atrás dele, uma outra versão de si mesma, completamente vermelha.
— Tão patética… não vê que ele está mentindo? Ele mudou rápido demais — a figura vermelha se aproxima, passando por Bauvalier com desprezo. — Solte ele e veja… o destino que eu te mostrei vai acontecer. Quer que eu relembre, estrelinha? Não se esqueça: seu futuro é infrutífero… e o resultado é apenas um. Sua ingenuidade vai te fazer cair… então não caia tão facilmente.
Ela desaparece. Tulipán abaixa a cabeça por um instante e volta a olhar para Bauvalier, agora mais séria.
— Como vou saber que você não está mentindo? Você mudou tão rapidamente de ideia…
— Por que eu mentiria para uma estrela tão brilhante como você? — ele solta um sorriso convincente.
— Sério…? Mas e se eu te contasse que posso matar aquela Roseta a qualquer momento? É só eu bater meu microfone… — ela levanta o objeto, como se fosse atacar.
Várias lâminas surgem perto dela, mas não conseguem atingi-la.
— Sabia…
— Não ouse encostar um dedo nela! — o ódio no olhar de Bauvalier explode. Ele quebra as amarras musicais. — Pelo que eu vejo, você não é nem tão forte assim.
— Droga… isso não vai acontecer! — ela bate o microfone no chão e começa a cantar, com a voz carregada. — Acabou… não vou deixar… tudo que eu lutei não vai voltar… minha humilhação não recomeçará!
Bauvalier cria uma barreira à sua frente, mas as notas musicais se dissipam e o envolvem como cordas, apertando ainda mais, imobilizando-o completamente e o fazendo cair no chão.
— Essa briga será eterna, se depender de mim… — Bauvalier diz, sério.
— Então que seja… porque eu me recuso a ter aquele fim — ela se aproxima.
— O que é esse “fim” que você tanto fala? Humilhação? Você é uma estrela, super famosa… pra que se preocupar com algo como isso? — ele debocha.
— Você não entenderia… e também não posso contar — ela lança um olhar para a figura vermelha, sinalizando silêncio.
— Ele é mais irritante do que eu imaginava… — a figura diz a si mesma, enquanto Tulipán discute com Bauvalier. — Pelo jeito, terei que dar um pouco mais de alimento para que meus dados fiquem mais claros.
— Parece que seu planinho não está funcionando, né, Ballet? — um homem de vestes douradas surge, costurando o ar com tranquilidade. — Mas suponho que não desistirá… você nunca desiste, não é?
— Você está aqui… pouco me importa. Mas está certo, Sartor, eu não sou de desistir — ela segura entre os dedos uma pérola. — E nem tente me impedir, sabe que também não sou de não revidar.
— Mesmo que quisesse, não poderia… parece que minha existência ficou presa nessa garota. Além de não conseguir falar com ela… e te convencer e inútil.
— Não me importo — ela se aproxima mais de Tulipán.
— O que é essa pér— Não é da sua conta — Ela se aproxima do microfone dela
— Por que guardar segredo de alguém que não vai poder contar para ninguém? — ele diz, com um sorriso.
— Você é irritante… mas está certo. Não há motivos para guardar segredo de alguém inútil como você — ela aproxima a pérola da outra, no microfone. — Isso é para aumentar os sentimentos dela. Bauvalier é tão pouco “gostável” que vou ter que ajudar essa garota a sentir algo… assim ficará mais fácil conseguir as informações.
— Elas estavam certas… Sherine devia ter te matado há tantos séculos. Alguém tão ruim, usando pessoas assim… Eu entenderia Carmesina fazer isso, mas uma mera criação da minha prima ser algo tão cruel quanto você… eu não posso acreditar — sua voz é baixa.
— Pouco me importa o que você acha. Quem ainda está viva sou eu, não você… e logo nem seu eco estará aqui — ela se vira de maneira elegante. — Além disso…
Várias marionetes surgem e prendem o corpo dele.
— Cuide dessa sua boca ao falar de mim. Porque algo você acertou… eu sou muito má.
As marionetes começam a rasgar a pele dele.
— O melhor teste é ver quanto os deuses duram.
Ela some.
— Maldita… — a voz dele sai baixa, mas, com um movimento, panos se rasgam e destroem as marionetes. — Sorria, sua maldita… porque quem ri por último, ri melhor.
O corpo dele se regenera.
Os olhos de Tulipán se abrem com uma euforia nova.
— Mas, no fim… — ela se aproxima e segura o queixo de Bauvalier — você vai me amar, querendo ou não.
— Vai sonhando — Bauvalier diz, irritado.
— Vamos ver — ela pega o microfone e canta algo rapidamente, fazendo as notas apertarem mais e mais ao redor dele, até ele começar a perder a consciência. — Até que você não é tão resistente…
Ele tenta falar:
— Desgr…
Mas desmaia. Ela o coloca em uma cama, ainda preso.
— Vou ver se já resolveram com as outras… já volto, docinho — ela diz, calma demais, enquanto seus olhos se perdem novamente.
— Está indo bem… mas não se esqueça: ele é bom em fingir. Então não seja tola — Ballet se move pelo quarto tranquilamente, como se sua presença não fosse percebida.
— Não faça isso… mesmo que você não queira aquele final ruim, você não precisa fazer isso… você não é assim — uma versão azulada dela segura seu braço.
— Escute ela… com certeza vai querer te ajudar. E, no final, você não terá sua fama, sua voz… e será humilhada até a morte — a voz de Ballet é calma, quase cínica.
— Ela tem razão… porque, neste momento, eu não posso ser eu. Meus critérios, minhas vontades… eu tenho que deixar tudo para trás. Infelizmente, eu tenho que fazer isso. Eu sei que é egoísta, mas… não posso perder tudo que eu demorei e sofri para conquistar — ela segura a mão da versão azul, mas logo a solta.
Ela anda até um pequeno espelho, onde vê as meninas dormindo… e Roseta lutando.
— Ainda estão vivas… — ela diz, com tristeza, mas um leve sorriso surge.
— Vejo que está fazendo como pedi — Ballet pousa a mão no ombro dela.
Tulipán sente a euforia novamente e se aproxima da cama, observando Bauvalier inconsciente.
— Talvez… não seja tão ruim — ela passa a mão no rosto dele.
Ballet sorri, enquanto observa o pequeno espelho deixado na penteadeira.

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