Capítulo 1 - Despertar de uma Nova Lenda
Em um passado distante, o povo de Tsugaki estava em guerra contra o povo rival: Taiyokami. Mesmo em conflito, mantinha uma falsa paz entre os dois lados. A jovem herdeira do trono iria desvendar o porquê de seu espírito de nascença não ter sido revelado. Esse dia seria agora?
Palácio do Shogun de Tsugaki.
— Karin. — A voz ecoou firme do trono elevado.
— Sim, pai. — Ajoelhou-se no tatame com uma bela postura. — O que o senhor deseja?
O shogun respirou fundo antes de falar.
— Amanhã, 17 de outubro de 1850, celebraremos o último festival da colheita em honra da nossa fundadora, deusa Whashiroi.
— Esse também será o dia que iremos revelar seu poder.
— Seu poder espiritual virá à tona… Está preparada?
Firmou seus olhos azulados, sem hesitar. — Estou, pode ficar tranquilo, pai.
Um breve silêncio.
— Então está decidido. Pode se retirar.
Karin levantou-se e caminhou pelo longo corredor, descalça. Chegando a uma grande porta de papel de arroz, calçou sua sandália e saiu.
Sua mãe estava na entrada a aguardando.
— Está tudo bem, filha?
— Tá sim, mãe. — sorriu de lado. — Vou ver a tia e o tio rapidinho. Depois volto pra me arrumar pro festival. Prometo.
Disparou pela calçada exterior da entrada do palácio.
— Karin! — chamou, já tarde demais. — Não corra desse jeito… toda vez é isso.
A poucos metros, ela percebeu que havia uma grande multidão no estande de tiro próximo. Ao chegar perto de uma pequena floresta, deparou-se com uma enorme placa de néon verde e azul, escrita “Shinrin no tachiki”; sem cerimônia, ela entrou.
— Posso ajudar, senhorita? — perguntou o atendente, distraído.
— Vim ver meu tio, Hayato. Ele está?
— Seu tio…? — ele arregalou os olhos. — Espere… princesa. — Karin ergueu a mão, pedindo silêncio.
— Shhh. Só isso.
— C-claro! — ele engoliu a seco. — Campo dois. Fique à vontade.
Ela caminhou para perto e deparou-se com um grande e barulhento aglomerado de pessoas; viu, no cabide ao lado da entrada, uma toalha branca e cobriu a cabeça com ela.
Adentrando pelo corredor, ela se deparou com o senhor Mangetsu Hayato, segurando seu arco para treinar. Estavam observando-o fazer seu primeiro disparo.
Ela o analisou de longe. Ele nunca erraria a essa distância… o Tigre Branco não falha. — pensou Karin.
Erguendo seu enorme arco vermelho e adornado em preto, ele pegou uma flecha de sua cintura e fez tensionar a corda, mantendo seus olhos fechados.
Para ele o tempo havia parado, o campo ao seu redor tornou-se um lugar totalmente vazio e sem som, com apenas um fio guiando a direção da sua flecha até o centro do alvo. Foi ali que respirou e disparou!
O zumbido da flecha fez tremer e vibrar tudo ao redor, como se houvesse um predador avançando em direção à plateia. Todos ali presentes tentaram se afastar.
Karin bocejou, imóvel.
— Como sempre… — murmurou.
Todos ficaram paralisados e mal puderam ver o disparo; onde a flecha havia percorrido, todo o piso ficou rachado. O centro do alvo praticamente sumiu, permanecendo somente a flecha no chão caída. A parede, porém, permaneceu intacta.
A jovem correu até ele e retirou a toalha de sua cabeça. — Tio Hayato! Foi um grande tiro, como sempre! — gritou, deixando todos surpresos e levando o público à loucura.
O senhor avermelhou em vergonha e passou a mão em sua cabeça. — P-princesa… — riu sem graça. — Obrigado. Pouca gente fala comigo sem medo. Você é uma delas.
Ele pareceu lembrar de algo. — E sua mãe, Yunna… está bem?
— Está sim, eu passei por ela agora a pouco ao sair do palácio real.
— Por sinal, onde está a tia Shohua?
Hayato olhou ao redor, se aproximando do ouvido dela. — Não conte a ninguém mas, ela está em uma missão, e… não é das tranquilas. —
Voltando ao tom normal, ele disse. — Mas e você? Como foi o dia?
A jovem franziu o rosto, com cara de tédio e mostrando o beicinho. — Uma chatice só no castelo. Vim te ver antes da celebração.
O senhor sorriu para ela. — Fico honrado, mas seu pai deve estar preocupado. — Caminhou um pouco à frente e estendeu a mão em direção a ela.
—Venha, senhorita, o shogun não pode ficar esperando.
— Eu não sou uma criança mais, não, viu!?
— Desculpa, desculpa. — riu. — É que você fica adorável quando fica brava.
Karin pisou forte no chão, emburrada.
Enquanto isso…
A jovem Yunna caminhava pelos corredores do palácio, procurando a sua filha; ela olhava cômodo a cômodo, de porta em porta. Quando reparou passos ao fundo do corredor à frente.
— Tem alguém aí?! — gritou Yunna, a mão perto da espada.
Ao reparar que as vozes estavam assustadas, correu rapidamente em direção a elas, sentindo um cheiro de fumaça por perto, além do barulho de faíscas ao seu lado. Ela pegou de bolsa de couro na cintura um selo.
— Yoroi… — ela sussurrou, ativando-o.
Uma espessa energia azulada encobriu todo seu corpo rapidamente e, num piscar de olhos, tudo foi para os ares.
A Shogun foi lançada para longe, mas não se feriu de forma grave. A explosão, porém, deixou seu tornozelo machucado. Shingetsu Saito era a única coisa que sobrava de pé; tudo ao redor havia sido destruído, com uma densa nuvem preta de poeira que pairava dos explosivos,
Saito fechou os olhos; pressentiu três presenças atrás dele.
Ele pulou e executou em seguida uma técnica, deixando todo o local ao redor escuro. — Angetsu ryū… kagenoku… — fez-se desaparecer nas sombras.
Os assassinos ficaram confusos e tentaram se localizar. Ele emergiu com outra técnica e sussurrou novamente. — Angetsu ryū… Kagenui… — Dois indivíduos foram decepados.
O que aconteceu? Onde está o terceiro? — pensou Saito.
Um feixe resplandecente o revelou, e quando se deu conta, viu-se empalado, sendo erguido pelo seu peito por uma espada de lâmina branca e dourada.
— Que decepção, Shogun de Tsugaki! — disse uma voz — Esperava pelo menos me aquecer!
De longe, podia-se ver um enorme clarão de luz. Karin e Hayato correram para ver o que havia acontecido. O longo caminho de pedra era íngreme e exaustivo Hayato rapidamente pegou a princesa em seus braços. A garota viu sua tia saltando entre os edifícios, até chegar à sua frente.
— Shohua! O que foi que aconteceu com o palácio?! — gritou Hayato.
— Foi obra de um estrangeiro, de um país distante! Atravessou a fronteira como se não fosse nada…
— E meus pais?! — a princesa gritou nos braços do senhor.
Shohua hesitou. — Não sabemos. Mas… não sinto algo bom.
Chegaram à entrada; senhora e senhor feudal junto da princesa. O tio a colocou no chão. Karin se aproximou de uma fresta na parede e bisbilhotou, e teve um terrível ataque de pânico.
Olhou aquela terrível cena: seu pai sendo erguido pelo peito com uma espada branca.
— Pai… — a voz quebrou. — Paaai!
O senhor ergueu o arco e atirou cinco flechas consecutivas, porém, todas elas se desintegraram. Atrás da sombra dele, a senhora gritou. — Angetsu ryu ogi! Kagen!
No momento em que tentou golpear as costas do indivíduo, foi lançada contra a parede atrás de si, caindo e ficando desacordada. Saito continuou empalado sem mexer nem mesmo um único fio de cabelo.
— Pai! — Karin chorava.
O homem então jogou com toda força seu pai em sua direção, deixando-a totalmente atônita. Hayato se jogou na frente dela, levando a maior parte do impacto. Ela olhou; seu tio estava totalmente desacordado e o pai sem nenhum sinal de vida, sua pele estava bem pálida e gélida.
Karin ficou totalmente paralisada, o suor escorria lentamente pelo rosto, seus olhos nem se moviam e mal conseguia respirar. Foi atingida com a parte de trás da katana do inimigo em sua nuca; sendo carregada em seu ombro.
Quando ele deu o primeiro passo, sentiu um calafrio em sua espinha. Olhando para ela, ele pensou: Parece que ela tem algo muito parecido comigo… Será um ótimo soldado da corporação Umbras.
A mãe dela estava atrás de uma moita; havia usado um selo para silenciar e se camuflar, e os seguiu…
Enquanto a jovem dormia…
Em sua mente, uma voz sussurrou. — Shingetsu Karin, você será a nova lenda que me ressurgirá das cinzas…

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