Capítulo 4 - Calmaria Pós-tempestade (Parte 1)
Yunna corou em vergonha sobre o que sua filha disse. Constrangida, ela respondeu nervosa o senhor. — Me desculpe senhor Hunter, ainda não conseguimos ensinar ela sobre isso…
— Quem é ele, mãe? — perguntou confusa.
A garota olhava o senhor. Os curtos fios de cabelos dourados brilhavam pela luz do nascer do sol. Ele a olhou pelo retrovisor, observando-a com seus profundos olhos cor esmeralda, e disse.
— Senhorita Karin, me chamo Hunter Rutherford… desculpe sobre minha grosseria agora pouco foi só hábito mesmo.
— E senhorita, tome muito cuidado como conversa comigo em lugares públicos, eu sou considerada “a pessoa mais importante do mundo”.
Algumas horas mais tarde…
Os barulhos incessantes acordam a jovem Karin. Abrindo levemente os olhos, ela viu um teto branco como a neve. Então olhou ao redor das paredes branquinhas, tinham maquinário variados ligados a elas.
Eles faziam um som estranho, irritante; a máquina ao lado parecia medir algo que ela não conseguia identificar. À frente dela estava Alice, sentada em uma cadeira com outra pessoa. Um senhor que examinava seus batimentos cardíacos, disse.
— Princesa, parece que está tudo em ordem… Descanse só mais uns minutinhos e já liberamos você.
— Muito obrigado senhor, eu não pretendo ir ainda, eu quero conversar ainda com a senhorita ali atrás.
— Fique à vontade.
A senhorita que analisava os aparatos que mediam Karin levantou e a avisou. — Karin, seu laudo mostra que ficará bem por completo dentro de algumas horas e precisa de repouso. Você estava em péssimas condições… fico feliz que tudo ocorreu bem.
— Obrigada, moça… — Ela olhou para baixo, pensativa, e respirou profundamente.
— Quem será Ryukuro…? — Perguntou Karin de forma retórica, desanimada.
…
Yunna, a esposa do Shogun, estava sentada em uma cadeira de madeira em frente a mesa onde estava o senhor das terras, Hunter Rutherford.
O homem pegou no canto de sua mesa um relógio dourado, estava desmontado, junto de uma bússola, e os colocou em sua gaveta. Ele fechou os olhos e disse.
— Shingetsu Yunna! Preciso esclarecer algumas informações, confere?
— O que deseja?
Hunter cruzou os dedos das mãos, abrindo os olhos e a encarando, e continuou a questionar. — Senhora, sua filha faz parte daquela profecia da linhagem de “sangue amaldiçoado”?
Yunna inclinou sua cabeça para baixo, respirou profundamente; fechando os punhos no no braço da cadeira; enquanto o senhor das terras continuava. — Aquele que detém o sangue divino de Ryukuro…
O canto de sua mesa foi despedaçado por ela com um soco! Respirando forte várias vezes para se acalmar, Yunna o olhou seriamente e gritou. — Vocês deste país, vão fazer isso também!? Vão menosprezar a nossa linhagem por causa daquele deus banido!?
— Se acalma-se Yunna! Eu preciso do poder dele para conseguir fazer algo contra meu irmão, Robert, ele invadiu Tsugaki a dois anos atrás e ele…
Como um ar gélido, ele sentiu as costelas doerem e Yunna o encurralou, imobilizando-o na estante de livros atrás. Hunter estava com o fio de sua lâmina perto das veias de seu pescoço. O rosto da senhora escorreu em lágrimas profundas, seu rosto franzido, mostrando com total clareza que estava puta da vida.
— Fica calado se não quiser morrer, Hunter Rutherford! — dizia enquanto sua voz tremia de raiva.
Mantendo-o ainda imobilizado, ela continuou. — Eu acreditei em você! Eu… queria acreditar que estávamos juntos… mas que droga! Ingenuidade… que se chama isso…
O som da porta do escritório se abrindo foi ouvido, rangendo de forma lenta e calorosa. A garota de curtos fios de cabelo rosa, entrou e se deparou com aquela cena, horrorizada.
Vendo seu amigo de infância ficar entre a lâmina da mulher e a estante, ela gritou em um tom sério. — Tire essa espada!
— Porque?! Ele é aliado daquele desgraçado de Robert, que matou…
Ela entrou em uma postura firme ameaçadora, sua presença fazia parecer que o próprio demônio veio para enfrentá-l. Yunna franziu o rosto, dizendo em extrema raiva. — Cala sua boca! Tire essa espada agora! Ou vai querer que eu mate Karin?!
Ela virou a cabeça olhando para ela. Fraquejada… Rangeu os dentes, com a mão em sua espada tremendo. Sem opções, ela largou a espada, caindo sem forças agachada no chão.
Hunter olhou para Alice sem reação, deixando-a levemente corada e falou em direção à mulher no chão. — Me desculpe Yunna, fui insensível de minha parte em perguntar sobre isso, descanse por hoje, amanhã retornaremos com a conversa.
Com isso, a princesa relaxou seus membros e, sem olhar para trás, saiu pela porta e caminhou pela direita, seus passos ecoando pelo chão do corredor amadeirado.
O senhor das terras deixou a senhora lá, correndo atrás da princesa Enquanto avançava pelo enorme corredor do setor norte de sua mansão, ele gritava. — Alice! Alice! Por favor Alice! Deixo eu conversar com você!
Ela parou seus passos, deixando-o se aproximar. Ele olhou para os lados enquanto corria e a disse. — Me desculpe Alice, eu sei que ficou preocupada comigo… Mas…
Virando-se rapidamente, ela lhe deu um tapa no rosto, exclamando enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. — Nunca mais faça isso! Você tem ideia do que podia ter feito?! Aquela mulher e sua filha, eu quero pensar em ser amiga delas pela primeira vez e você quase se suicida?!
— Me desculpe… Alice… Me perdoe… — Ele abraçou a princesa em tristeza.
Ela agarrou-o forte e ficou ali. Esses curtos minutos em seus braços eram quentes e aconchegantes. Alice então pegou em seu rosto e beijou sua bochecha.
— Por favor, não faça mais isso! — disse a princesa, sorrindo com os olhos fechados.
Mesmo corado ele respondeu. — Certo! Princesa!
Ele percebeu que estava escurecendo. Puxando sua manga e vendo seu relógio, percebeu que já eram 18:49 e disse. — Vish, está na hora de comer, você acompanha Karin e Yunna para o refeitório vip, Alice?
— Tem que ser eu?
— Tenho umas coisas para fazer com o rei e a reputação minha com aquela senhora não ficou muito boa… Me desculpe, vai ter que ser você…
— Fazer o quê, paciência… — disse ela, dando de ombros.
Enquanto Alice caminhava pelo corredor, passou-lhe pela mente como as paredes altas eram imponentes e cheias de curvas, repletas de ornamentos. Pensou consigo mesma: porque não colocam um elevador horizontal ein…
Princesa! Eu posso ajudar! Disse uma voz bem familiar em sua mente.
— Innova? Como assim? Ajudar?
Materializou-se em sua frente uma alta mulher, com longos fios de cabelos laranjas trançados. — Esqueceu que posso me teleportar pela mansão?
— Não… mas… Você consegue levar alguém?
— Sim, sim! Consegui essa habilidade recentemente com a chegada de fieis ao templo Rutherino.
— Pode usar em mim e em minhas duas amigas?
— Eu consigo somente para a senhorita Karin, a outra… o espírito dela está pertubado, em estado de choque e infelizmente não consigo usar nela.
— Hmmm… Pode trazer a senhorita Karin junto comigo para onde Yunna está?
— Sim, ela está fora da mansão, terá que correr até ela, está bem?
— Certo, se puder vir comigo, queria ter uma ajuda depois para ir ao refeitório, ok?
— Como desejar, princesa!
A mulher alta chamada Innova então fechou os olhos, levitando por alguns segundos. Encostou a ponta dos dedos em sua outra mão em um símbolo e conjurou. — System activation, multi-instant teleport.
Em um piscar de olhos, a senhorita e Alice estavam juntas na entrada da mansão. Karin ficou confusa com a aparição repentina e perguntou. — O que aconteceu… Alice?! O que?
— Me desculpe por isso, mocinha, sou a Deusa Innova, sou eu a pessoa que trouxe você e a princesa para aqui, e preste atenção no que ela vai falar que vai ser importante.
— Karin, preciso conversar com sua mãe, eu e Hunter acabamos de desentender com ela e precisamos acalmá-la, poderia me ajudar com isso?
— Vish… hmmm… Aí você arrumou sarna para coçar… Minha mãe quando fica irritada, nem eu quero estar por perto… dependendo do que for melhor deixar ela no canto dela.
— O senhor Hunter tocou em um assunto sensível e quase saiu um para a funerária.
— É… Tem certeza que quer conversar com ela? Eu to falando sério, espera o dia passar, vai ser pior…
— Eu não posso deixar essa ação que o Hunter fez impune, preciso me desculpar por mim e por ele.
Karin a encarou com uma cara de paisagem, pensando, ela realmente quer me incluir nisso?
— Eu tenho que estar junto?
— Sim…
Percebendo que a conversa realmente foi daquelas e que estava profundamente arrependida, colocou a mão e seu ombro e disse. — Desta vez eu ajudo, da próxima aprende e faça sozinha.
Ajustando os óculos, ela respondeu, com o pôr do sol a sua frente. — Obrigada!

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