Seus olhos se fixaram neles; com uma raiva penetrante, terminou de conjurar sua magia…

    — …Reiken! Shorai no Kuro Tamashi! — Impôs a mão sua à frente, surgindo então um pequeno portal e dali puxou uma katana de aparência espectral.

    Pisou forte com o pé esquerdo no chão de grandes paralelepípedos e os observou com um olhar raivoso como o de um predador prestes a finalizar a sua presa. Ela rosnou, mostrando os seus dentes afiados, e exclamou. — Comigo, não é com a lábia que conseguirá algo!

    Uma rapida brisa separou a cabeça do brutamontes, que rolou como um lembrete do que estava por vir para seu amigo. Ela aproximou-se do ouvido dele, respirou como um animal faminto, em seguida bufou e o perguntou, com sua voz aguda e a grave selvageria de seu interior: — Tem mais alguma coisa que pretenda falar?

    — Vagabunda! Morra no… 

    No meio de sua frase ele foi interrompido com um enorme cuspe de sangue, jorrando como se fosse um chamariz. 

    — Não vai terminar? Que pena… Acho que minha mão escorregou. — riu sobre o ouvido dele.

    — Tenho pessoas mais importantes para lidar do que um peão de laboratório, viu?

    Ela removeu a espada de seu peito, e então ouviu um alto volume de pessoas marchando em sua direção. Olhou ao redor na enorme sala de pedra, o lugar estava úmido e encharcado. Havia também vários maquinários e os mesmos tanques iguais ao que ela estava. Ela sorriu animada e pensou: Ótimo, ótimo…! Vai ter uma bela carnificina aqui. 

    As enormes portas de madeira rangeram alto ao serem abertas de forma brusca. Vários soldados de elite marchavam armados. Acima, um terminal com alguns cientistas a observavam, prontos para intervir de cima, com a proteção de vidros à prova de balas.

    Ela deu dois passos à frente, confiante. Fez parecer que fosse se render; mas, em movimentos rápidos sacou a espada, com movimentos fluidos a sacudiu para os lados opostos. — Angetsu, ryu… Ogi… 

    Fechou os olhos, levou a lâmina até a linha de seus olhos, completou a conjuração e os abriu rapidamente. — Kuro no Kami… Gurai Genko!

    Um enorme campo de escuridão encobre todo o local, deixando todos ali cegos e desesperados. Não conseguiam ver nem o companheiro ao lado; um deles gritou. — Cientistas! Conseguem ver ela?!

    A resposta foram vários tiros e, logo em seguida, o som de seus corpos caindo como meros sacos de batatas úmidos foi ouvido.

    Com passos vacilantes, um deles arrastou os pés para trás com rosto franzido, suando de medo. Um sopro de um sussurro soou em seu ouvido. — Kagenui… 

    Sentiu-se molhado num instante, suas pernas perderam o equilíbrio e ele desabou no chão. Os amigos, horrorizados, tentaram fugir, pensando que seria uma boa ideia.

    Um som agonizante ecoou e todos correram. Alguns bateram a cabeça nas paredes e outros em objetos bem na frente deles. Em seguida, o chão tremeu forte, seguido de um pisar de pés pesados; ouviu-se um alto rugido vindo da garota. — Getsumen Kuzushi!

    O solo se despedaçou, rachando e jogando muitos deles para cima. O terreno ficou irregular e deixou fragmentos com várias pontas afiadas; todos morreram perfurados ou empalados.

    No centro da sala ela bufou, cansada, e desfez o efeito do campo de escuridão. Caiu numa longa gargalhada, degradando a todos: — Vocês são tão patéticos! Poderiam ter feito eu andar pelo menos.

    Ela virou-se para procurar uma saída. Mas nos primeiros passos, um arrepiante som cruzou como um raio atrás dela; em um movimento preciso, cortou em dois. Sua expressão divertida sumiu, formando uma versão séria de si. A porta rangeu atrás dela, o ambiente mal iluminado a fez se arrepiar. Perguntou,  cética. — Quem está aí?! Você tem força, ein!

    Do grande portal ornamentado em pedra ecoou uma caminhada metálica, calma e serena. O indivíduo a encarou e exigiu: — Se renda! Cobaia 137, eu posso conceder misericórdia se ajoelhar em minha frente.

    Ele é forte… ele sabe que este corpo não tem como ganhar dele, tem algo fazendo ter essa força, algo perto de meu nível… pensou Ryukuro, nervoso e cauteloso.

    — Qual seu nome, senhor?

    — Silêncio! Eu apenas dei uma ordem… faça se não quiser sofrer!

    — Eu prefiro enfrentá- lo com honra e morrer do obedecer a um inimigo!

    Encarou-o nervoso, conteve a raiva e caiu em gargalhadas. — Você é a primeira pessoa que tem a audácia de pensar de tal forma.

    Virou-se e olhou para ele, um alto homem de fios de cabelos prateados a encarava com uma postura firme. Ela recolheu a espada na cintura, inclinou-se levemente para frente, manteve a mão próxima ao cabo e gritou em seguida: — Kage-giri!

    Um corte feito de sombra silenciosamente cruzou a sala; ele estendeu a mão, segurando seu corte e o desfazendo. — Patético, deveria ter seguido meu conselho…

    — Raycaliburn! — Ele levantou as mãos acima de sua cabeça enquanto pronunciava suas palavras.

    — Spada dei raggi eterni, appari davanti a me!

    Um estrondo de relâmpagos ecoou pela sala e formou uma espada elétrica em suas mãos. Mantendo uma mão acima da cabeça com a espada, ele conjurou. — Campo di tempesta!

    Um campo eletrificado avançou e ela contra atacou com um golpe vertical.  — Ryūsoku – Kyōfū!

    Dissipando a umidade e a explosão, ela disparou rapidamente para seu ataque final. — Sakugetsu, ryu, ogi!

    Levou a espada até a cintura enquanto corria e, em uma fração de segundos, a lâmina de sua espada expeliu longos relâmpagos violetas. — Tenryūzan! 

    Investiu e golpeou com tudo contra ele, a energia acumulada na lâmina fez sua testa suar com o calor emanado, a força extrema fez o chão ceder a sua volta com pressão criada. — Anshō!

    O saque rápido dela colidiu com a espada dele, jogando-a para longe, fazendo-a ricochetear com a superfície dura do chão e das paredes, o estrondo da onda de choque rachou alguns tijolos, fazendo toda a sala tremer. A tatuagem de seu braço desapareceu e seus olhos voltaram para o azul de costume; ela se esforçou para tentar ver quem estava à sua frente.

    Ele saiu praticamente intacto; Mas a jovem, por outro lado, tentou ficar de joelhos; terminando por perder a espada e a possessão de seu espírito. 

    Ela olhou para ele, confusa, perguntando: — Que? O que está acontecendo? Porque ainda estou aqui? Droga… eu acho que esse é meu fim… 

    — Raycaliburn! Lampo dell’Avescuro — Em um rodopio, ele cortou o ar à frente, formando uma grande águia feita de eletricidade, iluminando todo o local de um azul fluorescente até ela.

    Um rápido vulto cruzou o ataque no momento certo e o desfez; após a aterrissagem, levantou uma pequena garota. A longa capa escura aveludada esvoaçou; ela ajustou seus óculos e encarou o indivíduo e o apresentou: — Raytto Caster, Primeiro comandante da Trindade UMBRAS! Deixe essa garota em paz!

    — Princesa de Franpari… Como soube desta cobaia?! — exclamou ele, irritado.

    — Foi simples! A mãe dela me contou tudo, nada de mais.

    A princesa se posicionou em uma postura de combate, com a palma de uma das mãos o provocou: — Pode vir! Cavaleiro das trevas.

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