Capítulo 4 - Calmaria Pós-tempestade (Parte 2)
Karin a encarou com uma cara de paisagem, pensando, ela realmente quer me incluir nisso?
— Eu tenho que estar junto?
— Sim…
Percebendo que a conversa realmente foi daquelas e que estava profundamente arrependida, colocou a mão e seu ombro e disse. — Desta vez eu ajudo, da próxima aprende e faça sozinha.
Ajustando os óculos, ela respondeu, com o pôr do sol a sua frente. — Obrigada!
— Vamos logo… Já está praticamente de noite.
As duas garotas e a deusa caminharam pela entrada da mansão no setor leste. Passando por uma grande fonte com um chamariz, em um um vasto quintal verde. Localizaram ao longe uma grande floresta.
— Bem, Alice! Muito provavelmente ela está ali, antigamente quando estava estressada ela ia no lugar mais fechado possível.
— Hmmm… É complicado, durante a noite em uma floresta, mesmo no território do Distrito Rutherford, é perigoso a presença de animais peçonhentos daqui…
Karin colocou a mão no ombro dela e disse: — A noite no frio? Tem certeza?
— Sim… melhor voltarmos… — disse a princesa, arrumando os óculos.
— Onde que você pensa que vai? Eu prometi que ajudaria a convencê-la e tudo mais, cadê aquela confiança?
— É… Sabe como é… — disse a garota corando, tentando disfarçar.
— Não é possível! Você tem medo de cobras?
Pulando em um arrepio ela se abanou e respondeu nervosamente: — Não é o que está pensando… As cobras desta florestas… não dá… se você se machucar, eu não consigo te carregar…
Sério?! Medo de cobras? Para mim elas são companheiras! — disse ela em seguida, gargalhando bem alto.
— Como eu quero comer rápido, eu vou seguir seu conselho, até porque convencer minha mãe e fugir destas “cobras” diferenciadas, não vai ter como.
Elas então começaram a caminhar. A lua parecia cada vez mais presente perante o céu noturno. Com Alice tremendo de frio, foram todos em direção à mansão, entrando pela enorme porta.
— Innova… treelestransporrta nós? — Gaguejou a garota, com frio…
— Sério Alice?! Está com frio?
A deusa olhou para Karin e disse com um sorriso no rosto: — Então senhorita, Alice ela vive no litoral onde é bem quente, agora está fazendo uns cinco graus celsius, eu acho que ela não está acostumada.
— Hmmm… Entendi… Imagina ela no meu país no inverno, mesmo com roupa adequada, a neve cobrindo até a cintura…
— Deu! Karin! Innova leva nós para o refeitório! Se Yunna tiver de boa para puxar puxa… Não aguento mais!
Gargalhou diante dela e começou a entoar o feitiço, levitou para o alto e novamente encostou os dedos entre as mãos. — System activation, multi-instant teleport!
As três se materializaram dentro de um quarto, o chão e as paredes em um tom de rosa pálido, listras brancas e rosas as cobriam; um carpete marrom enfeitava o chão e, ao lado, uma grande cama branca com enormes lençois de seda.
— Eu acho que isso não é o refeitório… — disse Karin, confusa.
— Innova! Porque?! No meu quarto!? — gritou a princesa irritada.
— Não queria se aquecer? Toma um banho junto da senhorita Karin que levo para lá…
Encarando a deusa, seu rosto esquentou, avermelhando-se, como um forte extrato de tomate. Retrucou ela, envergonhada. — O que?! Tomar banho com ela!?
— E qual o problema? — disse Alice entediada.
Esfregando os dedos entre as mãos, ela desviou o olhar e disse baixinho. — Na minha terra isso é um tabu para casamento…
A princesa pegou no braço de Innova e exigiu. — Dá para nós levar para o refeitório?! Depois resolvemos isso!
— É… tudo bem princesa… Desculpe por isso. System activation, multi-instant teleport!
Depois de uma curta, mas vergonhosa e exaustante conversa, finalmente chegaram no refeitório. A grande mesa arredondada era bem evidente. Os olhares da senhorita eram de apreciação Atrás continha um imenso buffet, com vários mordomos ao redor, prontos para servirem.
— Julius! Por favor acomode eu e a senhorita Karin essa noite! — disse a princesa.
Respondendo ao chamado, veio um alto homem de terno. Ele caminhou a passos curtos pelo chão amadeirado até a mesa. — Boa noite senhoritas, vou pedir aos outros para me ajudarem a sentar… O que gostaria de comer Karin?
— Qual é a especialidade da casa hoje?
Com a mão segurando a caneta tinteira e um pedaço de papel, o mordomo olhou para cima e pensou por alguns segundos, mas rapidamente a respondeu. — Temos Roast Dinner como principal, o que acha?
— Alice, o que vem nisso?
— Julius, me desculpe por não explicar, mas nossa convidada é uma estrangeira do país de Tsugaki, ela não conhece esse prato de comida, poderia explicar o que vem nele?
— Me desculpe… Nele contém filés de bife bovino, batatas assadas e cortadas, tomate finalizadas com alecrim e um molho para carne.
— Pode ser esse… por acaso vocês teriam temaki para a entrada?
O garçom encarou a garota por alguns segundos, ajustou os óculos e disse. — Temos sim, mais alguma coisa?
Alice estranhou a demora com a resposta dele e o questionou, mostrando cautela. — Você realmente tem? Poderia pedir um para mim?
Ele ficou surpreso com a resposta, percebendo que ela havia notado sua hesitação, mas respondeu. — Pode deixar, princesa.
O senhor deixou o local e foi ao cômodo ao lado, então a senhorita cutucou a amiga. — Você também?
Alice puxou a Karin pelo ombro e disse em seu ouvido, sussurrando. — Ele estava agindo estranho, depois nós vemos isso, lá vem a comida.
Enquanto chegavam os dois pratos de entrada que haviam pedido, Alice cutucou a Innova e fez um sinal, começaram então a conversar telepaticamente.
Você tem alguma informação sobre este homem? — disse a princesa.
Ele foi contratado a menos de um mês, parece que ele estava estranho demais quando Yunna e sua filha chegaram nesse recinto, posso avisar ao senhor Hunter?
Sim, Por gentileza.
Aqui estão os seus pratos senhoritas, dois temaki de salmão, Bon appétit! E para você também, Tanoshimu!
Enquanto alguns outros garçons a serviam, Hunter se aproximava em uma ala secreta da mansão. — Obrigado Innova, pelo aviso! — Disse ele telepaticamente.
— De nada meu senhor.
Karin pegou a comida em sua mão, e encarou sorridente aquele grande temaki, dando sua primeira mordida. — Que delícia! Faz tempão que não sinto o gosto da minha terra natal!
Alice inicialmente encarou. receosa, o temaki nas mãos de Karin Então devagar pegou o seu e deu uma mordida. — Hmmm, realmente é bom! Não achei que algas, arroz e salmão tudo junto seria tão bom!
Enquanto comiam, Hunter tentava achar o garçom pela cozinha. Ele viu passos cobertos de terra, então os seguiu. Mas já era tarde, uma enorme estrutura na parede foi destruída, aberta aparentemente por explosivos.
— Innova na escuta?
— Sim meu Senhor!
— Muito provavelmente Julius era um espião da Corporação Umbras, fique de olho nas pessoas que entrem aqui, está certo?
— Sim senhor!
As meninas já haviam acabado de comer o temaki, e enquanto o Roast Dinner estava para ser servido, a princesa lembrou de sua amiga Yunna, ficando cabisbaixa.
— Será que a Yunna se desculpará comigo e com Hunter?
— Se preocupa com isso não Alice. — disse Karin enquanto punha a mão sorrindo.
A porta atrás do salão se abriu lentamente de forma dramática, deixando escapar vários rangidos de madeira. E ali, estava uma alta mulher de vestes brancas e vermelhas, a caráter de sacerdotisa.
— Alice, eu que me devo me desculpar, minha impaciência foi longe demais. Perdão por isso.
A senhorita que estava sentada rapidamente se levantou, correndo e dando um forte abraço apertado em Yunna, ficando ali, grudada embaixo dos peitos dela. Yunna corou, aparentando gostar desta posição., mas…
— Alice, poderíamos comer? Já deu o abraço…
— Porque? Você é tão fofinha!
— Alice! Por favor! Deu Alice! Eu não suporto isso!
O longo jantar foi agradável e leve, já iam dormir logo em seguida. Enquanto mãe e filha se moviam em direção ao dormitório do setor leste, a princesa cutucou Karin e perguntou.
— Karin, gostaria de dormir comigo?
— Porque essa pergunta de forma tão repentina? — disse a garota, já começando a se avermelhar.
— Fortalecer os laços de amizade, oras…
— Não preciso tomar banho com você, né?
— Não… mas você vai adorar a cama, amanhã terá um belo treinamento te esperando. — disse Alice, com uma risadinha no final.
— Se isso for ajudar… que assim seja, só não faça nada de estranho!
Sorriu com os olhos fechados, a seguindo em direção a seu quarto, se despedindo rapidamente da mãe.Essa vai ser minha maior vigarice… pensou ela.

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