Capítulo 5 - Caminho da Forja Celestial (Parte 2)
O trem saiu da estação central às duas da tarde. Alice e Yunna tinham pego dois bilhetes do senhor Hunter. Era uma estação extremamente luxuosa, paredes de mármore, pilares enormes com vários letreiros coloridos de néon.
— Yunna, vamos para a cidade Brigton, Hunter me deu dois bilhetes vip para essa viagem só nós duas… O que gostaria de comprar na cidade do artesanato?
Com os olhos demonstrando preocupação, a sacerdotisa foi pega de surpresa pela pergunta dela. — Gostaria de comprar um presente para minha filha… Um que nunca dei quando era menor…
— Não se preocupe, ela vai melhorar!
— Eu sei… só acho que… esse não é o maior dos problemas…
Olhando confusa para a senhora, a princesa perguntou. — O que seria o problema? Senhora…
— O dragão que habita minha filha… Infelizmente é o que mais temia…
Um pingente começou a vibrar dentro da roupa de Alice. Era a Innova que as contata via vídeo chamada. Alice tirou o item do bolso com a naturalidade de quem já havia feito esse roteiro muitas vezes antes.
— Estão na Railhaker? — a voz de Innova chegou levemente distorcida pelo aparelho.
— Acabamos de entrar no trem, nós vamos fazer umas compras antes de levar Karin junto.
— Certo! Estarei aguardando… qual estação vai sair das compras?
— Hm… A estação 57, que fica na cidade próxima de Brigton ao norte.
— Certo! Vê se não gasta mais do que 1 milhão de ruthz, viu?
— Sem promessas. — disse a princesa, já guardando o aparelho.
Yunna olhou para Alice e perguntou. — Quanto é 1 milhão de ruthz?
— É… equivalente a 3 casas de classe média… não de mais…
— Quanto da em gekkō’s?
— Da uns 300 milhões, acredito que um terço da economia do seu país… sem ofender…
— Ok… deixando isso de lado, você tem algo em mente? Digo para comprar lá.
— Eu? Não… eu vejo quando chegar lá, se me interessar eu compro! E você, Yunna, quer comprar o que para a Karin?
Pensou a sacerdotisa, olhando pela janela do trem a paisagem montanhosa de um verde musgo. Ela encarou isso por alguns segundos até chegar em um túnel, bloqueando a visão, então a respondeu.
— Eu… Vou comprar um objeto que ela viu em alguma propaganda que apareceu na tv, era uma espécie de um jogo que você controla com as mãos… lá em Tsugaki era proibido a importação de novas tecnologias estrangeiras, eu falei para o Saito revogar mas ele nem me ouviu…
— Um console portátil? Eu posso pagar se não se importar… vou comprar para ela um gamecat, ela vai te achar a melhor mãe depois desse arco de redenção!
— Nem vem… não foi culpa minha que meu marido proibiu importar coisas estrangeiras!
A velocidade do veículo diminuía e em segundos ouviu-se o som do apito de chegada. Elas se levantaram e desceram do trem, observando o chão e as pilastras feitas de mármore, era bem evidente a grandeza do local.
A saída norte da estação Railhaker se abria em uma rua comercial movimentada. Lojas apertadas uma na outra, vendedores ambulantes, o tipo de densidade de pessoas que tornava tudo ao mesmo tempo animado e difícil de movimentar. Alice estava na frente, apontando algo numa vitrine. Ela se aproximou rapidamente e disse em um tom animado:.
— Yunna! Aqui tem um gamecat, vou entrar…
A sacerdotisa não prestou atenção. Seus olhos estavam ao fundo da cena, em uma figura familiar que viu saindo anteriormente da mansão de Hunter. Desviando o olhar antes que fosse percebida, ela chamou Alice. — Alice, vamos entrar.
Então sussurrou em seu ouvido em seguida, discretamente. — Tem alguém nos seguindo, vamos comprar e tentar fugir, pode ser?
— Certo, vou ser breve. — disse a princesa, ajustando os óculos.
Entrando, o som do sino no batente superior da porta tocou, indicando a entrada delas. Alice pegou um gamecat roxo escuro e já o levou diretamente ao caixa com um jogo, enquanto a senhora aguarda na porta tentando vigiar o homem.
— São 400 ruthz senhorita, nota fiscal?
— Não será necessário.
A princesa entregou o dinheiro para o atendente e pegou uma sacola para guardar o produto rapidamente. Correu então até Yunna, saindo de lá apressada, pela estrada movimentada de paralelepípedos, enquanto o senhor atrás delas acompanhava.
— Quem é ele princesa?!
— Ontem o garçom era ele, parecia que estava vidrado em vocês duas quando chegaram, muito provavelmente ele não é deste país.
— Um Tsugakiano?! O rosto dele era familiar…
— Yunna! Ali! Vamos passar para a estação 57, rumo à Anvrós, Karin deve estar lá… se chegarmos lá, estaremos a salvo.
O senhor quando chegou em uma interseção, sacou uma espada, conjurando então uma técnica para impedir elas de sair.
— Angetsu-ryū, Kagenoku… — O antigo garçom entrou na sombra delas.
— Angetsu-ryū-ogi! Kuro no kami…
Quando foi conjurar a próxima técnica, a sacerdotisa sem hesitar, pegou um selo de sua bolsa em um movimento fluido e o ativou, sussurrando: — Chirasu…
Expulsando o homem para fora de sua sombra, rodopiando pelo chão, deixando-o para trás.
Pisando na estação, as duas entraram no vagão. Estavam bufando, sem fôlego. As duas ouviram então uma voz bem familiar.
— Mãe… Você está bem?
Yunna olhou para ela, cansada, respondendo. — Felizmente sim… eu tenho uma surpresa para você!
— Surpresa?
Alice deu um passo à frente segurando a sacola em mãos. — Sua mãe quis te dar um presente!
— Minha mãe? Dar presente?! Ela reencarnou e não estou sabendo?
Ela ficou sem graça pela reação, mas retirou o console da sacola e entregou para sua amiga. — Aqui está! Um Gamecat novinho em folha!
Ela olhou sem reação, achando difícil acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. — Sério? É meu? Foi minha mãe que deu?
— Sim sim! Foi ela que queria dar para você!
— Queria?
Alice pareceu ainda mais sem graça, e respondeu dando uma leve risadinha. — Sim, eu paguei, mas ela que deu a ideia…
— Bom, finalmente um item de qualidade! Obrigada!
Yunna deu um passo à frente e a encarou, dizendo. — Temos que fazer uma espada para a senhorita, estamos indo para a cidade de Anvrós e lá encontraremos Innova então aproveite bem seu novo brinquedinho… porque depois terá que treinar muito bem, viu?!
— Pode ficar tranquila… — respondeu Karin, dando uma leve risadinha sem graça.
Enquanto o trem prosseguia até seu destino, a princesa e ela sentaram-se, e apoiando o braço sobre a mesa. E ali Karin, começou a usufruir alegremente de seu novo e primeiro console durante toda a viagem.
…
Chegando na estação 68 de Anvrós, as três desembarcaram, caminhando pela saída. Sentiu a mão de alguém dando um tapa na bunda de Karin, levando seu novo e mais precioso joguinho, fazendo-a gritar.
— Filha da puta! Volta aqui! — gritou ela, correndo em direção ao ladrão.
— Karin espera! — disse a princesa e a mãe.
A senhorita correu o máximo que podia em direção a ele, acabando por se enfiar em um beco entre duas lojas. Três indivíduos a cercaram, incluindo o ladrão que a roubou. Ela arrancou um pedaço de cano da estrutura ao lado e disse.
— Prepare-se, eu não vou perdoar aquele tapa e muito menos ter roubado meu gamecat!
Sem dizer nada, um deles se aproximou por trás e tentou golpeá-la em um soco. Com um movimento rápido, Karin acertou o cano na bochecha do bandido, finalizando com um outro golpe no queixo, jogando-o para a parede.
O outro correu pela lateral, mas levou uma cotovelada no queixo. Colocando o cano como se guardasse à espada, ela conjurou.
— Tsushin-ryu! Tenryuzan!
Um dragão espectral foi jogado em direção aos dois que ainda estavam de pé, fazendo-os colidir no beco junto ao primeiro bandido que havia sido atingido. A porta do estabelecimento ao lado se abriu e um baixo senhor calvo disse a ela, em um tom de curiosidade.
— Senhorita, você tem uma técnica peculiar… qual seu nome?
— Porque eu te diria isso?
— Sou o único ferreiro desta cidade e vejo que algo precisa muito de mim.
— O senhor se chama Alfred?
E o homem a encarou, perguntando em um tom mais sério. — Como você me conhece?
— O senhor Hunter pediu para encontrar um ferreiro na cidade de Anvrós, ele disse que era o único, ele se chama Alfred Smith.
Alice e Yunna finalmente chegaram, perguntando desesperadas. — Karin! Nossa… Você derrotou todos sozinha? A sacerdotisa encarou o senhorzinho e pensou. Ele me parece alguém que não queria conhecer…

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