Oliver acordou ansioso no outro dia. Ele teria mais uma aula com Archibald, e cada uma dessas lições era uma oportunidade imensa de aprendizado que ele não pretendia desperdiçar.

    Também havia outros pensamentos passando por sua mente.

    Agora ele teria um segundo mestre… Orson dizia ser um mago especializado em almas, mas isso era simplesmente muito estranho. Havia muitas questões pairando no ar, sem resposta.

    Por que Orson vivia fingindo ser um mendigo numa vila tão pequena quanto Corval? Ele não era um mago? Se fosse um mago de pelo menos 3º ciclo como Archibald, com certeza viveria uma vida boa.

    Por que ele precisava passar seus ensinamentos adiante? Oliver só conseguiu aulas com Archibald graças a Erina e, ainda assim, só foi valorizado e reconhecido como talentoso depois de algumas lições.

    Antes disso, Archibald o trataria como uma pessoa qualquer, sem se importar. Orson, porém, parecia diferente, já demonstrava interesse em Oliver desde o primeiro momento em que se conheceram.

    “Será que ser um elfo da alma é tão importante assim para os ensinamentos de Orson?”, Oliver se questionava internamente enquanto seguia para a Casa dos Venn, onde seria ensinado.

    Nada parecia errado naquela manhã. Oliver se sentou à mesa ao lado de seu colega de turma, Jonathan.

    Jonathan ainda lhe lançava um olhar intenso.

    De relance, Oliver percebeu que a alma dele brilhava numa cor diferente da usual. Era um tom avermelhado, distinto daquele que representava ódio. Havia ali uma espécie de desafio. Sua intuição traduziu aquilo imediatamente, e Oliver pôde entender o que significava.

    “Desde quando ele me vê como um rival?”, pensou, franzindo levemente a testa. Oliver estava surpreso com a mudança de atitude vinda de Jonathan. Pessoalmente, ele não gostava do garoto, via-o como uma criança impulsiva e mimada. Em todos os encontros anteriores, era extremamente perceptível o ódio que Jonathan sentia por Oliver, mas agora um sentimento diferente tomava conta do garoto.

    “Muito bem, vamos começar. A aula de hoje vai ser longa!”, anunciou Archibald, quebrando o silêncio da sala enquanto se levantava e arrumava o robe com um gesto mecânico.

    A aula seguiu normalmente, e Archibald começou a explicar sobre os diferentes tipos de magia que existiam.

    “Existem muitas magias diferentes. Com o passar do tempo, os magos perceberam que era muito mais conveniente agrupar as magias parecidas; dessa forma, surgiram as escolas de magia. Ainda assim, mesmo dentro de uma mesma escola, existem tantas magias que pode haver outras divisões. Nós chamamos essas divisões de sub-escolas. Por exemplo, eu sou um mago especializado em Defesa. A escola de magia que eu mais estudo é a escola de Magia da Defesa. Porém, dentro dessa escola ainda existem outras subdivisões, como Gelo e Terra.”, explicou ele, andando devagar pela frente da sala.

    “Se ele é um mago especializado em defesa, o que foi aquela magia de gelo que matou o orc? E por que diabos gelo e terra são considerados defesa?”, Oliver pensou, mantendo a atenção fixa em Archibald. Várias perguntas surgiram em sua mente, mas ele não fez nenhuma ainda, pois o mestre não havia terminado de falar.

    “Mesmo que existam várias escolas de magia diferentes, e os magos prefiram se especializar em somente uma delas, é natural que você aprenda magias de escolas diferentes daquela em que se especializou, pois é fundamental que um mago consiga fazer o básico de tudo.” Continuou Archibald, erguendo um dedo para enfatizar o ponto.

    “É basicamente a mesma coisa que Orson tinha dito ontem…”, refletiu Oliver, apoiando o queixo na mão por um instante.

    Quando percebeu que Archibald havia parado de falar, Oliver se endireitou na cadeira e aproveitou a brecha para fazer uma pergunta.

    “Mestre Archibald, eu tenho algumas perguntas.” Ele ergueu a mão antes de continuar. “Por que gelo e terra são considerados defesa? Eu vi o que você fez com aquele orc. Não parecia ser uma magia de defesa.”

    Archibald voltou o olhar para ele e respondeu sem pressa: “Boa pergunta. Gelo é definitivamente uma sub-escola de magia de defesa, mas isso não significa que magias de gelo sejam feitas única e exclusivamente para defesa, significa apenas que o melhor uso delas está nisso. Apenas para efeito de comparação, eu usei uma magia de 3º ciclo para lidar com aquele orc. Se um mago especializado em ataque usasse uma magia de fogo de 3º ciclo, teria matado todos no salão, não somente o orc. A eficiência de outros elementos no ataque é simplesmente superior, da mesma forma que o gelo se destaca na defesa.”

    Oliver ficou pensativo por alguns instantes, absorvendo a informação.

    “E quanto à diferença entre artistas marciais e magos?” Ele se inclinou um pouco para a frente. “Eu acertei um relâmpago naquele orc, mas ele não pareceu nem um pouco afetado pela magia.”

    Oliver estava se referindo ao primeiro relâmpago, no qual o orc conseguiu se envolver com uma camada de aura e se proteger no último instante. Nesse ponto, Oliver sentia que, mesmo sendo um mago de 1º ciclo e o orc um artista marcial de Rank 1, eles não estavam necessariamente no mesmo nível.

    “Sim, essencialmente falando, é mais difícil despertar como um artista marcial do que como um mago.” Disse Archibald, cruzando os braços. “Eu posso guiar o processo de despertar de qualquer pessoa e torná-la um mago de 1º ciclo. Porém, um artista marcial poderoso não consegue fazer isso com a mesma facilidade. Um artista marcial é alguém que desenvolveu seu corpo e suas habilidades por um período ridiculamente longo de tempo. A manifestação da aura é só a etapa final de algo que está sendo construído há anos. Eu diria que seriam necessários talvez 3 ou 4 magos de 1º ciclo para lidar com um artista marcial de Rank 1.”

    Oliver arregalou os olhos com a afirmação. Ele não esperava que a diferença entre artistas marciais e magos fosse tão grande assim.

    “Então artistas marciais são sempre mais fortes que magos?” perguntou, ainda claramente impressionado.

    Archibald hesitou por um instante antes de responder. “Eu não diria isso… no começo, a diferença é bem explícita, mas conforme os Ranks vão passando… é algo muito incerto.”

    Ele fez uma breve pausa e então acrescentou: “Também, nem todo mago se especializa em combate. A magia é o poder de moldar a realidade conforme sua vontade. Existem inúmeros outros usos, e os magos se especializam em escolas que não necessariamente possuem relação com combate. Já um artista marcial é alguém que vive de batalhas por toda a vida.”

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