Capítulo 12 — Despedida
O sol raiando trouxe uma luz fria e cruel ao amanhecer. A fumaça ainda pairava sobre Rhasta, misturando o cheiro de madeira queimada com o orvalho da manhã.
Os sobreviventes, com rostos pálidos e corpos fatigados, juntaram os cacos da noite de terror, mas, antes, pararam para velar os entes queridos que se foram na batalha.
No pequeno cemitério local, os moradores reuniram-se em um silêncio pesado. Hilla estava ao lado da cova recém-fechada de Rolly. Seu rosto encontrava-se endurecido pela dor, mas seus olhos brilharam com uma força silenciosa.
— Faça você — Hilla sussurrou, com a voz rouca, estendendo a mão para Sue. Na palma, havia um punhado de sementes. — Ipê-branco. A preferida dele.
Sue pegou as sementes, elas eram leves, mas pareciam pesar uma tonelada, o peso de toda a vida que Rolly não viveria mais. Com as mãos trêmulas, ela completou a cerimônia, plantando-as sobre o túmulo do pai. A cova estava cercada por pequenas estacas onde alguns de seus pertences, como um pingente e uma vara de pesca, foram cravados.
Hilla começou a prece, e as palavras da tradição de Gaia soaram como um bálsamo na dor.
— …Sua energia alimentará esta árvore e aqueles que descansam em sua sombra. Para seus filhos crescerem e a terra prosperar, ninguém sofrerá. A Mãe vigia e guia, em Gaia descansará…
— Gaia o guarde em paz. — a pequena multidão murmurou.
Antes de partirem, Sue ficou para trás, fitando o túmulo, a terra fofa e fresca. As lembranças vieram como navalhas, o sorriso fácil do pai, a forma como ele manipulava a água para fazê-la rir, a visão de Joff enfiando a lâmina em suas costas, rasgando seu peito.
Lágrimas escorreram, não apenas de luto, mas de uma raiva destilada e de uma culpa lancinante. Ele poderia estar vivo! Ela era o alvo, não ele. Por sua causa, o Guardião da Água de Rhasta jazia sob a terra. O turbilhão de sentimentos, a culpa, o ódio e a dor da perda tomaram conta da garota. Com a Lamúria nas costas, agora fria e silenciosa, ela fez uma prece diferente, com palavras que vieram da nova conexão em sua alma.
— A Deusa do Luar agradece seus sentimentos, papai. Você sempre estará em nossos corações. A Lamúria guardará sua alma e Lunara… principalmente eu se lembrará! Adeus, papai!
Foi uma breve prece para uma deusa para quem Sue não estava acostumada a rezar. Lillhinara estava esquecida em seu passado, mas naquele momento, com a Lamúria em mãos, ela se lembrou da sensação, dos devaneios de uma vida que não viveu, e ali estavam as orações para a Deusa do Luar.
Amarrado com correntes e grilhões, Francis, o elementar de fogo alto e esguio, ficou sob a vigilância de alguns guardas, com o rosto marcado pela sujeira e pela derrota.
— Consegui pegá-lo quando invadi o dirigível — Mall disse. Ela foi o motivo de o dirigível se desestabilizar e conseguiu arrancá-lo de lá.
— Seu desgraçado!
Sue em um puro impulso de raiva, avançou e chutou o rosto do homem. Francis aceitou o golpe, com a cabeça tombando para o lado, mas a fúria de Sue não parou por aí. Ela retirou a Lamúria da bainha, ameaçando algo pior.
— Ei, ei! Calma aí! — Os adultos entraram na frente, alguns segurando a garota com firmeza.
— Me soltem! Esse desgraçado estava junto com eles! Eu vou…
O abraço de sua mãe a acalmou. Hilla apertou-a contra si, o calor familiar que sempre a
protegia.
— Está tudo bem, filha… Não era isso que seu pai iria querer.
As lágrimas de Sue escorreram em um desabafo doloroso.
— O papai se foi por culpa dele!
— E não irá voltar. Aconteça o que acontecer, ele se foi — Hilla, com os olhos encharcados de dor contida, tentou passar sua sabedoria para a filha. — Você agora é uma Rakei, a portadora da Lamúria. Suas decisões terão consequências que vão além desta vila. Não se
deixe levar pelas emoções, minha filha.
Sue tentou refletir, mas sua cabeça estava tão conturbada que era difícil pensar. Ela se afastou, virando de costas, fechando os olhos e segurando firmemente a Lamúria, buscando a calma com um toque de mágica.
— Ele tem algumas coisas interessantes para falar, mas o mais importante, temos que resgatar nossos meninos! — Mall disse, rodeando Francis como um predador.
— Meninos?! — Hilton assustou-se. — Eu realmente ainda não me encontrei com alguns cinzas…
— Eles foram levados. — Francis quebrou seu silêncio, arrancando um suspiro daqueles que não sabiam, e então Mall interveio.
— Quando entrei no dirigível, eu os vi. Tentei libertá-los, mas as coisas não saíram bem como eu queria… Só consegui desestabilizar o aeromóvel antes de pular fora.
— Como consegue ficar tão calma com sua filha com eles?! — Sue, mais controlada, questionou Mall, com a voz ainda fervendo.
Mall, entendendo que a idade e a situação faziam a jovem perder o controle, respondeu de maneira dócil e paciente.
— Manter a calma é o que me fará resgatar nossos garotos. E é isso que vamos fazer, não é, Francis?
— É seguro confiar nele? Não é muito comum vindo de você — Hilton estranhou a atitude da amiga.
Mall, com um leve tapa na cabeça de Francis, complementou.
— Bom, foi ele que se entregou para mim. Disse-me algumas coisas interessantes que vocês vão gostar.
No meio de tantos olhares sedentos por vingança, Francis, pressionado, olhou firmemente para as pessoas. Ele se levantou encostado na parede, assumindo a seriedade de suas palavras.
— Todos os sequestrados são jovens com valor no mercado negro. Foram
levados para a Bacia da Prata.
— E quem são vocês? Quem era o garoto Rakei? — Hilton disparou, cheio de perguntas como todos os outros.
Com um olhar profundo e cheio de medo, Francis pensou antes de responder, buscando coragem. Ele desabafou.
— É o grupo de Rakei Lall Kall!
Todos se espantaram, um nome poderoso foi pronunciado. Francis continuou.
— O filho dele, Rakei Lall Joff, é um lunático mais louco que o pai. Nossa função era achar a Lamúria para o Joff, tornando os Lall os reis novamente.
— Vocês sabem como curar Lunara? — Hilla perguntou, com a esperança lutando contra o trauma.
— Não que eu saiba… O primeiro passo era a Lamúria, o restante eu não sei. Eu sou apenas mais uma vítima…
— VÍTIMA?! — Sue não segurou o impulso.
— Eu nunca quis fazer parte disso! — Em um grito de desabafo, quase chorando, Francis ergueu a voz. — Fui obrigado a acompanhá-los! Kall levou minha família e, se eu não o ajudasse, ele iria matá-los! E eu sei que ele vai fazer isso!
Francis exaltou-se, chorando ao lembrar de sua posição desesperadora.
— Eu acho que ele fala a verdade — Mall interveio. — Ele fingiu sua fuga enquanto estávamos lá em cima. Eles acham que ele morreu.
— Ou está apenas tentando nos atrair… — Sue desconfiou, com a Lamúria ainda pesando em suas costas.
— Ou é isso — Mall deu de ombros, pragmaticamente. — Mas não temos muita escolha. Várias pessoas de fora viram uma Rakei empunhar a Lamúria. Isso irá atrair curiosos e, se permanecermos, eles voltarão.
— Quer que a Sue vá atrás deles?! — Hilla incomodou-se com o fato de a filha estar em perigo.
— É claro que vou! — Sue já estava decidida. — Com ou sem a ajuda de vocês. Irei atrás desses desgraçados e os matarei um por um!
As palavras duras de Sue assustaram a todos. Hilla levou a filha para fora do estabelecimento, tentando acalmá-la, mas foi retrucada em tudo o que disse.
— Perdi dois pais por causa deles! Arruinaram minha vida duas vezes! Não vou deixá-los vivos! Somente eu posso fazer algo, e eu irei fazer!
— Você acabou de conquistar a Lamúria, e sua primeira missão com ela será a vingança?
— A Lamúria os trouxe até nós, e será ela que nos levará até eles!
— Filha! Seu pai não iria querer…
— Mas ele não está mais aqui! Nenhum deles! Todos sabiam que esse dia chegaria, o dia em que eu teria que decidir o que fazer quando a empunhasse. E esse dia chegou! E já decidi o que fazer. Irei derrotar Rakei Lall Joff e o desgraçado do pai dele. Aí sim, depois posso pensar em Lunara.
Hilla ficou sem palavras, refletindo sobre a posição da filha. Era uma situação inédita, um destino maior que ela.
— Então… — As palavras de Hilla saíram lentamente, como se tivessem uma tonelada. — Nós iremos nos vingar juntas!
Hilla concluiu, olhando no fundo dos olhos azuis de Sue, que aceitou sem questionar. Mãe e filha uniram-se em um objetivo comum, vingar Rolly Manfroi e Lunara!
O ar da adega de Rhasta, razoavelmente preservada dos estragos da batalha, estava pesado e abafado. A maior parte dos adultos e todas as lideranças da vila encontravam-se reunidas. A presença de Sue, com a Lamúria nas costas ao lado do elementar de fogo, Francis, era um foco de constante tensão.
— Acho que boa parte de vocês merece uma explicação.
Orange Rhasta, o atual senhor das terras, pai de Hilton, começou levantando a mão de quatro dedos para pedir silêncio. Ele respirou fundo, encarando os rostos desconfiados.
— Irei relembrar a todos dos momentos difíceis que passamos após a guerra de Lunara. O fluxo comercial foi abandonado, vários vilarejos da região ficaram desertos e o reino nos esqueceu… A próspera Vila Rhasta, que crescia a cada ano, entrou em um declínio sem fim
A dor na voz de Orange mostrou-se palpável.
— Fomos obrigados a buscar recursos, acordos comerciais com qualquer um que estivesse disposto, e, em uma dessas missões, Hilton voltou com os refugiados… — Ele pausou, relembrando. — … Muitos olharam torto para aquela atitude, mais bocas para alimentar? Mas os novos moradores surpreenderam. Contribuíram conosco, e o resultado? Uma nova Vila Rhasta se formou! Com mais modernidade, maior infraestrutura, plantações que nunca tínhamos visto e, principalmente, pessoas cativantes com sorrisos em seus rostos! … Tudo isso teve um preço. Eu estava disposto a pagar, eu sabia da verdade, e mantive-a comigo como uma promessa que eu nunca quebraria. O preço de esconder a verdadeira identidade dos novos moradores, e um deles, a garota que perdeu tudo em Lunara e aqui reencontrou um novo lar, uma nova família. A garota que vocês conhecem como Suzi se chama Rakei Dell Sue.
Um coro de surpresa percorreu a multidão.
— Se vocês querem culpar alguém, que seja eu! — Orange deu seu último grito antes de a garganta secar de vez.
— Eu também me responsabilizo pelo que aconteceu — Hilton pronunciou-se, com a voz grave e cheia de remorso. — Sempre soube da origem de… Sue! A culpa do que aconteceu foi minha. Eu fracassei quando fui enganado por eles.
Outras lideranças se pronunciaram, e as explicações acalmaram a maior parte das pessoas. O luto ainda estava ali, mas o segredo exposto.
— Pedirei a vocês que concordem com o meu relatório — Hilton falou em voz alta. — É uma obrigação minha relatar o que houve aqui, mas irei ofuscar a Sue. Não falaremos da existência dela. Espero que todos estejam de acordo. Caso contrário, o Reino pode punir a todos aqui!
Um silêncio quieto e unânime instalou-se, ninguém se opôs. Hilton, então, abordou o assunto mais urgente, os jovens sequestrados.
— Agora temos a questão dos três que foram raptados.
Mall falou, com uma tranquilidade estranha para uma mãe cuja filha estava em perigo. Ela era a única serena entre os pais aflitos.
— Nosso “novo amigo” aqui — ela cutucou Francis — Ele sabe para onde eles estão indo.
— Em outros casos, nós o aprenderíamos aqui até o comando militar da Bacia da Prata vir buscá-lo ou, se fosse impossível mantê-lo aqui, teríamos que… Hilton explicou a situação legal aos moradores — …matá-lo. Mas o usaremos. Nós não… — Ele mencionou o “trio” de elementares ao lado de Francis. — Elas vão atrás dos jovens.
— Nós iremos recuperá-los! — Mall disse, em tom alegre e desafiador. — Até porque, quando os Cavaleiros do Reino chegarem, podem não gostar de ver três elementares de Lunara. Iremos ser consideradas fugitivas para vocês de Rhasta, para a alegria de alguns…
— Ela resmungou baixo a última parte, olhando para os rostos menos amigáveis na adega.
— Enviarei cavaleiros pela estrada principal — Hilton decidiu. — Eles irão em direção à Bacia para relatar e não voltarão sem uma resposta. Encontrem-se lá!
Mall e Hilla concordaram com a cabeça. Hilton virou-se para Sue, e o volume de sua voz diminuiu.
— Receio que terão que selar aquele seu santuário. Não podemos deixar qualquer vestígio de quem você é. Até onde sabemos, os que a viram foram os viajantes e os saqueadores. Para os saqueadores, não há vantagem em anunciá-las, e para os viajantes, bem, eles sempre aumentam as histórias.
— Eu entendo — Sue respondeu, em um tom frio, quase cortante. Seu olhar estava fixo em um ponto, sem se importar com os olhares ao redor. — Podemos ir agora mesmo?
A frieza dela assustou as pessoas. Era uma nova Sue, forjada na tragédia.
— Quanto antes partirmos, melhor será — ela disse, seca, já se retirando do local e olhando para a frente, indiferente aos olhares.
Em sua última visita àquele lugar sagrado, o único refúgio onde pôde compartilhar seus sentimentos e relembrar a história desde a guerra. Sue molhou as pernas na água fria pela última vez. Os cristais brilhavam, mas ela só sentia o ambiente minguante enquanto derramava lágrimas silenciosas. Rakei Dell Sue despediu-se, e o grito de sua alma ecoou na gruta.
— Por quê?!
Ela ajoelhou-se, olhando para seu reflexo na água, uma imagem distorcida pela dor.
— Não precisava ser assim. Você não precisava morrer!
Seu reflexo foi desmanchado pelo soco que ela desferiu na superfície.
— Pela segunda vez isso aconteceu! Morreram por… por sua causa!
Ela levantou-se com um olhar frio, segurando a Lamúria e encarando-a.
— Essa é a lamúria de Lunara?… Ter um desastre em sua vida. Você é uma maldição?!
Seu olhar refletiu-se na lâmina azulada, esperando uma resposta que não veio.
— “Um presente de Lillhinara, a Deusa do Luar. Ela entregou-lhes o coração de Cristar, forjado em uma espada, a Lamúria de Lunara.”
Ela recitou ainda encarando a Lamúria, que boiava nas águas, refletindo e devolvendo o olhar de Sue.
— Suas histórias e suas lendas estão sendo manchadas pelos rastros de sangue que você derrama!
A água pulsou como resposta. A Lamúria sentiu. Sue continuou fria.
— A ambição daqueles dois… — referindo-se a Kall e seu filho. — … Nunca me deixarão em paz. O que você fez a eles? … Eu devia te enterrar aqui ou te jogar em um vulcão para desaparecer de uma vez por todas!
Não só a água, mas o ar se agitou, as rochas tremeram, e o ambiente pareceu estar vivo, incomodando-se com Sue.
— … Ou pior. Te entregar para eles. Assim posso viver…
A Lamúria reagiu com mais intensidade, uma onda invisível bateu no peito de Sue, machucando-a, mas ela resistiu, permaneceu em pé encarando-a. Sue pegou-a pelo cabo e sua mão ardeu, a Lamúria rejeitou-a, mas Sue não largou, suportando aquela dor ínfima em relação à dor que sentia em seu peito.
— …Eu suportarei o seu peso… Mas… Você suportará o meu!
Sue ergueu a espada para cima, ar e fogo a rodearam. Ela lembrou-se da sensação de quando lançou o Desastre, aquele momento em que ar e fogo se cruzaram. Naquela hora, atenta e prestando atenção, controlou os elementos para se juntarem na medida certa, como seu pai a ensinou na pescaria.
Ar e fogo transformaram-se em um, o brilho azul da Lamúria misturou-se às cores alaranjadas. Sue iniciou as palavras que marcaram aquele momento, estava entalhado em sua mente a partir de então. Para sempre, ao pronunciar essas palavras, ela nunca esqueceria seu significado.
— Desastre!
Em um ato final de despedida e destruição, o Desastre foi disparado, perfurando o teto duro de rocha da gruta, abrindo um buraco e destruindo toda a casa em cima. A luz da explosão foi vista de longe, por toda a Rhasta.
Em meio à destruição e aos escombros, as lágrimas de Sue escorreram, lembrando-se não apenas de seus pais biológicos e de Rolly, mas de todas as risadas e aprendizados que viveu na vila. Aquele ato final foi a despedida da alegria de crescer naquele local, selando o lar que nunca mais seria seguro.
No alto da colina, observando o raio de luz e a nuvem de fumaça que subia da floresta, estavam Hilla, Mall e Francis, já montados e com mochilas de viagem.
— Foi mais difícil do que eu imaginei… — Mall disse, com os olhos fixos na destruição. Havia uma profunda tristeza em seu tom, uma raridade para aquela elementar de terra.
— A dor que ela passou nessa transição… acho que nenhum rei de Lunara sofreu tanto quanto ela.
Hilla, ainda muito abatida, derramou uma lágrima solitária.
— Fui tola em achar que eu poderia livrá-la desse destino — ela lamentou, cabisbaixa.
— Eu… lamento, minha amiga — Mall respondeu, com seus próprios sentimentos tocados pela perda imensurável de Hilla.
Não demorou muito para que Sue surgisse. Montada com seus equipamentos de viagem e a Lamúria pendurada na cintura, mas a bainha recoberta por couro para não levantar suspeitas. Ela juntou-se ao grupo. Seu olhar estava vazio, mas sua postura era de uma determinação fria e inabalável.
— Então, qual o primeiro ponto? — ela questionou Francis, sem rodeios.
Francis estremeceu com o olhar da garota, mas respondeu.
— Iremos para o Ponto de Cogos, um morro a vinte quilômetros antes da Bacia da Prata.
Eles terão que parar lá. Não iriam conseguir chegar naquele estado.
— Levaremos um dia inteiro ou mais para chegar… — complementou Mall, dando uma última olhada para Rhasta.
— Mas tem um problema — pronunciou Francis, constrangido.
— Fale de uma vez… — Mall contorceu os olhos, sabendo que não seria uma missão fácil.
— Estão no Pântano.
Mall, a menos abalada entre as duas, foi a que se surpreendeu. Todos sabiam dos rumores e dificuldades de atravessar aquele pântano, mas Sue puxou a frente sem rodeios.
— Então, vamos.
Eles se viraram para o leste, a paisagem sombria do dia refletindo o humor da comitiva. A Rakei e sua mãe, em busca de vingança. A elementar de terra, em busca de sua filha. E o traidor forçado, guiando todos para o coração da ameaça. A jornada para a Bacia da Prata iniciava, e havia muito mais que vingança esperando por elas.

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