Capítulo 3 — Suzi, a matadora de dragão
O traje de couro marrom era desgastado, mas resistente, o material preferido no reino para evitar o metal. Era mais uma vestimenta para suportar os movimentos do usuário do que para deter um ataque, pois um corpo revestido de mana mostrava-se mais resistente que qualquer couro velho. Dentro desse traje de batalha, Sue, que na época tinha dezesseis anos, reclamou enquanto se olhava no espelho. Hilla a ajudava a se vestir.
— Aposto que tem coisa muito melhor lá embaixo — resmungou a jovem.
— Com certeza tem! — Hilla exclamou, terminando de amarrar as costas de Sue, puxando o cordão bem apertado. — Mas, quando você está lá fora, você é…
— Suzi! — Sue cortou a mãe em tom divertido. — Sou a camponesa Suzi! Filha da lindíssima Hilla Tharius, ex-agricultora de uma loja qualquer, e de Rolly Manfroi, agente do departamento de água da cidade de Lunara.
Hilla estava focada na roupa e ignorou a graça da filha. Os olhos da mãe escorregaram pelas costas de Sue, procurando qualquer imperfeição.
— Essa amarração está boa. Acho que dura alguns minutos com você — Hilla analisou a armadura. — Mas se ficar dando piruetas vai desamarrar, então é melhor garantir. — Ela apertou mais um pouco, sufocando a filha.
— O quê?! … Ai! Está doendo!
— Pronto. Você está nervosa? — perguntou Hilla, com as palavras atropelando-se umas às outras.
— Estou bem. Talvez um pouco ansiosa.
— É a sua primeira vez fora com eles, sem nós, sem eu ou seu pai, então…
Sue soltou uma risada confiante.
— Você é quem está! Eu vou ficar bem, mãe! Sei cuidar de mim. E vou estar com aqueles dois tontos.
— Isso é o que me preocupa! Além de ficar preocupada com você, tenho que me preocupar com você cuidando deles!
Sue gargalhou, concordando com a mãe.
— Minha primeira expedição junto com os soldados da vila. É só uma volta. O que pode acontecer de mal?
A jovem analisou seu corpo no espelho dentro daquele punhado de couro. Seus longos cabelos estavam amarrados para não atrapalhar os movimentos bruscos. Com um metro e sessenta e cinco, ela já estava com o corpo quase formado de uma mulher adulta.
— Não exagere, filha. Todos já sabem de sua força, mas tente se conter, tudo bem? Ser discreta é bom.
— Sim senhora Hilla! Eu sou somente a Suzi, uma camponesa talentosa. Não tenho nenhum sangue Rakei e nenhuma espada mágica embaixo de casa.
Após pegar a bagagem de acampamento, Sue recebeu um beijo na bochecha de sua mãe, que a acompanhou até a frente de casa. Lá, Rolly já estava montado a cavalo, esperando-a com outro animal. O vento frio e os flocos finos de neve balançavam o casaco de Sue fora da casa.
— Céus. Que frio! — exclamou ela, olhando para o céu escuro.
O sol já raiava no horizonte, mas um evento natural deixava os dias sombrios. O motivo era o continente voador Orion. Tratava-se de um fenômeno que geralmente acontecia uma vez a cada duas décadas, nem sempre pontual, a última vez que passou foi há mais de quinze anos, ou seja, inédito para Sue. O continente trazia o frio. Os dias ficavam curtos e perigosos. Era sempre bom olhar para cima, pois algo podia cair em sua cabeça.
— Raios! Que demora vocês duas. É só um treinamento fora da vila, não uma viagem!
— Eu sei, pai, mas é a minha primeira expedição! — ela complementou, já montando no cavalo com agilidade. — Podemos?
Os dois partiram e andaram cerca de cinco quilômetros a partir do vilarejo. Eles se depararam com uma queda suave no terreno, onde o mundo se abria. O sol no horizonte nascia para perpetuar por pouco tempo, logo se esconderia atrás de Orion, sendo possível vê-lo novamente apenas no entardecer.
À frente, o campo verde se estendia. A luz da manhã lançava um brilho dourado que tocava as copas das poucas árvores dispersas pelas elevações. Sue seguiu sozinha, juntando-se aos jovens que se amontoavam em volta de uma fogueira.
O treinamento começou. Dezenas de jovens, inicialmente empolgados, correram e gritaram, determinados a completar o treinamento de cadetes. A determinação era palpável, misturada à adrenalina da primeira jornada. Mas, ao entrarem no terreno íngreme e com a grama fofa e densa, os passos ficaram mais pesados. Os tornozelos afundavam levemente, exigindo mais esforço. O vapor da respiração dos outros jovens se misturava no ar frio, enquanto a euforia inicial dava lugar a um esforço silencioso que exauria alguns aprendizes.
— Eu não estou aguentando mais!
Ofegou Khalos, um rapaz alto e esguio de cabelo claro, cujo corpo parecia feito mais para a biblioteca do que para a marcha. Seu rosto pálido estava banhado em suor, e suas pernas longas tremiam visivelmente a cada passo.
— Acho que vou morrer!
Ao lado dele, Sue estava muito mais revigorada, apenas um pouco ofegante. Ela o incentivou.
— Continue! Você não quer se tornar um Cavaleiro?
— Para você que tem mana há tanto tempo é mais fácil! — ele pausou, lutando para respirar. — Faz só alguns meses que despertei a minha. Meu corpo ainda está se acostumando. Não sei se vou aguentar!
Enquanto Khalos gemia, apoiando as mãos nos joelhos à beira do colapso, uma garota surgiu. Pequena e rápida como um esquilo, Laz era facilmente identificável pela trança loira desgrenhada que balançava com seu movimento. Ela se aproximou por trás, silenciosa, com as bochechas inchadas de esforço para conter um riso sacana. Levantando o dedo indicador, mirou a bunda do rapaz.
— Deixa eu te dar uma “carga”!
Faíscas estalantes irromperam da ponta de seu dedo, cravando-se no alvo estreito com um som seco e rápido. Khalos saltou com um grito agudo de dor e surpresa, arrancando boas risadas de todos os cadetes.
— Laz, sua biscate! — Khalos revidou por impulso, caindo em palavrões entrecortados pela respiração pesada.
As risadas, altas demais para a gravidade do treinamento, chamaram a atenção. No topo da colina, imponente contra o céu da manhã, estava Hilton Groeman Rhasta. O comandante, um Cavaleiro Prateado e líder do quartel do vilarejo. Lançou um olhar duro sobre a farra dos aprendizes, cessando os risos imediatamente.
Sua figura alta e corpulenta, sem um grama de gordura, era pura ameaça controlada. Aos poucos mais de quarenta anos, Hilton tinha a cabeça completamente careca, polida pelo sol, e uma expressão que parecia talhada em pedra.
Ele vestia uma armadura de couro preto, austera e funcional, sobre a qual apenas o símbolo prateado de sua insígnia no peitoral brilhava com autoridade fria.
Seu olhar de aço fez a alegria murchar no campo. Laz congelou, com o riso preso na garganta, e Khalos se calou imediatamente. O palavrão incompleto se perdeu no esforço de parecer respeitável.
Para Hilton, embora todos fossem amigos, o treinamento devia ser levado a sério.
— Laz Saintman! — a voz forte e grossa arrepiou a pequena, que já imaginou o sermão que levaria. — Vejo que está bem familiarizada com seu elemento. Por que não vem aqui na frente mostrar a todos?
Hilton encarou o batalhão de doze jovens, com idades entre treze e dezoito anos. Laz, com quinze anos, era imatura, mas demonstrava um talento acima da média. Esse era o perigo da mana despertada em jovens, eles brincavam e abusavam do poder. Por isso, considerava-se fundamental um mentor de pulso firme para educá-los.
— Eu estava brincando, senhor Hilton… — Laz aproximou-se, cabisbaixa e envergonhada.
Hilton não precisou gritar duas vezes, com a palma da mão, encobriu toda a cabeça da pequenina, se sentindo um pequeno animal preso naqueles dedos grotescos.
— Atenção! Este não é um jardim de infância. O tempo para risadinhas e brincadeiras idiotas acabou no momento em que puseram essa farda em seus corpos!
Sua mão apontou para a floresta sombria no horizonte.
— Vocês não estão aqui para fazer amigos ou namorados. Estão aqui para se tornarem a Espada e o Escudo do Reino de Rusfield! Pensem nisso, seus projéteis de esterco. Em um campo de batalha, uma brincadeira mal feita não resulta em risadas, resulta em uma cova rasa! Parem de agir como crianças e ajam como futuros Cavaleiros! O próximo a desviar do treinamento será retirado e expulso da vila!
O silêncio perpetuou-se entre os jovens. Alguns imaginaram que ele pudesse estar ameaçando falsamente sobre a expulsão, mas não ousaram questionar. Laz ficou sem graça na frente de todos, esperando o veredito de Hilton. Ele olhou para baixo, com seus mais de um metro e oitenta, Laz ao seu lado era como um toco de árvore recém-serrada.
— Um Cavaleiro tem seus princípios. Um deles é reconhecer seus erros e se desculpar.
Envergonhada, Laz respirou fundo e virou-se para todos, — com “ajuda” da mão em sua cabeça. Ela pediu desculpas, em particular a Khalos, que acenou com a cabeça aceitando. Mas, antes de voltar para seu lugar, ela ouviu sua punição.
— Ainda não acabou!
Laz congelou. Nem ousou se virar para olhar nos olhos dele, somente ficou atenta e escutou.
— Irá lavar a louça de todos os cadetes durante o treinamento!
Alguns não conseguiram segurar os risos, mas Hilton ignorou, até ele gargalhou por dentro, mas manteve a postura séria diante dos jovens. Laz suspirou aliviada, mas ao mesmo tempo imaginou quanta louça teria que lavar. Se ao menos fosse uma elementar de água, já que a eletricidade não ajudaria em nada nessa tarefa.
Em uma conversa particular entre Sue e seus dois amigos, ela recitava as emoções das últimas lembranças em Lunara, olhando para o fogo estalando nas lenhas em meio a eles. O seu olhar transmitia a história que chocava seus amigos.
— “A escuridão me cegava… Eu tinha apenas sete anos quando assisti à minha raça ser varrida da existência.”…
— Nossa… — Khalos disse com a voz embargada, sentindo o peso das vivências da amiga.
— Que crueldade! — Laz, já em lágrimas, abraçou-as para confortá-la. — Você nunca tinha nos contado dessa maneira!
Sue riu da forma como os dois levavam o conto tão a sério. Ela mesma já não se emocionava mais, talvez o tempo tivesse cicatrizado as feridas.
— Não se preocupem. Os traidores de Lunara se foram junto com o reino.
As palavras dela soaram como espinhos, deixando um silêncio que começou a ficar incômodo. Para dissipar a tensão, Khalos abriu um caderno que guardava em suas malas, repleto de figurinhas colecionáveis.
— O que é isso aí? — perguntou Laz com curiosidade.
— São figurinhas dos Cavaleiros do Reino! — ele explicou, empolgado. — E aqui tenho uma que meu pai comprou para mim como recompensa por eu estar aqui. Querem assoprar? Dizem que dá sorte.
Ele estendeu as mãos com uma espécie de “biscoito da sorte” feito de material sintético. Laz rejeitou a ideia com um gesto de repulsa, mas Sue aceitou e assoprou, fazendo o objeto se quebrar. Khalos o abriu e seus olhos se arregalaram.
— Uau! Por Gaia, Su… Suzi!
— Hein? — ela ficou sem entender. — Foi bom ou ruim?
— Foi perfeito! Nell Mallzare Silvanez! — Ele mostrou a figura, um rosto desenhado à mão, adornado por uma moldura dourada.
— O Cavaleiro Dourado?! — Até Laz reconheceu o nome prestigioso.
— Ele mesmo! — Khalos folheou o álbum até achar o lugar correto. — Falando nisso, sabiam que Rhasta foi fundada em conjunto com os Silvanezes?
— Sério? Aqui não é território dos Orion? — Sue questionou a biblioteca humana que era o amigo.
— Hoje em dia, sim. Mas, durante a dinastia Yorion, as terras foram reformuladas e agora pertenciam aos Murhers.
— Está explicado por que tudo está tão abandonado — Laz revirou os olhos. — Onde eles tocam, apodrece!
— Concordo com você, Laz. — Foi um raro momento de sintonia entre os dois. — Lunara que o diga… — Khalos olhou para cima. — Por causa de um pedaço disso aí, estamos aqui agora.
— E por causa disso nos conhecemos. — Sue sorriu gentilmente com sua dedução.
Os outros dois refletiram sobre esse ponto.
— Um reino vale mais que amizades! — disse Khalos, com o coração apertado.
— Ah, mentira! — Laz cutucou o amigo. — Você é caidinho pela Su… Suzi!!
Khalos negou imediatamente e, agora longe dos olhos de Hilton, fez um gesto obsceno para ela.
— Então por que seu rosto está vermelho? — Laz continuou provocando.
Khalos que nem estava vermelho, olhou para Sue e perguntou. — Estou?
— Sim, está! — Sue entrou na brincadeira.
Agora, sim, Khalos avermelhou de verdade, sem saber onde enfiar o rosto.
— Não é isso! Eu só a admiro… por tudo o que ela passou. A responsabilidade que ela herda é algo que não podemos compreender e, mesmo assim, não a vejo chorando nem resmungando… Por isso eu te admiro, Sue!
O feitiço virou contra o feiticeiro. As bochechas de Sue ficaram rosadas e, com a voz constrangida, ela agradeceu.
— O-obrigada… não precisava de tanto….
Laz, que sempre pegava no pé de Khalos por sua timidez, calou-se subitamente diante da sinceridade do momento. Dessa vez foi Sue quem cortou o silêncio que começava a constranger as duas.
— Será que há mais deles lá em cima?
— Dizem que está infestado de bestas e pedras mágicas. Além do frio, os Orions também trazem monstros! — disse Khalos.
— Espero que continuem lá! — Laz comentou, fazendo um gesto de negação.
As reclamações dos jovens eram pertinentes. O continente voador trazia escuridão, frio e um aumento nos incidentes com bestas, um período que durava dias, mas que já chegaram a ultrapassar um mês. Orion não seguia uma trajetória fixa nem tinha velocidade constante, era um verdadeiro mistério.
Como olhar para cima doía o pescoço, eles se abaixaram e alimentaram a fogueira. Laz costurava algumas roupas enquanto Khalos folheava o álbum com Sue ao seu lado, observando e trocando conversas triviais. O momento era de paz. Eles tinham uma hora para comer e descansar, estavam aproveitando cada segundo, até que algo no céu chamou a atenção. Rugidos com asas batendo e o brilho de magias sendo lançadas indicaram que dois dragões jovens brigavam furiosamente, aproximando-se do acampamento.
— Uau! São bestas! — gritou Sue, maravilhada com a dança mortal das criaturas.
— São do tipo dragão — Khalos comentou em tom tímido, já demonstrando receio.
— Ei, idiotas!
Um rapaz se aproximou. Ele tinha cabelos curtos e encaracolados, não era alto, mas era forte. Seu nome era Asper Groeman Rhasta, de dezoito anos, o mais velho da turma e sobrinho de Hilton. Ele detestava Suzi pelo fato de todos sempre estarem atrás dela. Se pelo menos fosse natural da região, mas não, era uma estrangeira roubando o seu lugar!
— São dragões — disse ele, agora mais perto.
— Ah, é?! — ironizou Laz, com um toque de crueldade. — Não somos tão burros quanto você acha. Desembucha, o que quer?
— Meu tio pediu para se agruparem no centro. Mas, por mim, podem ficar por aí e virar comida de dragão.
Bestas, não importa o tipo, gostavam de caçar humanos. Mas esses dois estavam focados apenas na luta, até que um deles acertou um golpe, derrubando o outro em direção aos alunos.
— Se afastem! — Hilton mobilizou os adultos para cercarem a besta caída.
O impacto não foi fatal. O dragão ainda estava vivo e, para sua sorte, o outro seguiu voando, deixando-o para trás. Era um jovem dragão de pequeno porte, o que justificava a derrota. Tinha no máximo sete metros de comprimento e entre três e quatro de altura. Ele se levantou, observando os adultos por perto, rosnou e cuspiu fogo para afastar a ameaça.
— O que vamos fazer, Hilton? — perguntou Joker, um dos ajudantes, preocupado, já que as tendas estavam todas montadas ali perto.
Hilton desembainhou a espada e encarou a besta. — O que humanos fazem quando encontram bestas!
O dragão percebeu que Hilton era uma ameaça e, mesmo ferido, se preparou para lutar. Avançou mostrando os dentes. Em um movimento rápido, Hilton encostou a mão no chão e uma coluna de terra se ergueu, acertando o queixo do dragão e freando seu avanço. Em outro movimento, uma estaca de terra surgiu em direção à barriga da besta, mas a pele mostrou-se muito resistente.
— “Terei que usar a espada…”, Hilton pensou em um plano para se aproximar sem se ferir.
Sue aproximou-se sem medo, chegando ao lado de Joker, um Cavaleiro de Bronze.
— Saia daqui, Suzi!
— Os ataques de Hilton não são perfurantes. Ele é do tipo que ganha batendo — Sue analisou a luta, ignorando o aviso de Joker.
— Eu sei! Mas ele é um Cavaleiro Prateado. É o melhor de nós.
O dragão cuspiu fogo, forçando Hilton a subir uma parede de terra para se proteger. A criatura mostrava poder mesmo ferida. Ela alçou voo, dando a entender que fugiria, mas foi uma finta. O dragão já estava determinado a capturar a presa, um humano com mana! Era o alvo preferido de bestas carnívoras. A fera avançou de cima para baixo e as garras colidiram com a espada de Hilton. O chão rachou com o impacto, mas o cavaleiro permaneceu estático como uma rocha sólida. Os cadetes e outros cavaleiros assistiram com aflição, mas para Hilton era só mais um combate.
O dragão conseguiu agarrar a espada com a boca e a tirou das mãos de Hilton. Ele, sendo um elementar de terra, mudou o terreno de sólido para uma terra barrenta, quase líquida, uma areia movediça. O dragão, ao ver que afundaria, bateu as asas e planou, dificultando o combate. Oponentes voadores eram péssimos para Hilton. Mas ele não desistiu, concentrou seu poder, querendo tentar nocautear com um golpe só, e o dragão fez o mesmo, respirando fundo prestes a soltar uma baforada à queima-roupa.
Mas o capitão viu algo atrás do dragão. Caindo do alto, ele percebeu os gritos atrás de si, não eram para ele, mas para a teimosa e corajosa Suzi. Ela aproveitou a distração da besta, pegou a espada que fora arremessada e pulou alto com a ajuda de seus poderes elementais. Sue conseguiu mudar sua trajetória em pleno ar, rebatendo os pés no vento como se fosse uma parede sólida. Em um instante, ela estava em cima do dragão com a espada contornada por uma aura esverdeada: Encantamento. Sem remorsos ou medo, Sue fincou a lâmina na nuca da criatura, que caiu morta, com a língua para fora, jorrando sangue sobre ela.
Hilton olhou fixamente para Sue, que desceu do cadáver.
— Isso foi perigoso, Suzi…
— CÉUS! VOCÊS VIRAM?! — Sue gritou, olhando para os amigos e ignorando o sermão enquanto erguia a espada ensanguentada. — Eu matei um dragão!
— Acho que ela nem precisa mais de treinamento — Joker comentou, aproximando-se de Hilton. — A espada estava encantada. Ela deve estar acima de um Cavaleiro de Bronze.
— Eu percebi — respondeu Hilton. — Mas ela ainda é uma criança.
Enquanto os dois adultos analisavam a façanha de “Suzi”, ela, com um sorriso de orelha a orelha, foi comemorar com os amigos, que a exaltaram.
— Caraca, Suzi! Quando você aprendeu Encantamento?! — Khalos perguntou, sabendo que era uma habilidade intermediária.
— Ah, isso?! — Ela encantou a própria mão. — Acho que sempre soube. É algo natural.
— Natural?! — Khalos gritou, inconformado. — Você não é natural!
O fim do dia foi de comemoração. As tendas ainda estavam erguidas, as fogueiras acesas e houve bebidas e, principalmente, carne de dragão! O árduo treinamento, que deveria ser apenas escolta e treinos práticos, virou algo histórico. Todos saudaram Suzi, a matadora de dragão!

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.