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    Yu Sheng enfim pôde comprovar como o Limiar era um lugar de maravilhas e talentos excepcionais — e agora, a Agência de Operações Especiais também começava a experimentar os talentos peculiares da “Pousada”.

    No refeitório número dois do prédio sede, alguns funcionários da Agência de Operações Especiais, que tinham acabado de sair do turno da noite e planejavam tomar café da manhã antes de ir embora, receberam a terrível notícia de que o macarrão com ovo e os pãezinhos recheados estavam temporariamente suspensos. Em seguida, viram várias pilhas de pratos e tigelas perfeitamente arrumadas na mesa mais próxima ao balcão de comida, e, sentada entre essa montanha de louça, uma Raposa-demônio de Nove Caudas que enrolava o macarrão nos hashis, mordendo-o com a mesma alegria de quem come uma coxa de frango.

    A garota-raposa comia com o rosto iluminado de satisfação. Ali na Agência de Operações Especiais, ela não precisava esconder nada, então o monte de caudas felpudas atrás de seu corpo balançava animadamente enquanto ela devorava a refeição. Havia também dois cozinheiros parados ali do lado, encarregados apenas de servi-la; o suor frio deles já escorria até os sapatos, e as mãos que seguravam as conchas não paravam de tremer.

    Vendo a raposa engolir mais uma tigela de macarrão, seguida por pãezinhos do tamanho de punhos mergulhados no caldo que desapareciam em duas mordidas, sem o menor sinal de lentidão, um dos cozinheiros finalmente sussurrou com a voz trêmula para o colega: “E aí… será que a gente não devia chamar a polícia?”

    “Chamar a polícia uma ova”, respondeu o outro cozinheiro, pálido. “A sede da Agência de Operações Especiais vai ligar para a polícia dizendo que o próprio refeitório está sendo saqueado, é isso? Vão rir da nossa cara até o ano que vem! Além disso, a Diretora da Agência já disse para deixar essa garota comer o quanto quiser, não é para impedir, não importa a quantidade…”

    “Mas ela não disse que seria tanto assim! O que eu não entendo é: para onde vai tudo isso? Até dois elefantes já teriam morrido de tanto comer…”

    “Deixa de falar besteira, trabalhando na Agência de Operações Especiais a gente já viu de tudo!”

    “Isso eu nunca vi mesmo…”

    “Droga! Os pãezinhos dela estão acabando! Rápido, para a cozinha!”

    “Puta que pariu! Esqueci de avisar para cozinharem mais no vapor! E-eu, eu vou pegar umas duas cestas de pão puro para segurar as pontas!”

    Foi exatamente essa a cena que Yu Sheng viu ao chegar ao refeitório acompanhando Baili Qing.

    A raposa de nove caudas lá de casa está recarregando a munição.jpg.

    Sendo honesto, o próprio Yu Sheng ficou assustado ao ver aquilo, e até chegou a duvidar por um momento se estava deixando a garota passar fome em casa.

    Claro que foi só uma dúvida passageira, afinal, ele conhecia a “peculiaridade” de Hu Li. Ela comia muito, sim, mas também chegava a ficar cheia; só que, do ponto de vista de estocar munição, o “apetite” dela não tinha limites… Algo que uma pessoa normal jamais imaginaria.

    Quando Baili Qing concordou prontamente em deixar Hu Li comer o quanto quisesse no refeitório, Yu Sheng já sabia que isso ia acontecer, mas não avisou. Afinal, se a Agência de Operações Especiais estava oferecendo de graça, por que não aproveitar?

    Especialmente depois de descobrir a fortuna e o tamanho absurdo do Limiar, que ficava por trás da Agência de Operações Especiais. Tirar proveito daquela riqueza pesava ainda menos na consciência.

    Nesse momento, Hu Li, que segurava a tigela e bebia o caldo aos goles rápidos, ouviu os passos se aproximando. As orelhas grandes da garota se moveram, ela deixou a tigela de lado, pegou uma de suas caudas, esfregou a boca com força para se limpar e virou a cabeça para Yu Sheng com o rosto cheio de alegria: “Benfeitor! Você chegou!”

    “É, cheguei”, Yu Sheng foi até ela com um largo sorriso e, com a naturalidade de quem já estava acostumado, pegou a cauda de Hu Li e limpou os cantos da boca que ela tinha deixado passar. “Já encheu a barriga?”

    O rosto de Hu Li irradiava energia (e também um certo brilho oleoso de comida): “Comi sim! Fiquei cheia agorinha!”

    Então Yu Sheng olhou para trás e viu que Baili Qing também se aproximava. Naquele rosto apático de aço, ele conseguiu vislumbrar um traço de choque. A diretora arregalou os olhos para os pratos e tigelas empilhados na mesa (que claramente eram apenas o que sobrou após uma parte já ter sido retirada) e, depois de um longo silêncio, conseguiu falar: “Eu achei que… ela apenas comesse bastante.”

    Yu Sheng deu uma risadinha: “Surpresa?”

    Baili Qing segurou a resposta por dois segundos: “…Estou mais curiosa para saber como você consegue sustentá-la no dia a dia.”

    Yu Sheng se divertiu: “Se eu disser que não dou conta, você me deixa abrir um portal direto da Rua Wutong, 66 para este refeitório? Todo dia, na hora de comer, eu mando a Hu Li vir filar boia aqui com vocês.”

    Ele falou aquilo só de brincadeira, mas não esperava que a diretora à sua frente realmente ponderasse a ideia por um instante antes de balançar a cabeça com total seriedade: “Pode ser. Pelo menos isso a gente consegue bancar.”

    “Ah, foi só uma piada”, Yu Sheng ficou constrangido na mesma hora e balançou as mãos freneticamente, aproveitando para explicar. “Normalmente, a Hu Li só ‘come bastante’ mesmo. Dá para sustentá-la sem problema. É que esses dias, para resolver o incidente de ‘Contos de Fadas’, o consumo de munição dela foi meio alto, então comer muito agora é como reabastecer o arsenal… Se você não a parar, ela é capaz de esvaziar esse refeitório de verdade.”

    Baili Qing: “…?”

    Baili Qing, uma excelente especialista em combate em Domínios Anômalos, guerreira experiente e líder lendária no comando da Agência de Operações Especiais há cem anos, deparou-se pela primeira vez na vida com um arranjo de palavras que lhe causou um enigma profundo: ‘Que porra isso quer dizer?’

    Nesse momento, a própria Hu Li pareceu ficar um pouco sem graça. Talvez tivesse finalmente notado as pilhas de louça na mesa e os dois cozinheiros ao lado, cujos suores frios já formavam poças no chão. Ela encolheu o pescoço e diminuiu o volume da voz: “Desculpe, acho que comi um pouco demais…”

    Antes mesmo de ela terminar de falar, os dois cozinheiros responderam em uníssono: “Foi pouco, foi pouco! O importante é comer bem!”

    Mesmo assim, Hu Li continuou com o rosto vermelho. De repente, deu um passo à frente e tirou uma coisa enorme do meio das caudas: “Fiquem com isso, como… como agradecimento.”

    Yu Sheng nem conseguiu ver direito o que era antes de escutar um Baque alto. Uma peça gigantesca, escura, com um brilho metálico e parecendo um contrapeso de guindaste, foi atirada de qualquer jeito no chão por Hu Li, fazendo as mesas ao redor tremerem com o impacto.

    Até Aileen, no ombro dele, tomou um susto: “Minha nossa! Que treco é esse?!”

    Depois, Hu Li puxou Yu Sheng, querendo voltar para casa. Vendo que o rosto da garota já estava vermelho até o pescoço, ele só pôde dar um sorriso sem graça para Baili Qing. Enquanto abria casualmente a porta que levava de volta para a Rua Wutong, 66, ele avisou: “Vou levá-la de volta, então… Não esqueça de me avisar assim que tiver novidades sobre o Cristal de Ankaela ou sobre aquele pedaço de ‘pano’, hein! Estarei em casa esperando notícias… Ah, e tem também a taxa de realocação do orfanato!”

    Passando pela porta, a paisagem familiar de casa fez Hu Li relaxar imediatamente. Satisfeita, ela se esparramou no sofá, balançando as caudas para lá e para cá, soltando aquele suspiro gostoso de quem comeu e bebeu bem.

    Aileen, por sua vez, pulou do ombro de Yu Sheng logo de cara, disparando feito um foguetinho até a mesa de centro para agarrar o controle remoto e dominar a melhor posição para assistir TV — embora não houvesse absolutamente ninguém para disputar o lugar com ela.

    Yu Sheng suspirou, resignado, ao olhar para a bonequinha que já tinha começado a caçar algum programa de auditório imbecil. Ele jogou o casaco no cabideiro, foi até o sofá e perguntou, curioso, à jovem raposa-demônio: “Falando nisso, o que era aquele trambolho que você deixou para eles? Parecia pesado pra caramba…”

    Hu Li ergueu a cabeça da almofada do sofá, esticou as quatro patas em um espreguiço longo e respondeu bocejando: “Não é nada demais, é só resíduo do núcleo da reação de quando eu recarrego as caudas ou atiro fogo de raposa e essas coisas. Acabei juntando um pouco. É um material sem muito valor, mas dá para forjar algumas ferramentas, pelo menos tem um pouco mais de energia espiritual do que itens comuns.”

    Então ela se espreguiçou de novo e despencou no sofá: “Benfeitor, estou com sono. Dormir.”

    Yu Sheng: “…”

    Ele, na verdade, não entendeu nada da explicação — mas a garota-raposa já estava apagada no mesmo segundo.

    “Parece que é apenas um bloco de ferro. Pelo menos na composição material, o que dá para detectar é basicamente ferro”, disse o técnico chamado para realizar os testes, depois de passar um bom tempo analisando aquele bloco escuro e metálico com seu equipamento. Ele ergueu os olhos para relatar a Baili Qing: “Para saber o nível de pureza exato, só usando o maquinário do laboratório.”

    Baili Qing franziu a testa, a voz soando estranha: “Ferro? Está me dizendo que isso é só um lingote de ferro fundido?”

    “Isso”, o técnico assentiu. “Mas ainda restam algumas reações de energia estranhas nele. Nunca vi nada parecido, então fica difícil dizer o que é de verdade. Onde vocês acharam isso?”

    Sem mudar a expressão, Baili Qing respondeu: “…É o pagamento da raposa pelo almoço.”

    Técnico: “…?”

    A doença do ‘que porra esse arranjo de palavras quer dizer’ estava sofrendo transmissão comunitária pela Agência de Operações Especiais.

    “Mandem isso para o laboratório depois, arrumem um… carrinho de carga para levar”, disse Baili Qing, ignorando a cara de tacho do técnico, apenas acenando com a mão. “Não deve ser nocivo. Tratem como substância desconhecida de Classe II, e só.”

    Um tempo depois, Baili Qing voltou para a própria sala.

    Sentou-se atrás de sua mesa de trabalho gigante, massageando a testa, tentando organizar as ideias.

    Lidar com Yu Sheng e sua quadrilh… os membros de sua equipe, era de fato uma experiência fascinante. Às vezes esgotava o corpo e a mente, às vezes testava os nervos, mas, na maior parte do tempo, ajudava bastante a expandir os limites da imaginação.

    Ainda assim, de modo geral, as coisas estavam progredindo em uma direção positiva e controlável.

    Então, a partir de agora… o que mais poderia acontecer?

    Carregando um aperto sutil e inexplicável no peito, algo que há anos não sentia, Baili Qing hesitou um pouco, ligou o computador sobre a mesa e abriu uma interface de comunicação especial.

    Um zumbido baixo ressoou debaixo da mesa — um barulho bem diferente do funcionamento de um gabinete de computador normal.

    Após um breve instante de espera, a interface na tela acendeu, revelando uma série contínua de pavilhões e mirantes antigos, além de montanhas espirituais cercadas por névoa ao longe. A luz do amanhecer brilhava entre as nuvens; uma paisagem deslumbrante que enchia os olhos.

    A voz de um idoso ecoou de fora do quadro: “Diretora Baili, em que posso ser útil?”

    Baili Qing: “…Imortal, a câmera está virada.”

    “Hã? Ah, é, não tinha reparado.”

    A imagem balançou e deu uma leve travada antes de mostrar a figura de um senhor com cabelos e barba brancos, vestindo roupas taoístas simples, cujo rosto pacífico transmitia uma leve sensação de autoridade.

    O cenário atrás dele parecia um pavilhão aberto, mas erguido diretamente sobre as nuvens. Dois grous sagrados voavam e brincavam pela neblina ao redor da estrutura.

    “Diretora Baili, em que posso ser útil?”

    Baili Qing refletiu por um momento e decidiu ir direto ao ponto: “Imortal Yuanling, o seu usuário no ‘Comunicações da Fronteira’ por acaso é ‘Nietu Sanqian’?”

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