Capítulos 33: Descendentes da Lua Vermelha
Teká suspira e se levanta lentamente.
— Odeio ter que admitir, mas aquela mulher me deu uma ideia. — Ela mexe no anel, fazendo uma cópia de si mesma surgir e arrancar um fio de cabelo de todos os deuses, menos dos sobrinhos.
— Para que isso, Teká? — Rimuru coloca a mão onde o fio foi arrancado.
— Vou recriar este mundo de uma forma melhor. Se eu usar este lugar de base, não será muito demorado. — Ela se senta novamente.
— E para que o fio de cabelo? Foi só para implicar? — Quineiou questiona, apoiando o rosto na mesa.
— Vou testar se é possível recriar nossas formas como este mundo faz, mas, infelizmente, só vou poder fazer isso na minha forma real. — Ela passa a mão sobre a mesa, e toda ela fica organizada.
— A gente vai resolver isso para você poder fazer este teste, tia. — Bauvalier afirma, cruzando os braços.
Pionla percebe algo.
— Mas, tia Teká, você não vai pegar um fio do nosso cabelo também? — Pionla olha confusa para a tia.
Teká guarda os fios na flor de sua tiara.
— Não é necessário, já que, diferente de vocês, a maioria dos deuses aqui está morta. Então, temos que aproveitar essa situação para poder guardar esse poder bruto de suas formas. — Teká tira um fio do próprio cabelo e também o guarda. — Rimuru vai despertar daqui a alguns séculos, então é só vocês darem os fios para ela nessa situação. Assim, eu conecto vocês para visitarem a nós.
— Isso é impressionantemente gentil da sua parte, Teká. — Sherine olha para ela e sorri.
— Não é gentileza, prima. É só para facilitar, já que eles estão vivos. — Teká olha para a própria mão, já desinteressada.
Roseta se aproxima de Pionla.
— Pionla, acho que é melhor irmos. — Roseta sugere, apreensiva.
— Certo. Antes de irmos, mais alguém vem com a gente? — Ela pergunta aos deuses maiores, mas eles já voltaram a discutir sobre coisas que fizeram.
— Pelo visto, é só o nosso lado da família, querida. — Sherine diz, colocando a mão no ombro da filha.
— Pelo visto… Mas vamos seguir. — Ela olha para Orfelha. — Pode nos levar, tia Orfelha?
— Sim. — Orfelha se move rapidamente e, com um movimento do batuto, ergue o nosso grupo junto com os irmãos no ar. Eles sentem que estão sendo levados em uma velocidade rápida, mas não tanto assim.
Pionla e Ré ficam enjoadas, já que não estão acostumadas a flutuar daquela forma.
— Tia… vai um pouco mais devagar… Eu acho que vou… — Ré cobre a boca de Pionla para que ela não acabe vomitando nela.
Rimuru ri, mas dá um tapinha nas costas da irmã mais velha, fazendo-a desacelerar a flutuação.
Roseta estava sentada no ar, acostumando-se rapidamente. Bauvalier também estava quase vomitando, mas não demonstrava. Ele agradeceu internamente por terem diminuído a velocidade.
— Queridos, isso é totalmente normal. Eu me recordo de que as antigas amigas da Rimuru também agiam assim quando flutuavam. — Sherine sorri. Ela cria algumas pastilhas para enjoo. — Aqui para vocês.
Ela entrega, criando também um copo de água na mão do grupinho.
Todos pareciam sorrir e rir da situação, mas Red olha para aquele lugar. Peças de quebra-cabeça e peças de brinquedos de montar imitavam casas e montanhas. Seu olhar se incomoda com a visão.
— O que está te incomodando? — Roseta questiona enquanto olha para o cenário.
— Não sei. É como se desse uma sensação estranha olhar para este mundo, que usou seu poder para criar este lugar estranho… e diferente, no mau sentido. — Red continua olhando, mas suas mãos criam uma carta, que ele mexe entre os dedos.
A conversa não é escutada pelos outros, por causa dos risos e das brincadeiras que estavam fazendo.
— Aproveitando, eu queria saber por que os outros deuses têm ódio da Ballet. Eu e o Bauvalier temos o motivo: ela nos odiava e tentou nos matar na infância. Mas e vocês? — Pionla questiona, arrumando o chapéu por causa do vento.
Sherine arregala os olhos de surpresa.
— Ballet fez o quê? — Sherine sente uma pontada no peito. — Como eu não estava sabendo disso?
— Ela fazia isso escondida e, além disso, meio que ameaçava fazer pior se a gente contasse — Bauvalier diz, com um tom meio como se fosse óbvio.
— Eu falo, aquela mulher é que nem nossa mãe, um serzinho miserável — Rimuru comenta, irritada. — Mas, respondendo à pergunta da Pionla, o motivo é simples. Ballet, não sei como, mas conseguiu invadir o espaço dos deuses e fudeu com tudo lá. Em resumo, ela quase explodiu o ciclo natural das coisas e ainda voltou para a terra dela. E, já que Sherine tinha fechado a passagem para a gente não conseguir incomodar ela, acabou que nem conseguimos dar uma surra naquela maldita, piranha, vagabu…
Rimuru foi censurada porque xingou Ballet em todas as línguas possíveis.
— É uma explicação que bate direto com o jeito dela — Pionla afirma.
Sherine cria um cobertor e se enrola nele, triste.
— Como eu deixei isso acontecer debaixo do meu nariz… Eu sou uma incompetente — Ela abraça os filhos forte. — Desculpa, meus bebês. Me desculpa mesmo.
Pionla e Bauvalier trocam olhares.
— Olha, mãe, isso é passado, e agora temos que focar no futuro — Pionla sorri tranquila, tentando amenizar a tristeza da mãe.
— Pense pelo lado positivo. Quando Ladytsar estava com a gente nos treinos, Ballet não tentava nos matar — Bauvalier tenta dar um ponto de vista melhor.
Enquanto a conversa ocorria, atrás deles, Orfelha viu uma mão de marionete gigante surgir do nada.
— Truque ultrapassado — Orfelha cria seu violino e, ao tocar apenas uma corda dele, a onda sonora que sai corta a mão ao meio, junto com as montanhas que estavam próximas. — Se preparem.
Orfelha pega o batuto e o move como em uma orquestra, fazendo a velocidade da flutuação aumentar.
Eles desviam das mãos, mas uma delas acaba pegando Sherine. Como ela estava abraçando os filhos, eles vão junto. Os três são levados para baixo das copas das árvores, onde havia alguém.
— Minha deusa — Ela sorri bastante. Ao perceber que Pionla e Bauvalier vieram de brinde, fecha a cara. — Vocês…
Ela segura os dois com duas mãos de marionete, deixando-os bem presos.
— Solta eles — Sherine invoca sua tesoura.
Ballet se aproxima tranquila e abraça Sherine.
— Você ainda tem o mesmo cheiro, minha deusa — Ballet aperta Sherine como se não quisesse largá-la.
Sherine trava. Aquele olhar, aquele toque… Ela tinha se esquecido, mas, mesmo assim, esforça-se para olhar para seus filhos, que pareciam desacordados. Ela queria salvá-los, mas seu corpo a traía.
— Não se preocupe, eu não posso machucá-los nem intervir em nada. Faz parte do meu acordo. Mas eu tinha que fazer isso para te ver — O olhar dela era bem direto. Ela coloca os braços em volta do pescoço de Sherine.
Antes que algo acontecesse, todas as árvores são cortadas apenas por uma carta.
— Oh… Achei que ia ter mais tempo — Ela dá um risinho.
Orfelha e Rimuru aparecem flutuando ali acima delas.
— Larga minha irmã — Rimuru veste uma máscara, transformando-se na Ey. Ela lança dezenas de talismãs que explodem. Depois, troca para a de uma criança com cabelos loiros e pele negra e toca no chão, fazendo raízes prenderem Ballet.
Ballet se solta apenas para dar um beijo na bochecha de Sherine, que continuava travada, sem saber o que fazer.
— Morra — Orfelha, com a voz densa, mexe o batuto e cria uma orquestra grandiosa. O som destrói a marionete de dentro para fora, mas Ballet sorri, sabendo que aquela não é a única marionete dentro do paraíso.
Sherine pisca e coloca a mão onde Ballet a beijou. Ela fica corada e olha para as irmãs, que estavam com uma expressão irritada, mas também preocupada.
— Eu vou ver a Pionla e o Bauvalier — Orfelha solta os dois.
Red chega e cria uma garrafa PET vazia para Rimuru. Ela pega a garrafa e começa a bater em Sherine.
— Por que não reagiu? Travou no tempo? — Rimuru bate mais forte.
— Ai, não é isso… Eu só travei… Não sei o que me deu — Sherine olha para as mãos, vendo que ainda estava com sua tesoura em mãos.
Orfelha levita os sobrinhos desmaiados para perto.
— Ballet apertou muito forte. Eles acabaram desmaiando, mas logo vão acordar — Orfelha dá um olhar sério. — Eles não viram você travando, Sherine, mas eu não vou falar nada a eles. Não quero estragar essa imagem que têm da mãe.
Rimuru e Red concordam.
— Falando nisso, o que fizeram com as amigas deles? — Sherine questiona.
— Deixei elas lá em cima enquanto lidávamos com isso, mas elas também não conseguiriam ver nada por causa da distância — Orfelha afirma.
Orfelha leva todos até onde as meninas estavam.
— O que aconteceu com eles? — Ré pergunta, preocupada.
— Foi um confronto com a Ballet — Red diz, sem rodeios.
— Pelo menos eles parecem ter apenas desmaiado — Roseta diz, tentando ver a situação por um ponto de vista diferente.
— O alvo dela era Sherine, mas acabou que eles foram junto por acidente — Orfelha troca olhares com os irmãos.
— Mas acho melhor seguirmos — Red sugere.
Todos concordam e seguem caminho.
— Desculpa… — Sherine se enrola em uma coberta, colocando os filhos junto com ela. Ela chora escondida sob a coberta e pede desculpas sem parar.
Rimuru e Red distraem as duas para que elas não prestem atenção nisso, mas tanto Ré quanto Roseta percebem que havia algo errado. Elas só não sabiam o motivo exato.
Orfelha fecha os olhos e para a flutuação. Ela olha para uma torrezinha.
— Está aqui — Ela os leva para a frente dela.
Pionla e Bauvalier despertam. A parada repentina os fez acordar. Eles se veem nos braços da mãe, e a confusão era evidente nos olhos dos gêmeos.
— O que houve? — Pionla questiona enquanto se solta do aperto da mãe.
Bauvalier apenas se solta, sem muito rodeio.
— Nós contamos mais tarde — Red afirma. — Mas agora sugiro que continuemos esta missão rápido.
Pionla olha para a portinha da torre. Ao redor dela, cogumelos estavam dispostos em um círculo quase perfeito.
— É verdade.
Pionla se aproxima da porta e a abre sem demora.
E lá dentro…

Regras dos Comentários
Para receber notificações, ative o sininho ao lado do botão de Publicar.