Hergê

    Histórias 9
    Capítulos 236
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    Tempo de Leitura 22 horas, 33 minutos22 hrs, 33 m
    • Deja Vu

      Deja Vu Capa
      por Hergê Parte 1  | Observado Certo dia ou certa noite, após sonos bem tranquilos, Edgar Hussak suspirou e lamuriou pela aspereza do lugar onde repousava. Após um ou dois giros, contentou-se com a ideia de que não mais seria capaz de voltar a dormir e finalmente abriu os olhos. A visão que o aplacou, então, foi do mais completo absurdo. Onde deveria estar o céu, centenas de globos oculares do tamanho de luas vigiavam-no com constância e indelicadeza, encrustados firmemente num firmamento cárneo…
    • Capítulo 151 | O Deus do Êxtase

      Capítulo 151 | O Deus do Êxtase Capa
      por Hergê — Está mais magro, irmão. Dionísio deu uma lufada pelo nariz e balançou a cabeça negativamente. — Não me ofenda dessa forma. Hermes ergueu a ponta da sua clâmide negra e pressionou o tecido contra o lábio inferior estourado. Ele esfregou a linha da mandíbula, limpando o rastro de sangue espesso, e cuspiu o excesso escuro que ainda amargava na sua boca diretamente no calçamento de pedra. — Toda essa encenação e essa fantasia de fera peluda apenas para beber na poeira? — A…
    • Capítulo 150 | Pancrácio(2)

      Capítulo 150 | Pancrácio(2) Capa
      por Hergê Hermes tocou o pé no chão e libertou o braço direito, deslizou o membro por baixo da axila esquerda do sileno e travou a articulação num gancho profundo e justo.  Num movimento contínuo, o deus girou o próprio quadril, deu as costas para o adversário e dobrou os joelhos, rebaixando o seu centro de gravidade até ficar abaixo da linha de cintura da fera. “Não consigo vencê-lo com pura força.” Constatou. Mas possuía uma técnica. Bateu o quadril contra o abdómen do…
    • Capítulo 149 | Pancrácio(1)

      Capítulo 149 | Pancrácio(1) Capa
      por Hergê Hermes e o sileno mantiveram a guarda erguida no centro da praça. O silêncio predominava entre os espectadores. Magno engoliu em seco na lateral da arena, observando a diferença brutal de massa muscular entre os dois competidores. O ladrão deu um passo para trás e acenou com a cabeça, autorizando o início do combate franco. Sileno flexionou as pernas grossas e disparou para a frente, utilizando todo o peso do seu corpo largo para gerar momento físico. A criatura encurtou a distância em uma…
    • Capítulo 148 | Contra Sileno

      Capítulo 148 | Contra Sileno Capa
      por Hergê A multidão aglomerada abriu espaço num trecho longo e plano da rua principal da vila. O calçamento de pedra terminava naquele ponto específico. Uma extensão de terra batida seguia em frente. Sileno traçou uma linha reta no chão poeirento com a ponta do próprio casco. Enquanto ele media a pista e traçava distâncias mais à frente, Magno aproximou-se de Hermes e tocou-lhe no ombro. — Pegue as sandálias. Com um olhar de canto, Hermes percebeu que ele já as pressionava contra suas…
    • Capítulo 147 | Zerados

      Capítulo 147 | Zerados Capa
      por Hergê O grupo retornou à clareira delimitada por pedras. No centro do espaço, Corneto, o sileno de chifres longos e encurvados aguardava. A criatura bufava pelas narinas largas jatos de ar que balançavam a pequena argola pendurada em seu septo, e arrastava o casco direito na terra batida, preparando-se para o embate. Sileno parou na borda da arena. — O nosso campeão está pronto. Contudo… — Apontou para o topo da cabeça de Hermes. — O desafiante possui uma falha anatômica evidente para este…
    • Capítulo 146 | Segundo Assalto

      Capítulo 146 | Segundo Assalto Capa
      por Hergê O clamor da primeira disputa ficou para trás. O grupo avançou junto com o guia por mais uma rua de terra irregular, sendo seguido por parte dos silenos que assistiram à escalada de Magno. O fluxo de criaturas os levou de volta à estrutura de pedra circular onde ocorria o campeonato de bebedeira. Posicionado no centro, o sileno obeso repousava as costas contra um pedaço de parede quebrada. Seu ventre volumoso apoiava-se sobre as pernas grossas enquanto ele segurava uma ânfora vazia com as mãos…
    • Capítulo 145 | Primeiro Assalto

      Capítulo 145 | Primeiro Assalto Capa
      por Hergê Magno observou o ambiente ao seu redor. Dezenas de silenos formavam um semicírculo apertado na base da parede de rocha natural. Os corpos cobertos de pelos grossos se espremiam e trocavam empurrões curtos para garantir uma visão desimpedida da encosta vertical. O ladrão deixou sua bolsa encostada em uma pedra no chão e se posicionou de frente para o desafio. Ao seu lado direito, Cresto, o sileno magro de pernas longas e delgadas aguardava. A criatura exibia uma postura relaxada, sustentando o…
    • Capítulo 101 | A Escola dos Ratos

      Capítulo 101 | A Escola dos Ratos Capa
      por Hergê Magno rasgou uma tira da barra de sua túnica com os dentes e o som do tecido se partindo quebrou o silêncio tenso da cisterna por alguns instantes. Ele amarrou o pano ao redor do corte no antebraço, apertando o nó com uma careta, ignorando os quatro pares de olhos que o observavam como falcões. A sua versão jovem ainda segurava a adaga de obsidiana com força suficiente para embranquecer os nós dos dedos. — Você ainda está aqui — disse o garoto numa voz que oscilou entre a ameaça e a…
    • Capítulo 102 | O Prisioneiro do Abismo

      Capítulo 102 | O Prisioneiro do Abismo Capa
      por Hergê O cheiro de lavanda sumiu. O calor do sol na pele desapareceu. Num piscar de olhos, o quarto de mármore, a cama macia e o rosto de sua mãe deixaram de existir. Sêneca deu um passo à frente, mas seu pé não encontrou o mosaico frio da casa do Eupátrida. Encontrou algo sólido, liso e invisível. Não havia chão. Não havia teto. Não havia paredes. Havia apenas o escuro. Uma escuridão absoluta, densa, que parecia pressionar seus globos oculares. Sêneca estendeu as mãos, tateando o…
    Nota