Histórias 1
Capítulos 14
Palavras 31,8 K
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por To Lascado — A primeira serpente — a menor, a que estava imobilizada desde o começo — viu a irmã morrer. E enlouqueceu. O corpo se debateu com uma força que Arin nunca tinha visto. Não era luta, não era fuga. Era desespero, era fúria, era medo transformado em violência pura. As correntes que prendiam a primeira serpente estremeceram. Os elos de metal rangeram — creeeec — esticando até o limite. O garoto sentiu o puxão. Seu corpo pequeno balançou ligeiramente, mas seus pés não se moveram. A… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — O impacto não veio. Em vez disso, Arin ouviu um som diferente. Um som metálico, um som de corrente. Cling. Cling. Cling. Ele abriu os olhos. A serpente estava parada. Não porque quisesse, porque não conseguia se mexer. Correntes. Correntes de metal escuro, grossas como o punho de um homem, envolviam o corpo da serpente. Prendiam a cabeça, prendiam o pescoço, prendiam o corpo. As escamas vermelhas brilhavam sob a pressão do metal. A serpente se debatia — o rabo batia no chão,… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — Arin, sentado no computador. Madrugada. O café já estava frio. A tela do monitor brilhava no escuro. Ele estava escrevendo. Os dedos voavam sobre o teclado. A cena era de luta — a primeira aparição da criatura. "A serpente rubra ergueu a cabeça, suas escamas vermelhas brilhando como brasa recém-tirada do fogo. Seus olhos amarelos, verticais, fixaram-se no herói. Não havia medo neles. Não havia hesitação. Apenas fome." Arin parou de escrever. Leu de novo. Sorriu. "Bom. Isso vai dar medo… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — A manhã chegou sem pedir licença. Arin não soube dizer se foi o sol — os dois sóis — que entraram pela fresta da cortina ou se foi o galo que começou a cantar lá fora. Mas alguma coisa o tirou do sono. Ele abriu os olhos. O teto de madeira estava mais claro agora. A luz que entrava pela janela não era mais alaranjada — era dourada, forte, direta. Manhã. Bem no início da manhã. Que horas são? Não tem relógio. Mas o corpo de Nox sabe. O corpo de Nox sabe que é cedo. Muito cedo.… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — A floresta o engoliu. Arin deu o primeiro passo para dentro da mata e sentiu a mudança imediatamente. O ar ficou mais pesado, mais úmido. A luz do sol — dos dois sóis — diminuiu, filtrada pelas copas das árvores. O chão de terra batida deu lugar a um tapete de folhas secas, agulhas de pinheiro e pequenos galhos que estalavam sob suas botas. Crac. Crac. Crac. Cada passo era um barulho. Cada barulho era um anúncio. Se há alguma coisa nesta floresta, ela sabe que você está aqui. Arin… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — Eldoria. O reino. As muralhas. O exército. O... o que aconteceu com Eldoria? O que foi que eu escrevi? A imagem começou a se formar. Devagar, dolorosamente devagar. Chamas. Muitas chamas. Castelos em ruínas. Corpos. Corpos nas ruas. Corpos dentro das casas. Corpos de crianças. Corpos de... Arin abriu os olhos. O coração estava acelerado. A respiração estava curta. O suor frio brotou na testa. O que foi aquilo? O que eu vi? De onde veio isso? Ele fechou os olhos novamente. Não… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — O silêncio pesava. Arin ficou parado na soleira da porta por um longo tempo. O céu com dois sóis e três luas continuava lá — imutável, indiferente, real demais para ser um sonho, absurdo demais para ser verdade. Dois sóis. Três luas. O emblema do reino. Os soldados. A taxa. Ele sabia o que aquilo significava. Sabia no fundo dos ossos, no fundo das memórias que ele mesmo tinha escrito. O Reino de Eldoria. O reino que eu criei. Mas o resto — o que aconteceria com este reino,… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — A rua de terra estava mais movimentada agora. Quando Arin saiu de casa com Jasper, o sol já estava mais alto — não era mais nascer do sol, mas também não era meio-dia. Uma luz dourada, macia, cobria a vila. Arin parou na soleira da porta e olhou. Casas de madeira e pedra, uma ao lado da outra, formando duas fileiras ao longo da rua principal. Algumas tinham telhado de palha, outras de telha — as telhas eram mais caras, Arin sabia disso sem saber como sabia. A memória veio. Telhas são… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — A memória veio. Ontem, Nox prometeu. Depois do trabalho, ia mostrar para Jasper como martelar um prego sem entortar. Jasper estava animado há dias. Arin suspirou. Claro que prometeu. — Hoje não — ele disse. A voz saiu mais dura do que ele queria. Viu o rosto de Jasper cair. O olho castanho perdeu o brilho. — Por quê? Porque eu não sei martelar. Porque eu não sei ser ferreiro. Porque eu não sei ser Nox. — Porque estou cansado — Arin disse, hesitando. Precisava de uma… 31,8 K Palavras • Ongoing

por To Lascado — A primeira coisa que Arin sentiu foi o coração. Batendo. Não uma batida fraca, hesitante, como alguém que acabou de morrer. Uma batida forte, firme, viva. Ele inspirou. O ar entrou — quente, seco, com cheiro de fumaça de lenha e pão recém-assado. Eu estou respirando. Eu estou vivo. Eu não morri. A segunda coisa que ele sentiu foi a dor. Não uma dor aguda, localizada — uma dor surda, generalizada, como se ele tivesse corrido uma maratona e depois sido atropelado. Os… 31,8 K Palavras • Ongoing