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    Abel já estava a alguns metros de distância do esquadrão. No campo de batalha dos orcs, essa distância não era grande, mas também não era pequena. Embora houvesse outros humanos realizando missões diferentes pela área, era raro encontrar alguém.

    Ele já conseguia ver o Falcão-Gerifalte circulando no céu. Esse falcão era irritante. Se não fosse pelo risco de o Espírito do Milagre detectar o uso de poder de combate equivalente ao de um Mago Avançado, ele simplesmente teria convocado a Chama Voadora para torra-ló com uma única lufada de fogo.

    Deixa para lá. Pelo menos estou atraindo a atenção dos orcs para longe do esquadrão! Pensou Abel.

    Ele instigou o Rei dos Lobos de Montaria a correr, chamando a atenção da ave lá no alto. Não demorou para que o Falcão-Gerifalte o localizasse e passasse a segui-lo de perto lá de cima.

    A alguns metros de distância, um Olho do Céu dos orcs soltou um som de surpresa repentino.

    “Encontrou os rastros do Rei dos Lobos de Montaria daquele mago?” perguntou um Capitão-Chefe dos Cavaleiro worgen ao lado dele, com a voz séria.

    Era um esquadrão formado por onze orcs. Além dos dez soldados que protegeram o Tambor de Guerra Orc nesse dia, havia a adição de um Olho do Céu.

    “Aquele mago montado no Rei dos Lobos de Montaria se separou do esquadrão humano e seguiu sozinho para o leste. Mas agora ele sumiu de vista!” Respondeu o Olho do Céu, parecendo confuso.

    “Faça o Falcão-Gerifalte ficar de olho. Ele deve ter algum método de ocultação, mas ele não vai conseguir se esconder para sempre!” O Capitão-Chefe dos Cavaleiro Worgens não perdeu a paciência com o soldado. Afinal, aquele batedor foi enviado pela tribo principal.

    Como perderam o Tambor de Guerra Orc, a tribo ordenou que recuperassem o artefato para redimir seus crimes. Claro, se a tribo Worgen não perdesse o poder de combate de vinte Sacerdotes Intermediários de uma só vez, além de sofrer grandes baixas entre os Capitães-Chefes dos Cavaleiros Worgens, eles nem teriam a chance de voltar ao campo de batalha.

    Naquele momento, todos compartilhavam o mesmo objetivo: encontrar o mago e recuperar o equipamento.

    Eles também rezavam silenciosamente para que o humano não entregasse o item a outra pessoa. Se isso acontecesse, as chances de recuperá-lo seriam quase nulas.

    Abel olhou para cima, observando o Falcão-Gerifalte voando em círculos, procurando por ele feito um idiota, e não conseguiu segurar o riso.

    Ele estava dentro de um Círculo de Barreira. O Rei dos Lobos de Montaria descansava deitado ao seu lado, enquanto o jovem estava sentado no chão, preparando-se para examinar os espólios de guerra da noite anterior.

    Ele não era um Mago Novato comum. Mesmo um iniciante rico não teria os mesmos recursos que ele, como carregar tantas bases de matrizes consigo.

    O preço de uma base de matriz mágica era absurdo. Nem mesmo um Mago Intermediário costumava andar com essas coisas por aí, quanto mais um novato.

    A prioridade absoluta para qualquer Mago Novato era construir a sua Torre Mágica. Embora o ducado ou a organização a que pertencessem subsidiasse uma parte dos custos, o valor restante ainda faria um novato trabalhar por décadas para quitar a dívida. Além disso, as funções adicionais da torre precisavam ser compradas do próprio bolso.

    Isso deixava os magos iniciantes afundados em dívidas durante as suas primeiras décadas de ofício. Era raro encontrar um que fosse realmente rico.

    Abel pegou o Tambor de Guerra Orc primeiro. Isso era um tesouro que lhe custou muito esforço para roubar. Bastava lembrar do poder assustador da arma e da forma fanática como os orcs o protegiam para entender o seu verdadeiro valor.

    Assim que o tambor saiu do item dimensional de osso, uma espessa aura vazou para o ar. No entanto, protegido pelo Círculo de Barreira, Abel não sentiu medo nenhum daquele Qi da Morte corrosivo. Na verdade, a aura da morte é que devia temê-lo.

    Quanto ao Rei dos Lobos de Montaria, ele cresceu no Império Orc, respirar esse tipo de ar não o prejudicava.

    O corpo do tambor nas mãos de Abel era feito de costelas, fixadas nas bordas superior e inferior por vértebras. As duas superfícies de batida eram confeccionadas a partir de um couro especial, impregnado pelo Qi da Morte .

    Abel dominava a habilidade Ressureição de Esqueletos e já leu vários registros de feitiços dos sacerdotes inimigos. Por conta disso, ele tinha um bom conhecimento sobre ossos.

    Aquelas costelas carregavam um nível absurdo de podridão. Pela sua experiência, elas deviam pertencer a Sacerdotes Avançados. Mais do que isso, ele conseguia sentir que aqueles fragmentos foram arrancados de sacerdotes que sofreram mortes violentas.

    A brutalidade impregnada na estrutura era o sinal claro de que os donos encararam finais trágicos. O poder da maldição pulsava nos ossos como se fosse um atributo natural.

    A julgar pelo tamanho, precisou reunir as costelas de pelo menos dez Sacerdotes Avançados para montá-la.

    Pensando bem, não devia existir um número alto de Sacerdotes Avançados mortos de forma tão cruel. Assim como os Magos Avançados humanos, perder um em cada centenas já era uma taxa altíssima.

    Para criar um único tambor desses, a tribo acumulou ossos ao longo de incontáveis milênios.

    A Força Mental de Abel examinou o objeto e logo encontrou uma marca invisível. Era o selo de propriedade do dono original.

    Ele direcionou a sua própria energia contra a marca. O selo tentou resistir, mas os assustadores 240 pontos de Força Mental de Abel esmagaram a defesa num piscar de olhos. Depois desfazer a marca do dono anterior, gravou a sua marca no artefato.

    No mesmo instante, uma onda de informações percorreu pela sua Força Mental direto para a sua cabeça, detalhando o método de uso.

    Essa era uma técnica comum nos itens mágicos criados pelos inimigos. Como a herança de conhecimento orc não era tão organizada e sistemática quanto a dos humanos, eles costumavam armazenar as instruções dentro dos próprios equipamentos para garantir que as gerações futuras de sacerdotes soubessem ativá-los.

    Enquanto isso, no grupo de onze orcs que procurava por Abel, um sacerdote orc agarrou a própria cabeça e soltou um uivo de dor repentino.

    “A marca que eu deixei no tambor de guerra acabou de desaparecer!” Gritou o sacerdote, engolido pelo ódio. Devido ao choque abrupto, seu rosto, que já era murcho, ficou ainda mais pálido.

    “Você conseguiu sentir a localização do equipamento agora pouco?” Perguntou um Capitão-Chefe dos Cavaleiro Worgens, com o semblante sombrio.

    Eles esperavam que isso fosse acontecer, mas não tão rápido. Normalmente, apagar uma marca mental entre indivíduos de nível novato levaria vários dias. Por causa disso, o líder guerreiro estava apavorado com a ideia do artefato ter caido nas mãos de um Mago Intermediário humano.

    “O tambor ainda está no campo de batalha!” Afirmou o sacerdote orc com absoluta certeza.

    “Se ele ainda está aqui, nós vamos achá-lo!” Declarou o Capitão-Chefe dos Cavaleiros Worgens, exalando uma confiança letal.

    Bastava Abel dar as caras e ele não escaparia do rastreamento visual. Aquele batedor celestial era o maior trunfo dos orc.

    De volta ao interior do Círculo de Barreira, Abel encarava o seu espólio com grande satisfação. O funcionamento do equipamento focava na intenção do usuário: a pessoa escolhia um alvo na mente e batia no tambor, espalhando uma maldição sonora sobre o inimigo.

    Como as maldições agiam de maneira muito bizarra, qualquer um dentro do alcance do estrondo acabaria afetado.

    A potência do Tambor de Guerra Orc dependia da força física aplicada nas batidas. Quanto mais brutal fosse o golpe, mais devastadora era a maldição lançada.

    Por conta disso, as tribos sempre escalavam os orcs mais gigantes e musculosos para a tarefa, focando na eficácia máxima da maldição.

    Abel também pegou as duas baquetas de osso. Elas pareciam esculpidas a partir das pernas de alguma criatura formidável e já possuíam um efeito natural de amplificação de peso, intensificando a força de cada batida.

    Ele passou a mão pelas superfícies de couro, avaliando a resistência do material.

    A sua força bruta não era algo que simples guerreiros do império inimigo pudessem igualar. Ele tinha plena certeza de que quase nenhuma orc do mesmo tamanho conseguiria superá-lo em uma queda de braço.

    Agora, a questão era saber se o couro aguentaria o peso dos seus ataques.

    Na verdade, Abel estava preocupado à toa. O couro do tambor veio da pele de cadáveres antigos, nutridos pelo Qi da Morte durante milênios. Era um material tão absurdo que, a menos que alguém o esfaqueasse com uma lâmina divina afiadíssima, seria quase impossível rasgá-lo apenas com pancadas.

    Segurando uma baqueta em cada mão, Abel fixou os olhos no Falcão-Gerifalte voando acima das nuvens, marcando-o como seu alvo.

    Em seguida, ele desceu as baquetas contra o couro do tambor. A cada golpe, um estrondo aterrorizante e de revirar o estômago irradiava do artefato.

    O som do Tambor de Guerra Orc podia viajar por até 7.500 metros, mas a zona de efeito máximo da maldição cobria um raio mais curto de 5.000 metros.

    “Estou ouvindo tambores! Fiquem alertas, é um Tambor de Guerra Orc!” gritou o Comandante-Chefe Eddie para o resto do esquadrão humano.

    “Que estranho. Esse som não está direcionado para nós!” comentou K3003, parecendo confuso após escanear o próprio corpo minuciosamente com a sua Força Mental.

    “Vocês acham que é o K3516 tocando isso?” perguntou K3305, levantando a suspeita.

    “Com certeza! O K3516 roubou o tambor e deve estar testando ele agora. Quando voltarmos, vou exigir que ele me deixe dar uma olhada naquilo!” concordou K3308, balançando a cabeça de modo afirmativo.

    Naquele mesmo instante, o Comandante-Chefe Bodley apontou o dedo, encarando o pássaro que circulava em uma altitude elevadíssima, e gritou: “Olhem lá! Aquele Falcão-Gerifalte!”

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