Índice de Capítulo

    Os primeiros raios de sol da manhã furavam a cortina de linho simples, desenhando listras douradas e poeirentas no chão de madeira. Uma delas, mais insistente, caiu diretamente sobre o rosto de Carlos, aquecendo sua pálpebra. Um pensamento automático e cansado surgiu. “Segunda-feira. Fim de semana acabou. Hora de levantar e enfrentar os relatórios, as reuniões, a crise do ferro…”

    Mas o pensamento se perdeu, dissolvido pela visão ao seu lado. A mesma faixa de luz dourada não o atingia sozinho. Ela banhava Quixotina que dormia de lado, voltada para ele. A luz incidia em seus cabelos soltos, transformando os fios loiros em um turbilhão de fios de mel e palha iluminada. Alguns cacinhos escapavam, encaracolados contra a almofada, outros cobriam parte de seu rosto relaxado. Ela respirava fundo e lento, os lábios entreabertos. O cheiro no quarto era uma mistura íntima: o suor seco da noite, o aroma residual do vinho, e algo único que era simplesmente ela.

    Ele ficou observando, hipnotizado pela paz incomum em seus traços. A guerreira estava desarmada, a ministra, de folga. Era apenas uma mulher, bela e vulnerável ao alvorecer.

    Seus olhos se mexeram por trás das pálpebras, e então se abriram lentamente, revelando os rubis ainda embaçados pelo sono. Ela piscou algumas vezes, focando nele. Um sorriso minúsculo, sonolento e privado, curvou seus lábios. Ela se espreguiçou como um gato, os braços se estendendo para cima, arquearam as costas por um instante, e um gemido baixo de satisfação escapou de sua garganta. A movimentação fez a coberta deslizar, revelando a curva suave de seu ombro e a parte superior de seus seios.

    — Bom dia… — a voz dela saiu rouca, carregada de sono, mais um sussurro do que uma fala.

    A memória da noite anterior invadiu Carlos com a força de uma maré: risos abafados, toques exploratórios, suspiros compartilhados no escuro. Um calor que não era do sol se espalhou por seu peito.

    — Bom dia nada — ele retrucou, tentando soar prático e falhando miseravelmente, seu tom era suave, acariciante. — É dia útil. Temos que nos arrumar, Luíza. Trabalho nos espera.

    Ela riu, um som baixo e rouco que vibrou na almofada. Com um movimento deliberadamente lento, puxou a coberta de linho até o queixo, escondendo-se parcialmente. Seus olhos, agora mais despertos, brilhavam com travessura.

    — Hoje só tenho aulas à tarde. Revisão de provas. — Ela deu de ombros, o movimento fazendo a coberta escorregar novamente, um pouco mais desta vez. — E você… você é o presidente. Pode se atrasar. Ninguém vai ousar reclamar do chefe. Fique aqui mais um pouco. — Ela afundou na cama, virando-se de lado para encará-lo melhor. — A cama está tão quentinha… e boa…

    Carlos olhou para ela. A intenção de ser responsável, de se levantar, estava lá, mas era uma chama fraca diante do fogo aconchegante da cama e da mulher nua dentro dela. Ele abriu a boca para dizer “não”, mas antes que a palavra saísse, Quixotina – Luíza – fez sua jogada.

    Com um gesto que era ao mesmo tempo desafiador e convidativo, ela empurrou a coberta para baixo, expondo completamente seus seios pequenos e firmes à luz do amanhecer. A pele ali parecia mais clara, salpicada de sardas quase invisíveis. Ela não disse nada. Apenas o encarou, um arco de sobrancelha levemente erguido, um sorriso de canto de lábios.

    Carlos engoliu seco. A visão apagou qualquer resquício de pensamento sobre logística ou reuniões.

    — Bom… — ele disse, sua voz um pouco mais grossa. — Quando você apresenta argumentos tão… convincentes… acho que posso reconsiderar minha agenda. Mais cinco minutos.

    Ela puxou a coberta de volta, cobrindo-se novamente com um ar de falsa modéstia, mas os olhos brilhando de vitória.

    — Realmente — ela concordou, fingindo um tom professoral. — Pelo que me lembro, você demonstrou um apreço considerável por esses dois argumentos ontem à noite. — Seu rosto ficou sério por um instante, a brincadeira dando lugar a uma curiosidade mais profunda. — Mas infelizmente, ainda é muito cedo para reavaliá-los. Em vez disso… eu gostaria de saber. Sobre você.

    Ela se apoiou em um cotovelo, o cabelo caindo sobre seu ombro. A luz agora iluminava plenamente seu rosto, mostrando as pequenas linhas ao redor dos olhos, a franqueza em sua expressão.

    — Você já sabe que você é o segundo homem na minha vida. O primeiro foi… bem, foi você sabe… Mas e eu? Quantas estiveram antes de mim? E sua família? Você nunca fala deles.

    Carlos virou-se, ficando de frente para ela. O colchão de paliaço rangeu suavemente. Ele estendeu a mão e, com um cuidado infinito, afastou um cacho de cabelo loiro que caía sobre seu olho, enrolando-o atrás de sua orelha. A pele dela era quente e macia ao toque.

    — Na época da escola — ele começou, seus dedos ainda brincando com o fio de cabelo —, houve uns namoricos. Nada sério. Mãos dadas, um beijo ou outro atrás da quadra. Coisa de adolescente. Quando adulto… — ele fez uma pausa, seus olhos perdendo o foco por um momento, olhando para um ponto distante na parede. — Tive mais uns dois relacionamentos. O último… durou quase três anos. Eu achava que era sério. Até descobrir que ela me traía com um colega de trabalho. Há… anos isso. — Ele deu um sorriso vazio, sem humor. — Acho que aquilo me marcou mais do que eu gosto de admitir. Deixou uma desconfiança, uma cautela… talvez parte dessa “covardia” que você tanto menciona.

    Um clarão de fúria genuína passou pelos olhos de Quixotina. Ela franziu a testa, seus lábios se apertaram.

    — Isso não foi culpa sua, Carlos — ela disse, a voz firme e cortante. — Foi falta de caráter dela. Pura e simples. Você não tem culpa de ter confiado em alguém que não era digno. — Sua expressão se suavizou, e ela colocou a mão sobre a dele, que ainda estava em seu rosto. — E saiba disso: comigo, não precisa temer enganos. Se eu sentir algo, se não quiser algo, eu direi. Direi na tua cara, com todas as letras. Estou aprendendo a fazer isso. A ser clara.

    — E nada de chutes? — ele perguntou, um sorriso verdadeiro voltando a seus lábios.

    — Chutes são para o campo de futebol e para inimigos — ela respondeu, seu próprio sorriso iluminando o rosto. — Prometo tentar me controlar.

    Ele respirou fundo, o peso daquela memória antiga parecendo um pouco menor.

    — Quanto à minha família… era pequena. Só eu e minha mãe, Marta. Meu pai… — ele hesitou, escolhendo as palavras. — Meu pai não nos abandonou. Ele era um bom homem. Um pedreiro. Morreu baleado por uma bala perdida, no caminho para casa, um tiroteio entre uma gangue e a polícia, quando eu tinha nove anos. Foi um dia de chuva. Eu estava voltando da escola com um quarda-chuva em uma mão quando vi uma comoção na rua, cheguei lá e vi meu pai…

    Quixotina ficou em silêncio, seus olhos escaneando seu rosto, lendo a dor antiga e resignada ali.

    — Sinto muito, Carlos — ela sussurrou, sua mão apertando a dele.

    — Não sinta. A dor… a dor já passou há muito tempo. O que fica é uma saudade dele, claro. Mas o que me dói mais, até hoje, é pensar na minha mãe. — Sua voz ficou mais áspera. — A vida dela foi só trabalho. Criar um filho sozinha, com um salário de diarista. Levantar às quatro, voltar às dez. Sem um dia de descanso, sem uma viagem, sem nada que fosse só dela. Morreu ainda relativamente nova, o corpo cansado, as mãos calejadas, e sem ter acumulado nada além das dívidas que eu ajudei a pagar depois. Ela merecia… tanto mais.

    A voz de Carlos se perdeu. Ele não chorava, mas seus olhos estavam brilhantes, fixos no teto de tábuas.

    Quixotina não disse mais nada. Palavras eram inúteis diante de uma dor tão íntima. Em vez disso, ela se moveu. Se aproximou, deslizando no colchão, e o envolveu em um abraço. Não era um abraço apaixonado ou sedutor. Era um abraço firme, aconchegante, que dizia “estou aqui”. Ela encostou a cabeça no ombro dele, e ficaram assim por um longo minuto, ouvindo os primeiros sons da cidade que despertava do lado de fora.

    — Parece que nenhum de nós teve uma estrada fácil — ela murmurou finalmente, sua voz abafada contra seu peito. Ela se afastou o suficiente para olhá-lo nos olhos. — Aliás… Quixotina. É só um personagem, sabia? Uma cavaleira maluca, forte e destemida que eu inventei para sobreviver, para ser alguém além da mulher assustada que eu era. Quando estivermos a sós… podes me chamar de Luíza. Meu verdadeiro nome é Luíza.

    Carlos sentiu um nó de emoção na garganta. Era um presente maior do que qualquer broche. Era a entrega de sua identidade mais frágil.

    — Está bem, Luíza — ele disse, o nome soando estranho e precioso em sua boca.

    Ele se inclinou e depositou um beijo leve, suave, em seus lábios. Um selo de aceitação. Foi nesse momento de doce quietude que uma voz aguda e sonolosa cortou o ar, vinda da direção da sala.

    — Mãe? Tô com fome!

    Era Dulcinéia. A magia do momento se quebrou como vidro. Quixotina – Luíza – suspirou, um misto de frustração e amor maternal em seu rosto.

    — Já vou, meu amor! — ela gritou de volta, sua voz assumindo o tom materno habitual.

    Ela se levantou da cama com relutância, seu corpo nu banhado pela luz agora mais forte. Carlos não pôde evitar admirar a visão por um segundo – a curva de sua coluna, a suavidade de seus quadris – antes que ela pegasse seu roupão simples de algodão e o envolvesse. Carlos fez o mesmo, procurando suas calças e camisa espalhadas pelo chão. “Parece que a trégua acabou”, pensou ele, com uma pontinha de pesar.

    Quando saíram do quarto, ainda se arrumando, encontraram Dulcinéia sentada à mesa da cozinha, esfregando os olhos com os punhos. A menina parou no meio do movimento, seus olhos vermelhos-âmela se arregalando ao ver Carlos.

    — Tio Carlos? O que você tá fazendo aqui?

    Quixotina não perdeu o ritmo. Foi direto ao armário, pegando um saquinho de pano com moedas.

    — Ontem o tio Carlos estava com muito sono depois do teatro, querida — ela disse, com uma naturalidade impressionante, enquanto mexia em outro armário. — E como a nossa casa é mais perto do teatro do que a dele, eu deixei ele dormir aqui. Para ele não ter que caminhar no escuro.

    — Mas… — Dulcinéia franziu a testinha, sua lógica infantil detectando uma falha. — Por que ele saiu do seu quarto, mãe? E não do quarto de visitas?

    Quixotina, de costas para a filha, trocou um rápido olhar com Carlos. Havia um flash de pânico cômico em seus olhos, seguido por uma determinação feroz. Ela pegou o saquinho de moedas e, com um arremesso preciso, jogou-o para Carlos, que o pegou no ar.

    — É porque ele é um dorminhoco, essa é a verdade — disse Quixotina, agora segurando um pote de vidro com pó escuro. — Ele caiu no sono no sofá da sala e ronca que é uma beleza. Eu tive que carregá-lo no colo até a cama, e como eu também estava com sono, deixei ele lá mesmo. Agora chega de interrogatório, minha filha! — ela anunciou, erguendo o pote. — O tio Carlos vai descer para comprar pão fresco, e eu vou fazer um chocolate quente para você.

    — Chocolate! Ebaaa! — a dúvida de Dulcinéia evaporou instantaneamente, substituída por pura euforia. Ela começou a bater os pés pequenos sob a mesa.

    Carlos, segurando o saquinho das moedas, endossou a história com um sorriso forçadamente inocente.

    — É isso mesmo, Dulcinéia. Sou um dorminhoco incurável. Agora vou me redimir e trazer o melhor pão da padaria para o nosso… café da manhã? Lanche da manhã?

    A compra do pão foi um alívio. O ar da manhã estava fresco, o burburinho da cidade começando. Quando voltou, o apartamento cheirava a pão quente e chocolate quente, um aroma que era puro conforto. O café da manhã foi descontraído, com Dulcinéia tagarelando sobre uma amiga da escola e Quixotina rindo, seus pés descalços tocando os de Carlos debaixo da mesa escondidos da vista da menina. Era uma felicidade doméstica simples, e Carlos se surpreendeu percebendo o quanto sentia falta dela.

    Depois que Dulcinéia partiu para a escola, sacola de couro a tiracolo e um beijo apressado na mãe, o apartamento ficou em silêncio novamente. Carlos ficou na cozinha, ajudando a lavar as xícaras. Seus olhos caíram no broche de aço e rubi, que ele havia cuidadosamente colocado na mesa na noite anterior. Ele o pegou, sentindo o peso frio do metal na palma da mão antes de prendê-lo novamente na camisa. Um sorriso bobo teimou em ficar em seu rosto.

    — Sabe — ele disse, sem olhar para Quixotina, que secava uma panela —, mais cedo ou mais tarde, não vamos conseguir esconder da Dulcinéia o que está acontecendo entre a gente. Crianças são mais espertas do que a gente pensa.

    Ela parou de secar e se apoiou no balcão, olhando para ele com um sorriso maroto.

    — E o que está acontecendo entre a gente, exatamente? — ela perguntou, provocante.

    — Namorados — ele disse, virando-se para encará-la. A palavra soou estranha neste contexto, mas era a verdade. — Acho que é isso que somos. Apesar de não ter certeza se esse conceito existe aqui da mesma forma. Basicamente, amantes antes do casamento. Ou… — ele fez uma pausa dramática, — ou me enganei totalmente e ainda somos apenas dois amigos muito próximos que compartilham a cama.

    — Hah! — ela soltou uma risada, jogando o pano de prato em cima do balcão. — “Amantes antes do casamento” soa tão… prosaico. Na minha terra, depois de honrar uma dama da maneira que você honrou, era esperado que você propusesse casamento no dia seguinte.

    Ela se aproximou, pegando a lapela de sua camisa e ajustando o broche com um toque desnecessário.

    — Mas… — ela continuou, sua voz baixando para um tom mais sério, — eu estou começando a entender que as coisas no seu mundo são diferentes. Mais lentas, talvez. Mais cheias de… conversas. Então, por enquanto, eu aceito ser sua “namorada”. Até você se decidir.

    O sorriso de Carlos se alargou, um sentimento de felicidade estúpida tomando conta dele.

    — Pois saiba, Luíza, que se um dia chegarmos a esse ponto — ele disse, enfatizando a palavra, — o nosso casamento será feito ao estilo do meu mundo. E devo te adiantar: será muito, muito diferente. E lindo.

    — Se?! — ela repetiu, soltando sua lapela e colocando as mãos na cintura em uma pose clássica de indignação. — Depois de fazer aquilo… e mais aquilo outro… e aquela coisa com a língua que eu nem sabia que era possível… você fica no “se”? Carlos, já estamos cometendo pecados graves só por estar aqui, sozinhos! Você corrompeu esta donzela inocente!

    — Ora, ora — ele riu, se servindo de mais um pouco de chá frio. — Pela minha memória, que é excelente, a tal “donzela inocente” estava bem mais do que disposta. Até me surpreendeu. E se me lembro bem, foi você quem deu o primeiro passo decisivo. Além do mais, depois de conhecer a tal “santa” da Igreja, que não passa de uma política gananciosa, chego à conclusão que não há muitos santos neste mundo, mesmo.

    Quixotina riu, a falsa indignação se dissolvendo.

    — Tudo bem, você venceu este round — ela admitiu, sentando-se à mesa em frente a ele. Seu tom ficou pensativo, mais introspectivo. — Mas falando sério… eu também não esperava aquilo de mim. Antes, tudo isso — ela fez um gesto vago —, o toque, a intimidade… eu achava nojento. Impuro. Algo que as mulheres suportavam por dever. — Ela olhou diretamente para ele, e sua vulnerabilidade era palpável. — Mas com você… foi diferente. Eu apenas me senti segura. Sabia que se eu dissesse ‘não’, se eu parasse, você pararia. Sua… “covardia”, essa hesitação em me machucar… foi o que me deixou confiante. Foi boa para mim.

    Carlos sentiu o coração apertar. Ele tomou um gole do chá, segurando o olhar dela.

    — Que bom — ele disse, suavemente. — Que bom que minha hesitação crônica tem algum lado positivo. Agora, minha querida namorada, se me der licença, devo realmente ir. O arsenal da República não vai se expandir sozinho. Tenho esboços para revisar.

    Ele se levantou, esticando os braços. Mas quando se virou para pegar sua casaquinha, uma mão firme agarrou a dele. Ele olhou para trás. Quixotina – Luíza – estava de pé agora. Seu rosto não tinha mais a expressão divertida ou pensativa de antes. Havia um brilho intenso em seus olhos rubis, uma determinação focada que ele conhecia bem, mas que agora era direcionada a algo completamente diferente.

    — Luíza? — ele perguntou, em dúvida.

    — Ainda é muito cedo para você ir, Carlos — ela disse, sua voz um sussurro rouco e carregado de intenção. Sua outra mão subiu e tocou o broche em seu peito. — Eu disse que estou aprendendo coisas sobre mim. Coisas novas, sentimentos novos… e uma certa… urgência. — Seus dedos deslizaram do broche para o botão superior de sua camisa. — E você… você vai me ajudar a aprender tudo.

    Dessa vez, Carlos não precisou de mais explicações. O recado estava claro, e a última réstia de vontade de trabalhar evaporou. Um sorriso lento e decidido se formou em seus lábios.

    Sem uma palavra, ele se virou de frente para ela. Em um movimento fluido, dobrou os joelhos, passou um braço atrás de suas costas e outro sob seus joelhos, e a levantou no ar, em um abraço firme.

    — Carlos! — ela exclamou, surpresa, mas riu, envolvendo seus braços em seu pescoço.

    Ele não respondeu. Carregando-a, ele atravessou a pequena sala de estar, ignorou completamente a porta do quarto de visitas e entrou no quarto deles. A porta se fechou atrás deles com um baque suave, deixando para trás a mesa da cozinha com as xícaras vazias e a luz da manhã, agora plena e dourada, que prometia um dia muito mais interessante do que qualquer plano de armamento.

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