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Capítulo 200 — A Capacidade de Ser Um Rei
Ross posicionava-se entre os príncipes com uma precisão letal; qualquer movimento milimétrico, qualquer hesitação na respiração, poderia ser punido com um golpe crítico. O impasse era absoluto, mas, sob o silêncio tenso, a mente de Helick trabalhava a cem por hora.
“Se são dignos do que carregam?” — a afirmação do soldado ossuiano ecoava como um alerta em sua consciência. — “Ele sabe sobre as Joias! Mas como?”
Ele então refletiu que Ross estava no ataque que Rhyssara havia ordenado contra Lyberion, achando que o pai dele havia roubado uma das jóias de Ossuia. Mas em mais um momento de raciocínio lógico o pouco que havia passado com Rhyssara ele podia chegar na conclusão que ela era do tipo que trabalhava por uma cadeia de comando em compartimentação. Ninguém sabia mais do que devia sobre sua missão.
Com isso em mente, Helick chegou as conclusão que se ele realmente soubesse das joias—mapa, não teria sido por Rhyssara. E o único que sabia disso fora do círculo de confiança de Lyberion e Ossuia era…
O raciocínio de Helick foi interrompido pelo rugido da Pantera-Chicote, a menos de cem metros. Agora ele sabia: ela surgiria a qualquer momento.
Uma cauda vinda das sombras assoviou enquanto rasgava a distância entre eles. Ross agiu rápido, erguendo a lâmina para interceptar o ataque da besta. Era a brecha que os irmãos precisavam para se afastar.
— Helys! — Cassian gritou, inflamando sua lâmina em chamas.
Helick compreendeu o plano instantaneamente. Sacou a própria espada, que passou a emanar um vapor gelado, pronta para congelar o que estivesse à frente.
— Agora, Cass! — Helick bradou, fincando a arma no solo.
Um círculo mágico se formou sob os pés de Rossander. Sentindo o frio lancinante, ele saltou no último segundo, escapando das lâminas de gelo que emergiram do chão. Mas, no ar, Cassian já o aguardava.
— Magia de Fogo! — rugiu o príncipe. Rossander defendeu-se a tempo, sua espada absorvendo o impacto, mas era exatamente o que Cassian queria. — Combustão Imediata!
A explosão no ponto de impacto arremessou Ross violentamente contra o chão.
— Boa, Cass! Agora vamos, a Pantera-Chicote está perto demais! Se ela nos alcançar, estaremos acabados!
Cassian assentiu, preparando-se para saltar, mas Ross materializou-se à frente deles como um fantasma.
— Não pense que pegarei leve como fiz há alguns meses. Vocês eram apenas adolescentes indefesos, sem ARGUEM; não havia por que lutar a sério, mesmo que tivessem matado meus irmãos. Mas agora é diferente.
Ross investiu contra Cassian em uma sequência de golpes velozes e certeiros, parados apenas pelo tilintar das lâminas colidindo. Cassian recuou para ganhar espaço, mas Ross imediatamente conjurou:
— Corte Fantasma.
Um golpe desferido no ar enviou uma lâmina invisível rumo a Cassian, que só conseguiu se defender graças à sua percepção aguçada de mana.
— Droga! — Helick voltou-se para ajudar o irmão, mas, enquanto saltava, uma sombra enorme e musculosa projetou-se sobre ele.
Um arrepio inédito percorreu sua espinha. Do chão, Cassian gritou:
— Helys! Atrás de você!
Helick praguejou, forçando o corpo a girar em pleno ar para encarar a besta que saltava em sua direção. Com a espada apontada para a fera, ele conjurou:
— Magia de Gelo! — Um círculo rúnico brilhou na ponta da lâmina. — Correntes do Lobo Branco!
Cabeças de lobos congelados surgiram com sons de correntes tilintando violentamente, enroscando-se nas patas e caudas da fera, imobilizando-a por um breve instante.
— Isso! — Cassian vibrou ao ver o irmão escapar por pouco.
Mas o brilho de uma lâmina pálida em sua visão periférica roubou-lhe a atenção.
— Acho melhor se preocupar consigo mesmo, príncipe — provocou Ross, mantendo seus ataques diretos e afiados.
— Mas que merda, Ross! Não vê a situação?! Aquela Besta Mítica pode acabar com nós três!
— O que foi? Não sabe lidar com a pressão? — Ross rebateu, sem cessar os golpes. — Em um campo de batalha, você não tem o luxo de escolher suas lutas!
Com a espada firme, respondendo a cada investida, Cassian mudou de postura. Seus contra-ataques agora carregavam força total.
— Que seja! Não permitirei que você coloque o plano em risco. As pessoas que acreditaram em mim… Eu não vou falhar com elas! Se for preciso passar por cima de você, que assim seja!
Helick aterrissou após prender a criatura. Pensou em ajudar o irmão, mas sua própria mana o advertiu: não conseguiria lutar e manter as correntes da Pantera-Chicote ao mesmo tempo.
— RWAAAAAAHH!!! — A besta rugia, contraindo os músculos poderosos para se libertar. Seus dentes enormes lascavam o gelo que Helick precisava repor instantaneamente para evitar o colapso da magia.
“Droga!”, pensou ele.
— Cass, tenho que focar aqui! — gritou para o irmão, que continuava o duelo com Rossander.
Cassian não respondeu, mas entendeu a gravidade da situação. Tinha que acabar com aquilo. E rápido.
***
A menos de um quilômetro de onde Cassian enfrentava Ross e Helick continha a Pantera-Chicote, Marco e Isaac eram os únicos que se mantinham de pé frente aos Desafiados liderados por Haron. O restante do grupo de suporte havia exaurido toda a mana para tratar os ferimentos de Vell, Yssa e Bane. Estavam todos esgotados.
Haron parecia se deleitar com a situação. Contudo, um dos Desafiados se destacou ao dar um passo à frente, e Isaac o reconheceu imediatamente. Talvez pelas vestes brancas, agora sujas e rasgadas, pela careca reluzente e barba espessa sobre a pele negra, ou pelo picolé de laranja que ele mastigava com violência.
— Brouno?! — Isaac deixou escapar, a voz carregada de incredulidade.
Era o primeiro oponente que havia surgido na arena de gelo, aquele que fora desafiado por Diógenes no grupo principal de Tály.
— ISAAAAC!!! — ele urrou, a fúria transbordando enquanto estraçalhava o que restava do picolé. — Onde está aquele fracassado do Diógenes?!
Marco também o reconheceu. Há poucas horas, aquele homem aparecera sozinho, confrontando a todos no início da Corrida de Ascensão. Somente ele fora capaz de eliminar vários participantes logo na largada.
— Achei que você tivesse lidado com ele — comentou Marco para Isaac.
— Eu também — respondeu Isaac, cerrando os dentes. — Foram precisos mais de vinte combatentes buffados por mim para contê-lo, e o maldito ainda está de pé.
Brouno era forte. Seus ataques de gelo em área, combinados à pressão de Haron e dos demais Desafiados que aguardavam o momento do bote, eram uma ameaça que Marco talvez não conseguisse suportar no estado em que se encontrava.
— Eu não vejo o Diógenes, e Sue não anunciou o nome dele na última contagem. Onde ele está, Isaac?!
Isaac abriu seu livro ARGUEM, e uma mana esverdeada começou a emanar das páginas.
— Marco, diga-me exatamente onde a dor está limitando seus movimentos.
Marco levou as mãos às costelas. No mesmo instante, a energia verde de Isaac fluiu para o corpo do companheiro, concentrando-se onde os ossos haviam partido sob o ataque de Celina. No entanto, Haron surgiu subitamente diante de Isaac, mirando-o com garras incandescentes em um arco descendente.
Os olhos de Isaac se semicerraram, e ele canalizou o restante de sua mana em Marco.
— Não acha que vou deixar você curá-lo tão fácil, não é? — rosnou Haron.
Milésimos antes de o golpe atingir o alvo, um estrondo atingiu o dorso de Haron, deslocando-o no ar e fazendo-o errar o impacto. Quando seus pés tocaram o solo novamente, ele viu Marco apontando a espada em sua direção, embora o guerreiro não tivesse saído do lugar.
— O que foi isso?!
O semblante de Marco mudara. Não havia mais vestígios de dor, apenas a seriedade gélida de quem começaria a lutar a sério. Brouno deu mais um passo à frente, emanando sua própria mana fria.
— Essa sua cura… é irritante!
Isaac caiu para trás, completamente exausto.
— Valeu, Isaac. Agora pode descansar — disse Marco. — Eu cuido disso.

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