CAPÍTULO 34 — Irresponsabilidade
O corredor estava desabando.
Pedras caíam.
A saída estava próxima.
Mas o último emboscador ainda estava de pé.
Só restavam dois minutos.
O adversário avançou novamente, energia concentrada no punho.
— Você não vai sair!
Lance desviou por pouco.
Seu braço direito tremia.
A pulseira piscava em amarelo.
O inimigo avançou em linha reta.
Lance não recuou.
Ele agarrou o colarinho do adversário.
E aumentou o peso do corpo do oponente abruptamente.
O chão cedeu sob os pés dos dois.
Com um giro brusco, Lance lançou o inimigo contra o teto da caverna.
O impacto ecoou.
Pedras racharam.
O teto vibrou.
Lance olhou para cima.
Luz por uma fresta mínima.
Uma ideia surge em sua mente.
“Não vou conseguir chegar na saída a tempo…”
Ele fechou os olhos por meio segundo e respirou, ignorando a dor.
E pela quarta vez.
Seu braço ficou leve, o fluxo gravitacional começou a se concentrar no punho.
A pulseira ficou laranja.
Seu antebraço começou a sangrar.
— PUNHO GRAVITACIONAL!
Dessa vez, ele não mirou no inimigo.
Ele mirou no teto.
O impacto foi absurdo.
A gravidade explodiu para cima, o teto inteiro cedeu, rochas foram arremessadas para o alto.
A estrutura da caverna rompeu.
Luz natural invadiu o corredor.
O inimigo caiu inconsciente.
O labirinto começou a colapsar.
Lance deu um salto usando o próprio impulso gravitacional.
O braço ardia e a dor subia pelo ombro.
Ele atravessou a abertura junto com uma chuva de pedras.
A arena inteira viu uma explosão de rochas voando para o céu. E uma silhueta sendo projetada para fora do labirinto.
Ele caiu de pé por reflexo.
O braço direito estava aberto, sangue escorrendo.
A pulseira emitia um vermelho intenso que se perdia em seu braço ensanguentado.
— Cheguei! Sentiram minha falta? — Ele fala com um sorriso forçado.
As pernas cederam e ele caiu inconsciente.
Os participantes do lado de fora ficam em silêncio, surpresos.
A plateia da arena explodiu em gritos.
— Lance! — Rivna corre preocupada.
Ela se aproxima e grita por ajuda médica.
Ao longe, Shin observava desconfiado.
— Quem é esse cara? A entrada extravagante chamou a atenção dela… — Ele encara Rivna de longe. — Acho melhor sair por enquanto para ela se morder de saudades.
Galand pega o microfone e faz um novo anúncio.
“Esse meu neto realmente é uma caixinha de surpresas!” — pensa, surpreso.
— Agora declaro o fim da primeira fase! Dos 55 participantes iniciais, 28 avançam para a próxima fase!
Toda a plateia grita empolgada.
Ele continua.
— Desejo parabéns pela conquista e boa sorte para a próxima fase, amanhã nessa mesma arena, será revelada! — Ele se vira para o público e os participantes. — Agradeço a presença de todos neste dia de hoje, aguardo ansiosamente pelo dia de amanhã.
Algumas horas depois…
Lance estava deitado na área médica do torneio, com o braço enfaixado e curativos pelo corpo.
Ele abre os olhos com dificuldade.
Ele se apoia nas barras para tentar se levantar, ainda com as pernas um pouco bambas. Ao olhar em volta, avista a saída e caminha até ela.
“Mais uma vez estou na ala médica… que droga.” — pensa, irritado.
Ao sair da sala, do lado de fora, o grupo estava sentado esperando-o.
— Que bom que acordou, como você está? — Rivna se aproxima, preocupada.
— Você, de novo, ultrapassou o limite do próprio corpo — completou Katsu.
— Desculpa, acabei me descuidando um pouco. — Responde sem jeito.
Rays observava em silêncio.
Rivna olhava para a faixa no braço dele.
— Todos vocês conseguiram passar de fase?
— Sim, recebemos algumas ajudas, mas todo nosso grupo avançou de fase! — Yara explica.
— E aquela entrada chamativa, você foi o destaque do final — Katsu dá um leve soco no ombro de Lance enquanto gargalha.
— Katsu! Ele acabou de sair da ala médica, está querendo que ele volte? — Rivna briga enquanto bate em Katsu.
Rays se levanta e caminha em direção a Lance.
Ele abaixa a cabeça e observa o corpo enfaixado.
— O que foi, Rays? Aconteceu alguma coisa?
— Sim…
Rays olha fixamente nos olhos de Lance e desfere um soco no rosto de Lance, que, por ainda estar fraco, é derrubado ao chão por um simples soco.
— RAYS, O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? — Rivna grita furiosa.
Yara segura Rivna, sem deixá-la se aproximar de Rays.
Rays levantou a mão, pedindo silêncio, sem tirar os olhos de Lance.
— Calem a boca! Por sua culpa, quase Rivna e Katsu foram eliminados, além de ter sido descuidado de passar o limite do seu corpo! — Rays olha com um rosto furioso. — A ala médica não vai estar aqui sempre que você fizer burradas!
Lance arregala os olhos, assustado.
Mas se mantêm em silêncio sem discordar.
— Você foi imaturo, impulsivo. Se for para atrapalhar, é melhor nem seguir para a próxima fase. — Rays continua. — Se isso fosse um campo de batalha, você poderia ter matado dois aliados e a si mesmo!
Lance abaixa a cabeça enquanto aperta os punhos.
— Me desculpe, não foi minha intenção…
— Desculpas não resolvem problemas, nem trazem ninguém de volta à vida; senão, até seu pai estaria aqui!
Lance e todos param.
Um silêncio toma conta do local.
Yara e Rivna ficam sem reação.
— Não ouse falar do meu pai… — Lance se levanta com o olhar fixo em Rays.
— A verdade é dolorosa, Lance, me fala… se isso fosse uma missão e Rivna e Katsu tivessem morrido, o que você faria?
Ele para e olha para Katsu e Rivna.
— Como esperado, nada! Espero que, na próxima fase, você não seja irresponsável mais uma vez… Se não tem objetivo de vencer ou ajudar, por favor, saia!
Rays se vira e sai caminhando lentamente.
Lance cai de joelhos ao chão com lágrimas nos olhos e decepcionado consigo mesmo.
Rivna e Katsu se aproximam.
— O que aconteceu quando nos separamos? — pergunta Lance.
— Acabamos caindo em uma armadilha do labirinto, um buraco com mais de 5 metros de profundidade. — Rivna fala hesitante.
— O Rays é complicado mesmo, não precisa se cobrar tanto, estamos bem, recebemos ajuda e conseguimos sair! — fala Katsu tentando o confortar.
— Não, ele está certo… Se fosse uma missão real, por irresponsabilidade minha, coloquei a vida de vocês em risco. — Ele se curva. — Me perdoem.
— Está tudo bem, Lance, acima de tudo, você é nosso amigo. — Katsu estende a mão.
Lance agarra a sua mão e se abraçam firmemente.
— Vamos, você precisa se arrumar, amanhã será a próxima fase.
Lance se vira e olha para Rivna, que estava parada ao seu lado.
— Me desculpa também, Rivna, prometo que não vai se repetir.
— Tudo bem, não foi nada demais.
Lance se aproxima e lhe dá um leve abraço.
Rivna se assusta e fica com o rosto rosado.
— Tá bom, já deu, muito obrigado. — Ela o empurra, envergonhada.
— Certo, vamos?
Ela responde acenando a cabeça.
Eles caminham para os seus quartos ao cair da noite.
Lance estava deitado, pensativo e arrependido por tudo o que havia acontecido.
“Eu errei, amanhã não vou abandonar mais ninguém! Eu vou proteger todos.”
A segunda fase do grande torneio Nexus estava prestes a começar…

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