O corredor estava desabando.

    Pedras caíam.

    A saída estava próxima.

    Mas o último emboscador ainda estava de pé.

    Só restavam dois minutos.

    O adversário avançou novamente, energia concentrada no punho.

    — Você não vai sair!

    Lance desviou por pouco.

    Seu braço direito tremia.

    A pulseira piscava em amarelo.

    O inimigo avançou em linha reta.

    Lance não recuou.

    Ele agarrou o colarinho do adversário.

    E aumentou o peso do corpo do oponente abruptamente.

    O chão cedeu sob os pés dos dois.

    Com um giro brusco, Lance lançou o inimigo contra o teto da caverna.

    O impacto ecoou.

    Pedras racharam.

    O teto vibrou.

    Lance olhou para cima.

    Luz por uma fresta mínima.

    Uma ideia surge em sua mente.

    “Não vou conseguir chegar na saída a tempo…”

    Ele fechou os olhos por meio segundo e respirou, ignorando a dor.

    E pela quarta vez.

    Seu braço ficou leve, o fluxo gravitacional começou a se concentrar no punho.

    A pulseira ficou laranja.

    Seu antebraço começou a sangrar.

    — PUNHO GRAVITACIONAL!

    Dessa vez, ele não mirou no inimigo.

    Ele mirou no teto.

    O impacto foi absurdo.

    A gravidade explodiu para cima, o teto inteiro cedeu, rochas foram arremessadas para o alto.

    A estrutura da caverna rompeu.

    Luz natural invadiu o corredor.

    O inimigo caiu inconsciente.

    O labirinto começou a colapsar.

    Lance deu um salto usando o próprio impulso gravitacional.

    O braço ardia e a dor subia pelo ombro.

    Ele atravessou a abertura junto com uma chuva de pedras.

    A arena inteira viu uma explosão de rochas voando para o céu. E uma silhueta sendo projetada para fora do labirinto.

    Ele caiu de pé por reflexo.

    O braço direito estava aberto, sangue escorrendo.

    A pulseira emitia um vermelho intenso que se perdia em seu braço ensanguentado.

    — Cheguei! Sentiram minha falta? — Ele fala com um sorriso forçado.

    As pernas cederam e ele caiu inconsciente.

    Os participantes do lado de fora ficam em silêncio, surpresos.

    A plateia da arena explodiu em gritos.

    — Lance! — Rivna corre preocupada.

    Ela se aproxima e grita por ajuda médica.

    Ao longe, Shin observava desconfiado.

    — Quem é esse cara? A entrada extravagante chamou a atenção dela… — Ele encara Rivna de longe. — Acho melhor sair por enquanto para ela se morder de saudades.

    Galand pega o microfone e faz um novo anúncio.

    “Esse meu neto realmente é uma caixinha de surpresas!” — pensa, surpreso.

    — Agora declaro o fim da primeira fase! Dos 55 participantes iniciais, 28 avançam para a próxima fase!

    Toda a plateia grita empolgada.

    Ele continua.

    — Desejo parabéns pela conquista e boa sorte para a próxima fase, amanhã nessa mesma arena, será revelada! — Ele se vira para o público e os participantes. — Agradeço a presença de todos neste dia de hoje, aguardo ansiosamente pelo dia de amanhã.

    Algumas horas depois…

    Lance estava deitado na área médica do torneio, com o braço enfaixado e curativos pelo corpo.

    Ele abre os olhos com dificuldade.

    Ele se apoia nas barras para tentar se levantar, ainda com as pernas um pouco bambas. Ao olhar em volta, avista a saída e caminha até ela.

    “Mais uma vez estou na ala médica… que droga.” — pensa, irritado. 

    Ao sair da sala, do lado de fora, o grupo estava sentado esperando-o.

    — Que bom que acordou, como você está? — Rivna se aproxima, preocupada.

    — Você, de novo, ultrapassou o limite do próprio corpo — completou Katsu.

    — Desculpa, acabei me descuidando um pouco. — Responde sem jeito.

    Rays observava em silêncio. 

    Rivna olhava para a faixa no braço dele.

    — Todos vocês conseguiram passar de fase?

    — Sim, recebemos algumas ajudas, mas todo nosso grupo avançou de fase! — Yara explica. 

    — E aquela entrada chamativa, você foi o destaque do final — Katsu dá um leve soco no ombro de Lance enquanto gargalha.

    — Katsu! Ele acabou de sair da ala médica, está querendo que ele volte? — Rivna briga enquanto bate em Katsu.

    Rays se levanta e caminha em direção a Lance.

    Ele abaixa a cabeça e observa o corpo enfaixado.

    — O que foi, Rays? Aconteceu alguma coisa?

    — Sim… 

    Rays olha fixamente nos olhos de Lance e desfere um soco no rosto de Lance, que, por ainda estar fraco, é derrubado ao chão por um simples soco.

    — RAYS, O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? — Rivna grita furiosa.

    Yara segura Rivna, sem deixá-la se aproximar de Rays.

    Rays levantou a mão, pedindo silêncio, sem tirar os olhos de Lance.

    — Calem a boca! Por sua culpa, quase Rivna e Katsu foram eliminados, além de ter sido descuidado de passar o limite do seu corpo! — Rays olha com um rosto furioso. — A ala médica não vai estar aqui sempre que você fizer burradas!

    Lance arregala os olhos, assustado.

    Mas se mantêm em silêncio sem discordar. 

    — Você foi imaturo, impulsivo. Se for para atrapalhar, é melhor nem seguir para a próxima fase. — Rays continua. — Se isso fosse um campo de batalha, você poderia ter matado dois aliados e a si mesmo! 

    Lance abaixa a cabeça enquanto aperta os punhos.

    — Me desculpe, não foi minha intenção…

    — Desculpas não resolvem problemas, nem trazem ninguém de volta à vida; senão, até seu pai estaria aqui!

    Lance e todos param.

    Um silêncio toma conta do local.

    Yara e Rivna ficam sem reação.

    — Não ouse falar do meu pai… — Lance se levanta com o olhar fixo em Rays.

    — A verdade é dolorosa, Lance, me fala… se isso fosse uma missão e Rivna e Katsu tivessem morrido, o que você faria?

    Ele para e olha para Katsu e Rivna.

    — Como esperado, nada! Espero que, na próxima fase, você não seja irresponsável mais uma vez… Se não tem objetivo de vencer ou ajudar, por favor, saia!

    Rays se vira e sai caminhando lentamente.

    Lance cai de joelhos ao chão com lágrimas nos olhos e decepcionado consigo mesmo.

    Rivna e Katsu se aproximam.

    — O que aconteceu quando nos separamos? — pergunta Lance.

    — Acabamos caindo em uma armadilha do labirinto, um buraco com mais de 5 metros de profundidade. — Rivna fala hesitante.

    — O Rays é complicado mesmo, não precisa se cobrar tanto, estamos bem, recebemos ajuda e conseguimos sair! — fala Katsu tentando o confortar.

    — Não, ele está certo… Se fosse uma missão real, por irresponsabilidade minha, coloquei a vida de vocês em risco. — Ele se curva. — Me perdoem.

    — Está tudo bem, Lance, acima de tudo, você é nosso amigo. — Katsu estende a mão.

    Lance agarra a sua mão e se abraçam firmemente.

    — Vamos, você precisa se arrumar, amanhã será a próxima fase.

    Lance se vira e olha para Rivna, que estava parada ao seu lado.

    — Me desculpa também, Rivna, prometo que não vai se repetir.

    — Tudo bem, não foi nada demais.

    Lance se aproxima e lhe dá um leve abraço.

    Rivna se assusta e fica com o rosto rosado.

    — Tá bom, já deu, muito obrigado. — Ela o empurra, envergonhada.

    — Certo, vamos? 

    Ela responde acenando a cabeça.

    Eles caminham para os seus quartos ao cair da noite.

    Lance estava deitado, pensativo e arrependido por tudo o que havia acontecido.

    “Eu errei, amanhã não vou abandonar mais ninguém! Eu vou proteger todos.”

    A segunda fase do grande torneio Nexus estava prestes a começar…

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