Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    As pupilas de Erlius se contraíram ao máximo.

    Uma massa contorcida de névoa preta e branca girava na palma de Souta. Ela se torcia e se dobrava, manifestando algo que não existia na realidade.

    No instante em que Erlius a sentiu, seu peito se apertou — um medo frio e invasivo se infiltrando em seus ossos.

    “Poder dos sonhos…?”

    Mas, mesmo ao dizer isso, ele sabia… não, aquilo apenas se parecia com poder dos sonhos.

    Ele já havia tocado esse poder, moldado e controlado. Sabia reconhecê-lo. Mas aquilo… tinha algo a mais.

    Era algo muito mais violento.

    As próprias flutuações rasgavam seus sentidos — densas, irregulares, sufocantes. Não era apenas mais forte.

    Era predatório.

    “Correto”, respondeu Souta, seu tom plano, quase entediado. “Mas não exatamente.”

    Nenhuma explicação veio em seguida.

    Seus dedos se moveram — e a névoa explodiu para fora.

    Ela não fluía como água.

    Espalhava-se como uma praga.

    O oceano ao redor tremeu quando as correntes colapsaram, esmagadas até a completa imobilidade. Até mesmo a energia do ambiente vacilou… tremendo… antes de se curvar, forçada ao silêncio por uma vontade esmagadora.

    O olhar de Souta se intensificou.

    “Prepare-se.”

    Ele então estendeu a mão.

    Sua mão perfurou o limite.

    Forçou passagem através da frágil linha entre realidade e sonho, rasgando-a sem resistência. Por um breve instante, algo do outro lado vazou — o poder dos sonhos transbordou. Quando sua mão retornou, ela segurava um fragmento de pedra.

    Um pedaço de pedra do mundo dos sonhos.

    Sangue o cobriu instantaneamente. Espesso. Escuro. Pulsante.

    Ele rastejou como uma entidade viva, engolindo a superfície da pedra enquanto fios semelhantes a teias se enrolavam ao redor, apertando e comprimindo até que o fragmento pulsasse como um coração prestes a explodir.

    A pressão era imensa.

    Souta o ergueu, apontando diretamente para Erlius.

    E então sua aura rugiu.

    O oceano se contorceu. O espaço se distorceu. O próprio tecido ao redor gritou sob a força invisível que esmagava tudo de todas as direções.

    “Vou te mostrar…” A voz de Souta desceu, pesada, final — como um julgamento. “… um poder que existe além de você.”

    As palavras não viajaram.

    Elas atingiram.

    “Alegre-se.”

    Um passo à frente — e o ambiente explodiu em energia.

    “Porque esta será a primeira vez que você testemunhará algo assim.”

    Luz e escuridão irromperam dele como raízes rasgando carne, espiralando para fora e devorando tudo em seu caminho. Sua presença cresceu novamente — mais densa, mais sufocante — até que o próprio espaço pareceu ceder sob a pressão.

    –Ohm!

    As sobrancelhas de Erlius se contraíram, seu rosto se fechando enquanto ambas as mãos se erguiam instintivamente. Cada fibra de seu ser gritava para fugir.

    Um aviso primitivo. Absoluto.

    Seus instintos urravam, tentando arrancá-lo dali, forçando-o a abandonar tudo e escapar daquela pressão monstruosa.

    Mas ele não se moveu.

    Não podia.

    Seu maxilar se contraiu, os dentes rangendo enquanto veias saltavam por seus braços. Se virasse as costas agora — se hesitasse por um único instante — morreria.

    Então escolheu o único caminho possível.

    Reuniu tudo.

    A energia explodiu em suas mãos, comprimindo-se, condensando toda a sua força em um único ponto desesperado. As águas ao redor se torceram em espirais, sendo puxadas como se o próprio oceano respondesse ao seu chamado.

    Ele enfrentaria aquilo de frente.

    Ao ver a determinação gravada no rosto de Erlius, os lábios de Souta se curvaram levemente. Ele estava… entretido.

    Em sua mão, o fragmento de pedra dos sonhos pulsava.

    O sangue girava sobre sua superfície, espesso e vivo. A escuridão se enrolava como uma besta faminta, enquanto fios de luz pálida o cortavam em lampejos violentos. As três forças colidiam e se fundiam, girando cada vez mais rápido até que o espaço ao redor começasse a tremer.

    Souta moveu o dedo.

    –BOOM!!

    O oceano se partiu.

    Um abismo violento rasgou as águas, forçado pela pressão esmagadora. A força explodiu para fora, abrindo um caminho de destruição absoluta — tão extrema que nem mesmo as correntes conseguiam acompanhar.

    Os olhos de Erlius se arregalaram. Ele lançou ambas as mãos à frente, liberando tudo o que tinha.

    “[Destruição Celestial das Águas Turbulentas]!!”

    Uma explosão cegante de poder surgiu, rugindo, violenta, devorando o mar ao redor enquanto avançava para colidir com o ataque de Souta.

    E então… veio o impacto.

    –BOOM!!

    A luz engoliu tudo. A água desapareceu. A terra foi rasgada. O próprio espaço ondulou violentamente, distorcendo-se sob o choque de duas forças esmagadoras. A onda de choque se expandiu em todas as direções, indiscriminada, impiedosa — varrendo tudo em seu caminho.

    Nada foi poupado.

    Ao longe, o Palácio Imperial tremeu.

    As paredes rangeram. As barreiras brilharam intensamente. A própria fundação sacudiu quando o impacto os atingiu como uma maré distante e inevitável.

    Tasman, Kessa e os outros ficaram imóveis, seus olhos fixos na explosão catastrófica que florescia no horizonte.

    “… Poder demais…” Murmurou Tasman, com a voz baixa e tensa.

    Mesmo daquela distância, ele podia sentir.

    Aquela pressão esmagadora.

    Aquele peso absoluto.

    Ele sabia — se estivesse no centro daquela colisão, se enfrentasse qualquer um daqueles ataques… não duraria nem um segundo.

    Ao seu redor, os outros no chão tremiam.

    Ninguém falava.

    Eles só podiam observar — e esperar.

    Esperar que seu rei emergisse vitorioso.

    Mas, no fundo, todos sabiam.

    As chances já não estavam a favor dele.

    Marquês Vein permanecia imóvel em meio ao caos, seu rosto iluminado não pelo medo, mas pelo fascínio. Seus lábios tremeram antes de se abrirem em reverência.

    “O Senhor do Reino… é verdadeiramente poderoso.”

    O campo de batalha havia se tornado irreconhecível.

    A água rugia através do terreno destruído, engolindo terra e pedra em ondas violentas. Pedaços de destroços flutuavam como cadáveres em um mundo afogado, enquanto nuvens de areia pulverizada giravam no ar, densas como fumaça. Arcos de energia semelhantes a relâmpagos chicoteavam as ruínas, rasgando o espaço com flashes brutais.

    No centro de tudo, Erlius estava ajoelhado.

    Uma tosse úmida e irregular rasgou sua garganta enquanto sangue escorria de seus lábios, respingando no chão inundado abaixo. Seu braço direito havia desaparecido, arrancado completamente, e o que restava de seu corpo era uma ruína de carne dilacerada e ossos quebrados. Cortes profundos atravessavam seu torso, cada um drenando sua vida a cada respiração forçada.

    E diante dele…

    Souta estava de pé.

    Imóvel.

    Intocado.

    Sua forma havia retornado ao normal, mas o ar ao seu redor ainda tremia, como se a própria realidade ainda não tivesse se recuperado do que ele havia liberado.

    Seu olhar frio pousou sobre o rei destruído.

    ’Esse homem… sobreviveu àquilo?’

    Os olhos de Souta se estreitaram levemente.

    ’Eu não usei minha [Armadura do Imperador], mas Douion IV nunca foi feito para deixar sobreviventes. É suficiente para apagar especialistas experientes sem deixar sequer cinzas.’

    O poder ainda permanecia ali — a convergência, a fusão que ultrapassava os próprios núcleos de Vanko e Reem. Era a força que deu origem ao próprio Reino de Sangue.

    E ainda assim, Erlius havia resistido.

    Só isso já carregava peso.

    Souta soltou um leve suspiro, quase achando engraçado.

    ’Se eu não tivesse preparado esse campo de batalha antes… as coisas poderiam ter sido… inconvenientes.’

    O silêncio caiu entre eles, pesado e sufocante, quebrado apenas pelo rugido distante do terreno desmoronando.

    Erlius abaixou a cabeça, seu corpo tremendo violentamente enquanto lutava para permanecer consciente. Sangue escorria de seu queixo, misturando-se à água abaixo.

    “… Eu… fui derrotado…”

    Cada palavra saía como vidro quebrado.

    Souta não respondeu de imediato. Em vez disso, seu olhar vacilou por um instante — algo invisível passando diante de seus olhos. Um momento depois, um sorriso surgiu em seus lábios.

    Ainda não.

    Ele balançou a cabeça sutilmente.

    “Venha.”

    Sua voz era calma — quase suave — mas carregava um peso impossível de ignorar.

    “Vou te mostrar… como eu conquisto as Profundezas de Banquet.”

    A tempestade ao redor pareceu silenciar, como se o próprio mundo estivesse ouvindo.

    A Cidade Imperial do Reino Bodam havia desaparecido.

    Apagada.

    Onde antes havia estruturas imponentes, agora restava apenas uma vasta extensão em ruínas, afogada em energia turbulenta e terra despedaçada. O coração do reino havia sido arrancado, deixando apenas devastação.

    Ondas de choque de poder se espalhavam das ruínas, varrendo a terra como uma onda invisível. Cidades próximas tremiam sob a pressão, suas muralhas rangendo, seu povo dominado por um terror sufocante.

    O próprio ar parecia instável — pesado, carregado — como se pudesse se rasgar a qualquer momento.

    O pânico se espalhou.

    E a confusão veio em seguida.

    Todo o reino mergulhou no caos.

    Muito além de suas fronteiras, a Nação Tarrant nada sabia.

    Eles permaneciam presos em sua própria luta desesperada, sem saber que o núcleo de seu inimigo já havia caído.

    Na linha de frente, a guerra continuava sem contenção.

    Dezenas de milhares de especialistas do Reino Bodam avançavam como uma onda implacável, colidindo contra as defesas de Tarrant repetidas vezes. O campo de batalha ardia em violência — explosões de energia, formações desmoronando e o rugido constante de poderes colidindo.

    Especialistas de Rank Herói dominavam tanto o céu quanto a terra, suas batalhas rasgando o campo a cada choque. Cada ataque carregava força suficiente para destruir exércitos inteiros — e ainda assim, nenhum dos lados recuava.

    Era uma guerra de desgaste.

    E nenhum dos lados pretendia perder.

    Nas profundezas de uma fortaleza altamente protegida, longe do caos da linha de frente, um conselho se reunia.

    A sala estava selada por múltiplas camadas de proteção, suas paredes reforçadas para resistir até mesmo aos impactos da guerra. Dentro dela estavam as figuras mais poderosas da Nação Tarrant — o Conselho Supremo.

    Eles eram os arquitetos do exército.

    As mentes que comandavam cada movimento, cada sacrifício.

    E ainda assim…

    Até eles sentiam a pressão.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota