Capítulo 137: Expedição a Prima Claustra
Uma semana rapidamente passou e, antes que pudessem perceber, o grupo recebeu uma convocação imediata para se apresentar ao quartel principal. Matheus, Glória, Hans, Fynn, Li, Selene e Lisa já estavam aguardando o chamado e haviam preparado sua bagagem. Logo pela manhã, quando o primeiro raio de sol atingiu o telhado da casa, todos se dirigiram ao ponto de encontro.
O caminho foi levemente desconfortável, sem conversa, mas não pela tensão e sim por um clima esquisito.
— Ei, Li… você sabe o que aconteceu entre os dois? — perguntou Fynn, sussurrando no ouvido do amigo. Apesar de estarem juntos, os dois e Hans estavam um pouco atrás do restante. — Eles não têm se falado…
— Não, nem ideia… Hans?
— Não consigo dizer com certeza… mas é esquisito.
— Sim, é esquisito mesmo… — concordou Li. — Mas como assim ‘com certeza’, você tem algum palpite?
— Creio que tenha a ver com a missão… mas vamos descobrir eventualmente.
— A missão…
Li se lembrou da conversa que teve com Matheus naquele dia.
“Ainda bem que não prometi nada…”
— O que vocês estão sussurrando aí atrás? — perguntou Glória.
— Li estava nos contando do desastre que ele fez no banheiro antes de sair, disse que estava preocupado de não ter dado descarga e que estaria um absurdo quando retornássemos — gritou Fynn.
— Ei!
Lisa e Selene olharam para trás encarando Jihan com um olhar esquisito.
— Desculpa, Li, você não queria que tivéssemos contado? — Perguntou Hans.
— Até você!?
— Chega de gracinha — disse Matheus. — Sei o quanto permito um excesso de liberdade quando estamos sob a minha liderança, mas esse não é o caso hoje… por favor, Fynn, não me envergonhe.
— Pera, por que eu? Eu sou, tipo, a pessoa mais normal daqui.
Li e Hans imediatamente viraram na direção do homem com uma expressão de estranheza indescritível.
— Ei, não precisavam me olhar assim…
BUM
— ATENNNNNNÇÃO!
Um grito ensurdecedor passou pelos ouvidos de todos. A força na voz era tanta que até mesmo Matheus ficou em posição de continência.
— DESCANSAR!
A tensão imediatamente passou e uma sombra surgiu atrás do grupo. Quando os três que estavam mais atrás se viraram, deram de cara com um peitoral maciço; olhando um pouco mais para cima, viram uma careca que refletia a luz matinal do sol intensamente. Abaixo da careca, um rosto amedrontador com uma máscara que cobria toda a sua mandíbula. O homem facilmente possuía dois metros e meio; não era surpreendente para um gigante, mas definitivamente era para um humano. Apesar de utilizar ombreiras de algum tipo de metal, seu torso cabeludo estava visível e lotado de cicatrizes e marcas.
— Senhor Baraka! — Matheus foi o primeiro a falar algo.
— Matheus! — respondeu o homem. — Ainda batendo continência para mim? Não se acostumou com sua posição ainda?
— Bem, aparentemente não importa o quanto subirmos na hierarquia, sempre seremos abaixo de alguém; é melhor não perder as boas manias.
— Hahahaha, de fato! — gargalhou. — Então, essa é a sua equipe?
— Sim, senhor.
— Pare com isso de senhor, pode me chamar de ‘O grande Baraka’, hahahaha!
Toda vez que o homem gargalhava, sua risada ecoava na cabeça de todos, vibrando dentro de seus corpos.
— Então, o que estão esperando, se apresentem! — Disse o homem.
— Glória, novato — respondeu secamente, mas a secura foi apaziguada por outro ânimo.
— Meu nome é Fynn Aster, líder de equipe!
— Hans Arkerman.
— Selene, não tenho sobrenome, sou uma conjura… digo, Moldadora… eu acho.
— Lisa, sacerdotisa!
— Oh, uma sacerdotisa? Sempre é bom ter uma por perto, quer dizer que posso me arriscar mais!
— Hahaha… peço que não o faça…
— Pode deixar comigo! — mentiu. — E você? — perguntou, virando-se para Li.
— Li Jihan, líder de equipe, muito prazer.
Baraka cerrou os olhos, encarando Li.
— Oh… você é o garoto, Sirius, não é?
— Sim — respondeu sem graça. — Acredito que seja eu mesmo.
— Por que está com essa cara? É um ótimo vulgo!
— Ainda não sei se sou merecedor dele…
— Então você com certeza é! — retrucou.
— Senhor Baraka, não vai apresentar a gente?
Uma voz suave soou atrás da montanha de carne. Se esgueirando atrás do homem, um outro de cabelos loiros, médios e ondulados apareceu.
— Sim, claro, eu estava para fazer isso. — Andando para o lado, a parede revelou outras 11 pessoas atrás dele. — É com muito orgulho que apresento a vocês a equipe Baraka!
Oito homens e três mulheres se posicionaram lado a lado.
— Não sei exatamente como funciona o sistema de vocês… se é que tem um, afinal, o Matheus só virou um tenente recentemente — disse Baraka. — Mas a equipe Baraka conta com 3 líderes de equipe: Leo, Gavi e Edna.
— Muito prazer, sou Leo — disse o homem loiro que havia falado antes.
“Ele parece um pouco com Michael… Aliás, como será que ele está…” pensou Li.
— Gavi — disse o outro. Seus curtos cabelos eram castanhos e espetados e havia apenas uma tentativa de barba que estava nascendo em seu rosto.
Todos eram relativamente baixos se comparados a Baraka; mas, definitivamente, eram bem novos. Até mesmo os líderes de equipe pareciam possuir menos de vinte e cinco anos.
— Muito prazer, sou Edna; membro orgulhosa da equipe Baraka e líder de equipe.
Olhando-os, Li os mensurou mentalmente.
“8, 6 e…” pensou. Olhando para Edna, ele teve dúvidas.
Apesar da aparência simplória dos dois primeiros, Edna era um pouco alternativa; uma de suas córneas era branca, como se fosse cega. Porém, o que parecia ser uma deficiência, não possuía a intensidade de uma.
“Temos uma esquisita…” Fynn chegou à mesma conclusão.
— Vocês também, se apresentem.
Um a um, os novatos disseram seus nomes.
— Cow.
— Tauru.
— Virgo.
Disseram os que estavam logo atrás de Leo.
— Pedri.
— Fernão.
— Cristian.
Disseram os que estavam atrás de Gavi.
— Ferris.
— Vanessa.
Concluíram os dois atrás de Edna. Cada um possuía uma característica levemente marcante; Cow parecia ter vitiligo. Tauru tinha um pescoço extremamente grosso e Virgo, a mulher do grupo, possuía brincos em formato de balanças antigas.
Pedri tinha um cabelo curto, porém verde. Fernão não possuía uma de suas orelhas e Cristian estava com uma lança enorme em suas costas, porém, fina estranhamente de cabo a ponta, como um cabo de vassoura.
Os mais diferentes estavam atrás de Edna; Ferris era baixo, do tamanho de Selene, e parecia estranhamente avoado, como se seus olhos não focassem em nada que estava à sua frente. Já Vanessa, uma mulher de estatura média e cabelos loiros ondulados e longos, estava de olhos fechados o tempo todo.
“Eles são meio estranhos… mas…” Olhando para seu próprio grupo, Li apenas suspirou. “Quem sou eu para falar…”
— Baraka, creio que se você está aqui, então…
— Ah, todos já chegaram? — Uma outra voz o interrompeu. — Perdão pelo atraso.
Lorena apareceu com mais um grupo de doze pessoas logo atrás.
— Vou pular apresentações, visto que vocês terão bastante tempo para se conhecer no caminho e recomendo que o façam — disse ela. — Para os novatos que não me conhecem, meu nome é Lorena e serei responsável por essa missão. Se um de vocês tiver algo contra eu liderar, pode reclamar diretamente com seu superior e ele está livre para argumentar o porquê deveria ser ele a ser o líder. E eu te garanto que terei o prazer de mostrar a vocês o porquê de eu ser a líder.
Li engoliu a seco; a mulher exalava confiança e tinha totalmente a base para isso; por esse mesmo motivo, nem um dos presentes sequer perguntou algo sobre a afirmação dela; nem mesmo o convencido Baraka.
— Perfeito. Primeiramente…
SNAP
Assim como havia acontecido da outra vez, uma barreira se ergueu ao redor de todos os presentes.
— A partir de agora, vocês estão sujeitos às regras de guerra — disse Lorena. — Resumidamente, isso quer dizer que desobediência pode ser punida com execução. Insubordinação pode ser punida com execução. Vocês são soldados e qualquer erro pode custar a vida de um colega… não hesitem, não se afobem e de forma alguma tentem ser heróis… Amélie…
Amélie caminhou à frente de Lorena.
— Muitos de vocês me conhecem de formas diferentes… mas de hoje até o fim dessa expedição eu serei a guia de vocês; durante essa expedição passaremos por algumas cidades onde, a depender do andamento, descansaremos por um dia, afinal, temos que chegar em forma à Prima Claustra; não conhecemos o inimigo e o que temos de informação é extremamente limitado… Mas… como uma cidadã nativa do reino de Prima Claustra… peço humildemente que me ajudem e eu farei o possível para ajudá-los da mesma forma.
— A expectativa é que essa expedição tenha a duração total de 1 mês… infelizmente não podemos avisar as cidades ao longo do caminho de nossa chegada, afinal, essa expedição é extraoficial, então não esperem ser recebidos com graças — concluiu Lorena. — Mais detalhes serão dados ao longo do caminho… mas com isso eu anuncio que a primeira e, se tudo correr bem, a última expedição ao Reino de Prima Claustra começou.

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