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    Será que eles vão encontrar apenas a garota? Ou a mais pessoas junto com ela?

    “No sonho que se entende que era, quando, por fim de repente acabou de uma vez, assim que começou”

    Mustank não revelou tudo que sabia, a falta de tempo junto da possível piedade que pudessem ter com a garota, o fez optar por ignorar o fato dela ser uma vítima.

    Foi comportada até os seus 18 anos passou a perder a sua devoção e fidelidade ao pai, a alegação, visão de vidas passadas, as vozes que diziam a ela o certo a se fazer, todo o peso da hipocrisia presenciada por um pai que dizia amar a família e a mãe, acobertado por ela, venho a tona, a revolta resultou em sua internação.

    Funcionou, por algum tempo, até que a garota fugiu novamente, e os seguranças foram atrás da garota, sem sucesso, Mustank pensa com pesar na única frase proferida por um dos homens que foi atrás da garota, “ela pulou e ficou lá embaixo’’.

    Embaixo, o local que Enji deduz, o lado oposto da entrada do monte, oposto ao ponto onde se fica uma cruz, pois a muito naquele local alguém havia se jogado, e a pouco tempo do lado que Enji está, alguém pousou. Enji suspeita de haver algo tóxico no local, afim de se precaver, utiliza-se de seus apetrechos, o primeiro é uma tábua com diversos carácteres ao qual ele lé com uma lupa especial passada por cima deles, logo ele guarda e depois pega um cristal cilíndrico de cor verde escura e o balança, logo o cristal brilha ficando claro, emitindo uma luz, está luz serve para observar párticulas no ar, o verde as pedras ajudam em sua observação.

    — Líquens, sem partículas, sem sinais de energias estranhas e espíritos — observa Enji.

    Enji ao caminhar, larga o cristal em sua mão e começa a sentir dores de cabeça até desabar no chão, um impulso faz ele passar a mão nas partes de seu corpo das quais se originam as dores.

    — Oh como sofreu tantas cicatrizes, seu corpo já foi castigado tantas vezes, quanta dor essa são as impressões das suas cicatrizes não curadas! — o lamento vem de uma voz melancólica, doce e suave, ao mesmo tempo que entristece, reconforta, e seu toque é assim como sua voz, a mão que passa por cima das cicatrizes trás carinho junto da dor.

    Ao olhar para trás, Enji não tem dúvidas, o rosto é igual ao retrato da moça. O rosto belo que Meiko esperava, uma garota com feições delicadas, nariz fino, olhos castanhos e grandes, lábios demarcados, seus cabelos são longos, lisos e pretos, cacheados nas pontas. Está é Sanskira, quem toca as cicatrizes de Enji, o faz relembrar de forma vivida como foi cada ferimento, a sensação de ter o seu corpo sendo rasgado de diversas formas, a dor é grande ao ponto de o fazer chorar e ficar de joelhos no chão.

    — Você até pode ser bonita, mas tá merecendo apanhar! — diz Meiko, apesar de se manter calmo, ao ver Enji agonizar de dor ele fica incômodado.

    — E um bebezão que nem você iria me bater? — Sanskira o encara, a provocação é certeira, mesmo ambos se vendo pela primeira vez.

    — É só me provocar, querida! — Meiko responde não só com palavras, utiliza o gesto de levantar a sua mão como ameaça.

    Sanskira ignora a resposta e tenta agarrar o rosto de Meiko, mas é segurada pelo pulso, que é apertado por Meiko, o Nelphli vai torcendo e ao aplicar um pouco de sua força no pulso da garota ele acaba por o fraturar. Meiko faz isto sorridente, mostrando prazer no que faz e logo em seguida acerta o estômago da garota, a fazendo se curvar.

    — Você parece ser mau! Pena que nada mais me machuca! — Sanskira se lamenta, enquanto ao mesmo tempo aproveita os gritos de Enji.

    — É muito pesado, tudo acaba desabando em cima de mim! — desabafa Enji, a dor é tanta que o impede de se levantar, sente como se fosse soterrado no chão.

    — O faça parar de sofrer! — ordena Meiko.

    Para garantir que suas palavras sejam levadas a sério, Meiko agarra a garota pelo pescoço, mas ela some de sua frente, e aparece na suas costas por um breve momento.

    — Foi exatamente isso que eu me pedi. Cessar o sofrimento! Mas só existe uma forma, morrendo, o sofrimento continua junto com a vida — diz Sanskira, volta para a frente dele confundido a sua mente, tira a mão dele de seu pescoço. — Diferente de seu amigo seu corpo não sofreu tanto, mas todos somos destinados a sofrer!

    — O corpo não é o único lugar que se machuca! — afirma Meiko, algo que a garota já sabe.

    — Eu concordo, mas é dele que eu puxo as memórias, tudo bem, somos ensinados a sofrer desde do princípio, impressão do nascimento! — Sanskira atesta a afirmação.

    Meiko vai para trás cobrindo os olhos, com o toque de Sanskira, ele se encolhe no chão e rasteja perdido, o vento o deixa incomodado, e o rapaz que está perto da idade adulta, começa a berrar como um bebê. Enji aproveita o curto espaço de tempo para arrumar forças e consegue se manter consciente, passa a mexer em seu casaco, Sanskira ignora a movimentação, está convencida de sua superioridade ao ponto de fazer cafuné no cabelo dos dois.

    — Se conseguem resistir e superar o sofrimento, vocês dois se tornaram seguidores da verdade, pobres leigos se tornaram fieis esclarecidos! Como eu, serão consagrados! — explica Sanskira, enquanto aproveita a dor dos dois.

    Em seu sofrimento Enji ainda mantém consciência, pega a esfera que havia mostrado mais cedo para localização, e a joga contra as costas de Meiko, a esfera explode gerando fumaça, que assume a cor vermelha, a sensibilidade de um bebê faz Meiko sentir uma dor terrível, queima como fogo que faz a pele borbulhar como água fervente, mas Meiko não fraqueja, pois a dor que aflinge o corpo entra em choque com a do pensamento, quando corpo sente ele envia o sinal, e este sinal faz brilhar os olhos de Meiko, que se levanta pronto para liberar a angústia que sente.

    — Enji, como ousa abrir parte da cortina, agora ela vai ver a luz que eu carrego! — afirma Meiko, que começa a sorrir mesmo com tanta dor.

    — O que é você? Mortais não deveriam ser assim! — reclama Sanskira, leva a mão em frente ao rosto a fim de evitar olhar a luz de forma direta.  

    Os raios que saem dos olhos de Meiko acertam a mão de Sanskira, o estado que se via distante da dor é levado de volta a sentir o tormento. Meiko grita conforme libera toda a agonia da dor que o afligia, enquanto fumaça sai de suas costas que tem faíscas como brasa. A mão de Sanskira junto com parte do seu antebraço são obliterados, o raio abre passagem sobre tudo que está em sua frente, mas logo o ataque é cessado. 

    — Eu sou fraco de espírito, infelizmente eu sinto as coisas de forma tão irrelevante, que eu não consigo guardar ódio! — expressa Meiko, enquanto relembra de seus irmãos mais velhos.

    — Você pagará por ter atacado um ser divino! — declara Sanskira, e com a outra mão que resta, ela faz crescer suas unhas.

    Sanskira enfia os dedos nos olhos de Meiko, pressionando fundo, os fazendo sangrar, mas como mecanismo de defesa, outro raio é disparado, rápido, um reflexo momentâneo, Meiko já está exausto e caído de joelhos no chão, mas garante a defesa destruindo os dedos de Sanskira, que não demonstra sentir dor, o incômodo vem de ter sido afetada por alguém que julga inferior.

    — Agora que está frágil, sinta a impressão da morte! 

    Meiko começa a parar de respirar, e sentir que está morrendo, até que Hinari chega executando o coice no peito de Sanskira, trazendo consigo chama em seus pés que acertaram o peito da moça, e a queima a lançando para trás, a fazendo cair. 

    — Uma bruxa? Um fantasma, o que é isso Enji? — questiona Hinari, á procura de respostas vinda daquele que quase sempre tem as explicações.

    Abalado, Enji se levanta com dificuldade, e Mustank se aproxima dando o devido suporte a ele, o apoiando em seu ombro.

    — Não se esforce tanto, você já fez muito — diz Mustank.

    — Essa garota não foi possuída, ela se tornou algo que eu nunca tinha visto, lido ou ouvido falar, ela está além da vida, resta saber se além da morte! Perfeitamente conservada, bom não mais, vocês conseguiram ferir — observa Enji, em uma breve análise obtém a resposta, que opta por não compartilhar por ter mais curiosidades acerca do que vê.

    — Impressionado, eu também, queima, não sinto dor, mas fui danificada, isso me faz temer a morte, eu estava liberta desta angústia e sofrimento, mas que chamas são essas? — indaga Sanskira, olha para si mesma

    A garota se levanta com o peito coberto por chamas, enquanto se prepara para enfrentar Hinari, quando ouve vozes em sua cabeça, pessoas discutem acerca de seu destino em sua mente. 

    — Ela foi escolhida, mas despertou muito cedo, eu a mostrei a verdade, porém sua imaturidade a perverteu. Ela não quis enxergar a verdade, apenas quis o conforto sobre a morte — afirma uma das figuras, a estatueta imútavel.

    — Se até a Deusa morreu, quem será você para negar a morte? Seus dons são de servir, deveria focar em cumprir seu dever. É fraca, nem todos os que tem benção, são capazes de se desprender de si, mas eu me culpo por não a despir de seu ego, lamentável não a ter encontrado antes dos adversários. Anjos com vontade própria vão pro inferno. Você já está morta, agora terá um destino pior, será excomungada! O tempo de se converter passou, e não haverá mais nenhum renascimento, apenas o fim de todas as coisas! — assim julga o homem no trono intocável.

    O corpo de Sanskira começa a se deteriorar na frente deles, avança os estados de putrefação de meses em segundos, enquanto seus olhos mudam de composição para algo cristalino.

    — Os agradeço por mostrar onde falhamos, mas os repúdio por sua perversidade — aponta o homem no trono.  

    Por sua natureza Hinari pode presenciar tal cena e os olhos de Meiko que estam afetados o concedem o poder de vislumbrar as impressões da morte de Sanskira enquanto ela se vai. 

    Os dois que conseguem ver, adentram um reino distante de outro plano, onde vem um homem em um trono, a visão deste homem em seu trono é próxima, mas ele parece tão distante e intocável, eles veem que o trono está em sendo sustentado por um piso incomum, escamoso, e ao observar direito, veem que estão em um espaço completamente vazio, o completo nada, e o que a abaixo é um dragão branco de diversas cabeças, com o corpo ramificado, a sua extensão completa não podia ser vista de tão imenso que era.

    Atrás do trono uma gigantesca estátua de uma mulher com véu, ela tem em sua cabeça uma “diadema’’, e mantém as mãos juntas. Também a presenças ali em comunhão ao homem intocável no trono, eles orbitam o vázio quem fica à direita um anjo protetor de seis asas segura uma lança na mão direita e um espelho na mão esquerda, com uma auréola e do outro lado a um coveiro seu corpo não aparece, é escondido por um esqueleto de manto negro, ele apenas carrega um caixão consigo.

    Apesar do anjo e o coveiro estarem ao lado, não estão próximos ao senhor no trono, quem está perto à direita com um livro na mão é seu escriba, ele carrega o livro do destino e a esquerda, acima da palma da mão do homem no trono a uma esfera de pura energia viva.

    — Verdadeiros pecadores, aqueles que têm o dever, mas preferem o poder, vislumbram a verdade, mas não a espalham! A blasfemam! — O homem no trono intocável faz o seu julgamento e os expulsa de seu reino.

    Enji joga um frasco que tem em seu arsenal, acaba com o corpo de Sanskira.

    — Eles falavam com a gente! — afirma Hinari, assustado.

    — O que não dá pra entender, é melhor ignorar, até achar uma forma para isso. Caso contrário é apenas reduzir-se a insanidade daquilo que não se pode explicar — indica Enji.

    Irritado, Hinari vira as costas, Cob acompanha seu amigo.

    — E agora o que fazemos? — questiona Cob.

    — Você explica pro velho o que aconteceu, meu descanso acabou — afirma Hinari.

    — Obrigado. — Mustank agradece Enji, que permanece em silêncio.

    Meiko perplexo encara o céu, apenas pensando acerca do que sentiu ao ver o ser alado.

    — Irmão.

    Diadema é uma tiara que se usa em cima da cabeça, similar a coroa, no caso da estátua não se sabe do que é feito, pois a estátua é inteiramente de pedra.

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