Capítulo 149 — Chuviscos
De tantas vezes, aquela era a primeira vez que Kevyn acordou sem nenhum motivo para levantar. Seu corpo não estava mais doendo porque ele conseguiu se curar.
Então, quando se levantou, percebeu que as faixas sumiram. Parece que realmente estava recuperado. “Eu não poderia sair com aquelas faixas, obrigado por… me ajudar”, sorriu, mesmo sem saber para quem estava agradecendo.
“Toc, toc”
De repente, alguém bateu na porta.
Assustado, o príncipe olhou em volta e correu para o banheiro. “Arg! Não é um bom momento!”, tirou seu sobretudo com o sangue de ontem e jogou no canto do banheiro.
“Toc, toc!”
Bateu mais forte.
Descendo as escadas e quase caindo no processo, Kevyn chegou no andar debaixo com Kind já saindo da bolsa dimensional. Ele então chegou na porta e se agachou em posição de desembainhar sua espada.
Ao bater da porta novamente, ele a abriu e viu quem era. O garoto não hesitou em avançar. Com um ataque lento e rápido o suficiente para rasgar o ar. O príncipe ergueu sua espada e então teletransportou para trás de seu irmão.
Caótico, ele devolveu Kind a sua “bainha”, e disse:
— Desordem.
Sendo recepcionado com um corte no peito, Gabriel sorriu e olhou para trás, onde seu querido irmão mais novo estava. “Eles crescem tão rápido, não é? Ele sabia que eu ia devolver aquele soco”.
— Então Kevyn… você vai me curar, né?
Agachado com um de seus joelhos no chão, Kevyn se levantou e ergueu sua mão para ele, curando-o através das gotas de chuva. Fechando seus olhos, ele respondeu:
— Eu sou a tempestade.
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Almoçando com seu querido mano, o príncipe e ele se encararam e… Gabriel começou a questionar sua existência após ver que ele estava diferente.
“Você tá menos intimidador, cadê aquela aura sufocante e aqueles olhos bizarros em volta?”, pensou o lorde.
Achando que aquilo era uma boa notícia, ele percebeu algo incomum, ou… não sentiu a presença de mais uma pessoa ali. Então perguntou:
— Cadê a Night?
— Ela… foi embora. — Desviou o olhar.
— Ela morreu?! — Já estava começando a ficar feliz.
— Não… só… saiu pela porta.
— Ahhh… — Ficou triste. — Pera! E essa cicatriz?! — Apontou.
— Hm? — Inclinou a cabeça.
No olho direito na percepção de Gabriel, Kevyn estava com um corte. Seu olho ainda pulsante olhando-o com confusão, o lorde percebeu que Tsushite realmente havia passado ali.
— Ehhh… como que você tá depois… da luta?
— Mais forte. Mas irmãozão, quero treinar.
Aquele olhar sufocante que viu demais do que o mundo tinha de cruel. O homem nunca soube reagir na presença dele… e piorava a cada vez que vinha.
Enfiando a colher cheia de comida na boca, Gabriel observou seu irmão com receio. “Quando eu tô perto dele… eu não consigo deixar de lembrar que ele é a reencarnação dela… me dá medo… muito medo, principalmente depois daquilo”.
— Gabriel, você tá com medo porque eu matei o Tsushite?
O homem se arrepiou e arregalou seus olhos. — N-não… é só que você mudou…
— Entendo. Vamos treinar. — Gentilmente sorriu.
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A chuva parou…
Após seus sistemas absorverem o almoço, na planície, Kevyn e Gabriel. Sobre a brisa do vento, a grama se moveu, o mundo corroeu, tudo contorceu.
Parou, tudo se restaurou e a pressão se instaurou, o príncipe emanou uma pressão tão intensa. Sentindo-se oprimido, o lorde até sorriu, mas era de medo pelo que de seu irmão já viu.
Mas isso não vem ao caso, o mais velho ergueu seus punhos, o novo ergueu seus braços. Tudo coagindo para uma verdadeira batalha. Mas fora interrompida pelo príncipe e sua fala:
— Ei! Pode me dizer mais sobre os apóstolos da sabedoria? Eu também quero saber sobre certas coisas! Você nunca me explicou direito — reclamou e inchou um lado da bochecha.
— Por que quer saber mais?
— Porque sim!
— Tudo bem.
Gabriel avançou seu corpo e girou, dando um chute previsível para que ele defendesse. E assim feito. Trocando força com ele, o homem continuou:
— Primeiro, eles são diferentes dos lordes, não têm ligação com nenhuma outra nação e só servem a uma pessoa.
— Nosso pai?
— Exatamente.
Forçando mais um pouco, o lorde rapidamente chutou-o um pouco para trás. Então Kevyn reagiu e avançou com tudo, girando que nem ele e realizando o mesmo ataque.
Percebendo aquilo, o mais velho desviou para o lado contrário e tentou um soco em suas costas. Entretanto, usando-se de distração, ao vê-lo tentando aquele golpe, o garoto se agachou ainda girando pelo potencial anterior e fez uma rasteira para então continuar a conversa:
— Você tem mais alguma além disso? Duvido que tenha vindo só para visitar.
Suspenso no ar, em decadência Gabriel apenas aceitou ter sido acertado e então respondeu até tocar na grama:
— Ah… já que você tá sozinho… um amigo meu aliou uma garota e ela é muito fraca, você não gostaria de treiná-la?
Voltando a ficar de pé, Kevyn estendeu sua mão para seu irmão e respondeu: — Eu não sou lá a pessoa mais experiente, você sabe. — Desviou o olhar.
— Então você vai aceitar? — Sorriu.
— Eu…-
Antes dele pensar, o lorde já o interrompeu. — Tá feito! Ela vai vir morar com você.
O príncipe cerrou seus olhos. Incomodado ele suspirou e na hora que Gabriel ia pegar sua mão, ele desistiu e o deixou cair no chão de volta.
— Se você pensar em fazer isso de novo, eu juro que falo não na sua cara e te meto um deliberate black. — O menino deu as costas e caminhou para longe.
Percebendo uma mudança repentina, o lorde veio a se levantar sozinho. “Ele não parece ter gostado. Então ele não gosta que as pessoas tomem decisões por ele…”, seguiu-o.
Dando passos longos sobre a grama, Kevyn encarou o céu em desordem, as nuvens formando amontoados prestes a cair. Sensação fria que humanos podem sentir, mas ele não.
— Corte.
Em silêncio, Gabriel observou-o falar.
— Corte! … Corte.
Ainda sem entender, no momento que iria abrir a boca, o príncipe o interrompeu para continuar:
— Está é uma regra para quebrar uma regra, uma maldição para quebrar as maldições… esse seria… o destino de um Calamith? Calamidade criada para não gerar calamidade? Foi com isso que enganaram a minha avó? A minha mãe?
— Do que está… falando, maninho?
Cerrando seus olhos, o garoto olhou-o de soslaio e o respondeu: — Tsushite disse algo que me fez refletir, meu clã não é tolerante aqueles sem destino. Você realmente acredita que tradições herdadas é algo certo? Esses olhos que me pertencem, nascer derramado sobre algo que não é soluto…
Fechando seus olhos, o homem respondeu: — Você culpa seu clã pelo o que aconteceu com sua mãe? É isso?
— Não. Um propósito… um propósito não pode ser manipulado à vontade… eu quero saber o meu… e mesmo que ele seja ser rei, eu preciso mudar a hipocrisia do meu clã.
— Mas você também não estaria sendo hipócrita?
— Eu… não sei. — Parou e encarou o chão.
Se aproximando, Gabriel botou sua mão sobre a cabeça de seu irmão e sorriu. Conforme o vento frio subia, ele sabia o que responder a uma mente tão ocupada.
— Você não precisa se preocupar com isso ainda. Antigos sacrifícios foram feitos para que novos sacrifícios não fossem necessários. Então não se sacrifique, o legado de Astéria e Kairós ainda emanam em você, então não torne esse presente sangrento em uma hemorragia.
— A-ah… tudo bem. — Desviou o olhar. — N-não importa! Cai pra dentro! — Ergueu os punhos.
Sorriu. — Vou te mostrar o porquê eu sou o rei do combate. — Levantou os braços.

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