Capítulo 169 — Parte 3
No exato instante que a explosão atingiu seu ápice, Night viu esperança.
Seu corpo caído viu a fagulha.
Então surgiu.
Naquela onda de choque que levantou a poeira da terra, uma espada cruzou o ar com um zumbido insuportável.
Kevyn pôde ver, seu corpo só não conseguiu aceitar.
Tamanha decepção caiu sobre seus ombros, que fez aquele soco parecer desnecessário. “O que eu tô pensando? Isso é uma guerra”.
Como se seu coração sangrasse, a lâmina atravessou seu corpo.
Mas, uma mão sangrou ainda mais.
Segurando com toda sua força,
Serasáty surgiu e salvou seu pai.
— O que você tá fazendo?
A voz dela despertou Kevyn de seu abismo, então ele pisou firme e expurgou World Destroyer de seu corpo.
Vendo-na ferida por sua culpa, ele nunca poderia se perdoar.
“Ela me salvou… como? Agora ela não vai poder se curar, por minha culpa”.
Os olhos dela clamavam pela aprovação, um breve e pequeno sentimento coagiu de
dentro para fora.
Ele veio e a abraçou.
— Você sabe que não vai conseguir se curar, né?
— Eu não me importo de me ferir por você, meu pai.
— Obrigado… agora deixa comigo.
Kevyn deixou o abraço e se virou para olhar sua inimiga…
em estalos mínimos,
o vento pareceu mudar de
estado da matéria
Mas com um mero estalar de ossos, o garoto arregalou seus olhos e gritou:
— Night!
Declínio iminente,
o caos surgiu, o mundo voltou,
a destruição construiu,
o cessar revelou.
Toda explosão num estalo se desfez em
fragmentos de um passado extinto.
A únicas coisas que não foram retrocessas foram os mortos,
almas não poderiam ser tocadas.
A grama voltou a ser verdejante,
o céu voltou a ser azul.
Em pé, diante de Night com sua arma em mãos.
Ele arrastou a lâmina de Kind pela bolsa até enfim estendê-la sob o véu onírico do seu próprio sentido.
— O que foi? Machuquei sua filhinha?!
— Qual é o seu nome de verdade?!
Quebra.
Sem entender o propósito daquela pergunta, a garota ficou totalmente neutra e o encarou como se aquilo fosse inconveniente demais.
No entanto, para ele não importava o que,
ele precisava daquilo.
O olhar determinado,
pulsou como o sangue pelo chão.
Seu ferimento,
o gosto
e, até mesmo,
o destino.
A garota cerrou seus olhos em ódio, sabendo
que precisaria revelar.
— Por que você precisa ser assim?
— Não me importa, diga a verdade.
Insuportável é você.
A voz soou um lembrete.
Diga seu nome, fale a verdade.
Night recuou, seu corpo partiu.
Ele está esperando, continue tendo suas falsas
esperanças.
Aceitação.
Perdão.
Amor.
O que esses sentimentos poderiam significar?
Para ele,
para ela.
Uma mentira contada por um santo.
Uma verdade contada por um demônio.
Quais acreditariam?
— Meu nome é… Starlight Death Yoru Shōgun.
A primeira a reagir foi Serasáty, que estava atrás de Kevyn.
— Star? Que nome mais humano!
Ela debochou.
— Starlight…
— Kevyn…
O silêncio carregou um fardo, mas ele era tão
pesado, que pareceu inexistente.
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De cima para baixo um corte.
De baixo para cima uma defesa.
Ataque,
Contra-ataque,
Ataque,
Contra-ataque.
O som das armas era tão rápido que não só ecoava, mas sumia antes de nascer.
Humbra girou, cortou o ar, e horizontalmente veio,
um arco negro riscando o espaço,
um golpe que poderia partir três homens ao meio.
Mas Moonside, ainda suspenso no ar,
dobrou o corpo como quem desafia as leis,
tocou os pés no chão por um único instante,
um instante menor do que um pensamento,
e então —
travou a defesa com a lâmina.
O impacto fez o ar engolir seco.
As lâminas vibraram.
O atrito queimou.
Por um segundo, uma linha rubra brilhou entre elas,
como se as armas estivessem começando a sangrar.
Dessa vez, o movimento veio de Moon.
Sem hesitar. Sem respirar.
Seu arco esticou num estalar bruto.
Os tendões do couro gritaram.
E dos outros dois braços —
como uma criatura feita para matar em todos os ângulos —
disparou duas flechas que rasgaram o ar
antes mesmo de se tornarem visíveis.
Ela já avançava junto delas,
como se tivesse lançado o próprio corpo junto,
a lâmina pronta para atravessar o peito do esqueleto,
para destroçá-lo,
para calar qualquer possibilidade de resposta.
Sabendo que as flechas o acertariam,
o general se concentrou.
O mundo à sua volta perdeu cor.
Humbra consumiu o instante.
O tempo coube na palma da mão dele.
As flechas vinham como relâmpagos,
e Moonside, atrás delas,
era o raio que prometia estrondo.
A terra tremia sob os passos,
as folhas subiam em redemoinho,
e a matança se aproximava do auge.
ali, naquele fragmento de segundo,
onde vontade, força e morte
disputavam quem chegaria primeiro.
E Humbra, imóvel por fora,
em seu silêncio calcificado,
preparou-se para quebrar tudo,
ou ser quebrado.
— Hahaha!
Ele riu.
— O quê?!
Moonside podia ver o outro lado da lua
e lá, um demônio a aguardava.
Era ele.
O vazio se curvou.
A capa verde rasgou o ar como um estandarte condenado,
voando para trás com a pressão absurda.
Humbra agarrou as flechas com a mão nua,
o ar explodiu entre seus dedos,
mas mesmo assim,
seu ápice não
alcançou.
Moon já estava lá.
No momento em que ela encarou seus olhos,
sua sentença foi escrita.
Um único segundo,
estendido em mil cortes possíveis.
Mas o giro coordenado da foice
desviou a lâmina dela como se tudo fosse
premeditado.
Planejado.
Inevitável.
Mais uma vez.
Mais de uma vez.
Vezes demais para serem contadas.
Tudo colapsou naquele segundo.
As lâminas se cruzaram como relâmpagos presos.
A fricção queimou-as até cuspir um brilho vermelho,
quase vivo,
quase um grito.
Moon avançou primeiro:
três braços puxando o ar,
um guiando a lâmina,
dois disparando flechas tão rápidas
que pareciam restos arrancados da realidade.
Humbra desapareceu no meio.
Não sumiu,
apenas moveu-se rápido demais para pertencer ao mesmo plano.
As flechas cortaram o rastro dele,
mas não o corpo.
O giro da foice abriu um halo,
um círculo violento,
uma muralha que triturou o ar.
Moon deslizou pelo chão,
saltou,
virou,
apareceu atrás dele.
Suas quatro sombras se espalharam como
tentáculos.
O ataque dela veio em vertical,
horizontal,
diagonal,
tudo ao mesmo tempo,
tudo no mesmo instante.
Humbra respondeu com a mesma velocidade desumana:
um passo,
um corte,
uma torção,
uma quebra do próprio limite.
Os dois atingiram o ponto onde o movimento deixa de ser movimento
e vira uma intenção pura,
brutal,
nua.
O som não acompanhava.
As colisões aconteciam antes do impacto ser ouvido.
E então…
por um único respiro,
um único piscar,
eles pararam.
Moon percebeu tarde demais.
A foice já tinha completado o giro.
O ar atrás dela ainda estava se reconstruindo.
E Humbra, com a sombra do próprio corpo distorcida pela velocidade,
já movia o golpe seguinte:
aquele que antecede todos os outros.
Aquele que decide.
Aquele que termina.
— Seus braços não podem reagir?
— Você caiu!
Em um movimento rápido,
quase Instantâneo,
a demônio pegou a foice do general
em decadência e surgiu atrás dele.
Parado, Humbra encarou o vácuo do vento.
Ele foi inócuo,
caiu em um abismo
que
não daria para voltar
Sem mais sua arma, Humbra se viu indefeso, sua principal força foi retirada de seus braços.
Guardando suas armas e seus outros braços,
Moon agarrou a foice com as suas mãos
e girou,
rodou,
dançou
e quando parou,
encarou o esqueleto pronta para derrotá-lo.
O que aconteceu Humbra, perdeu sua arma?
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— Agora Absurdness!
O respiro cessou naquele instante, quando Kevyn olhou para trás, Serasáty fora levada por um portal em forma de anel, e, quando percebeu, não teve tempo para desviar.
Atrás dele Night surgiu, sua velocidade insana, insanamente impossível de se acompanhar.
Kevyn tentou, ao limite seu corpo chegou, mas era impossível, sua costela fora cortada como papel, rasgada por um ataque que o mataria.
Então Kind ergueu, seus olhos ousou usar, agora era a hora de batalhar.
Giro.
Pulsou.
Momento.
Destroyer girou, mas Kevyn defendeu, um rastro rubra distorceu o ar como uma flama impossível de apagar, mas era só o primeiro ataque.
Logo após, outro, um ainda mais veloz, forte o suficiente para jogar os braços de Kevyn ao céu.
Então outro, esse que o degolaria enfim, acabaria com suas chances, seus encantamentos.
Mas não.
Fluindo como a água, o vazio cessou.
O branco ele usou.
Night sua lâmina recuou e cessou seu enxame.
Algo que ela não pensou antes.
Como passaria do vazio?
Seu corpo rejeitou,
talvez fosse incapaz, mas a esperança existia, afinal, a energia dele era tão finita quanto a distância entre eles.
Mate ele.
Então ela continuou a pressão, ataque após ataque, mesmo que ele se defendesse milhões de vezes, ela uma hora acertaria, uma hora…
Mate ela.
Invés de recuar, lutar, ou até mesmo mover um dedo, Kevyn encarou-a com todo o peso que seu silêncio tinha, não havia motivo algum para mexer seu corpo afinal, não era a energia dele em jogo, mas sim a dela.
Ataque mais rápido.
Ela fez, mais e mais atravessou, tentou, tentou e tentou. Mas nada, nunca conseguiria, em qualquer tentativa era falha, todos seus ataques foram desviados, defendidos, vezes que nem mesmo o branco foi necessário, sua necessidade de vencer era como um sentido primal, mas nunca conseguiria, não chegaria, alcançaria.
De tantas e tantas vezes, o solo onde pisavam se cortou, involuntariamente por culpa dela, que já não sabia nem como cortar, só tentava em um frenesi não coordenado, de novo e de novo.
Em um arquear de dentes, ela cerrou, seus olhos arregalados em um ódio profundo, enquanto…
Na feição de Kevyn, um vazio.
Ataque ela, mate ela, mate Kevyn! Mate! Mate! Mate! Mate! Mate!
“Não”.
Satisfeito ao ver a feição de raiva dela, Kevyn sorriu.
Naquele momento, ele se livrou do vazio e da energia que fluía em seus olhos.
Então ela veio, com um impacto seco, um soco brutal ela deu, tão forte que as costelas dele quebrou, de tanta raiva, que o arremessou até a enorme montanha de Emerald, destruindo sua base por completo.
Em meio a poeira, o garoto sorriu.
Como um trovão, o som chegou. Como um raio, ela veio em sua direção, mas, quando ele a deu a oportunidade de o matar, ela cravou sua lâmina na pedra.
seu rosto, por mais de completamente irritado, não era sua verdadeira face.
Se recuperando por completo, o príncipe se levantou tão rápido, que a demônio não poderia prever, nunca, nem se
quisesse, nem se tivesse
poder para isso.
Como uma luz em todo seu poder.
O que antecedeu seu golpe foi o mero silêncio do mundo, que, de tão abafado, ao menos pode sentir o que estava prestes a
acontecer. Num sentindo só,
toda a força cinética que
veio em sua direção,
voltou, voltou com
necessidade,
Porque se.
Se ela não
Voltasse.
Nada,
Nada.
Nada sobraria.
— 𝔻𝕖𝕔𝕒𝕕ê𝕟𝕔𝕚𝕒.
Toda a força que Night usou contra ele, o soco, a espada, os cortes, todos. Tudo se acumulou. Na verdade, ele nunca nem mesmo usou o branco.
A mais pura verdade, é que tudo até agora,
não passou de uma grande mentira.
O sorriso cínico no rosto dele,
Como um lobo vestido em pele de cordeiro.
Quando a pele de Night tocou, o punho de Kevyn girou em espiral.
— VOCÊ ACHOU MESMO QUE EU IA CAIR NESSE TRUQUE?! HAHHAHAHAHAAHHAHAHAHAAHHAHAH
Toda a energia cinética que Kevyn liberou…
AAHAHHAHAAHHAHAHAHAHAHAHAH
Toda ela, exatamente toda…
AHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAH
Ela foi usada contra ele mesmo…
AHAHAHAHAHAHAHAHAAHHAH
No momento que Night veio e ela atingiu a montanha com sua espada…
AHAAHAHAHAHAHHAHAAH
Ela já havia decretado…
AHAHAHAHAHHAAHAHA
O corpo de Kevyn foi cortado,
mutilado,
destruído,
completamente,
brutalmente expurgado, destroçado de dentro pra fora.
HAHAHAHAHHhhahahaah
Quando não existe intenção de ferir o usuário…
ahahahah
A decadência volta para o próprio…
ahah…
— Kevyn?
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