Capítulo 112: Apelido
11 de abril de 2024, quinta-feira.
A festa seguiu normalmente, sem maiores imprevistos. Victor, aproveitando a oportunidade, apresentou Aki para algumas pessoas mais chegadas que estavam ali, além de um breve diálogo.
Aki já havia entendido o que significava “ela é minha namorada”… E seu coração batia mais forte cada vez que Victor dizia isso em voz alta. Era uma sensação que não sabia definir.
Aquela noite estava sendo tão especial, tão inesquecível. “Eu nunca vou me esquecer dessa noite…”, ela repetia mentalmente. A felicidade brotava genuinamente no seu coração.
Conhecer todas aquelas pessoas que fazem parte da vida de Victor e juntando todo o contexto, era algo admirável, memorável. Aki sabia que, à partir daquele dia, talvez ficasse mais difícil, com fofocas e coisas relacionadas, conforme Victor já tinha lhe explicado.
Por outro lado, vivenciar aqueles momentos trazia uma força especial, algo que ela não sabia que podia ter. A sensação de que os seus laços com Victor jamais poderiam ser quebrados.
Por mais que não entendesse a maioria das conversas, por serem em português, sabia que, o mais importante era estar ali, com Victor, como sua companheira.
A noite avançou assim, e conforme entardeceu, algumas famílias começaram a ir embora. Elas agradeciam pelo convite e pela oportunidade, com sorrisos sinceros. Até mesmo alguns colaboradores deixavam o local. Então, decidiram começar a se organizar.
Aki se prontificou a ajudar e pegou uma vassoura, ajudando na limpeza. Outros ajudaram recolhendo pratos e copos, a guardar as mesas e cadeiras e a desmanchar a decoração. Victor quase não conseguiu ajudar, já que estava sendo cumprimentado por praticamente todos que iam embora.
Quando o relógio marcava próximo das vinte e três horas, eles já haviam acabado de arrumar as coisas no lugar e de limpar. Victor, nesse ponto, também estava ajudando. Ao terminar de amarrar a última sacola com lixo, ele se jogou numa cadeira, próximo de Aki.
— Isso cansa, não é? — Suspirou, aliviado que finalmente havia acabado.
— Nem me fale. — Ela sorriu, gentilmente. — Mas foi muito divertido.
Foi quando Tábata chegou, sentando-se em outra cadeira próxima.
— O evento foi muito bom. — Comentou. — Como vocês estão se sentindo?
— Só o pó da rabiola. — Victor respondeu, rindo, e Aki não entendeu, já que havia falado em português. Ela o encarou com um olhar cheio de dúvida.
Ele riu e explicou a frase, ao pé da letra e o significado dela. Aki riu quando finalmente entendeu.
— E você, Tabby, deve estar só o caco, né? Você trabalhou tanto quanto nós… — Victor comentou, despretensiosamente.
— Ah, claro… estou morta. — Ela riu.
Quando a risada de Tábata se apagou no ar, o olhar de Aki desviou por um breve instante.
“Tabby…”
O som parecia simples, até banal — apenas um apelido carinhoso, natural no tom de Victor. Mas para Aki, que raramente o ouvia usar diminutivos tão íntimos, aquilo ecoou como algo diferente. Pensou rapidamente e não se lembrou de outro momento que viu ele usar algo tão próximo, exceto quando chamou Haru de irmãzinha.
Sentiu uma pontada leve no peito, puxando sua atenção para aquela palavra. Ela não sabia exatamente por quê, mas parecia íntima demais, próxima demais… calorosa de uma forma que a deixou desconfortável. O som ecoava em sua mente: “Tabby”… “Tabby”…
“Por que isso me incomodou?” — Perguntou a si mesma, tentando disfarçar o aperto no coração com um sorriso discreto e se mantendo ligada na conversa que acontecia.
Victor não havia feito nada de errado. Pelo contrário, ele parecia apenas estar sendo simpático, natural como sempre. Mas ainda assim, a sensação lhe escapava ao controle, como uma nuvem de incerteza passando devagar pelo horizonte da sua mente.
Enquanto eles conversavam, Aki se pegou observando Victor mais do que deveria. Será que ele percebia a diferença quando falava com Tábata? Ou não havia e era apenas a sua imaginação? Tudo pareceu nebuloso demais para a japonesa nesse momento.
Ela balançou a cabeça, quase irritada consigo mesma. Não, isso é bobo. Eu não sou desse tipo… não posso ser. Eu confio no Victor e ela é uma amiga de longa data, é normal ter apelidos… E mesmo assim, no fundo, aquela palavra continuava latejando em sua memória.
“Será que um dia o Victor vai me chamar por um apelido carinhoso?” — De repente, sua mente divagou, imaginando possíveis apelidos para ela.
Enquanto Tábata e Victor trocavam palavras, Aki, quieta, ainda pensava, com a mente longe dali. “Tabby…” — Um apelido curto, leve, dito quase com naturalidade.
Então, sem perceber, começou a imaginar como seria se fosse ela. “Será que ele me chamaria de Akizinha?” — Pensou, corando levemente só de imaginar o som de sua voz. Parecia íntimo demais, mas ao mesmo tempo, diferente, quase estranho.
Porém, continuava a pensar: “Ou talvez Akiko?” — Sorriu discretamente, sabendo que não era seu nome completo, mas Victor poderia inventar algo assim, só para brincar.
Seus pensamentos foram ficando cada vez mais livres, talvez até criativos.
“Quem sabe… Ki? Ou apenas A…” — Soava estranho em sua mente, mas ainda assim, havia uma ternura neles.
Então ela percebeu que ter o nome curto era um ponto negativo quando se pensava em algum apelido carinhoso ou no diminutivo.
Aki abaixou os olhos por um instante, percebendo o próprio coração acelerar, batendo forte. Ela chegou a ficar com receio de que Victor ou Tábata pudesse ouvi-lo.
Entretanto, chegou a uma conclusão: No fundo, não era o apelido em si que importava. Era a ideia de que Victor pensasse nela de uma forma especial, diferente, única. Um modo só deles dois.
E esse desejo silencioso ficou ecoando dentro dela, algo difícil de ignorar. “Então, ele vê Tábata de uma forma diferente das demais pessoas?”
Foi quando foi arrebentada do devaneio momentâneo, com Victor lhe chamando, e estalou os dedos próximo ao seu rosto:
— Terra para Aki… Oi… — Falou, num tom brincalhão, mas havia uma pitada de preocupação, que Aki percebeu.
— Oi, desculpa. Só estava viajando um pouco. Acho que é o cansaço… — A garota forçou um sorriso despreocupado, enquanto voltava para a conversa.
E no fundo, seu coração ainda batia num ritmo diferente, ao mesmo passo em que ela forçava sua mente a se concentrar na conversa e ignorar aqueles sentimentos que tentavam atormentá-la.
…
Victor se jogou de barriga na cama, murmurando de forma dramática: — Que cansaço!
Aki sorriu, enquanto colocava sua bolsa em cima da mesinha.
— Foi muito cansativo. Eu quero dormir. — Respondeu, se aproximando e sentando-se na beirada da cama.
Enquanto tirava seus sapatos, foi surpreendida por Victor que a agarrou num abraço e a puxou para a cama, com ela caindo de costas.
— Vamos dormir então… — Propôs, já com o olho fechado.
Ela riu, mas não tentou se levantar ou sair do abraço:
— Vamos, então…
Eles acabaram ficando ali mesmo, apenas ajeitando os corpos para uma posição mais confortável naquela cama.
…
O dia raiou, Aki despertou quando o brilho do sol passou pela cortina do quarto e bateu em seu rosto. Ela abriu os olhos lentamente. Percebeu então que Victor não estava ao seu lado. Pegou o celular e viu que era por volta de sete e meia.
“O Victor nunca dorme além do horário, né?” — Pensou, revirando na cama e se sentando. Victor aparentava não estar no quarto. Ao reparar, viu a mensagem que Victor havia deixado:
“Bom dia, Aki! Se quando acordar, eu não estiver no quarto, é porque estou na recepção. Aproveite e descanse, porque a noite anterior foi puxada. Hoje vamos precisar de muito vigor no evento.”
Um sorriso escapou de seus lábios. “Bem que eu queria dormir mais… mas acho que vou levantar…”
Após pensar um pouco, se decidiu e se levantou. Foi até o banheiro, onde tomou um banho relaxante. Todo o cansaço pareceu desaparecer quando a água quente desceu pelo seu corpo.
Ao término, saiu do banheiro, vestida com roupas íntimas e a toalha enrolada em seu cabelo, enquanto não os penteava.
Escolheu uma roupa mais casual. Uma camiseta de tecido leve e shorts jeans curtos. Ela os vestiu, quando escutou Victor bater na porta.
— Pode entrar. — Respondeu.
…
Os dois estavam deitados na cama, um tempo após terem feito a refeição da manhã. O quarto estava silencioso, enquanto os dois mexiam em seus celulares.
Aki ainda sentia um incômodo discreto em seu peito, algo que não conseguia afastar desde a noite anterior. Apertou levemente o lençol entre os dedos, criando coragem.
— Victor… posso te perguntar uma coisa? — Sua voz saiu hesitante, tímida e baixa.
Ele virou o rosto para ela, apoiado de lado no travesseiro: — Claro.
Aki respirou fundo antes de continuar: — Ontem… e em outros momentos também… você chamou a Tábata de “Tabby”…
Victor não entendeu de imediato onde ela queria chegar: — Sim…?
Ela desviou os olhos, o rosto aquecendo de leve.
— É que… você fala tão naturalmente. Pareceu… íntimo. Então eu fiquei pensando… Tábata é alguém especial para você?
Por um instante, ele ficou em silêncio, observando-a. Em seguida, riu baixinho, aproximando-se e ajeitando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.
— Especial no sentido de amizade, sim. Nós nos conhecemos há muito tempo. Esse apelido é só um jeito carinhoso de falar, mas não significa nada além disso. E também um costume de longa data.
Aki assentiu devagar, mas o rubor ainda permanecia em suas bochechas.
Victor a olhou com mais atenção, quase preocupado:
— Isso te incomodou?
— Não… só… me deixou pensando… — Ela mordeu levemente o lábio e negou com a cabeça, mas sua voz não foi tão firme quanto queria.
Houve um silêncio breve, até que ela suspirou, deixando escapar a pergunta que rondava sua mente desde a noite anterior:
— Você acha que… algum dia… vai me chamar por algum apelido carinhoso também?
Victor a olhou com atenção, enquanto os dedos dela apertavam o lençol de leve. No fundo, entendeu de imediato: não era sobre Tábata, nem sobre apelidos. Era sobre o desejo dela de ser única para ele, de ter algo que fosse só dos dois. E aquilo despertou nele um sentimento difícil de explicar.
“Ela se preocupa com coisas tão pequenas… e mesmo assim é isso que a torna ainda mais especial para mim.” Ele pensou.
Por isso, ao invés de responder de forma séria, decidiu brincar primeiro, jogar alguns nomes engraçados, só para ver o sorriso dela surgir. Mas no íntimo, já sabia que nenhum apelido comum bastaria.
Para Aki, ele queria algo além — algo que carregasse o significado exato do que ela representava em sua vida. Embora, também tenha chegado a conclusão de que não seria nada fácil achar uma forma de expressar isso.
— Então era isso… — Murmurou, num tom pensativo.
O coração de Aki acelerou ainda mais.
— É bobo, não é? — disse, tentando se encolher no lençol, envergonhada.
Ele segurou sua mão, firme, mas gentil.
— Não, não é bobo… — Victor fechou os olhos por um instante, como se estivesse pensando. — Hm… deixa eu ver… “Akizinha”? — pronunciou, em tom de brincadeira.
Aki riu, corando. — Isso soa… engraçado.
— Tá bem… e “Kiki”? — Tentou de novo, ainda brincalhão.
Ela escondeu o rosto no travesseiro, rindo.
— Esse parece nome de mascote…
Victor riu junto, mas logo mudou o tom, olhando-a nos olhos.
— Que tal “Minha Aki”…
Ela desviou o olhar, sentindo seu rosto quente.
— Isso nem é um apelido… — tentou protestar, tapando o rosto com o travesseiro.
Victor sorriu: — Pode até não ser, mas é a verdade, né? Você é o “meu outono”, Aki, em vários sentidos. E, olhando por um lado, só eu posso dizer isso.
O coração dela parecia que explodiria a qualquer momento. Ela o abraçou, escondendo o rosto no seu peito: — Bobo! Não fala assim!
O sorriso continuou no rosto dele, quando retribuiu o abraço:
— Vamos encontrar o apelido certo. Algo que seja só nosso. — respondeu em voz baixa, quase sussurrando em seu ouvido.
A expressão tímida de Aki se suavizou. Ela não respondeu, apenas relaxou o aperto no peito dele, sentindo o calor e a firmeza daquele abraço lhe trazendo um ar reconfortante.

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