CAPÍTULO 17 — Uma nova família
A casa de Lance ficava em uma rua tranquila, longe do movimento da cidade. O portão estava aberto, e o som de vozes misturadas a risadas escapava para a calçada.
O cheiro de comida vinha forte.
A campainha toca.
Lance caminhou até a porta.
— Olá, pessoal, sejam bem-vindos! — falou enquanto abria a porta.
O pai de Lance, Arthur, surgiu na porta com um sorriso largo. Era um homem alto, ombros largos, cabelos começando a ficar grisalhos. O tipo de presença que fazia o ambiente parecer mais seguro só por estar ali.
— Então esses são os amigos que ele vive mencionando? — Arthur sorriu e então olhou para o grupo.
Katsu foi o primeiro a se adiantar.
— Eu sou o Katsu! — disse, animado, enquanto comia brigadeiros. — E sua comida está incrível!
Arthur riu alto.
— Gosto de gente sincera.
Yara se apresentou em seguida, mais tímida, seguida por Rivna, educada, mas recebendo um sorriso gentil.
— Fico feliz que ele tenha pessoas assim por perto — disse Arthur de Lance. — Lance nunca foi bom em se enturmar.
Rays levantou a mão.
— Confirmo.
Risadas leves surgiram.
Søren permanecia um pouco afastado, encostado perto do muro, observando tudo em silêncio. Os olhos passaram rápido pelo grupo… e pararam em Lance.
— Então é aqui que o herói se esconde. — Søren comentou, aproximando-se. — Parece bem inteiro para alguém que mal conseguia ficar em pé da última vez.
Lance fechou a expressão.
— Ainda dói?
— Um pouco.
Søren sorriu de canto.
— Que pena. Achei que alguém como você fosse aguentar mais.
Arthur lançou um olhar firme para Søren.
— Aqui, ninguém precisa provar nada.
Søren deu de ombros e se afastou novamente.
A festa seguiu.
A mesa estava cheia. Pratos passavam de mão em mão. Katsu elogiava cada coisa que provava. Rivna ajudava na cozinha sem ninguém pedir. Rays contava histórias exageradas, arrancando risadas.
Yara observava tudo com cuidado, como se tivesse medo de quebrar aquele momento.
Em outro canto, Lance ajudava o pai com as bebidas.
— Como estão seus braços, filho? — disse Arthur, baixo.
— Já estão bem melhor!
— Tome cuidado, não precisa se forçar demais. — Ele pousou a mão no ombro do filho. — Desculpa por forçá-lo a entrar nesse mundo.
— Está tudo bem, pai, graças a isso, pude fazer grandes amigos!
A campainha tocou.
Quando Lance abriu a porta, James estava do outro lado.
— Espero não estar atrapalhando.
— James? — Lance arregalou os olhos. — Não, claro que não.
— Vim só dizer parabéns. — disse ele, entrando.
Arthur se aproximou.
— James, há quanto tempo, sinta-se em casa.
James sorriu.
— Não sabia que o senhor conhecia o James, pai!
— James foi meu aluno, quando fiz parte da Nexus. — Arthur abraça James. — Fiquei sabendo que Klaus voltou, como ele está?
— Ele está em uma investigação, mas mandou parabéns.
James conversou com o grupo, sem postura de comando. Comentou do filme que eles tinham visto, fez uma piada ruim, ouviu mais do que falou.
Yara se aproxima de Rivna e se senta ao seu lado.
— Você está gostando da festa? — Yara fala timidamente.
— Sim, fazia tempo que não participava de uma festa assim.
— E o presente de Lance, você já entregou?
Rivna fica corada.
— Por que a pergunta?
— Eu percebi você mais próxima dele.
— Não é isso que você está pensando! — Rivna nega, balançando a cabeça rapidamente. — Eu apenas me sinto mais segura ao seu lado, o medo diminui e sei que posso confiar nele.
— Entendi! — Yara olha para o céu enquanto continua. — Então tome cuidado para ele não achar outra coisa.
Rivna abaixa a cabeça e fica pensativa.
O bolo foi trazido.
Velas acesas.
— Um pedido! — Katsu gritou.
Arthur fechou os olhos.
E assoprou as velas.
— Quero agradecer a todos presentes aqui, aos meus dois filhos! — Arthur abraça Lance e Søren. — E agradecer por todos vocês, amigos do meu filho, tenho vocês como família também! E James, que antes era meu aluno, hoje meu filho é seu!
Todos riem e brincam.
Hora da entrega de presentes.
Katsu e Rays entregam uma caixa de cervejas.
Arthur abraça os dois e agradece, feliz e empolgado.
— Não acredito que vocês compraram cerveja de presente! — murmura Rivna.
— Eu planejava pagar uma bebida para ele também… — fala James, envergonhado.
— Vocês não têm jeito mesmo.
Arthur gargalha alto.
Rivna e Yara se aproximam e entregam o seu presente.
— Nossa, que quadro bonito, essa moldura é bem estilosa, vai ficar ótimo na sala!
— Pensamos em uma foto em família para colocar! — Rivna fala, enquanto Yara acena com a cabeça.
— É uma ótima ideia!
Arthur reúne todos ao fundo do quintal e pega uma câmera.
— Quero todos sorrindo!
Ele posiciona a câmera e corre para o lado de todos.
Resultando em uma grande foto com a presença de todos.
A festa continua, o clima é agradável, todos se divertem.
Os problemas ficam de fora, os cinco podem aproveitar um dia sem preocupações.
Ao final do dia, antes de todos saírem, Arthur mostra a foto que tirou com todos, em seu novo quadro na sala.
— Obrigado a todos pelo dia de hoje, me diverti bastante! — Ele abraça e se despede de cada um. — A casa Shelford sempre estará de portas abertas a vocês!
Se despende com um sorriso.
— Eu queria que pudesse ser assim todo dia… — Lance fala com um sorriso.
— Vai ser filho agora, junto dos seus amigos, somos uma grande família.
Arthur começa a tossir muito.
— Pai, está tudo bem?
— Não se preocupe, estou um pouco doente esses dias. Amanhã terei uma consulta. — Arthur caminha em direção ao seu quarto. — Vá dormir, filho, amanhã você tem que estar na base novamente.
Lance fica apreensivo, mas segue para seu quarto.

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