Índice de Capítulo

    Sob um céu feito das marés que um dia foram quebradas, cada parte do universo veio a se acomodar… quase tão lindo quanto antes, aquele mundo estava sendo reconstruído, curado.

    Um regador… foi pelas gotas de um regador que pôde ver tudo aquilo. Mas ele não estava em suas mãos. Em meio a um jardim de flores tão belas, Kevyn viu sua progenitora.

    Por mais de querer, sua voz não saiu. Por mais de tentar, seu corpo não se mexeu.

    Ela percebeu, com seus olhos opacos encarou-o de maneira tão palpável quanto…

    Ela então olhou para o céu, sorriu, negou com a cabeça e olhou para as flores…

    — Os animais me seguiam, havia bondade em mim… mas se os homens me seguiam, jaz maldade em mim…? Quem te seguirá?

    「❍」

    Abrindo seus olhos, Kevyn encarou o teto, mas ele era estranhamente circular. Virando de lado, ele encarou a televisão da sala e pensou: “Mãe… o que é você?”, ele fechou os olhos e se acomodou.

    Uma mão branda acariciou seu cabelo, talvez tenha ficado e dormido no sofá de Purryn, mas aquilo não importava agora, já aconteceu.

    — Kevyn, pequeno, sua família não está esperando por você?

    Ela sorriu.

    Querendo deixar tudo por um momento, ele arregalou os olhos e logo franziu as sobrancelhas. “Eu tenho que voltar…”, seu conforto merecia ser interrompido? Ele precisava? 

    Negando seu desejo de tranquilidade, o príncipe retirou sua cabeça do colo de Suedrom e se levantou.

    — Sue, obrigado por tudo.

    O garoto esticou sua mão para ela, quase como se estivesse se despedindo de sua própria mãe.

    A mulher aceitou, apertou a palma dele e disse com firmeza:

    — Seja abençoado por mim.

    Ela sorriu ainda mais.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Na casa do príncipe dragão, Aycity e Gabriel arrumavam a mesa, para quando o pobre menino chegasse em casa. Sentado sobre uma das cadeiras, Humbra e Dayron estavam conversando mentalmente sobre algo em questão.

    — Aya, vai treinar hoje? Eu paguei o Jeremy para deixar a gente usar a sala.

    — Oh! A sala? Hm… — murmurou e pensou brevemente — fuh~ acho que vou sim, mas amanhã não, vou usar meu terceiro desejo… 

    — Hm… por que não usa um dos desejos para pedir ele em namoro?

    A garota fitou-o com desdém, mas ela simplesmente os desviou enojada e respondeu:

    — Eu não preciso disso.

    — Quanto orgulho. O que pretende, então?

    Indo até Dayron, Aycity pegou algo de dentro de suas placas metálicas e mostrou para Gabriel. 

    Só de ver aquilo, Gabriel já havia entendido o que era. 

    Era lindo, perfeito, e ao mesmo tempo incompreensível — um fragmento de algo primordial, onde o amor não era palavra.

    Uma verdade, pura e intocada, condensada em matéria.

    「۝」

    — Que lindo Aycity! Então é isso que você comprou com o dinheiro dos assassinatos?

    Humbra e Dayron os encararam previamente.

    Aycity escondeu a caixa e encarou-os quieta, ela não sabia o que falar, então decidiu resolver pacificamente: Levando o dedo indicador até o meio de seus lábios, ela fez um breve chiado:

    — Shhhh~

    Os dois entenderam de imediato, e apenas voltaram a conversar normalmente. Virando seus rostos, e retomando de onde pararam.

    Gabriel sorriu e disse:

    — Estou orgulhoso da sua decisão, ele com certeza vai amar.

    Sorriu.

    Ela também sorriu.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Então, depois de uma caminhada rápida, Kevyn finalmente chegou em casa.

    Estalando o pescoço, ele se preparou para entrar e finalmente moveu a porta.

    — Surpresa!

    Todos gritaram.

    Assustado, o príncipe viu a mesa arrumada, a comida na mesa, todos sentados e não soube como reagir por um momento…

    Mas sorriu.

    Depois de uma noite feliz com comida boa, logo ao resplandecer do céu da manhã, Kevyn despertou. “Ontem foi tão legal…”.

    Encarando o teto, ele sentiu falta daquele conforto e quis chorar um pouco, mas ele tinha Aycity se precisasse.

    「۝」

    Do outro lado, a garota estava acordada, virada, pensando: “Não é só com palavras que se faz o amor… vou te mostrar com um ato!”, em posição fetal, ela arregalou seus olhos em frenesi.

    “Mas… amor?”, ela levou a mão até o olho direito. “Amor…? É realmente isso o que eu sinto? … Eu realmente tô sentindo?!”, ela cravou sua pele com suas unhas, mas não forte o bastante.

    「❍」

    Então, Kevyn se levantou, teus pés roçando contra a madeira, cada molécula uma extensão — uma emoção, sensação, reflexão. 

    Não, era impossível, seu corpo estava em conflito, algo estava diferente.

    Abismo, vazio, sentido. “Desculpa”, ele andou. “Desculpa”, ele alcançou. “DESCULPA”, no banheiro chegou, o espelho, encarou.

    — Eu também te amo. 

    Ele franziu os lábios em um sorriso e cerrou os olhos em ganância.

    「「۝」」

    Saindo do quarto após fazer algumas coisas, Aycity se encontrou com Kevyn no corredor, animada ela pulou e se agarrou nas costas dele.

    Assustado, ele encarou ela.

    Silêncio.

    Aceitando aquilo, ele bufou e andou para o andar de baixo.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Quando o sol chegou em seu ápice, Kevyn estava debaixo da árvore do jardim que um dia perfurou com um golpe. “Isso é simples e prático, mas é um incômodo ficar parado por tanto tempo”, ele pensou observando a esfera azul pulsando em suas mãos.

    “Que chatice”.

    Cerrando os olhos, ele os fechou por completo e inclinou a cabeça.

    S̷̙͍̿̄̋u̸̖̬̲͊̑͋̒ḇ̵̦̠̬͉̀̑m̶̩͇͎̲͂̋e҉̮̟̔̾t̴͎̜̜̑͊a̵̟̬̗̔̀̋̒̋-̶͖̣͖̠̃̓̔̽͐s̵͍̳͎̒̽̍͊̀é̵̠̪͍̑̊̐

    Então a mana instaurou, cada grama contaminou, em uma pulsante viva, Kevyn tocou a energia com sua alma, e no mesmo momento tudo se curvou. “Não se mistura não é? Não importa”.

    O azul sugou o fluxo inerente, causando uma catástrofe controlada, cada segundo daquilo definhava tudo ao redor, como se tudo negasse, aquilo não era para acontecer, Kevyn estava fazendo opostos se tocarem e nada poderia o impedir, absolutamente nada.

    Seus olhos cerrados em um ódio profundo, forçando a cada segundo, então, ele cessou até sua mana infinita se esgotar. “Certo, isso é útil”, ele sorriu.

    ❍ ≫ ──── ≪ • ◦ ❍ ◦ • ≫ ──── ≪ ❍

    Então a lua veio, sua transição harmônica e caótica… mas, seu brilho roubado caiu como um véu de desilusão, triste e inexpressivo.

    Enquanto deitado, Kevyn fitou seu celular inutilizado, pensando se aquilo era realmente necessário. “Tecnologia… malditas telas”, ninguém o ensinou a usar um smartphone ainda.

    Confortável pelo seu dia cheio de solitude, ele juntou suas pálpebras com sono após usufruir de sua branda energia, por um segundo, todos os problemas pareceram desaparecer. Por um segundo. Mas então flashes e mais flashes.

    Coisas que nunca o deixariam descansar em paz.

    Ele estava se remoendo, roendo, afinal, era tudo culpa dele. Era tudo culpa dele? 

    Era.

    Era culpa dele.

    Dele.

    “Sua”

    Vozes.

    “SUA”

    “É culpa sua, é culpa minha, se eu tivesse sido mais forte, impedido Daniel de me arrastar”, ele levou a mão até seu olho laranja e apertou, sua cicatriz rasgou mais uma vez, sangrou, sangrou, SANGROU.

    “Eu te vi, morrer nos meus braços”.

    Ele pensou em Kelly.

    “Eu te vi morrer nos meus braços!”

    Ele pensou em sua mãe.

    Dessa vez foram as duas mãos sobre o rosto, então ele apertou ainda mais.

    “Eu fui longe demais?! Eu vi você morrer na minha frente!”

    Ele pensou em Améli. Mas então, as vozes vieram, plenas e serenas:

    “Faça tudo que seu corpo pede, consuma, passos serão necessários para alcançar a perfeição, alcance a perfeição, NEGUE-SE, NEGUE-SE, NEGUE-SE”,

    Abrindo uma fenda entre seus dedos, Kevyn arregalou seus olhos em dor e encarou o teto. “Desprezível, desprezível, desprezível”, não foram as vozes, foi ele mesmo.

    Boom! 

    Então a porta se abriu, rapidamente alguém surgiu, Aycity, era Aycity. Aycity, Aycity.

    Talvez a única que poderia salvá-lo agora.

    Triunfante, ela estava vestida de forma diferente, totalmente desigual e ultrajante. Sem noção, ela levou as mãos até às costas e tentou esboçar qualquer parte não abrangente de seu corpo, ainda assim, talvez ela estivesse escondendo um segredo por detrás de seu busto que, incrivelmente, parecia maior do que o comum.

    Então, lá estava ele, sentado na cama, Kevyn sorriu para ela — sem ferimento, sem cortes, sem sangue, sem vozes, sem choro, sem nada. Ele observou, lembrou e perguntou:

    — Você tá de…

    — Cosplay! — Ela complementou.

    Sem mais suportar, o príncipe sorriu de alegria, uma tentativa.

    Ele se aproximou — quase se arrastando, como se seu corpo não pudesse mais se manter em pé e… abraçou, com toda sua força a abraçou.

    Ele lembrou de Kelly, mas…

    Ainda que ela pudesse ser somente uma muleta emocional, não existiria ninguém que pudesse suportar o peso que Kevyn carregasse. 

    Ele aceitou e sabia que aquilo poderia ser uma verdade para si mesmo, tentou negar de todas as formas, sua cabeça em um vai e vem todos os dias, tentando negar mais de uma vez, mas…

    — Aycity, me desculpa por te usar…

    Ela retribuiu o abraço e respondeu:

    — Eu pensei que tivesse me ensinado algo, não?

    O sorriso no seu rosto era impassível, profundamente impetuoso.

    O menino riu, franziu as pálpebras e respondeu:

    — Obrigado.

    — Agora, eu não mereço um desejo? Fuh~ vai! Mais unzinho! 

    Kevyn revirou os olhos.

    — Já te dei mais três, não vem com essa.

    — Ahhh… — bufou — certo! Então… — pensou — estou te convidando essa noite para assistirmos homem motosserra! 

    Ela apertou-o.

    — Ah! Sim! Mas… — murmurou — agora?

    Ela empurrou-o para a cama.

    — Fuh~ não é óbvio? Vamos virar a noite! 

    Caído sobre o colchão, ele franziu as sobrancelhas, mas apenas aceitou.

    — Vou tentar fazer o meu melhor, hehe…

    — Se conseguir ficar acordado, amanhã eu te ensino a usar seu celular! 

    Interessado, ele levantou o braço e gritou:

    — Certo! 

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