Capítulo 605 - K3308 de Coração Partido
Abel estava sentado de forma relaxada no pátio de sua mansão número 09, na Área A da Cidade do Milagre. Ele segurava um copo de suco de fruta do espírito da água. Dois dias tinham se passado desde que ele ajudou o K3305 a obter seus núcleos de cristal.
O mago teve sorte. Com a ajuda de dois núcleos, conseguiu se tornar um mago de nível 7 com sucesso, o que lhe poupou pelo menos alguns anos de trabalho árduo.
Ele também tinha conseguido muitos recursos: uma bolsa espiritual de rei orc, uma bolsa de portal de dez metros cúbicos, outra de cinco, um rei dos lobos e diversos outros itens que o fizeram sentir que a viagem tinha valido a pena.
Em relação a receber o favor de volta, Abel realmente não se importava. Se houvesse algum problema que ele próprio não pudesse resolver, K3305 não seria capaz de ajudar.
Ajudá-lo foi apenas uma forma de retribuir, já que o mago o tinha auxiliado bastante quando chegou à Cidade do Milagre. Além disso, ele estava um pouco curioso sobre a Cordilheira de Budapeste.
“K3516, aqui é o K3308. Já estou com aquelas pequenas caveiras e os itens de portal de osso prontos. É só vir ao Salão de Missões quando tiver tempo, eu entrego a você!” Ele enviou a mensagem para o cartão militar de Abel.
“Estou a caminho!” Abel respondeu.
O jovem não o convidaria para sua residência como fez com o Comandante-Chefe Bodley. Se fizesse isso, suspeitava que o mago viria irritá-lo todos os dias.
Ele não estava disposto a usar seu rei dos lobos de montaria de casa até o Salão de Missões. Em vez disso, apenas usou o círculo de teletransporte de curta distância, como de costume.
A única vez que tinha montado no lobo foi quando estavam voltando da Muralha do Milagre para o Acampamento dos Magos. O rei dos lobos não tinha saído de sua propriedade desde então, ainda estava sendo domesticado.
No momento em que saiu do círculo de teletransporte, viu o K3308 sobre um lobo. Seu rosto transbordava orgulho.
Embora houvesse rumores na Cidade do Milagre de que dois lobos tinham sido avistados, Abel nunca tinha trazido o seu para fora. Portanto, sendo o único a desfilar com um, o outro mago atraía olhares por onde quer que passasse.
Os olhares dos cavaleiros costumavam ser cheios de pena quando o viam. Era um grande desperdício para um mago iniciante montar uma fera superior. A única classe que liberaria todo o potencial do animal era a dos cavaleiros.
Por outro lado, todos os magos morriam de inveja. Todos queriam uma boa montaria. Especialmente antes de aprenderem o Movimento Instantâneo, ter uma era indispensável.
Enquanto observava a postura arrogante do colega, Abel começou a duvidar se deveria mesmo se encontrar com ele em um lugar como aquele.
“K3516, estou aqui!” O mago gritou rapidamente ao avistá-lo.
Abel nem teve tempo de se virar e foi parado. O K3308 então entregou seu lobo para o Comandante-Chefe Markham, que estava ao lado, apontou para o saguão e disse: “Vamos nos sentar ali!”
Assim que se sentaram, ele levantou a mão e perguntou: “K3516, o que você quer beber?”
Abel ficou surpreso que tal serviço sequer existisse ali, mas, enquanto o mago mantinha a mão erguida, um servo deu um passo à frente e fez uma reverência: “Senhores Magos, o que desejam beber?”
“Hoje é por minha conta. Sinta-se à vontade para pedir o que quiser. Eles têm de tudo!” Ele afirmou com confiança.
“Eles têm de tudo?” Abel perguntou com uma risada.
“Claro, desde que exista no Continente Sagrado, eles terão aqui!” Ele respondeu, virando-se para o servo para completar: “Estou certo?”
“Sim, Senhor Mago. Esta é a Cidade do Milagre!” O servo disse com orgulho.
“Certo, me traga um suco de fruta do espírito da água!” Abel fez o pedido com um aceno.
“Isso custará dois pontos de mérito de guerra. Senhor Mago, tem certeza?” O servo perguntou com um tom estranho.
“O quê? Como um suco pode ser tão caro? Quem compraria algo assim?” Embora o K3308 fosse rico, sua riqueza era de outro tipo. O mérito de guerra era algo muito diferente na Cidade do Milagre.
“Senhor Mago, as frutas do espírito da água são exclusivas dos elfos. Há alguns magos intermediários na Cidade do Milagre que adoram especialmente este suco. Normalmente, são os únicos que o pedem.” O servo explicou.
“Tudo bem, me traga apenas um café!” Abel disse, acenando com a mão. Que piada, como um suco poderia ser tão caro?
Não se podia culpar Abel; ele não esperava que interagir com elfos de extremo prestígio fosse algo tão exclusivo. Não havia como o suco que lhe ofereciam antes ser algo comum. Apenas um mestre alquimista como ele poderia obter quantidades ilimitadas de suco de fruta do espírito da água.
“De jeito nenhum, eu disse que deixaria você pedir o que quisesse. Dê a este homem um copo de suco de fruta do espírito da água!” O K3308 interrompeu, falando com o servo. E então continuou: “Me traga uma xícara de café, sem açúcar!”
O coração dele, porém, estava disparado. Um copo de suco por dois méritos de guerra era um luxo absurdo.
O Comandante-Chefe Markham notou que o mago estava com os punhos cerrados sobre o colo. Sabia que ele estava sofrendo, mérito de guerra não era uma moeda comum. Era preciso trabalhar duro por cada pequeno ponto.
No entanto, olhando para a expressão do K3308, o comandante sentiu que ia cair na gargalhada. Ele tinha recebido olhares estranhos demais enquanto seguia o mago por ali naqueles últimos dias. Agora, toda a sua tensão tinha ido embora.
Abel deu uma risadinha. Ele não insistiu; se o vaidoso colega realmente queria pagar a bebida, ele deixaria.
O servo rapidamente trouxe as bebidas, colocou-as na frente dos dois, fez uma reverência e saiu. O mérito de guerra foi então deduzido automaticamente do cartão militar do pagante. De qualquer forma, apenas a elite endinheirada pedia bebidas ali.
Já que até mesmo um simples café custava 0,1 mérito de guerra, era por isso que quase não se via ninguém consumindo nada no local.
O mago sentiu seu cartão militar vibrar e imediatamente soube que 2,1 méritos de guerra tinham sido descontados de sua conta.
“K3516, veja se isso é o bastante.” A essa altura, ele só queria acabar logo com aquilo e ir embora daquele lugar de tristeza.
Abel olhou para o Comandante-Chefe Markham, que estava ao lado, abrindo uma caixa. Havia dois compartimentos dentro. Um continha quatrocentas pequenas caveiras e o outro guardava quinhentos itens de portal de osso.
“Eu nem sei como, mas basicamente nenhum cavaleiro tem pequenas caveiras e itens de portal de osso. Troquei tudo isso com magos!” Ele disse, irritado.
Abel sabia o motivo. Tudo o que os cavaleiros possuíam tinha sido pego pelo Comandante-Chefe Bodley no mês passado. De toda forma, os cavaleiros raramente teriam qualquer espólio vindo de sacerdotes orcs. Na maioria das vezes, apenas os magos os conseguiam.
“Uau, é muita coisa. Deve ter dado muito trabalho, não é?” Abel perguntou com um sorriso.
“Claro que não, só precisei falar um pouco com meus amigos magos e eles pediram aos amigos deles. Eu só não esperava que essas pequenas caveiras e itens de portal fossem valorizar tanto; quem iria querê-los, afinal? Mas eu sou inteligente. Troquei a maior parte por gemas mágicas!” Ele disse com um sorriso, mas então se lembrou que tinha acabado de perder dois pontos de mérito de guerra e voltou a ficar deprimido.
“Certo, trato feito!” Abel concordou com um aceno de cabeça.
Ele realmente admirava as habilidades de negociação do companheiro. Embora fosse um pouco irritante, arrogante, pretensioso e preguiçoso, ele era um bom amigo. Especialmente depois de ter gastado dois méritos de guerra para lhe pagar um suco, a amizade entre eles tinha se aprofundado imediatamente.
Era também por isso que o Comandante-Chefe Markham não o impediu de pagar a bebida para Abel. Fazer isso era uma enorme demonstração de respeito.
Ele tinha entregue a Abel muito mais material do que o Comandante-Chefe Bodley naquela troca, mas o jovem não se importou muito com isso. Aquelas espadas de cavaleiro poderiam surgir no Continente Sagrado sem causar grande surpresa, ainda mais depois que ele obteve tantas pequenas caveiras.
Aquelas espadas de drenagem com atributos duplos poderiam trazer muita riqueza para a família dele, já que poderiam ser negociadas publicamente.
Em relação aos cavaleiros de sua própria família, ele fundiria aquelas pequenas caveiras para forjar espadas de mais alta qualidade. Para seus descendentes ou discípulos, ele daria espadas de cavaleiro com Crânios Perfeitos.
Contudo, Abel não negociaria seus lobos. Aquelas feras precisavam de pelo menos dez anos para serem domesticadas. Ele as reservaria exclusivamente para seus descendentes e discípulos cavaleiros e magos. Se quisesse fornecê-los para os cavaleiros comuns de sua família, levaria pelo menos mais cem anos. Esses, sim, eram recursos valiosos.

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