Capítulo 638: Armadura de Osso Branco
Todos olharam para cima e viram que o Falcão-Gerifalte parecia bêbado, cambaleando no ar. Ele tentava voar mais alto com muito esforço, mas não conseguia usar toda a sua força.
“Eu sabia! O K3516 está usando o Tambor de Guerra Orc para atacar o Falcão-Gerifalte. Isso é muito satisfatório! Esses falcões voam sobre nossas cabeças todos os dias, só de olhar já me dá raiva!” K3308 riu alto.
“É verdade. Com o K3516 usando o Tambor de Guerra Orc, pelo menos por um bom tempo os orcs não vão se atrever a enviar outro Falcão-Gerifalte para o céu!” O Alto Comandante Bodley também riu.
Como os orcs que enfrentavam eram poderosos demais, a pressão de liderar o esquadrão tinha sido enorme. Agora, ele podia relaxar um pouco.
Enquanto isso, no esquadrão de onze orcs, sangue escorria sem parar da venda preta do Olho do Céu. Ele gritava de dor, fraco, mas os dez guerreiros ao seu redor não podiam fazer nada para ajudar.
O Falcão-Gerifalte não conseguiu resistir ao poder da maldição do Tambor de Guerra Orc e despencou. Daquela altura, mesmo sem o efeito da praga, a queda seria fatal.
No mesmo instante, o Olho do Céu desabou debaixo do seu lobo de montaria, completamente sem vida.
“Maldição!” Rugiu o Capitão-Chefe dos Cavaleiros Worgens.
Naquele momento, o esquadrão orc perdeu qualquer esperança de encontrar Abel.
Longe dali, Abel balançou a cabeça e guardou as baquetas de osso, colocando o Tambor de Guerra Orc de volta no seu item dimensional. Ele não estava nada satisfeito com a potência da arma. Mesmo com a sua força bruta, precisou bater pelo menos trinta vezes para matar o pássaro.
Isso mostrava que o efeito daquela maldição não era tão destrutivo assim. O Falcão-Gerifalte não tinha uma força vital muito grande. Se abater aquela ave já havia exigido muito tempo, tentar amaldiçoar um orc até a morte seria irreal. A vitalidade dos orcs era enorme, quase o dobro da dos humanos. O poder daquele artefato parecia fraco demais para confrontos diretos.
No entanto, Abel estava subestimando a arma. A parte mais assustadora do tambor não era o ataque contra um alvo único, mas sim a capacidade de enfraquecimento em área.
O som talvez não conseguisse matar um guerreiro orc, mas podia reduzir o poder de combate desse alvo em trinta por cento. E isso considerando apenas um orc isolado.
Ao enfrentar um exército inteiro, o Tambor de Guerra Orc podia diminuir em trinta por cento a força de todos os orcs num raio de cinco quilômetros, além de aplicar uma penalidade de dez por cento naqueles que estivessem entre cinco e sete quilômetros e meio de distância.
Claro, esse era o cenário ideal. O pré-requisito era ter um local seguro e estático para que o tocador pudesse trabalhar de forma contínua. Após vinte minutos de batidas constantes, o efeito máximo seria alcançado. Mas se esse tambor fosse usado para defender as muralhas de uma cidade, ele seria uma arma de destruição em massa.
Era só imaginar um grande cerco. Se os defensores humanos possuíssem aquilo, bastava segurar as linhas inimigas por vinte minutos para que a horda invasora desmoronasse sem nem conseguir lutar direito.
O que deixava Abel satisfeito agora era o fato de ter eliminado a vigilância. Demorou um pouco, mas era muito melhor do que ser rastreado o tempo todo.
Em seguida, ele pegou Dedo de Osso Dimensional que pertencia ao sacerdote de manto cinza. Ele notou que os sacerdotes orcs mais poderosos adoravam usar aquele objeto específico. Como ficava encaixado e escondido diretamente na mão, era muito mais prático do que bolsas ou anéis tradicionais.
A Força Mental de Abel entrou no osso. Era um espaço com cerca de dez metros cúbicos. A enorme quantidade de gemas lá dentro colocou um belo sorriso no rosto dele. Aquilo sim era mercadoria valiosa.
Depois, ele examinou o resto. A maior parte do estoque era ocupada por dezenas de frascos e potes variados. Lembrando que aquele orc usou a magia de explosão de venenos na batalha, ficava claro que se tratava de um especialista em veneno.
Abel não tinha a menor vontade de mexer nesses frascos por enquanto. Embora sua resistência natural fosse absurda, não queria problemas desnecessários. Deixaria para analisar isso quando estivesse seguro.
“Mas o que é isso…” Abel puxou um livro do fundo do osso. As páginas e a capa eram feitas de pele humana. Aquele era o tipo de item impossível de se encontrar na sociedade normal.
Por mais nojento que fosse, ele abriu a capa mórbida com cuidado, pois se tratava de um tomo de feitiços.
Ele conseguia entender a lógica por trás daquilo. Um sacerdote claramente letal tinha total confiança na própria força. O inimigo de manto cinza provavelmente morreu sem acreditar que um mero humano da idade dele seria capaz de matá-lo tão rápido.
Se Abel não tivesse derramado uma toxina devastadora no chão, e se não tivesse ativado a fenda dimensional para fugir dessa área, o orc jamais teria sido morto tão fácil. Muito menos deixado seus itens de bandeja no campo de batalha.
O livro de pele humana estava cheio de anotações soltas. Abel folheou as páginas rapidamente, tentando extrair algum conhecimento útil.
A maior parte do conteúdo envolvia práticas e ensaios sobre magias já conhecidas. Fosse para um mago ou para um sacerdote, registrar as experiências diárias e truques práticos era um hábito comum no mundo da magia.
Afinal, quase ninguém possuía uma memória tão boa quanto a dele. Para não esquecerem os detalhes, fórmulas e pequenos avanços, eles escreviam tudo. Foi exatamente esse costume que gerou o livro profano que ele segurava.
Aos poucos, um sorriso de genuína satisfação surgiu nos lábios de Abel. Ele encontrou um padrão mágico perfeitamente desenhado: a estrutura do feitiço Armadura de Osso Branco.
Essa técnica era a defesa física definitiva. Desde que os três escudos de osso invocados pela magia não fossem esmagados, qualquer ataque físico recebido seria totalmente absorvido por eles. Essa era a principal linha de sobrevivência da elite orc, sendo o motivo pelo qual eles enfrentavam os Altos Comandantes humanos sem demonstrar medo dos Cavaleiros
“Que pena!” murmurou Abel para si mesmo.
A marca visual dos escudos de osso era óbvia demais. Mesmo aprendendo a técnica, ele só poderia ativá-la no Mundo Sombrio. Se usasse a defesa no meio do Continente Sagrado, qualquer cavaleiro ou mago gritaria que ele virou um herege e traidor da raça humana.
Mas já era lucro usá-la no Mundo Sombrio. Afinal, era lá que os combates de vida ou morte eram intermináveis. As lutas na civilização humana eram esporádicas e com uma intensidade bem menor.
O mais fantástico era que a Armadura de Osso Branco não entrava em conflito com as habilidades da classe dos magos. Isso significava que, no calor de um cerco demoníaco, ele poderia conjurá-la e depois sobrepor a Armadura Congelante por cima, elevando a sua durabilidade a níveis impenetráveis.
E como se tratava de feitiços, a capacidade de absorção acompanhava o ranque do usuário. Quanto mais ele avançasse nos níveis mágicos, mais indestrutíveis esses escudos ficariam.
Abel ergueu a mão e deslizou o dedo pelo ar. Em segundos, a linha de luz tomou forma. Mesmo sendo sua primeira tentativa e tendo visto o livro apenas uma vez, a capacidade de processamento do Fragmento da Pedra do Mundo e sua memória irretocável garantiram que o padrão fosse desenhado com zero falhas.
O selo brilhante gerou uma força de sucção no ar, como se estivesse com sede de Qi da Morte. Se um orc fizesse aquilo, bastava bombear a própria aura podre da raça no desenho para completar o feitiço instantaneamente.
Abel não era sacerdote, mas gerar energia da morte era muito simples para ele. A essência incolor dentro da sua Alma Druida acendeu, transformando-se num piscar de olhos e cuspindo uma torrente puríssima de Qi da Morte diretamente para dentro do feitiço.
O padrão da magia explodiu num clarão cinza. Imediatamente após a ativação, uma onda de choque de Qi da Morte ricocheteou, invadindo o corpo de Abel para devorá-lo por dentro. Sem hesitar, ele aprisionou o contragolpe mortal e o arrastou de volta para a Alma Druida, purificando-o em energia neutra.
Aquela era a realidade grotesca da classe dos sacerdotes. E o motivo exato pelo qual os humanos abominavam suas artes.
A magia dos orcs cobrava um preço corrosivo do próprio conjurador. O poder não destruía apenas os inimigos, consumia o lançador. Quase nenhum orc do império conseguia manter um rosto normal após alguns anos na ativa. A carne apodrecia e os músculos derretiam no osso pela exposição contínua a esse contragolpe de energia cadavérica.
A mana dos humanos também causava grande pressão no sistema nervoso e físico, mas o desgaste da magia elementar podia ser curado e ajustado com treinamento. O apodrecimento causado pelo Qi da Morte, era um caminho sem volta, transformando a prática num ato de mutilação voluntária.
Para a sociedade humana, a ideia era repulsiva. Para os orcs, que enxergavam apenas o resultado final da guerra, o poder cobria qualquer preço.
Com o contragolpe brutal anulado por Abel, o padrão no ar estilhaçou em fagulhas cinzas. o vácuo ondulou violentamente, expeliu três enormes placas de ossos.
Os escudos começaram a girar ao redor de seu corpo em um movimento contínuo. Eles pareciam esculpidos em calcário maciço, mas quando ele esticou a mão para tocá-los, seus dedos atravessaram a textura. Eram ilusões densas conjuradas pela própria essência da morte.
Visualmente, a proteção não cobria todos os ângulos vitais de Abel, mas as regras da técnica eram precisas, não importava se a lâmina viesse pelas costas ou por cima, a força física do ataque sempre colidiria contra a propriedade mágica da Armadura de Osso Branco.
- Queridos leitores, vocês devem ter notado uma diferença no contexto dos capítulos atuais em comparação com a versão em inglês. Isso aconteceu porque passei a utilizar o original em chinês como base, já que a versão inglesa possui muitas lacunas nas explicações e acaba omitindo diversos detalhes importantes. Sobre a questão das correções dos capítulos anteriores, elas ainda estão em andamento. Porém, estou fazendo isso aos poucos, porque, se eu focar demais nas revisões diariamente, acabarei atrasando as postagens dos capítulos atuais.[↩]

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