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    Se os oito cavaleiros não possuíssem corpos diferentes dos esqueletos comuns e não estivessem cavalgando montarias, os quatro sacerdotes teriam acreditado que eles não passavam de mortos-vivos normais.

    No entanto, mesmo não sendo esqueletos, eles eram criaturas da morte. Com um Qi da Morte tão denso e o fogo da alma, que, embora oculto, ainda podia ser sentido pelos quatro orcs, revelavam a verdadeira natureza daqueles oito cavaleiros.

    Um mago humano controlando oito criaturas mortas-vivas e, ainda por cima, sem exibir o menor traço de Qi da Morte em seu corpo… Será que os humanos haviam encontrado uma forma de resistir à corrosão do Qi da Morte enquanto invocavam esses seres?

    Esse pensamento aterrorizante passou pela mente dos sacerdotes orcs. Mas, naquele momento, o mais importante era enfrentar os oito cavaleiros diante deles.

    “Matem todos”, ordenou Abel em voz baixa.

    Com a ordem dada, a batalha começou.

    Um sacerdote intermediário foi o primeiro a agir, lançando feitiços rapidamente com as mãos. A maldição de baixo nível amplificar dano surgiu acima das cabeças dos Cavaleiros Guardiões Espirituais, mas, antes que a chuva amaldiçoada pudesse cair, eles já haviam desaparecido de onde estavam.

    Os pontos de luz vermelha da chuva amaldiçoada erraram o alvo, um acontecimento raro.

    Quatro dos Cavaleiros Guardiões Espirituais que sumiram ressurgiram ao redor do sacerdote intermediário. Os outros quatro usaram seus corpos para bloquear o caminho entre os dois homens-urso, os quatro capitães dos cavaleiros worgens e os quatro sacerdotes.

    Esse era um hábito tático cultivado pelos Cavaleiros Guardiões Espirituais durante o longo período que passaram no Mundo Sombrio: em uma batalha, elimine os conjuradores primeiro.

    A maior parte dos esqueletos ao redor dos sacerdotes intermediários foram isolados na parte externa. Cada conjurador tinha um ou dois esqueletos na retaguarda para protegê-los.

    A primeira rodada de ataques dos Cavaleiros Guardiões Espirituais foi bloqueada pelos esqueletos orcs. Era o primeiro confronto direto entre os dois tipos de mortos-vivos aprimorados, e os Cavaleiros Guardiões Espirituais, com seus equipamentos poderosos, esmagaram completamente a resistência de seus adversários de osso.

    Especialmente o capitão do grupo. Logo após o primeiro golpe com sua espada da palavra rúnica aço, a maldição Amplificar Dano foi ativada passivamente, amaldiçoando todos os quatro sacerdotes intermediários e os esqueletos ao redor.

    “Quem é você afinal? Como possui um poder desses?!” gritou um sacerdote intermediário.

    As mãos de outro sacerdote brilharam com o padrão de um feitiço. Bem quando a luz vermelha surgiu no céu novamente, os oito Cavaleiros Guardiões Espirituais desapareceram em um piscar de olhos, errando o alvo da maldição mais uma vez. No instante seguinte, os cavaleiros reapareceram em suas posições originais e continuaram a desferir ataques impiedosos.

    Após errarem suas maldições várias vezes seguidas, os sacerdotes intermediários perceberam a dura realidade. Aqueles oito cavaleiros possuíam a mesma habilidade movimento instantâneo dos magos humanos. Enfraquecê-los com magia não seria uma tarefa fácil.

    Por causa disso, os sacerdotes mudaram de tática. Começaram a conjurar a Lança de Osso para ajudar seus próprios esqueletos a atacar. No entanto, os cavaleiros defenderam facilmente todos os ataques erguendo seus escudos.

    Quem matou primeiro foi o capitão dos Cavaleiros Guardiões Espirituais. Com apenas três golpes de espada, o esqueleto orc à sua frente foi reduzido a uma pilha de ossos estilhaçados. Agora, ele estava livre e frente a frente com um sacerdote intermediário.

    A espada de aço do capitão avançou contra o alvo. O padrão mágico brilhou nas mãos do sacerdote, que tentava invocar uma Parede de Ossos às pressas para criar uma barreira física entre os dois.

    Mas, embora a lâmina do capitão tivesse atingido apenas a Armadura de Osso Branco que protegia o orc, o impacto foi o suficiente para ativar a chance de cinquenta por cento de causar ferimentos abertos.

    Uma dor aguda irrompeu de um corte rápido que rasgou o corpo do sacerdote, fazendo-o soltar um grito miserável. O padrão da Parede de Ossos se desfez em faíscas nas suas mãos, interrompido antes que pudesse se formar.

    O capitão dos Cavaleiros Guardiões Espirituais, alheio aos gritos de agonia, não hesitou. Seu segundo e terceiro golpes foram contínuos.

    Mesmo que o dano físico tenha sido absorvido pela Armadura de Osso Branco, o efeito de dilacerar a carne do inimigo deixou o sacerdote intermediário coberto de sangue.

    Na verdade, o dano bruto gerado por esse efeito não era tão devastador se comparado a um golpe direto que perfurasse defesas. O grande problema era a natureza do alvo, os sacerdotes intermediários não eram criaturas infernais. Ferimentos no Mundo Sombrio podiam não abalar a força de combate de um demônio, mas no Continente Sagrado, a história era outra.

    O sacerdote, apesar de ter um corpo corrompido pelo Qi da Morte até parecer uma anomalia horrenda, ainda era feito de carne orc. Sob a agonia constante de sua pele sendo aberta repetidas vezes, ele perdeu a concentração necessária para conjurar qualquer feitiço de defesa.

    Seus gritos roucos ecoavam pelo campo, abalando severamente o estado mental dos outros três sacerdotes intermediários.

    A Armadura de Osso Branco cedeu e estilhaçou. A segunda camada de defesa, formada unicamente pelo golem de argila, aguentou por apenas três ataques antes de ruir. Sob o olhar de puro desespero do sacerdote orc, o capitão dos Cavaleiros Guardiões Espirituais cravou a espada profundamente no peito dele, dando uma torção impiedosa na lâmina bem no meio do coração.

    No campo de batalha, vários esqueletos que participavam do ataque perderam a sustentação mágica subitamente, desmoronando no chão como um amontoado inútil de fragmentos.

    A morte daquele sacerdote intermediário funcionou como o primeiro dominó a cair. Assim que o capitão virou sua atenção pesada contra o próximo alvo, o desfecho daquela luta já estava decidido.

    Nesse meio-tempo, os quatro capitães dos cavaleiros worgens recuaram, desistindo de atacar as invocações de Abel. Fosse no quesito de poder ofensivo absurdo ou defesas impenetráveis em um estilo padronizado, os Cavaleiros Guardiões Espirituais provaram estar em um nível superior.

    Não fosse pelo suporte indireto dos esqueletos orcs, os worgens já estariam mortos. Agora, com a perda de um sacerdote e a consequente destruição de sete esqueletos, a pressão na linha de frente havia se tornado insustentável. Quanto aos três conjuradores restantes, isolados atrás da muralha de escudos inimiga, resgatá-los era simplesmente impossível.

    “Virem-se! Matem o mago primeiro!” gritou o capitão que liderava os Cavaleiros Worgens  .

    Ele avaliou a situação em um instante. Tentar salvar os sacerdotes era suicídio. A única opção era usar o pouco tempo restante que os mortos-vivos aliados levariam para ser dizimados, dar as costas para as invocações e concentrar todos os ataques no humano que assistia à carnificina em silêncio.

    Os quatro capitães giraram seus lobos de montaria de forma agressiva e dispararam em direção a Abel. Simultaneamente, os dois homens-urso fixaram sua postura, erguendo grandes escudos numa tentativa cega de conter o capitão dos cavaleiros espirituais, na esperança de conseguir o tempo precioso de que os worgens precisavam.

    Observando o ataque furiosa em sua direção, os cantos da boca de Abel se ergueram sob a máscara. Fazia um bom tempo desde que havia consolidado sua ascensão a Alto Comandante, mas ainda lhe faltavam oponentes do mesmo nível que pudessem testar seus limites.

    Os quatro capitães Worgens correndo em sua direção parecia o presente perfeito sendo entregue em sua porta. De repente, a aura opressiva explodiu e uma pesada Armadura de Qi de Combate dourada irrompeu e revestiu seu corpo inteiro. Em suas mãos, o cajado deu lugar à espada rúnica de aço e ao reluzente escudo do pacto dos anciões.

    Quando os worgens chegaram ao local, todos ficaram atônitos. Jamais imaginaram que aquele mago recluso pudesse subitamente liberar a aura imponente de um Alto Comandante. Magia e combate físico eram caminhos completamente distintos; os dois raramente coexistiam em um mesmo indivíduo!

    No entanto, não havia tempo para choque ou questionamentos. Os mortos-vivos deixados para trás continuavam avançando com ferocidade, lembrando-os a todo instante de que o tempo de vida do esquadrão diminuía a cada respiração.

    Cercar um alvo em grupo exigia habilidade e coordenação, não se tratava de um simples ataque desordenado com armas agitadas ao acaso.A cooperação entre os membros do esquadrão já havia sido aperfeiçoada ao longo de muitas batalhas, tornando seu cerco letal.

    Dois worgens avançaram na frente, estocando suas longas lanças em direção ao peito de Abel para forçá-lo a reagir. Os outros dois ficaram logo atrás, à espera de uma oportunidade. No momento em que Abel revelasse uma brecha ao bloquear o ataque, eles lançariam um golpe mortal.

    O plano de cerco era impecável na teoria. O problema era que o alvo escolhido era Abel. Ele não era ingênuo a ponto de restringir suas inúmeras habilidades apenas para satisfazer o orgulho de um cavaleiro em um confronto direto de força.

    No instante em que os quatro entraram em seu alcance, a poderosa Força Mental de Abel envolveu cada um deles. Nenhuma respiração, batimento cardíaco ou movimento muscular escapou da sua percepção. Aos olhos de Abel, o ataque feroz dos worgens pareceu desacelerar abruptamente, tornando-se lento e previsível. 

    Quando as pontas das lanças se aproximaram o suficiente para atingi-lo, Abel não recuou nem ergueu o escudo para bloquear. Com um movimento fluido, desviou para o lado e girou os ombros, evitando os ataques por uma margem mínima. Ao mesmo tempo, sua espada de aço brilhou intensamente. Impulsionada por violentas rajadas de Qi de Combate, a lâmina cortou o ar com um assobio agudo e avançou como um relâmpago contra as costelas do capitão worgen à sua direita.

    A energia da morte contida no Qi de Combate cinza dos orcs de alto nível era extremamente corrosiva. Sua única limitação era o alcance reduzido, permanecendo próxima ao corpo dos worgens e sendo usada principalmente em combate corpo a corpo e para reforçar sua armadura defensiva. 

    Em batalhas contra as raças do continente, esse Qi da Morte corroía os ataques elementais lançados pelos comandantes humanos, garantindo aos worgens uma grande vantagem nos confrontos. 

    O Qi da Morte era a principal razão pela qual o Império Orc conseguia enfrentar cavaleiros humanos sem dificuldades.

    No entanto, se existia algo capaz de conter esse tipo de energia, era o Qi de Combate relâmpago de Abel. Entre todas as energias conhecidas, poucas eram tão eficazes contra a corrupção da morte quanto o poder que corria por suas veias.

    A aura de um guerreiro refletia diretamente a qualidade de seu Qi de Combate. A luz dourada que envolvia o corpo de Abel demonstrava que seu poder já havia alcançado um nível extraordinário.

    No instante em que sua espada envolta em relâmpagos atingiu a camada de Qi cinzento que protegia o worgen, a o Qi da Morte foi dissipada quase sem resistência. A defesa se desfez imediatamente, e a lâmina abriu um corte profundo em seu alvo.

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