Hergê

    Histórias 9
    Capítulos 236
    Palavras 405,9 K
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    Tempo de Leitura 22 horas, 33 minutos22 hrs, 33 m
    • XIII. O Amanhecer

      XIII. O Amanhecer Capa
      por Hergê #162# A luz chegou cinza pela janela da casa de Harwick antes de qualquer um estar pronto para recebê-la. Gareth estava de pé. Luke e Frank tinham adormecido nas cadeiras — Frank com o queixo no peito, Luke com os braços cruzados e a cabeça inclinada para o lado. Phillip não havia voltado da praça. Réu não perguntou. Réu não havia dormido. Ficou encostado na parede com os braços cruzados enquanto a noite passava. O barulho da vila foi se apagando por fora em etapas; primeiro os…
    • XII. A Batalha de Armois (2)

      XII. A Batalha de Armois (2) Capa
      por Hergê #162# A batalha de Armois tinha muitos centros. Réu chegou pelo caminho do norte com o barulho à frente — metal, madeira, vozes cortadas pelo vento. A primeira rua estava tomada por dois guardas de Harwick que empurravam um grupo de cultistas contra a parede do celeiro. Passou por eles e dobrou à esquerda, onde o barulho era mais denso. O bairro velho era um labirinto de ruas estreitas. Réu trabalhou isso a seu favor — dobrava esquinas rápido, forçava os outros a chegarem de frente,…
    • Capítulo 158 | Mitologia Política

      Capítulo 158 | Mitologia Política Capa
      por Hergê Plutarco entrou na cabana de administração. O espaço exibia prateleiras de madeira carregadas com rolos de papiro e tabuletas de argila. Lycomedes ocupava uma mesa maciça no centro do recinto. O homem manuseava um estilete de bronze com a mão de seis dedos e gravava registros em uma placa de cera. Ele interrompeu o trabalho por um instante e indicou um banco para o visitante. O escriba sentou-se e observou a organização meticulosa dos mapas sobre a mesa.  Lycomedes pressionou um…
    • Capítulo 157 | Dias que Não Voltam

      Capítulo 157 | Dias que Não Voltam Capa
      por Hergê Plutarco entrou no celeiro. A luz da manhã atingiu a poeira e as vigas de madeira no teto. Teseu estava sentado na enxerga encostado na parede de pedra. — Você parece melhor hoje — Plutarco, que dia é hoje? Ele consultou um pequeno pedaço de pergaminho. — Hoje é o oitavo dia do mês de Metageitnion. Por quê? Teseu ergueu a cabeça e moveu os lábios em um cálculo silencioso. — Então meu aniversário é daqui a uma semana — o rapaz afirmou. Plutarco guardou o…
    • I. O Peso da Espada

      I. O Peso da Espada Capa
      por Hergê “Um herói não defende apenas aqueles que ama.Um herói defende a todos.” — Mara, a dama do bosque #162# Maldita é a asma, que toma o ar dos que ainda sequer respiraram. Ela chegou ao menino ainda quando ele não sabia o próprio nome — ou talvez soubesse, pois havia um lenço costurado com letras tortas guardado num baú de madeira ao lado de sua cama, na ala dos órfãos da Igreja de São Tomé. O padre Anselmo dizia que o lenço chegara junto com ele, embrulhado numa manta surrada,…
    • II. O Rio e os Valentões

      II. O Rio e os Valentões Capa
      por Hergê #162# Nadar não foi fácil. Os primeiros dias foram humilhantes. Réu conhecia o rio, é claro — toda criança de Armois conhecia o rio, que cortava a base do vilarejo em direção à floresta antes de se alargar numa curva preguiçosa onde as margens eram rasas e as pedras cobertas de musgo verde-escuro. Mas conhecer o rio era uma coisa. Entrar nele com intenção era outra. Ele afundou na primeira tentativa. Não dramaticamente — o rio era raso o suficiente para que afundar significasse…
    • X. Malleus

      X. Malleus Capa
      por Hergê #162# O outono trouxe Réu de volta à vila com dezoito anos nos ombros e peles de animal no dorso. Trazia carcaças e couros para vender — resultado de semanas de caça na mata, trabalho que havia aprendido por necessidade e que agora era a moeda que pagava sal, fio, ferramentas. Entrou em Armois pelo caminho de baixo, o que passava pelo mercado, e notou que a vila havia crescido um pouco — uma fileira nova de casas no lado leste, um segundo ferreiro onde antes havia um terreno baldio, mais…
    • VIII. O Treinamento

      VIII. O Treinamento Capa
      por Hergê #162# Primeiro veio o arco. Mara tinha um arco longo guardado num canto do quarto dos fundos, envolto em couro oleado, que Réu nunca havia perguntado de onde vinha. Era um arco bom — ele percebia isso mesmo sem experiência nenhuma, pelo jeito como a madeira curvava, pela textura da corda de tripa. Mara o ensinou a ficar parado primeiro. — Antes de atirar, aprende a ficar parado — disse ela. — Antes de ficar parado, aprende a respirar. Réu quis dizer que o problema era justamente a…
    • VII. Adrien

      VII. Adrien Capa
      por Hergê #162# A primavera chegou e com ela a vila voltou a existir com mais volume — portas abertas, crianças na rua, o mercado semanal enchendo a praça de barulho e cheiro de especiaria e couro fresco. Uma promessa jazia no ar, uma que não era novidade para ninguém pois Réu não permitia que fosse. Logo, o rapaz completaria 15 anos. Seria um moço. Teria a força de um homem, a energia de um jovem e a vontade de um herói. Sonhava em se alistar, não sabia como ou onde, mas achava que seria o…
    • VI. O Coração Negro

      VI. O Coração Negro Capa
      por Hergê #162# Ainda era inverno na vila com frio nos dedos e também na barriga. As histórias chegaram como chegam os rumores em vilas pequenas — pela boca de viajantes que param para comprar pão, pela voz do tropeiro que passa duas vezes por mês e sempre tem novidade do norte. Desta vez a novidade não era boa. Uma aldeia a dois dias de caminhada. Encontrada de manhã com as portas arrombadas, os celeiros queimados, símbolos riscados nas paredes com carvão. Alguns moradores mortos, outros…
    Nota