Índice de Capítulo

    Uma estrela brilhante surgiu no céu escuro acima de Bastion. As pessoas — aquelas que ainda estavam nas ruas, ocupadas com empreendimentos frutíferos ou simplesmente em festa após um dia duro de trabalho — olharam para cima, surpresas, com os olhos brilhando de admiração.

    A estrela caiu do céu, ficando maior e mais brilhante. Logo, era como um meteoro branco flamejante despencando dos céus sem luz em direção ao solo. Sua luz iluminou a noite, afugentando a escuridão e fazendo a lua cheia brilhar lá no alto parecer pálida em comparação. O brilho prateado da lua não conseguia competir com o brilho branco e incinerador da estrela cadente. A noite também não conseguia competir com ela.

    Por um momento, foi como se o sol tivesse nascido sobre Bastion no meio da noite, trazendo consigo a beleza austera da luz do dia. Então, antes que as pessoas tivessem tempo de se assustar, o meteoro branco flamejante atingiu a superfície do lago.

    Houve um clarão ofuscante, e uma gigantesca fonte de água fervente subiu no ar, evaporando-se em uma vasta nuvem. O lago inteiro brilhou por um instante, como se iluminado por dentro, e então escureceu novamente. Assim, a estrela cadente desapareceu sem deixar vestígios.

    As águas do lago subiam e ondulavam, sua superfície ficava inquieta — o disco perfeito da lua cheia refletido em sua superfície foi quebrado e apagado, substituído por fragmentos dispersos de luz prateada.

    Do outro lado do reflexo, Nephis disparou do abismo escuro do lago e alçou voo para o céu sinistro da Verdadeira Bastion, suas asas radiantes se abrindo para brilhar ofuscantemente no brilho pálido da lua estilhaçada. Ela se elevou acima das vastas ruínas do grande castelo, olhando para baixo enquanto chamas brancas dançavam em seus olhos, inundavam sua pele e lambiam seus cabelos. Seu olhar ardente era frio e implacável. Não havia misericórdia naquele olhar, nenhuma hesitação, nenhuma dúvida, nenhuma esperança de salvação. Apenas uma promessa firme e inescapável de ser reduzida a cinzas pela maré ilimitada de chamas purificadoras. Ela observou as ruínas da Verdadeira Bastion com imparcialidade.

    O castelo destruído fora reduzido a escombros pela batalha entre Morgan e Mordret. O lago, que havia secado como resultado do prolongado confronto, estava cheio de água novamente, brilhando assustadoramente à luz prateada da lua estilhaçada. Fendas profundas percorriam a montanha onde jaziam as ruínas do castelo, cheia de água estagnada e coberta de musgo escarlate. Havia uma criatura esperando por ela no coração das ruínas. Uma montanha informe de carne cinzenta elevava-se acima dos escombros, coberta de musgo e transbordando com uma centena de membros repugnantes que se erguiam dela como uma floresta angustiante. Uma presença assustadora e sinistra emanava das criaturas grotescas, fazendo com que a luz da lua parecesse relutante em tocá-la. Como resultado, a criatura foi cercada por um manto de escuridão. Os ventos também a evitavam, então nada perturbava o silêncio mortal que envolvia as ruínas. Era como se o próprio mundo estivesse tentando escapar dela, revoltado e amedrontado pelo demônio ancestral.

    Enquanto Nephis observava, inúmeros olhos grotescos subitamente se revelaram na massa cinzenta do Demônio Amaldiçoado, abrindo-se para encará-la com uma terrível e estranha falta de emoção. Ela sustentou o olhar por alguns longos segundos, depois dobrou as asas e mergulhou no chão.

    Aterrissando na beira da água, a alguma distância da Criatura do Pesadelo, Nephis respirou fundo e seguiu em sua direção com passos firmes. Algo peculiar aconteceu então. Houve um farfalhar, como se as próprias ruínas soltassem um longo suspiro, e então, uma voz distante ressoou das profundezas do castelo em ruínas.

    “Eu tive um sonho.”

    A voz falou em uma língua há muito esquecida, soando estranhamente humana, apesar do timbre baixo e sobrenatural. Nephis continuou a caminhar, sem mudar de expressão. A voz falou novamente, cheia de uma emoção tênue e indescritível:

    “Eu sonhava em estar inteiro novamente.”

    Os inúmeros olhos assustadores se moveram fracamente, perscrutando sua alma.

    “Sonhei que o sol seria gentil novamente.”

    Uma nota sinistra se infiltrou na voz distante, fazendo o mundo estremecer. “Sonhei em ter asas novamente.”

    A floresta angustiante de membros esqueléticos se agitou, enegrecida e carbonizada.

    “Não foi você quem me impôs esse sonho odioso. Também não foi você quem o roubou de mim. Foi?”

    Nephis continuou andando, sem oferecer nenhuma resposta.

    “E ainda assim, não posso te perdoar. Essas suas asas são tão lindas.”

    Os olhos terríveis do Demônio Amaldiçoado ficaram mais escuros, e sua voz ficou fria e insidiosa, cheia de malícia tão vasta que fez Nephis parar por um momento.

    “Sangue do Sol. Você veio me queimar?”

    A montanha de carne cinzenta se moveu, ondulando enquanto pedaços de pedra antiga se transformavam em pó sob seu enorme peso. Uma risada oca, louca e assustadora ressoou acima das ruínas.

    “Devo extingui-la, então? Ou devo amaldiçoá-la? Devo lhe contar como o Sol foi destruído, como nossos céus queimaram, como a terra da Lua foi engolida pelas cinzas, como todos nós caímos, um após o outro? Devo ajudá-la a se tornar eterna, em constante mudança?”

    A voz sussurrou então, cada vez mais fraca e débil:

    “Como eu.”

    Caminhando à frente com uma espada na mão, Nephis respondeu calmamente:

    “Não estou interessada em falar com você, Criatura Pesadelo. Por que desperdiçar nossos fôlegos?”

    A lâmina da Bênção brilhou com uma luz ofuscante, tornando-se branca e luminosa.

    “Tudo o que me interessa é acabar com você. Então, prepare-se para morrer.”

    Erguendo a espada, Nephis apontou-a para o Demônio Amaldiçoado. Ela era uma Titã Suprema cujo Domínio abrangia bilhões de almas. Esta criatura era um deus velho, quebrado e caído. Que direito tinha de amaldiçoá-la?

    Um sorriso amargo torceu seus lábios.

    “Sim, eu vim para te queimar. Eu vim para te destruir. Ao contrário da minha, sua dor será rápida. Seja grato.”

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