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    O vento vibrou mais forte no segundo seguinte, como se um tornado tivesse passado no meio do salão, fazendo os três recuar alguns metros no chão.

    Niko sentiu a pele arder, como se centenas de agulhas finas perfurassem seu rosto. Evelyn rangeu os dentes, tentando recuperar o equilíbrio, e Brigitte usou a lança para se apoiar por um segundo antes de voltar à postura de combate.

    O clima no salão mudou completamente. Não era mais o caos de antes. Agora havia ordem. Agora era o terreno dele. Seu tabuleiro. Enquanto o trio percebia isso, os braços do chefe lentamente voltaram à posição inicial. Com os olhos frios e cerrados, ele deu um passo em direção ao grupo.

    — Droga… — sussurrou Brigitte, apertando mais forte a lança. — Ele também tem uma Alma!

    — A gente percebeu. — respondeu Evelyn, sem humor algum.

    Então, a elfa elevou o rifle, mirando na direção do homem… mas não foi rápido o suficiente. Kael levantou uma das mãos e fez um gesto de corte. O vento girou ao seu redor e se comprimiu em finas camadas de ar.

    Em seguida, uma rajada cortante rasgou o ar em uma velocidade absurda, indo direto para os três como um golpe limpo de uma guilhotina invisível. A mesa entre eles e Kael foi simplesmente partida ao meio, como se fosse feita de papel. As cadeiras atrás foram reduzidas a pedaços que voaram pelo salão.

    — Merda!

    Brigitte avançou, agarrando o pulso de Evelyn com uma mão e o de Niko com a outra. Ela puxou os dois para o lado com toda a força que tinha. Os três rolaram pelo chão ao mesmo tempo que a lâmina de vento passava onde eles estavam um segundo antes, abrindo um corte profundo no piso de madeira.

    — Se machucaram? — perguntou a luminar.

    — N-não. — disse Niko, tossindo, ofegante, assustado com a potência do golpe.

    Já Evelyn apenas negou com a cabeça. Estava com os olhos arregalados por trás da máscara.

    Foi ali que os três entenderam: Kael não era só um lunático com ego inflado. Ele possuiu estratégia, além de uma das Almas mais fortes que já viram, a Alma da família Ánemo. Ele era verdadeiramente perigoso.

    A mão erguida de Kael finalmente se abaixou, como se sua última ação fosse nada de mais.

    — Vamos ver… — murmurou, com o vento rodopiando nos ombros dele. — Se vocês conseguem me entreter por pelo menos trinta segundos.

    Atrás dele, os capangas que ainda possuíam ficar de pé se reuniram. O lobis ferido ergueu um pedaço de madeira com dificuldade; os elfos se moveram para o flanco; os dois homens tatuados assumiram posição atrás de mesas; e três dos homens comuns recarregaram suas pistolas com as mãos tremendo.

    Os capangas atacaram primeiro. Niko foi alvo de dois disparos rápidos, mas lançou a faca marcada para usar o Portal e reaparecer atrás de uma pilastra. Evelyn ergueu um escudo de gelo rapidamente, defendendo os tiros, mas a estrutura rachou no mesmo instante — o vento no ar deixava seu gelo muito mais instável.

    Brigitte tentou correr pelo flanco, indo em direção a Kael, mas assim que acelerou, um vendaval surgiu do nada entre ela e o alvo. Ela foi jogada com força e altitude para trás como se tivesse levado um soco invisível no peito.

    — Brigitte! — gritou Niko.

    A luminar girou no ar e aterrissou mal, deslizando pelo chão, segurando a máscara com uma das mãos para não perdê-la.

    — Tô bem! — respondeu, ofegante, já voltando aos pés.

    Brigitte avançou de novo, mas o vento mudou de direção como se tivesse vontade própria. Em um movimento curto e preciso, o ar se adensou diante dela, formando uma parede invisível. A garota travou contra a rajada — não o suficiente para derrubá-la outra vez, mas bastante para pará-la no ato, rangendo os dentes enquanto era empurrada alguns centímetros para trás.

    Kael estendeu a mão para o lado, olhando de leve para a garota, e liberou outra lâmina de vento horizontal que percorreu o salão inteiro. A rajada de vento bateu no chão a centímetros do pé de Brigitte, abrindo uma fenda grossa na madeira.

    O golpe não acertou nenhum dos capangas. Passou no exato espaço entre os homens, precisa como um bisturi. Um ataque certeiro e calculado em todos os sentidos. Mesmo assim, ele errou, errou de propósito, e Brigitte percebeu isso. Estava só brincando com a garota. Com todos os três ali. Afinal, ele tinha o controle sobre a situação.

    — Ele está moldando o vento…! — gritou Evelyn, desviando de outra rajada que arremessou três cadeiras ao ar como folhas secas.

    — E ele não acerta os homens dele. Ele tem uma mira incrível! — completou Niko.

    Evelyn esticou o braço no ar, criando uma estaca de gelo que atravessou o chão em uma velocidade extrema em direção ao chefe. Antes que percorresse mais do que sete metros, foi destruída pelo forte vento de Kael, espalhando estilhaços para todas as direções, se juntando ao vento.

    O chefe finalmente avançou alguns passos, com a expressão firme e irritada, quase impaciente.

    — Saiam do caminho. — ordenou aos próprios subordinados.

    Dois capangas se jogaram para o lado imediatamente. Os que não saíram a tempo levaram uma rajada de vento sob os pés, que os arremessou para trás e para os lados — mas sem causar fortes danos. O recado estava claro: ele os queria vivos, mas fora do caminho por ora.

    Niko tentou uma investida. Lançou a faca e usou sua Alma, ficando atrás de Kael com a foice preparada, mas o vento explodiu ao redor do chefe como uma barreira automática e Niko foi empurrado para trás, batendo nas costas de uma mesa quebrada.

    Evelyn tentou aproveitar a abertura, correndo pela lateral de uma distância segura, com a baioneta erguida. Dois tatuados pularam na frente dela. Evelyn desviou para o lado do primeiro, e ergueu a mão, congelando o segundo ainda no ar. Depois, girou o rifle acertando o primeiro tatuado com a coronha no pescoço, fazendo-o cair duro no chão.

    Em seguida, mirou em direção ao chefe, efetuando quatro disparos. Antes que os projéteis pudessem acertar o homem, o vento se comprimiu na sua frente, criando uma onda que ricocheteou as balas para longe. Nem chegou perto de atingi-lo.

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