Capítulo 188 - Expressão II
O grito ecoou pelo banheiro junto com o estalo metálico da porta batendo contra a parede. O som reverberou pelas paredes de azulejo quebrado e pelo chão ainda úmido de sangue. O segundo homem que havia surgido na entrada levantou o rifle logo depois do parceiro. Os canos varreram o interior da sala até encontrarem o grupo.
Por um instante curto demais para qualquer palavra, todos ficaram parados, não de choque, mas de uma certa indiferença, como se aquilo fosse nada. A única reação visível foi de Niko, que teve suas íris estreitadas.
— Ah, ótimo… — murmurou Evelyn, estalando o pescoço para o lado como se aquilo fosse apenas um inconveniente menor.
Os capangas já começavam a avançar pelo vão da porta — um terceiro chegando para o conflito — quando de repente o chão de azulejos entre eles se partiu com um estalo seco. Três estacas de gelo surgiram de baixo para cima como lanças de cristal.
Um dos homens mal teve tempo de reagir antes de ser atravessado no ombro e arremessado contra a parede. Outro teve a perna perfurada e caiu para trás pela dor do ferimento. O terceiro disparou o rifle às cegas enquanto tropeçava para fora do caminho do gelo que rasgava o chão. O tiro ricocheteou em um espelho quebrado, criando mais estilhaços no objeto já sem valor.
Quando a bala soou, Brigitte já ativou sua Alma e Benção. Ela avançou dois passos rápidos e deu um soco direto no rosto do terceiro capanga que ainda tentava levantar o rifle. O impacto foi seco, pesado, o tipo de golpe que derrubava sem precisar de força exagerada. O homem atingiu a porta de metal com fúria, amassando o ferro maciço, deixando a marca de suas costas. Ele apagou antes mesmo de atingir o chão.
Atrás delas, Niko e Gwen recuaram instintivamente um passo, puxando a garota com eles para longe da linha de tiro.
— Eu conseguia dar conta disso sozinha. — disse Evelyn, dando uma olhada rápida e soprando uma pequena mecha de cabelo do rosto enquanto observava o estrago na porta. — Intrometida.
Brigitte nem se virou para ela, ainda estava concentrada na luta.
— Duvido.
Mais vozes começaram a ecoar no corredor do lado de fora. Passos apressados, portas abrindo e metal sendo engatilhado. Mais homens estavam chegando. Mais luta estava pela frente. Brigitte sorriu de lado ao perceber que havia mais diversão por vir.
— Parece que chegaram mais convidados.
Dois homens surgiram logo em seguida na abertura da porta de metal, mas dessa vez com mais cuidado. Um deles se manteve parcialmente protegido atrás da própria porta, usando o metal como escudo improvisado enquanto apenas o cano do rifle aparecia. O segundo colou o corpo na parede do corredor, inclinando o rifle apenas o suficiente para disparar sem expor o torso.
Os tiros vieram quase imediatamente. As balas rasgaram o ar do banheiro e estouraram pedaços de azulejo na parede oposta. Evelyn elevou o braço e uma grossa parede de gelo surgiu como escudo, protegendo ela e Brigitte. Enquanto isso, Niko e Gwen estavam dentro de um dos espaços dos chuveiros individuais, protegendo a suposta irmã de Valand — que estava tremendo, apertando as mãos contra as orelhas e soluçando baixinho.
Dois segundos após o início da chuva de balas, Brigitte avançou para o ataque. Ela saiu da cobertura da parede do banheiro e entrou no corredor com passos atléticos, desviando do primeiro tiro com um movimento rápido. O homem que estava atrás da porta mal teve tempo de reajustar a mira antes que o punho dela atingisse o rosto dele com um impacto seco. O rifle escapou das mãos do capanga enquanto o corpo desabava contra o chão do corredor.
Logo em seguida, uma rajada de gelo cruzou o corredor logo ao lado de Brigitte, vindo da entrada do banheiro. O projétil cristalino atingiu o outro capanga que estava colado na parede, atravessando seu peito com um estalo abafado. O homem soltou o rifle imediatamente, com o corpo perdendo as forças enquanto caía contra a parede antes de cair de lado no chão.
Evelyn saiu da proteção da parede do banheiro. O olhar dela passou primeiro pelo homem que havia acabado de derrubar… e então pelo corpo que Brigitte já tinha colocado no chão.
— Grrr…
O som escapou entre os dentes cerrados quando ela viu o corpo já caindo. Por um instante o olhar dela se estreitou na direção de Brigitte, irritado.
Então um movimento surgiu atrás dela. Outro capanga havia dobrado o corredor pelas costas, levantando o rifle e apontando direto para sua nuca.
— Ei, tu! Fèr-
Uma estaca de gelo explodiu do chão atrás dela com um estalo brutal. Ela nem chegou a se virar. A ponta atravessou o abdômen do homem e o ergueu alguns centímetros antes de deixá-lo cair de lado, o rifle escorregando dos dedos sem força. Só então que Evelyn virou a cabeça para trás, apenas para ver o corpo do capanga que havia derrotado.
Depois, virou a cabeça de volta para Brigitte, lançando um olhar curto e superior — como se estivesse dizendo que aquilo era o mínimo de força que ela tinha.
No segundo seguinte, ela já estava caminhando pelo corredor, procurando o próximo alvo. O olhar subiu naturalmente na direção das escadas metálicas que levavam ao segundo andar. Pensou na chance de ter mais capangas lá em cima. Não esperou mais nem um segundo e avançou.
Brigitte observou Evelyn se afastar com aquela mesma energia irritada e silenciosa. Não havia palavras de provocação, nem comentários. Mas a forma como ela avançava pelo corredor deixava algo muito claro.
“Até parece que ela tá num tipo de competição…”, pensou.
Brigitte soltou um pequeno suspiro pelo nariz.
— Aiai… Ela começou.
Ela então virou a cabeça de volta para dentro do banheiro, apenas o suficiente para que tivesse contato visual com os três. Ali, viu Niko e Gwen levantados, a garota ainda sentada, dando leves espasmos — parecia estar chorando.
— Eu vou atrás da Evelyn. — disse, apoiando uma das mãos no batente da porta. — Vocês fiquem aqui mesmo. É mais seguro.

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