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    Hyandra lançou Evelyn contra a parede com uma força brutal. O impacto rachou o gesso e abriu um buraco largo, arremessando a elfa para dentro de um novo cômodo — uma sala de estar decorada com sofás largos, cadeiras de veludo, espelhos e quadros antigos. Ao centro, uma mesa de vidro circular repousava sobre um tapete. Havia também uma lareira entre dois quadros amarelados pelo tempo.

    Fragmentos da parede ainda caíam em nuvens de poeira. Hyandra atravessou a abertura, pisando no solo de maneira imponente, como forma de reforçar a própria dominância. Evelyn, tossindo, já se erguia devagar, limpando o sangue do canto da boca com as costas da mão.

    Seus olhos se encontraram com o da mulher.

    — Nada mal… — murmurou Evelyn. — Só espero que isso não seja tudo que você sabe fazer.

    Hyandra, parada à entrada, respondeu com uma expressão que mesclava exaustão e pesar.

    — Eu não quero lutar contra você. Por favor… — seus olhos baixaram por um instante. — só vamos acabar com isso. Essa luta não tem sentido algum.

    — Você está ligada com o passado do Niko. — interrompeu a elfa, seca. — Me desculpa, mas enquanto não me disser quem são “eles”, isso não termina aqui.

    — Me desculpa, mas você não pode saber disso… Você e Niko precisam sair daqui agora. Vão para o mais longe possível. Antes que seja tarde.

    Evelyn cerrou os punhos — raiva e determinação pulsavam sob sua pele trêmula.

    — Desculpa, dona. Mas isso não vai rolar.

    Evelyn partiu para cima em uma investida. Sua Alma pulsou, formando assim um imenso porrete de gelo e o desceu com fúria sobre a cabeça de Hyandra, um ataque de cima para baixo.

    A mulher apenas se moveu um passo para o lado. O golpe atravessou o ar e esmagou o chão. Sem perder tempo, a elfa girou o corpo e lançou um novo ataque horizontal — mais uma vez, a Lady apenas se inclinou, desviando como se antecipasse o movimento.

    Frustrada, Evelyn congelou o chão da sala. Gelo avançou sob os pés de Hyandra, prendendo-os no lugar. Duas estacas surgiram do solo em seguida, investindo direto contra as pernas da mulher.

    Mas, antes que a tocasse, Hyandra saltou para trás com uma leveza absurda, quebrando o gelo com um único impulso. As estacas colidiram entre si, estilhaçando-se com violência.

    — O quê…?! — exclamou Evelyn, incrédula.

    Ela esticou a mão. Um projétil de gelo se formou entre seus dedos e foi lançado com velocidade letal — capaz de quebrar o crânio de qualquer pessoa. Hyandra desviou com um movimento mínimo, como se já soubesse a trajetória.

    Irritada, Evelyn correu lateralmente e moldou quatro adagas de gelo entre os dedos — afiadas, leves, parecidas com as de Niko — e as lançou em sequência. Hyandra levantou uma única mão. Um gesto seco afastou todas como se fossem folhas ao vento.

    Era como se estivesse zombando dela. Cada movimento de Hyandra parecia calculado, limpo demais, quase desinteressado. Como se estivesse lidando com uma criança birrenta em vez de uma oponente real. Aquilo fez Evelyn franzir a testa de raiva.

    — Para de se esquivar e luta de verdade comigo! — gritou a elfa, com dentes cerrados.

    — Eu não vou lutar a sério. — a voz de Hyandra estava baixa, mas firme. — Por favor… percebe que isso não precisa acontecer. Vamos parar com a luta.

    — Isso só vai parar quando você abrir a boca e contar a verdade!

    Evelyn pisou com força. A sala congelou por completo. O gelo cobriu o chão, o teto e as paredes — consumindo até a lareira, apagando o fogo. O ambiente ficou opaco, refletindo tons brancos e azuis, como se refletisse o interior da Alma da elfa.

    Em um gesto violento, Evelyn ergueu a mesa de centro e a arremessou contra Hyandra. Ao mesmo tempo, uma dúzia de estacas de gelo surgiram do teto, das paredes e do chão, todas indo em direção à Hyandra, que estava presa no mesmo lugar.

    A Lady seria atingida. Isso era um fato. Era impossível qualquer pessoa desviar de um ataque desses…

    No instante seguinte, com um estalar de dedos, tudo derreteu. O gelo, as estacas, até a mesa vaporizaram com um único som. Um denso vapor quente subiu, abafando a visão e cobrindo o cômodo com um cheiro forte de água fervente.

    Então, chamas carmesins acenderam. Elas brotaram lentamente pelo corpo de Hyandra — nas pernas, braços e até parte do rosto. Mas ela não estava queimando. As chamas apenas a envolviam como uma extensão natural da sua presença.

    — …A Alma da família Ignis? — murmurou Evelyn, dando um passo instintivo para trás.

    Hyandra caminhou sem pressa até a lareira extinta. O gelo e a neve da sala derretia sob seus pés. A mulher levantou as mãos e puxou um objeto quase do tamanho do próprio corpo: uma espada colossal, de duas empunhaduras, guarda-mão largo e pequenos ganchos no cabo superior. Era uma Zweihänder de proporções monstruosas.

    Ela apoiou a lâmina no ombro, passando atrás da nuca, com uma facilidade quase casual.

    — Eu não queria fazer isso — disse com pesar. — Mas você não está me dando outra escolha. Última chance: leve o Niko e vão embora agora. Vão enquanto ainda podem.

    — Já te falei. — Evelyn estreitou os olhos. — Eu não saio dessa casa até você me contar o que queria dizer no jantar.

    — Isso é uma pena…

    Hyandra finalmente avançou. Era sua primeira ofensiva — e ela carregava a espada sozinha como se fosse leve. Evelyn pulou para o lado, sentindo o calor da lâmina queimar o ar. O golpe passou a centímetros e destruiu a mobília atrás dela com um estrondo.

    Faíscas voaram, iluminando o ambiente escurecido. A espada ficou cravada no que sobrou de um armário. Hyandra a puxou de volta com um giro, repousando-a novamente no ombro.

    O calor agora distorcia o ar ao seu redor, tremulando como miragens. Parecia que a própria casa reagia à sua presença, como um organismo sendo queimado por dentro.

    Evelyn sentiu o suor escorrer por toda sua pele — suando pela mistura de calor e agitação. Ainda assim, não cedeu. Mordeu o lábio inferior, com os olhos fixos.

    — Pelo visto essa casa inteira vai virar cinzas antes de você me dar uma resposta. — provocou.

    Hyandra não respondeu. Apenas a encarou com frieza, antes de deslizar para frente em um movimento ágil, com a espada em punho.

    Evelyn reagiu por instinto, conjurando uma parede de gelo sólida entre elas. Mas a lâmina de fogo atravessou como se aquilo fosse nada. A estocada rasgou a barreira e atingiu o braço esquerdo da elfa de raspão.

    Ela recuou, grunhindo de dor. O calor queimou o tecido do casaco e fez sua pele arder. Mas ela se manteve de pé.

    O ambiente já era pequeno demais para esse tipo de confronto. A cada golpe de Hyandra, móveis eram destruídos, as paredes ruíam, e as chamas ficavam mais intensas. A fumaça preenchia o ar, tornando cada respiração uma tortura.

    Tenho que tirá-la daqui”, pensou Evelyn, ofegante.

    A elfa correu em direção à porta dupla ao lado da lareira, criando um jato de gelo para trás como distração.

    Hyandra avançou sem hesitar. Em um único golpe vertical destruiu a parede congelada atrás da elfa. O impacto rachou o chão, partindo a madeira.

    Evelyn atravessou a porta com o corpo, mergulhando no corredor principal. Uma onda de calor soprou atrás dela, seca e opressiva. Ela não precisou olhar para saber: Hyandra vinha logo atrás. E estava pronta para carbonizá-la.

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