Capítulo 757 – Governador de Guilin
『 Tradutor: Crimson 』
11º dia do 11º mês, Ouyang Shuo terminou sua inspeção pelas três prefeituras de Lingnan e partiu em direção à Prefeitura de Guilin. Como utilizaram apenas estradas oficiais, avançaram com grande rapidez.
Em três dias, Ouyang Shuo e seu grupo chegaram à Cidade Chiyou.
No 10º mês do ano anterior, o exército da Cidade Shanhai havia esmagado o Exército de Chiyou na fronteira da Prefeitura Wuzhou, matando Chiyou. Ouyang Shuo despertou sua linhagem e também foi coroado como Rei Bárbaro.
Naquela época, Wuzhou não era nada pacífica — havia forte hostilidade no ar. Os nobres bárbaros da montanha desfrutavam de privilégios excessivos, enquanto a população humana era escassa. A economia era extremamente atrasada, um verdadeiro caos.
Foi nesse contexto que Fan Zhongyan foi nomeado, deixando o cargo de Diretor de Administração para ajudar Ouyang Shuo a governar a Prefeitura Wuzhou.
Um ano se passou, e Wuzhou estava completamente transformada.
Durante toda a viagem, Ouyang Shuo viu han e bárbaros da montanha convivendo em harmonia. Em alguns condados, chegou a ver homens bárbaros casando-se com mulheres han.
Wuzhou foi uma das primeiras regiões a implementar a estratégia de cultivo de amoreiras e criação de bichos-da-seda. Ao longo das estradas, era possível ver fileiras de amoreiras.
Até mesmo os bárbaros adotaram práticas agrícolas han, aprendendo a cultivar amoreiras e criar bichos-da-seda.
A prefeitura também aproveitou as “cem mil montanhas” para desenvolver a indústria de ervas medicinais. Segundo o Departamento de Planejamento Industrial e Desenvolvimento, Wuzhou tornou-se o maior fornecedor de ervas para o Departamento Médico.
Para a implementação do sistema básico de saúde do território, Wuzhou desempenhou um papel essencial.
A população vivia bem, e a região era ordeira e pacífica.
Em todos os aspectos, Fan Zhongyan havia feito um trabalho excepcional — como um verdadeiro mágico, transformando a região em apenas um ano.
A importância dos oficiais civis para um território ficava evidente através dele.
Para que a Cidade Shanhai consolidasse seu poder em apenas meio ano, muito se devia ao trabalho dos governadores.
Por isso, Ouyang Shuo decidiu permanecer um dia em Wuzhou. Além de encontrar Fan Zhongyan, precisava lidar com assuntos relacionados aos bárbaros da montanha.
Como Rei Bárbaro, ele não vinha cumprindo bem suas funções — era apenas sua segunda visita à Cidade Chiyou após tanto tempo.
…
Cidade Chiyou, Mansão do Lorde.
Acompanhado por Fan Zhongyan, Ouyang Shuo inspecionou a vida da população. Por onde passava, causava grande comoção — multidões enchiam as ruas.
Na Cidade Chiyou, esse Rei Bárbaro possuía um prestígio extraordinário. Para os bárbaros da montanha, o retorno do rei era um evento de enorme importância.
Aproveitando o tempo livre, Ouyang Shuo reuniu-se com os oficiais da prefeitura para incentivá-los e agradecê-los. Segundo o Diretor de Administração Xiao He, os funcionários vindos de Wuzhou estavam entre os três melhores de todo o território.
Das centenas de oficiais enviados para a Prefeitura Lingnan, cinquenta vieram de Wuzhou.
Bastava pensar um pouco para entender o motivo: Fan Zhongyan, o antigo Diretor de Administração. No quesito formação de talentos, ele era realmente excepcional.
Ao meio-dia, Ouyang Shuo aceitou um banquete oferecido por vários grupos de ervas medicinais — organizações extremamente ricas e influentes dentro do território.
Eles eram capazes de determinar, sozinhos, os preços das ervas no mercado.
Naturalmente, Ouyang Shuo precisava dar atenção a esses “deuses da fortuna”.
À tarde, ouviu os relatórios da prefeitura. Foram duas horas que pareceram uma tortura.
Depois disso, reservou um tempo para conversar pessoalmente com Fan Zhongyan.
Na sala de leitura, Fan Zhongyan estava visivelmente emocionado.
Não era de se admirar — Ouyang Shuo havia elogiado amplamente seu trabalho e o desempenho da prefeitura. Para um oficial civil, receber reconhecimento direto do soberano era uma grande honra.
“Xiwen, você já pensou em mudar de ambiente?” perguntou Ouyang Shuo, de forma surpreendente.
Durante a viagem, ele vinha refletindo sobre quem deveria assumir o cargo de governador da Prefeitura de Guilin. Xiao He já havia enviado uma carta pedindo uma decisão rápida, para que a região pudesse começar a funcionar adequadamente.
O primeiro nome considerado por Ouyang Shuo estava em Xingzhou, em uma posição estratégica demais para ser substituído.
Diante disso, restava escolher entre os demais candidatos.
Guilin possuía uma importância estratégica enorme — até maior que a da Prefeitura Shaozhou, em Lingnan. Além disso, havia sido governada por duas cidades-estados durante um ano, tornando a situação extremamente complexa.
Por isso, Xiao He recomendou que o novo governador fosse escolhido entre os atuais governadores.
Ouyang Shuo apoiou a sugestão. Embora as duas cidades-estados tivessem chegado a um acordo com a Cidade Shanhai, a cordialidade superficial não conseguia esconder as tensões ocultas.
A viagem de Ouyang Shuo também tinha como objetivo firmar acordos com essas cidades-estados.
Mesmo a Cidade-Estado de Chuanbei, que foi a primeira a aceitar o ramo de oliveira, não retornou ao seu território, permanecendo na fronteira sul.
O significado por trás disso não precisava ser dito.
Ambas as cidades-estados desconfiavam da Cidade Shanhai. Todos sabiam que a chamada reconciliação não passava de um jogo de forças imposto pelas circunstâncias.
No futuro, qualquer movimento poderia transformar a Prefeitura Guilin em um campo de batalha. Não era exagero dizer que Guilin era o pilar do norte do território.
Uma posição estratégica como essa exigia um governador forte, capaz de cooperar com o Corpo da Legião Leopardo na preparação e defesa militar.
Fan Zhongyan, Tian Wenjing e Bao Shuya — três governadores experientes — tornaram-se os principais candidatos de Ouyang Shuo. Ele precisava escolher um entre eles.
Sem dúvida, Fan Zhongyan era uma excelente escolha.
Tian Wenjing, modelo de governador da dinastia Qing, também era altamente qualificado. Como o primeiro governador do território, possuía vasta experiência e habilidade.
A grande Prefeitura Qiongzhou prosperava sob sua administração. Graças às indústrias naval, de sal, madeira e especiarias, tornou-se uma das regiões mais ricas, com receitas superiores até mesmo à recém-reorganizada Prefeitura Lianzhou — ficando atrás apenas da própria Cidade Shanhai.
Com a expansão do comércio marítimo, Qiongzhou estava prestes a atingir um novo patamar.
Sob sua liderança, o povo Li deixou as montanhas e passou a viver nas planícies. Como negociador com os bárbaros da montanha, Tian Wenjing demonstrava habilidade ainda maior que Fan Zhongyan no trato com povos nativos.
Além deles, Bao Shuya, governador da Prefeitura de Xunzhou, também era uma escolha sólida — inclusive sendo o recomendado por Xiao He.
Antes de Xunzhou, Bao Shuya governava Leizhou. Ao assumir Xunzhou, encontrou uma região devastada pelo País Taiping.
Em menos de meio ano, conseguiu restaurar praticamente toda a ordem. Além disso, Xunzhou era vizinha de Guilin, o que lhe dava conhecimento profundo da situação local e boa coordenação com a Legião Leopardo.
Esses fatores explicavam a recomendação de Xiao He.
Os três eram candidatos ideais — o que tornava a escolha extremamente difícil.
Somente após revisar a situação de Wuzhou, Ouyang Shuo tomou sua decisão: escolher Fan Zhongyan.
Não por falta de mérito dos outros, mas porque Wuzhou já estava estável e não dependia mais diretamente de Fan Zhongyan.
Qualquer governador competente conseguiria manter seu funcionamento.
Já Qiongzhou e Xunzhou ainda necessitavam de seus respectivos líderes. O comércio marítimo de Qiongzhou estava em um momento crucial, enquanto Xunzhou desempenhava papel essencial na ligação com a Província de Chuannan e no apoio à Legião Leopardo.
Por esses motivos, Fan Zhongyan saiu vitorioso nessa disputa.
…
Ao ouvir a pergunta de Ouyang Shuo, o coração de Fan Zhongyan não pôde deixar de se agitar. Se não fosse por sua calma natural, teria demonstrado sua empolgação imediatamente.
Não era que estivesse insatisfeito com sua posição atual, mas o cargo de governador de Guilin envolvia responsabilidades enormes.
Ele já conhecia a dificuldade de administrar a região.
Como primeiro Diretor de Administração do território, já havia liderado todos os oficiais civis. Também ouvira que, durante a integração com a Prefeitura Kunming, Ouyang Shuo cogitara a criação do cargo de Governador Provincial.
Entre as três províncias, Yunnan certamente ficaria com Bai Hua. As outras duas posições eram altamente cobiçadas.
Especialmente o cargo de Governador da Província Chuannan — equivalente a um Vice-Rei diretamente subordinado — um dos postos mais importantes.
Recentemente, rumores diziam que o futuro governador de Chuannan seria escolhido entre os atuais governadores de prefeitura.
Por isso, a nomeação para Guilin era crucial.
A situação era clara: Guilin desempenhava um papel-chave em Chuannan. Administrá-la bem seria uma prova decisiva de competência.
Isso garantiria enorme vantagem na disputa pelo cargo de vice-rei.
Alguns até diziam que o escolhido para governar Guilin seria o principal candidato ao governo de Chuannan.
Mesmo alguém tão equilibrado quanto Fan Zhongyan não pôde evitar sentir o impacto desses rumores. Não era ambição desmedida, mas algo natural para alguém formado na tradição da dinastia Song.
“Majestade, deixo isso sob sua decisão.” disse Fan Zhongyan.
Ouyang Shuo observou profundamente seus olhos. Ele já tinha conhecimento desses rumores. Shen Buhai havia sugerido investigar sua origem, mas Ouyang Shuo recusou.
O cargo de vice-rei era vital para o núcleo do território, exigindo extrema cautela. Aqueles rumores eram imaturos demais para merecer atenção.
Ainda assim, Ouyang Shuo viu nisso uma oportunidade de incentivar uma competição saudável entre os governadores.
Por isso, optou por não interferir nem revelar suas intenções.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.