Track 29. 彼は友達

Track 29. 彼は友達
N.T. Kare wa Tomodachi (Ele é meu Amigo)
Em uma cabana isolada, longe de onde as meninas estavam, havia movimentação. A construção, feita de madeira resistente, exalava um aroma que cobria o ambiente. A iluminação amarelada era aconchegante e a lareira mantinha o calor. Os móveis em estilo colonial faziam uma composição agradável junto aos tapetes e outras decorações.
O som do chuveiro quente jorrando água foi cessando aos poucos. A mulher, que estava no banho, se vestiu e foi até a sala, onde parou encarando seu companheiro que estava sentado no tapete.
— E então, Heidi. Melhor agora que está descongelada e saindo de um banho quente? — disse o homem alto, olhos cor de âmbar, que possuía o corpo tatuado com um grande dragão. Usava apenas uma calça preta larga, e a observava com um sorriso.
— Mais ou menos. Qual o seu problema, Aiden? Você era muito mais forte que elas. — falava a mulher, a mão apoiada em seu quadril, e com seu tom de voz ríspido. — Por que saiu? Por que não as eliminou?
Ela era alta, cerca de 1,70 m, cabelos longos, castanhos e olhos em azul acinzentado. Vestida em um collant de mangas, que possuía aberturas na parte do abdômen e era fechado em fivelas.
— Porque não fazia parte da missão — respondeu Aiden, voltando sua atenção para o objeto em suas mãos.
Heidi e Aiden haviam sido os responsáveis pelo ataque na cachoeira, e agora repousavam seguros próximo ao local.
Ela estranhou escutar aquelas palavras vindas de seu companheiro de batalha. Colocou-se à frente dele, se abaixando, apoiando-se nas mãos e joelhos, deixando o rosto na altura do dele e o encarando seriamente.
— Qual é o problema de vocês? — provocou com deboche. — Todo o grupo da Maureen é assim? São excelentes guerreiros, podiam conquistar reinos, terras…
— Nós somos guerreiros, não assassinos — pontuou, interrompendo a fala dela, seu tom de voz não amigável.
Os olhos de Heidi mudaram de direção e se dirigiram ao objeto nas mãos de Aiden. Ele segurava um livro com diversas imagens de desenhos de músculos e proporção humana, o que a deixou curiosa:
— E o que você está lendo? — perguntou, encarando o livro com desdém.
— Ah… — ele abaixou um pouco o objeto que segurava para ela poder ver. — É um livro de artes deste planeta. Achei interessante, os que encontrei em Finalia estavam todos destruídos.
— Ah! Então você é um artista. — A expressão séria da mulher deu lugar a uma certa curiosidade.
Heidi se colocou de joelhos, e começou a tocar no rosto e nos cabelos de Aiden, era como se analisasse um animalzinho. Tateando como se estivesse à frente de algo incomum.
— Não sabia que ainda existiam, que interessante. Não imaginei conhecer um.
— Vai me analisar como se eu fosse um espécime raro?
Foi então que os toques de Heidi pararam e se transformaram num abraço, o jeito misterioso daquele homem chamava sua atenção e ela seguiu com um beijo. Surpreendido com a atitude, Aiden colocou o livro ao lado e retribuiu as carícias da mulher. O sol estava se pondo ao horizonte, em um tom alaranjado, combinando com aquela tarde quente de outono.
Apartamento de Ren, 22 horas.
Sábado não era dia de dormir cedo. Sem compromissos para o dia posterior, os meninos decidiram relaxar, já que haviam trabalhado bastante na locadora naquela semana.
O cheiro de cerveja, salgadinhos e pipoca era parte do ambiente, e o programa da noite já estava decidido: jogar videogame.
Dylan estava na cozinha preparando pipoca e repondo os salgadinhos nas tigelas. Ren e Itzel estavam sentados no sofá, olhos fixos à tela da TV de tubo, jogando videogames antigos de cartucho. Kenta estava passando por trás do sofá, carregando sua garrafa de cerveja recém-aberta, quando encarou a escolha dos dois amigos.
— Vocês vão ficar jogando no videogame antigo? — debochou o jovem.
— Pô mano, cartucho é bem mais massa. — comentou Ren, sem tirar os olhos da tela.
Itzel permaneceu em silêncio, seus olhos atentos e sua posição, com tronco inclinado para aproximar mais o rosto da tela, indicava que ele procurava compreender mais sobre o objeto de diversão dos jovens terráqueos.
O interfone tocou, o som agudo e alto não passou despercebido. Como já estava de pé, Kenta foi atender. De poucas palavras, ele apenas escutou e assentiu com cada palavra que lhe foi dita. Ao final, apertou no botão de abrir e pediu para confirmar se havia funcionado, depois desligou o aparelho.
— Quem era, Kenta? — perguntou Ren, esticando o pescoço, lançando um olhar curioso.
— Amigo do Itzel.
— Amigo? — Itzel estranhou, naquela noite ele não esperava receber ninguém.
Ele se levantou do sofá, pausando o jogo e deixando o controle ali para ir até à porta atender o misterioso convidado. Abriu a porta lentamente, e então se deparou com uma figura masculina de 1,95 m de altura que sorriu para ele.
— Oi Itzel! Como vai? — cumprimentou.
— Aiden! Entre!
— Mano, o tamanho do cara! — comentaram Ren e Dylan, que estavam de olhos arregalados, com os rostos expressando espanto, encarando o homem.
— Ei, eu também sou alto. — reclamou Kenta, com seus 1,92m de altura.
— Pessoal, esse é o Aiden, meu amigo — apresentou Itzel.
Aiden deu apenas um oi e acenou com a mão enquanto entrava na casa. Logo ele voltou sua atenção para Itzel.
— Teria como eu passar uns dias aqui?
— Hum… estamos em quatro aqui… — Itzel começou a pensar no que poderia fazer. — Ren, que acha?
— Mano… eu até ia oferecer o sofá, mas não acho que ele vai caber. — respondeu Ren, imaginando Aiden deitado e sobrando quase o corpo inteiro para fora do móvel.
Dito isso, Itzel voltou a pensar em outra solução, que logo veio à sua mente:
— Posso ver como Maureen está no apartamento da frente. Iker tá ali também.
— Hummm, Maureen! Acho uma boa! — respondeu Aiden, animado.
— Fechado, depois vejo algo melhor para você.
Itzel acompanhou Aiden até o apartamento à frente, onde foi bem recebido por Maureen. A noite nos dois apartamentos seguiu, as missões pareciam estar em pausa e eles poderiam tirar um tempo para não pensar em nada.
Casa de Aino, 25 de abril, domingo
Localizada na rua que desce o colégio, e próximo à avenida principal da cidade, a Casa de Aino ficava numa esquina. Como a construção era feita nos limites do terreno, não havia muros nem grades, e as janelas costumavam estar sempre fechadas por questões de segurança.
A pequena casa amarela era marcada com uma faixa verde na parte de cima. Contrastava com a movimentada sorveteria da família, que ficava à frente. Seu quarto tinha espaço suficiente para ter uma cômoda com espelho, um guarda-roupa e uma cama de casal.
Aino e as meninas haviam voltado do passeio à Serra e cada uma já estava em sua casa. Mas, apesar do resto da viagem ter sido tranquila, a mente dela estava agitada. A situação que havia acontecido na cachoeira fez ela refletir sobre seu papel no grupo.
As decorações que ficavam no móvel dela, agora estavam na cama, elas haviam dado lugar a duas velas. Além disso, um balde cheio de água estava posicionado perto. O ambiente estava planejado.
Aproximando o rosto da cômoda, olhou bem para as duas velas, dando a última verificação antes de começar o que havia planejado. Finalmente tomou confiança, levantou e apontou o dedo em direção a um dos pavios e lançou suas chamas. O fogo direto e preciso, conseguiu acender o objeto com maestria.
— Opa! Um foi! — exclamou. Ela conseguiu controlar a intensidade com que lançou sua Potentia de fogo, sem causar danos ao lugar, cumprindo seu objetivo.
Era hora da outra vela. Tomou uma distância um pouco maior e levantou seu dedo indicador, repetindo o processo. Porém, desta vez, o resultado foi outro. As chamas acabaram saindo com mais intensidade que a anterior, atravessaram o pavio e começaram a caminhar pelas paredes e pelo móvel.
— AI MEU DEUS, PEGOU FOGO!
Desesperada, começou a andar de um lado para outro, quando, de repente, se lembrou do balde que havia trazido para esse tipo de emergência. Ela tomou o objeto na mão, apontou para o local que estava se queimando e jogou a água, sem nem pensar em quanto que seria necessário para resolver seu problema.
O problema havia sido resolvido em partes. A parede ficou toda encharcada e a cômoda pingava água. Provavelmente as roupas que estavam dentro também ficaram cheias de água.
Mas Aino nem iria verificar, sentou na ponta da cama, cabeça baixa, mãos trêmulas segurando o lençol.
— Deu por hoje. Já acendi uma vela, já quase toquei fogo no quarto… — murmurou em voz chorosa.
O silêncio fez-se presente naquele quarto. Seu olhar estava perdido no vazio e algumas lágrimas escorreram de seu rosto, naquele momento ela apenas queria esquecer tudo o que aconteceu.
28 de abril, quarta-feira, Choppub
A semana passou sem grandes novidades, finalmente dias de respiro para todos. E esta noite de quarta-feira não era uma noite qualquer.
O Choppub era um pub que havia sido inaugurado naquele ano na cidade e que já chamava a atenção tanto dos jovens, pelos drinks e pela estética moderna e música atual, quanto dos mais velhos, com culinária refinada e chopp das melhores cervejarias.
O lugar oferecia área externa à luz das estrelas, e um espaço interno para os dias de frio, sempre iluminado e confortável. Cardápio diferenciado, trazia tanto buffet como também pratos à la carte. Para os que gostavam de apreciar boas bebidas, o ponto chave do lugar era a mesa do bar, onde o barman criava drinques na hora para os clientes mais ousados.
Mas esta noite, este lugar seria o palco de um evento especial! Chegando ao local estavam Dylan e Ren abraçados em Itzel, e Kenta, mais afastado, mas acompanhando.
— Chegamos! — comemorou Ren, com um braço acenando ao alto e o outro agarrado no pescoço de Itzel.
— Por que me arrastaram pra cá? — perguntou Itzel com sua pose desconfortável. Seu tom de voz aparentava que ele já tinha ideia do que se tratava, mas tentava acreditar que talvez estivesse errado.
— Pra comemorar! — respondeu Dylan.

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