Track 28. つめたくしないで

N.T. Tsumetaku Shinaide (não seja fria comigo)
As meninas olhavam para as criaturas que se moviam na superfície da água e se perguntavam do que se tratava. Mesmo para as antigas habitantes de Utopia, acostumadas à vida toda com Potentia, aquela era uma situação completamente nova. Seus olhares encaravam aquilo, assustadas, corpos imóveis, tentando compreender do que se tratava.
Miyu ergueu suas mãos e formou vinhas, levando-as até os animais estranhos e vendo como se comportavam. As plantas subiram e atravessaram os animais, da mesma forma que fariam com a água.
— É feito de água mesmo. As vinhas passam sem nem afetar. — concluiu.
— Bom… isso significa que posso dar jeito neles. — afirmou Yukino, observando as criaturas. — Mas o que será que eles realmente são?
Em meio a essa contemplação silenciosa, num sobressalto, o pequeno dragão se jogou em direção à Miyu. O movimento brusco fez com que ela se assustasse.
Yukino se adiantou e rapidamente lançou um golpe de gelo que congelou o dragão no ar. Miyu seguiu espantada. O animal, agora como uma pedra, caiu no chão rochoso e espatifou-se, espalhando seus pedaços.
Os borbulhos do rio começaram a ficar mais frequentes. Um a um, dezenas de dragões peixes apareceram. O rio estava lotado deles, que encaravam as meninas. No entanto, agora elas sabiam que seriam atacadas a qualquer momento.
— AH NÃO, TÁ APARECENDO MAIS DELES! — disse Akiko, espantada.
— A GENTE NÃO VAI DAR CONTA DISSO TUDO! — exclamou Minami.
Yukino não disse uma única palavra, apenas formou mais de sua Potentia nas mãos. Mirando na grande concentração de criaturas, ela lançou uma quantidade expressiva de ar gelado, causando congelamento de todas, além de boa parte do rio.
As meninas olhavam para a água congelada, estavam atentas para saber se haveria mais surpresas.
“Mas… A Yukino… É tão forte assim?”, pensou Aino, que até então estava se esquivando de todas as situações envolvendo Potentia. Naquele momento ela havia percebido que não havia como fugir, o destino a havia colocado junto das demais.
— Já deu? Não vão se mexer mais, né? — perguntou Minami.
Do meio das plantas, uma rápida movimentação aconteceu. À frente de Minami, surgiu um homem alto, de cabelos longos negros, com partes trançadas. Era possível ver uma enorme tatuagem de Dragão contornando seu corpo, mas não era possível determinar onde ela terminava.
Como se a situação já não fosse assustadora o suficiente, a garota agora se via com um homem suspeito a encarando. No susto, Minami lançou sua Potentia de Luz, que reluziu pelo ambiente.
— Humm… Essa não é muito forte. — O homem colocou a mão no rosto para proteger os olhos, mas não se mostrou muito incomodado.
Ele estalou os dedos e vários pequenos dragões de água se formaram e rapidamente se jogaram para atacar a garota, que se assustou com ele ter conseguido gerar monstros seguidamente.
— MINAMI! EU TE AJUDO! — Rapidamente Aino se colocou à frente de sua amiga. Ela estendeu a mão em direção às criaturas e lançou fogo neles.
As chamas atingiram em cheio e fizeram parte do dragão evaporar. Porém, as chamas de Aino não eram fortes o suficiente, a área que evaporou foi mínima, e a criatura logo retornou à forma original.
“ A minha Potentia… Não fez nada…”, pensou a jovem.
Enquanto isso, vinhas contornaram e prenderam rapidamente o homem alto, que virou o rosto em direção à Miyu e comentou:
— Você é um pouco mais forte que as outras!
“Ele tá só… testando a gente?”, pensou Miyu.
— AHHHHHHHHHHHHHHH! — o grito de Aino ecoou e chamou a atenção de todos que estavam presentes. — SOCORRO! VOU ME… AFOGAR!
As meninas se depararam com a cena de Aino sendo carregada por uma grande massa líquida que a puxava pela perna, para dentro do rio. Pensando em se tratar de outra criatura feita de água, Yukino se adiantou e lançou uma grande quantidade de Potentia de gelo que percorreu rapidamente o caminho e chegou ao alvo.
A massa líquida foi se solidificando, até se congelar por completo. Aparentemente disforme, foi tomando a forma de uma mulher alta.
A transformação do estado líquido para sólido fez com que a perna de Aino escorregasse, a deixando livre da armadilha.
“Mas… foi… Yukino!?”, ela pensava enquanto olhava para a estátua de gelo. Sua prima havia se desenvolvido significativamente em pouco tempo e já era capaz de congelar grandes áreas.
Yukino concluiu rapidamente que aquela era outra inimiga. Ela se posicionou e começou a correr em direção à mulher, pronta para dar um ataque mortal. O homem, que estava preso às vinhas, viu a movimentação e se soltou, arrebentando as plantas com suas mãos.
Ele foi capaz de chegar antes de Yukino, e, com um sorriso simpático, estalou os dedos, lançando uma quantidade ainda maior de animais, que foram para cima de Yukino, bloqueando sua visão. Ela novamente os congelou, eles caíram no chão e sumiram.
Ao olhar para frente, percebeu que seu oponente não estava mais no local, nem mesmo a estátua. Ele demonstrou não ser apenas habilidoso e forte, mas também ágil e preciso.
— Mas… por que essa galera só foge? — indignou-se Yukino, que olhava para os lados, inquieta, tentando encontrar algum rastro dos inimigos.
— Yukino! Você tá muito forte! — comentou Akiko.
— Então… isso que é uma batalha com Potentia? — perguntou Minami.
Miyu foi até Aino e a ajudou a se levantar. Ela se abaixou e estendeu sua mão, para que sua amiga pudesse se apoiar em seu braço e seu ombro, e ter mais tranquilidade para se levantar.
— Tá bem, Aino? — perguntou.
— Tô sim! — respondeu um pouco zonza.
Apesar do susto, a jovem estava apenas encharcada de água, não havia sinais de ferimentos. Esse pelo menos era um problema a menos para se preocuparem. Todas estavam sãs e salvas. Foi então que Miyu olhou para Yukino, retomando o comentário que ela havia feito anteriormente:
— Eu acho que foi melhor assim, aquele homem parecia não estar mostrando tudo o que podia. Acho que ele era bem forte.
— Tudo bem… faz sentido… mas agora eu tenho outra pergunta — disse Yukino.
A estudante se virou e dirigiu seu olhar, à sua prima, Aino. Ela parecia estar incomodada, suas sobrancelhas estavam semicerradas e olhos queimando de raiva e indignação.
— Aino, desde quando você tem Potentia? — O tom de voz de Yukino não deixava dúvidas de que ela não havia gostado de ter feito a descoberta dessa maneira.
Aino sentiu sua espinha gelar. Seu olhar era de preocupação, ela conhecia sua prima o suficiente para saber que quando ela perguntava algo, faria de tudo para obter respostas. Akiko percebeu que ela não sabia responder e se colocou a explicar:
— Ah, Yuki! A Aino não disse nada porque ela só queria ser uma pessoa normal,…
— Ela tem boca, pode responder por ela mesma. — como uma espada afiada, ela cortou a fala de Akiko, que se espantou na hora.
A jovem Akiko, que estava animada, acabou também se espantando e não falando mais nada, ela nunca havia visto sua amiga falar de maneira tão séria e direta.
Em uma tentativa de mudar o rumo da conversa, Aino, que não queria receber nenhum tipo de crítica ou acusação, decidiu que iria inverter a conversa.
— Ah, não é hora disso Yukino! Não viu que eu acabei de ser atacada? — disse tentando se colocar como uma vítima.
— Não desvia o assunto. Você ficou sabendo dos ataques, não é? Vai ficar parada? Você já não toma atitude nas coisas do dia a dia… Mas isso que tá acontecendo agora pode matar todo mundo. Não vai ter vida comum! — respondeu com firmeza. Seu tom de voz era duro, ela não gostava que apelasse para as emoções durante uma discussão e acabava sendo mais ácida e realista que o normal.
— A VIDA É MINHA E EU FAÇO O QUE EU QUERO! — confrontou Aino.
— É óbvio que faz, mas não dá pra pensar só em você mesma. E depois choramingar que a vida é injusta. — devolveu Yukino.
— Ah, vai ver se eu tô na esquina, não me incomoda. — respondeu Aino.
— Ei, deu meninas. Acalmem os ânimos. Essa discussão não vai levar a nada. — incomodada com a desavença inútil, Miyu se colocou entre as duas.
O silêncio pairou entre as duas que antes discutiam, elas se encaravam, nenhuma daria o braço a torcer. O calor do dia parecia ir embora com os ventos gélidos que sopravam e deixavam a cena ainda mais tensa.
Foi então que Yukino decidiu ceder. Ela não pensou em momento algum que poderia estar errada, apenas não achou justo que ficassem ali.
— Vamos voltar para a pousada. — disse em tom seco, dando as costas ao grupo.
Pousada
No conjunto de cabanas, a Professora se encontrava na recepção da pousada. Estava preocupada com as meninas e estava se preparando para retornar à trilha, quando, de repente, Akiko, Aino, Minami, Miyu e Yukino apareceram à porta.
— Oh! — ela ficou surpresa, o alívio foi imediato. — Meninas! Onde estavam?
— Ficamos na cachoeira! Tava muito bom lá! — explicou Miyu.
— Mas… e aquelas coisas? Os donos disseram que eram peixes, mas… — perguntou, sua voz ainda estava um pouco trêmula.
— Eram peixes mesmo! Só que pulavam muito! — Minami foi rápida na desculpa.
— Entendi… Devo estar vendo coisas. É o cansaço da profissão. — por um momento, a Professora Mira ficou com vergonha por ter cometido aquela confusão. — Bom, vamos nos ajeitar para descansar, amanhã tem mais atividades.
As meninas se dirigiram às suas cabanas, assim como os demais estudantes já haviam feito. Akiko e Yukino estavam juntas em um quarto duplo. O quarto tinha uma cama grande e um armário para guardarem seus pertences. Além disso, também havia banheiro com chuveiro, onde poderiam tomar um banho quente e relaxante.
Ao entrar na cabana, Yukino pegou seu pijama e toalha e foi tomar banho. Depois de sair, foi a vez de Akiko tomar seu banho quente. Ela aproveitou para relaxar e deixar pra lá toda a confusão daquela tarde. Finalmente tranquila e quentinha, ela saiu do banho e se deparou com o quarto escuro, as luzes estavam apagadas.
“Yukino já foi dormir…”, pensou Akiko, “Que coisa… ela ficou chateada…”.
Ela se sentou na cama, tentou se segurar para não ficar desanimada, mas acabou um pouco tristonha. Tudo o que ela não queria era ver o grupo se desentendendo. Não muito depois ela se deitou e tentou dormir.
Yukino, que estava ao lado, na verdade ainda não tinha conseguido dormir. Ela apenas permanecia imóvel, refletindo o ocorrido.

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