Índice de Capítulo

    O local se diferencia pelo seu revelo, ao topo do monte que demarca o local, há uma pedra com o formato de uma cabeça de boi, que vigia toda a região da estepe abaixo, na qual vive o vilarejo da cabeça de boi, detém este nome por causa do monumento.

    O vilarejo passa por bons momentos com a natureza, a grama é alta, bom pasto para alimentar os bois, apesar de poucos, e de não serem únicos animais, a carneiros e cavalos, os bois tem a maior importância.

    A mercenária e o grupo do mestre errante se encontram na toca preparada para eles a mando do atual líder da vila. Hiro e Saikyo descansam, enquanto o mestre observa as ruas pela fresta da toca, já Haina afia suas flechas em uma pedra de amolar, a calma do restante deixa a caçadora indignada, e não demora muito para que ela reclame do ocio.

    — Vamos de pé, eles não dão dinheiro para a gente ficar parado, e sim para cumprir o serviço que não podem fazer com as próprias mãos, mostrem que podem me ajudar ao menos em algo.

    — Eu não vou fazer nada, vocês ficaram por sua conta e risco — diz Li Han, enquanto olha de forma discreta para Hiro. 

    — O que sensei, vai deixar a gente? — questiona Hiro, sem ser tão enfático.

    — Não precisam aceitar se não quiserem, vocês são responsáveis por si mesmo nesse tipo de situação — afirma o mestre.

    — Bom, é só sermos cuidadosos nesse caso, ou recusarmos — propõe Saikyo.

    — Eu gosto da ideia de trabalhar sozinha, mas como vou garantir que não me passem a perna  se não os manter por perto, vocês parecem ser membros do império investigando sobre a moça da recompensa — observa Haina, desconfiada e curiosa, tentada a arrancar respostas.

    — Nem pensar — afirma Hiro, evita mostrar nervosismo, mas falha. 

    — Tomem cuidado — indica o mestre.

    — O’ss — responde os alunos.

    Após um tempo quem chega na toca é o líder atual da aldeia, sua feição é de um homem destemido, já sua expressão mostra um homem abalado, em desespero, que segura as lágrimas e contrai a face. Suas vestes não denotam nenhuma grandeza, casaco e calças largos coberto de pelugem, botas de couro, em sua cabeça o adereço que o identifica, cornos de boi usados como uma tiara.

    — Olá, viajantes, é um prazer me apresentar. — O líder demonstra reverencia nas palavras e traduz nas ações ao se curva, voltado para Li Han o qual enxerga como líder do pequeno grupo. — Meu nome é Mytbek, eu sou o regente do vilarejo atual e quem emitiu a recompensa apesar de meu desejo ir contra o povo e o ancião da vilarejo. Espero que vocês tenham sucesso, muito obrigado por aceitarem está missão tão rápido, foram os primeiros e únicos até agora!

    — Ah espere, não fale comigo, são eles que vão cuidar disso — aponta Li Han para Haina e seus alunos. 

    — O arco das montanhas — observa Mytbek impressionado ao reconhecer o que está nas costas da caçadora. — Oh, ainda bem que venho alertado do extremo perigo, muitos vão contra minha decisão de contratar mercenários para cuidar do minotauro, não me responsabilizo pela vida de nenhum de vocês,  mas sou responsável pela vida de todos aqueles que me seguem, já devem saber que nenhum homem de nossa aldeia o enfrentou e saiu vivo, e a cinco anos nos curvamos a ele, creio que são capazes. 

    — Cinco anos, e ninguém mais tentou? — indaga Hiro sem conseguir crer na falta de coragem.

    — Ele nos deixou em paz, por um preço que na época achamos que era possível ser pago, até eu mesmo ser vítima! — descreve Mytbek, a situação trás um pesar enorme junto de vergonha. — Tenham cuidado ao entrarem na caverna! Preciso da cabeça deste monstro, se a opinião da aldeia continuar contra mim eu posso ser deposto, admito que fiz por motivos egoístas, mais eu não deixarei minha filha ir, se acharem pelo menos os restos dela, por favor, tragam para mim, teve que chegar minha vez, até eu perceber que ninguém merece passar por isso! — Mytbek em gesto de reverência ele se ajoelha na frente de Haina. 

    — Sua reputação é lendária, uma mulher respeita em meio ao trabalho de homens crueis, se for capaz de outro feito como os anteriores aqui em nossa vila, garanto vossa devoção.  

    O gesto do homem faz Haina pensar sobre a proposta, isso aumenta a sua motivação para sua caçada, o que estranha Hiro e Saikyo os faz se perguntar o que está havendo, o mestre observa, por compreender do que se trata, cria-se dentro de si uma admiração diante a garota, a qual pensou ser uma caçadora qualquer.

    De alguma forma, a garota se encontrou com as pessoas certas, pois apenas pessoas que já viram o inacreditável poderiam ser capazes de fazer frente o que há de enfrentar naquele vilarejo, que a cinco anos, teve seu símbolo pervertido a forma de um ser real, o monumento da natureza, que se tornou dos homens ao associarem com a figura de um animal, de um animal a uma divindade provedora de milagres, que com a presença do ser, passaram a ter um custo, alto demais para os corações de alguns, necessário para outros que não tinham a dor da perda. A divindade virou ser macabro redentor de uma ordem e previsibilidade brutal.

    A cada mudança de estação, o Minotauro desperta de seu descanso, e vem até o povo fazendo suas exigências, que lhes tragam uma jovem entre dezesseis a dezoito anos, por coincidência naquele verão a única garota com está faixa de idade era a filha de Mytbek, o atual líder da vila, que apesar de sua revolta, não pode ir contra a vontade do povo e o ancião local, a justificativa “A vontade dos tengris não pode ser contrariada’’, a esperança de Mytbek é a morte do Minotauro, pois “Tengris não morrem’’.

    Haina parte até a caverna montada em cima de seu cavalo, e com seu gato o cobertor em mãos, ela desce do cavalo, e fica a frente de Hiro e Saikyo liderando a missão. 

    — A poucos animais nesse mundo que vivem sem a luz do sol, mais não conheço nenhuma espécie de bovino — afirma Hiro, estende sua mão e aponta para as paredes da caverna, que fica dentro do monte. — Cobertor, se haver alguma entrada nos encontramos lá dentro, se não houver, nos encontramos na saída! — ordena a caçadora e seu gato de estimação prontamente obedece, o felino pula e com uma habilidade de um escalador, sobe as paredes a procura de uma entrada. 

    — Você faz parecer fácil ter essa conexão com os animais, como faz? — pergunta Hiro, intrigado com a habilidade da garota.

    — Em Khan, desde de criança temos contato com animais domésticos e selvagens, afinal eles são essenciais para nossa vida, e muitas vezes temos que nos deslocar com eles a muitas distâncias.  Mas a aqueles escolhidos pelos Natigais, eu nasci para viver entre os selvagens, por isso não gosto de trabalhar em equipe! — responde Haina, de forma áspera tentando manter distância.

    — Os animais que buscam sobreviver por mais tempo andam em bando — afirma Hiro, que é ignorado.

    Haina puxa tochas improvisadas da bolsa do cavalo, e fósforos, ao chutar o estômago de buxinho ele arrota, nesta hora Haina acende um fósforo e solta em frente a boca do cavalo, fazendo com que ele arrote fogo, o que serve para acender as tochas, ela joga uma para cada.

    — Vocês são tão amadores que nem se precaveram antes de vir, isso não serve apenas para poder enxergar, mas também afasta animais noturnos que podem tentar nos atacar, porém creio que não teremos este problema — observa a caçadora.

    — Obrigado! — agradece Hiro.

    — Tá bom, já parou de se amostrar? — questiona Saikyo, ainda desconfiada acerca das intenções de Haina.

    — Além de tudo são ingratos, pois saibam que se ficarem para trás o problema é de  vocês! — afirma a caçadora, se demonstra irritada com as dúvidas acerca dela.

    — Então pode ir em frente!— responde Saikyo, devolve na mesma proporção.

    — Ei Saikyo, não, ela conhece aqui, se separar seria imprudente! — argumenta Hiro, o garoto tenta ser o elo pacifico na discussão.

    — Estou farta Hiro! Se quer acompanhar essa troncha, a escolha é sua! — diz Saikyo, segue em frente deixando os para trás.

    — Eu não vou cuidar de ninguém, vocês que se virem, só não me atrapalhem! — diz Haina, que segue em frente.

    Deixado para trás, Hiro se vê sozinho, e com medo de entrar na caverna, mas em sua mente vem a preocupação que o faz não exitar em entrar e correr atrás de sua prima “Eu não posso ficar parado, a Saikyo pode ser forte, mas sozinha pode estar em perigo’’. 

    O terreno desconhecido faz com que os três se separem por caminhos diferentes e tortuosos. Hiro por conta de sua pressa, corre rápido demais o que apaga a chama de sua tocha, ele pensa “Oh droga, agora eu já não sei por onde voltar, vou ter que seguir em frente, até achar uma saída ou uma luz!”  

    A caverna tinha diversos labirintos tortuosos que levavam a lugar nenhum, paredes sem saída, mas havia um caminho que leva a um lugar onde o sol batia, e havia água abundante, lá se formava uma comunidade mulheres independentes que servem ao Minotauro, que descansa em seu trono sendo massageado, quando ele abre os olhos e sai de seu estado de relaxamento, todas as suas serventes ficam com medo. 

    — Minha contemplação será interrompida, depois de anos invadiram meu templo de consagração.

    A fala gera comoção, e as moças começam a se oferecer para ir atrás.

    — Quietas! O trabalho de vocês é servir — ordena o Minotauro e se levanta, com um gesto de sua mão atrai seu cajado até si. — Três invasores em meu território, separados, se eu tiver um, posso lidar com os três melhor.

    O Minotauro caminha até a passagem que leva aos labirintos das cavernas para descobrir quem são os intrusos. Saikyo anda rápido, e quando o arrependimento vem, ela começa a acelerar o passo “O que deu em mim? Meu temperamento sempre me faz arrumar confusão! Eu que costumo ser sempre a mais lógica, dessa vez deixei minha raiva falar, e deixei meu primo sozinho,  e aquela garota, ela foi rude, mas nos ajudou mesmo assim! Tenho que os encontrar!”. Saikyo começa a correr de forma impulsiva, assim sua tocha é apagada por conta do vento.

    — Ops! Mais espera, isso significa que aqui não é um  lugar totalmente fechado, mais agora eu estou sozinha no escuro! — nota Saikyo, este começa de solidão a faz andar com medo e receio, até que ouve um miado, e esbarra no gato. — “Cobertor’’ é você, vem cá!

    Saikyo ao tentar abraçar o gato, tem a certeza de que se trata de ser o “Cobertor”, pois é recepcionada com hostilidade e tem seus braços arranhados.

    — Agha! Gato travesso! — reclama a garota, o gato corre. — Vai mesmo. — ordena, mas, se arrepende ao olhar em volta e ver tudo escuro, então fica o medo retorna junto da solidão, o que a faz correr atrás do gato. — Volta aqui, certeza que você não quer ficar sozinho!

    Correndo atrás do gato Saikyo em certo momento acaba por esbarrar em Haina, o que faz a caçadora cair no chão, e por pouco sua tocha não apaga também, Cobertor pousa em cima do peito da arqueira. 

    — Sua imbecil, o que tem na cabeça! — reclama Haina, ao levantar sinaliza hostilidade no olhar.

    — Me desculpa, minha tocha apagou, e eu segui o gato pois estava perdida — diz Saikyo enquanto ajuda a caçadora a se levantar.

    — Então tem alguma coisa nessa cabeça pelo visto, bem como eu pensava, se ele entrou é porque tem algum lugar aqui a céu aberto onde entra luz, venha, ele vai nos mostrar o caminho! — explica Haina acerca de sua estratégia.

    — Espere, e enquanto ao meu primo? — questiona Saikyo.

    — É o único lugar que marcamos, então ele deve nos encontrar lá de alguma forma, não podemos perder tempo, sinto algo se aproximando, vamos — ordena a caçadora, em seguida  joga o “Cobertorzinho” no chão, e o gato segue guiando o caminho.

    — Certo, espero que Hiro fique bem! — comenta Saikyo, desta vez segue a arqueira. — É minha impressão ou aqui está ficando mais claro?

    — Não é impressão! — afirma Haina.

    Enquanto Hiro caminha, ele tem uma observação oposta às da garotas “É minha impressão ou aqui está ficando mais escuro?’’. Apesar da cautela do Minotauro, Hiro consegue ouvir ele se aproximando, o tamanho dele não o ajuda a ser furtivo, o garoto fica atento, mais não consegue escapar de ser alvo do ataque do cajado do Minotauro, que bate no chão liberando uma onda de choque que racha as pedras, e se espalha pela área acertando o garoto jogando no chão.

    — Sua sorte é que no escuro, eu não consigo ver se é homem ou mulher! — declara o Minotauro, ele se aproxima do garoto, e ergue sua perna para esmagar a cabeça do garoto, ao executar o movimento se ouve um estalo. — Seu corpo vai servir para atrair o restante. 

    Hiro segura sua respiração, encoberto de medo ele paralisa, mais isso o ajuda a se fingir de morto, ele sente dores em todo o seu corpo, e pensa “Eu bati minha cabeça forte, acho que está sangrando, a droga, nunca fiquei tão tonto, mais ainda bem que eu não larguei a tocha, ela serviu para ser esmagada! É irônico, como o som de um galho quebrando, parece de um pescoço’’.

    O Minotauro agarra o pé de Hiro com tamanha força que o desloca, o garoto sente muita dor, se contém para não soltar um grito, tamanho esforço faz seus olhos ficarem vermelhos e as veias da cabeça incharem. O Minotauro ao abrir sua boca faz com que as trevas se espalhem para os lados, assim abrindo passagem à luz no caminho.

    Hiro consegue observar a diferença de iluminação mesmo com os olhos quase completamente fechados, vê na caverna algo similar ao que há fora, uma comunidade que cultua o mesmo ser.

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