As águas do Mar de Caos eram diferentes de qualquer outra em Nipeland. Não havia estrelas para iluminar o céu acima, nem ondas que seguissem um ritmo natural. Ali, o oceano parecia estar vivo, pulsando com energia antiga e imprevisível. Era uma dimensão paralela, um espaço entre o mundo físico e o etéreo, onde as leis do tempo e da física se desfaziam como areia levada pelo vento.

    Poucos ousavam atravessar aquelas águas, mas para Nix, o Mar de Caos era um lar. Era o reino de seu pai, um território que respondia à sua presença como se reconhecesse o sangue que corria em suas veias. O Semente do Caos flutuava ali, sua madeira negra brilhando com um leve tom azulado, refletindo os relâmpagos que cortavam o horizonte nebuloso.

    — Capitã, estamos prontos para a travessia! — gritou um dos tripulantes, segurando uma corda enquanto o vento soprava ao redor deles.

    Nix estava na proa, seus cabelos curtos e negros soltos dançando ao sabor do caos, a cauda em forma de ponteiro agarrando as grades de segurança. Seus olhos azuis turquesa, escondidos atras dos óculos, brilhavam com a mesma intensidade da energia ao redor, um lembrete de que ela era filha daquele lugar.

    — Levem-nos de volta para Spades. — Sua voz era firme, mas havia uma inquietação subjacente.

    O leme do navio girou por conta própria, guiado por correntes invisíveis. O Semente do Caos deslizou pelo portal que conectava o Mar de Caos ao mundo mortal e, em poucos segundos, a escuridão infinita deu lugar às águas familiares de Spades.

    O Semente do Caos atracou escondido sob a superfície da água, na parte submersa do porto. Estavam no Cais das Lágrimas, um lugar conhecido por sua atmosfera melancólica e seu constante cheiro de sal e madeira envelhecida. O cais, parte submerso, era frequentado por aqueles que viviam à margem da sociedade, incluindo criaturas marinhas e comerciantes dispostos a lidar com os piratas mais notórios.

    Nix desceu do navio, saindo da água com um impulso, seguida por alguns membros de sua tripulação. Seus passos eram silenciosos, mas sua presença era impossível de ignorar. O vento noturno carregava o som das gaivotas e o murmúrio das ondas, mas havia algo mais no ar: o som de trombetas e música distante, ecoando da cidade alta.

    Ela não estava ali apenas para reabastecer e negociar. Nix, sempre discreta, usava um manto escuro que escondia suas características marcantes. Ela se misturou à multidão que seguia para a praça principal de Spades, onde a coroação de Zadkiel, o Primeiro Príncipe, estava prestes a acontecer.

    No alto da plataforma adornada com tapeçarias douradas e azuis, Zadkiel permaneceu ereto, uma visão majestosa de autoridade e graça. Seus longos cabelos azuis, trançados delicadamente em pequenos fios que dançavam com o movimento do vento, caiam suavemente sobre seus ombros, refletindo a luz das tochas com um brilho profundo.

    A pele escamosa, de um tom azul esverdeado suave, fundia-se com a aura mística que emanava de sua presença. Seus olhos, brilhando como duas joias amarelas, cintilavam com uma intensidade que parecia carregar séculos de sabedoria e poder, o símbolo incontestável da linhagem real. O manto que usava, rico em detalhes e bordados, acentuava ainda mais sua figura imponente, uma verdadeira monarca do mar.

    Nix observava de longe, encostada em uma árvore. Por um momento, deixou que sua forma mortal se desvanecesse, transformando-se em um pequeno pássaro de plumagem negra e olhos azuis, quase invisível no céu noturno. De cima, ela podia observar cada detalhe: os rostos ansiosos da multidão, as expressões orgulhosas dos nobres e o olhar distante do príncipe, que parecia carregar o peso de um reino inteiro em seus ombros. Quando Zadkiel levantou a mão para aceitar a coroa, um silêncio reverente tomou conta da praça. Nix inclinou a cabeça, observando-o com curiosidade. Havia algo nele que a intrigava, um misto de força e melancolia que ela raramente via nos homens que ocupavam aquele tipo de posição. Mas, como sempre, Nix era apenas uma espectadora, uma sombra que jamais se deixaria prender por um mundo que não era o seu.

    Por outro lado, Zadkiel Saphire, de pé sobre a plataforma decorada, observava a multidão à sua frente. As tochas lançavam sombras dançantes sobre seu rosto, destacando a intensidade de seus olhos âmbar. Ele respirou fundo, sentindo o peso do momento, e deu um passo à frente.O silêncio que se seguiu foi absoluto, cada rosto na multidão voltado para ele. O príncipe ergueu a cabeça, a coroa em sua mão ainda não colocada, e começou a falar com uma voz firme, mas carregada de sinceridade.

    — Povo de Spades, hoje, como todos vocês, eu olho para este reino não apenas como herdeiro, mas como um homem que cresceu sob suas sombras e sob sua luz. Spades é mais do que um lugar; é um espírito, uma força que pulsa em cada onda que atinge nosso cais, em cada estrela que reflete sobre nossas águas.Ele fez uma pausa, deixando as palavras penetrarem. Sua voz tornou-se mais calorosa, pessoal.

    — Cresci ouvindo as histórias de nossos ancestrais, de suas lutas e suas vitórias, de como enfrentaram mares furiosos e alianças incertas para construir este reino. Aprendi que Spades não é feita de pedras ou palácios, mas de seu povo: dos pescadores que saem ao amanhecer, dos artesãos que criam beleza de suas mãos, e até daqueles que buscam um novo começo entre nossas fronteiras.

    Zadkiel olhou para a multidão, procurando rostos familiares e desconhecidos, enquanto sua voz ficava mais grave.

    — Mas também sei que Spades não está livre de desafios.

    Nosso mar, nossa maior bênção, às vezes se torna nossa maior prova. As alianças que buscamos com outros reinos e as promessas de prosperidade carregam seus próprios perigos. E, como herdeiro, agora rei, jurei a mim mesmo não ignorar essas realidades, mas enfrentá-las com coragem e sabedoria.

    Ele ergueu a coroa, segurando-a à luz das tochas.

    — Esta coroa não é um símbolo de poder, mas de responsabilidade. Não é para me elevar acima de vocês, mas para me lembrar de que meu lugar é ao seu lado.

    A multidão murmurou em aprovação, as palavras simples, mas sinceras, ecoando entre eles.

    — Eu prometo, aqui e agora, que meu reinado será guiado pela justiça, pela compaixão e pela força que define este reino. Eu não serei um rei que comanda de um trono distante. Serei um rei que ouve, que aprende e que luta ao lado de seu povo, sempre com Spades em meu coração.

    Ele abaixou a coroa, colocando-a sobre a cabeça em um gesto lento e deliberado.

    — Juntos, enfrentaremos as tempestades e celebraremos as marés. Porque Spades não é meu, não é seu. É nosso.A praça explodiu em aplausos e gritos de apoio. Zadkiel deu um passo para trás, permitindo-se um breve momento de silêncio interior. Ele sabia que palavras eram fáceis, mas ações seriam mais difíceis. No entanto, naquele momento, sob a luz das tochas e os olhares de seu povo, ele sentiu algo novo: esperança.

    A cerimônia terminou, e Nix deixou a praça tão discretamente quanto havia chegado. De volta ao cais, passou por um mercador com uma pilha de jornais frescos, o cheiro de tinta ainda forte no ar.

    — Um jornal, capitã? — perguntou o mercador, com um sorriso travesso.

    — Por que não? — respondeu ela, jogando uma moeda prateada na direção dele.

    Ela abriu o jornal enquanto caminhava, as manchetes saltando aos seus olhos:”O Casamento da Santa da Lua com o Segundo Príncipe é Confirmado!”Nix parou, seus olhos fixos na manchete. Um sorriso cínico curvou seus lábios enquanto ela murmurava para si mesma:

    — Então é isso que estão tramando, Fallon?

    Ela dobrou o jornal e continuou caminhando em direção ao Semente do Caos. A tripulação aguardava ordens, mas, pela primeira vez em muito tempo, Nix não tinha um plano imediato. Havia algo no horizonte, uma tempestade que ela podia sentir no fundo de sua alma, e ela sabia que estaria bem no centro quando o caos finalmente tomasse forma.

    A luz da lua derramava-se pelas altas janelas do templo, atingindo os vitrais coloridos formando um lindo mosaico sobre o altar. As colunas, imponentes e delicadamente esculpidas, pareciam alcançar os céus, como se quisessem tocar a própria divindade que protegiam.

    Fallon estava ajoelhada no altar central, os olhos fixos na chama de uma vela solitária. Mergulhada no azul do mosaico, sua boca se movia sem emitir som, tão rápido e desesperado que mesmo o silêncio se incomodava.

    Seu coração estava pesado. O vestido que usava junto do manto branco decorado com bordados de prata e pérolas parecia mais uma armadura que a esmagava sob o peso das expectativas. Seu cabelo prateado estava preso em um coque impecável, mas cada fio parecia um elo de uma corrente invisível.

    Ela suspirou, apertando as mãos em uma prece silenciosa. Não sabia a quem estava rezando. Para Deus? Para ela mesma? Ou para que alguém a salvasse de um destino que parecia inevitável? “Me ajude…” o pensamento parecia inevitável.

    O som de passos ecoou pelas paredes do templo, arrastados e desacompanhados da reverência usual. Ela não precisava se virar para saber quem era.

    — Veio aqui para receber a sua benção antes da próxima aventura? — perguntou a jovem calmamente.

    — Sério? — A voz de Nix rompeu o silêncio, um misto de sarcasmo e provocação. — Cadê meu: “boa noite irmã, como você entrou aqui sem ser apedrejada?” Fallon fechou os olhos por um momento, como se rezasse por paciência, antes de se levantar lentamente.

    — Este é um lugar sagrado, Nixoria. Você não deveria estar aqui.

    A figura à porta contrastava drasticamente com o ambiente ao seu redor. Nix tinha os cabelos negros despenteados, como se tivessem sido cortados por uma navalha cega.

    Suas roupas escuras eram práticas e despojadas: uma calça larga e uma blusa de botões aberta até a metade dos seios, com um espartilho ajustado por cima. Embora não fosse confortável, o traje mostrava-se funcional. As peças estavam adornadas com pérolas negras e metais menos nobres, como ferro e latão, oxidados pelo tempo e pela maresia.

    Suas botas deixavam marcas de lama no chão antes brilhante e imaculado. Mas o que mais chamava atenção eram seus olhos. De um azul turquesa intenso, eles pareciam carregar estrelas presas nas profundezas, a longa cauda parecia que um ponteiro de relógio chicoteava o ar com irritação.

    — Lugar sagrado, lugar profano… — Nix deu de ombros, caminhando sem cerimônia pelo corredor central. — No fim, tudo é apenas um lugar onde as pessoas fingem ser algo que não são. E você, Fall? É isso que você quer ser? Uma santa sacrificada no altar do “bem maior”?

    Fallon se virou para encará-la, cruzando os braços com firmeza.

    — Não vim aqui para discutir com você, Nix. E se alguém te vir…

    — Ah, não se preocupe. — Nix levantou as mãos em um gesto teatral de inocência. — Seus adorados paladinos estavam ocupados bebendo com uma garota bonita. — Ela abriu levemente o decote, revelando um pequeno frasco de vidro que estava escondido.

    Fallon tentou esconder um sorriso, mas o esforço foi inútil. Nix era uma força que ela nunca conseguia ignorar, por mais inconveniente que fosse sua chegada.

    — Você está linda, Fallon. Como uma boneca de porcelana. Sem emoções também.O sorriso desapareceu rapidamente do rosto da santa. Ela desviou o olhar, as bochechas corando levemente. — Não é tão simples.

    — Claro que é. — Nix se aproximou, o som de suas botas ecoando em cada passo. — Você diz “não”, arruma suas coisas e vem comigo. — Ela pegou a mão de Fallon e depositou um beijo teatral no dorso. — Ninguém se atreveria a entrar no Mar do Caos para te encontrar.

    — Não posso simplesmente… — Fallon balançou a cabeça, os cabelos soltos ao redor de seu rosto. — Meu casamento com o príncipe é importante. É necessário para o reino.

    — Necessário para o reino? — Nix soltou uma risada curta, ajeitando os óculos. — Você soa como um manual de cerimônias! “Adicione um altar, três colheres de água benta e uma dose de sacrifício pessoal!” — Ela ergueu as mãos dramaticamente.

    Fallon não conseguiu evitar a risada que escapou de seus lábios, mas rapidamente tentou recuperar sua seriedade.

    — Estou falando sério, Nix. É meu dever.

    — E o que você ganha com isso? Mais correntes? Mais expectativas? Eles não se importam com você, Fallon. Eles querem a santa da lua, não a minha irmã. — Nix parou a poucos passos de distância, seu sorriso desaparecendo.

    As palavras de Nix eram como um golpe direto, e Fallon não conseguia desviar o olhar.

    — Talvez você esteja certa…

    — Não, sem “talvez”. Você sabe que estou certa. Eles querem controlar você, mas eu não vou deixar. Eu vim aqui para te salvar, Fall. Mesmo que seja de você mesma. — Nix deu um passo à frente, colocando as mãos nos ombros da irmã.

    O silêncio se instalou entre elas, pesado e cheio de palavras não ditas. Fallon mordeu o lábio, lutando contra as palavras de Nix. Parte de si sabia que a irmã estava certa, mas a outra parte — a parte condicionada a obedecer — gritava que ela devia ficar.

    — E se eu recusar? — Fallon perguntou, com um tom desafiador.

    — Então você escolhe você mesma, pela primeira vez. — Nix suavizou a voz, aproximando-se mais. — Fallon, eu já fugi de todas as prisões que tentaram me colocar. Não é fácil. Não é seguro. Mas é libertador. E você merece isso. Liberdade, deles e de você. — A frase foi seguida de um abraço forte e acolhedor, arrancando lágrimas da irmã mais nova, que retribuiu na mesma intensidade.

    Fallon hesitou. A dúvida começou a brotar, mas era uma semente frágil.

    — Eu preciso de tempo para pensar. — sua voz embargada pelo choro.

    — Pense rápido. — Nix deu um passo para trás, o sorriso travesso voltando ao rosto, mãos ainda se tocando com se recusasse a deixar a irmã. — Vou estar esperando no cais. — Elas finalmente se soltaram. Nix já alcançava a porta retornando à escuridão quando parou com uma virada brusca— E, Fallon… se decidir ficar, pelo menos invente uma desculpa melhor do que “é o meu dever”. Isso não combina com você.

    Com isso, Nix virou-se e saiu, suas botas ecoando no chão junto a uma risada travessa. Fallon ficou parada, olhando para o altar, mas não rezou. O templo voltou a mergulhar no silêncio, mas ela sentia como se a presença da irmã ainda pairasse ali, desafiadora e insubordinada. Ela passou a mão pelos cabelos, desmanchando involuntariamente uma mecha perfeitamente presa, e olhou para o altar.

    As oferendas de flores brancas, os tecidos delicadamente bordados e os objetos sagrados estavam todos dispostos com perfeição. Tudo naquele lugar gritava pureza e ordem, um reflexo do que esperavam dela.

    “Eles querem a santa da lua, não a minha irmã.” As palavras de Nix ressoavam em sua mente como um eco, crescendo em intensidade até serem quase insuportáveis. Fallon deu alguns passos em direção ao altar, mas a força com que pisava revelava sua inquietação. Não era uma santa. Não se sentia santa. E, pela primeira vez em muito tempo, essa ideia a atingiu como uma verdade inevitável. Ela estendeu a mão, mas a recolheu antes de tocar a chama da vela. O calor não era o que a assustava, mas o peso da escolha que se desenrolava em sua mente.

    Seus pensamentos a levaram de volta à infância, quando ela e Nix eram inseparáveis. O templo e o caos pareciam distantes naqueles dias. Lembrou-se de como Nix a protegia de tudo e todos, mesmo quando não havia necessidade. Lembrou-se de como a irmã sempre dizia:

    “Quando eu crescer — dizia levantando a espada — vamos sair daqui e viveremos juntas! Livres, mesmo que sejamos só nós duas contra o mundo, Fall.”

    Mas o mundo não aceitava gêmeas idênticas sendo tão diferentes. Enquanto ela era moldada pelo clero, sua irmã era deixada à mercê de seu destino como filha do Caos. Ser filha do caos também significava ser abandonada pela sociedade, significava personificar todas as impossibilidades, significava ser o infortúnio em pessoa.

    Fallon, criada como a santa da lua, ensinada desde o nascimento que seu propósito era proteger o povo, curá-lo, mas nunca teve o real desejo para tal. Fallon queria salvar ao menos sua irmã, mesmo quando não sabia como. Agora, Nix estava diante dela, tentando salvá-la, e o paradoxo era quase cruel.

    Fallon se aproximou da pequena fonte de água no canto do templo e inclinou-se sobre ela. Seu reflexo na superfície prateada era impecável: uma santa perfeita que o reino venerava. Com um movimento brusco, mergulhou as mãos na água, desfazendo o reflexo. Era como se quisesse apagar aquela imagem de si mesma.

    “Se eu fugir…” murmurou. “O que será de mim? Do reino? De Nix?” Mas uma voz interna, aquela que ela sempre abafava, sussurrou outra pergunta: “Se você não fugir, o que será de você?”

    Ela passou os dedos pelos cabelos, Snap!O elástico que prendia o coque arrebentou espalhando contas de pérolas para todos os lados, desfazendo o penteado meticulosamente arrumado. Aos poucos, o brilho prateado caiu solto por seus ombros, como uma cascata de luz.

    Sentiu-se um pouco mais como Fallon e menos como “A Santa” enquanto olhava as bolinhas rolarem sobre o chão em direção à mesma porta pela qual Nix saiu, parando em uma mancha de lama deixada pela irmã.O barulho de passos interrompeu seus pensamentos. Um dos acólitos se aproximava, carregando um candelabro.

    — Santa Fallon? — ele perguntou com hesitação.

    Ela virou-se, e o sorriso que esboçou foi delicado, mas forçado.

    — Sim?

    — O Mestre do Templo pediu que você descansasse. Amanhã será um dia longo com os preparativos para o casamento.

    “Preparativos…” A palavra era uma corda ao redor de seu pescoço.Fallon assentiu, e o acólito retirou-se, deixando-a sozinha novamente. Ela olhou para a porta do templo, onde Nix havia desaparecido, e sentiu uma onda de angústia e desejo. Será que era tarde demais para mudar seu destino?

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