Índice de Capítulo

    Perante a declaração do inimigo, ninguém demonstrou alegria; o grupo permaneceu inquieto e atento a qualquer gesto. Sempre que Armon realizava um movimento brusco, a tensão aumentava. A velocidade dele era extrema, e até Izumi, embora fosse mais rápido que os demais, teve dificuldade em acompanhar aquilo com os olhos.

    — Acalmem-se, forasteiros. Não farei mal algum, se for preciso.

    Max, sentindo-se mais tranquilo por já ter trocado palavras com o destemido, interrogou:

    — Necessário?

    — Sim, se não forem ousados como aquele mestiço.

    Ele engoliu seco e perguntou novamente:

    — E sobre ser dono de Slother?

    Armon fitou-o, deixando o mestiço mais hesitante.

    — Ainda vai perguntar! — disse, enquanto emanava sua intenção assassina sobre Max.

    Não demorou para que ele se ajoelhasse no chão, o rosto tomado por suor intenso. O destemido ajustou a posição das pernas e questionou:

    — Quer mesmo saber?

    Izumi apertava a espada, ansioso por atacar, mas não se via capaz de vencer aquele inimigo. Ver o irmão sofrendo daquela forma apenas o fez perceber o quanto era fraco diante daquele ser.

    Ele passou a vomitar água no chão. Idalme, aflita, aproximou-se e perguntou se ele estava bem, porém foi afastada por um braço. A pele dele escurecia, e fragmentos sombrios surgiam entre os fios do cabelo.

    — Vou perguntar novamente, quer mesmo saber?

    Max ergueu o rosto aos poucos enquanto se recuperava, fitou Armon com um sorriso que revelava dor e certa diversão, e respondeu:

    — Sim, caralho!

    O inimigo sorriu diante da astúcia do mestiço e soltou uma gargalhada intensa. Toda a intenção assassina, ou qualquer traço de intimidação, desvaneceu como um vento gelado que passa por um instante.

    — Eu realmente gostei de você! Me diga, qual é o seu nome?

    O corpo dele voltava ao normal e, com o rosto mais calmo, mas ainda sério, respondeu:

    — Max… Max Remye.

    — Certo, Max. Contarei sobre a sua dúvida e outras, se houver. Bem, por onde devo começar? Já sei!

    Armon apontou para Léo e disse:

    — Você consegue explicar o relógio acima de mim?

    — Relógio? — Léo questionou, olhando para cima. — Acho que sim…

    — Permito que explique.

    — Ok…

    Léo percebeu que todos o fitavam e sentiu certa vergonha, embora também se envaidecesse ao notar toda a atenção voltada para si.

    — Os relógios, como posso dizer… Bem, vocês podem ver que aquele relógio tem 12 números. Alguém sabe o motivo do 12?

    — As leis do zodíaco? — perguntou Max.

    — Sim. Cada ponteiro significa uma lei. E foi distribuído assim: Áries ocupava o topo, às doze horas.

    Nesse instante, Léo sentiu um calafrio e voltou o olhar para Armon, que lhe respondeu com um sorriso e um aceno, indicando que continuasse.

    — Em seguida vinham Touro às uma, Gêmeos às duas e Câncer às três. Logo depois, Leão ficava às quatro, Virgem às cinco, Libra às seis e Escorpião às sete. Às oito, estava Sagitário, às nove, Capricórnio; às dez, Aquário, e às onze, Peixes.

    — E o que acontece quando todas são reunidas? — perguntou Izumi.

    — Reunidas? — disseram, em dúvida, Ui e Idalme.

    — Eu vou chegar lá. Nos livros das leis do zodíaco, a cada cem anos, sempre ocorria uma conferência entre os portadores da lei. Nos livros, descrevia-se que todas as leis eram colocadas em um relógio e vigiadas durante 24 horas.

    — Será que isso seria para fortificar as leis?

    Léo encarou Max por ele interromper novamente e disse:

    — Posso continuar sem ser interrompido?

    — Sim, desculpa.

    — Durante um dia, as leis eram fortificadas, e isso permitia diminuir as chances de os demônios invadirem este plano.

    Max, ao ouvir, mostrou satisfação por acertar. Léo, ao notar a expressão dele, não apreciou aquela reação que insinuava superioridade.

    — Qual é o seu nome? — perguntou Armon.

    — Eu? Sou Léo, senhor.

    — Léo, explique a função do santuário.

    — Sim!

    Naquele instante, muitos no grupo imaginaram que Léo havia acabado de ser tratado como o mascote do destemido.

    — Sem o santuário, o relógio não funcionária. A parede em que o relógio está inserido possui uma tecnologia que meu clã, durante décadas, não conseguiu replicar.

    — Entendeu, Max? — perguntou Armon.

    — Acho que sim.

    — Me diga então: qual o motivo de você achar que eu sou dono de Slother e não simplesmente o ter descartado?

    — Pelo que entendi, os santuários eram importantes, e deixar algo tão importante vazio seria perigoso. Qualquer demônio ou humano poderia destruí-lo; por isso, manteve Slother vivo, para proteger aquele local. Certo?

    — Explêndido! — declarou, batendo palmas.

    — No entanto…

    — Hum?

    — Por que Slother? Que eu saiba, ele tem o mesmo patamar que você; não seria perigoso…

    — Patamar? — A intenção assassina pairou no local novamente. — Controle sua língua, lixo!

    O destemido, percebendo que se exaltou, acalmou-se e começou a rir alto.

    — Desculpa, me deixei levar, mas você tem razão: ele era perigoso e difícil de controlar. No entanto, dividido em dois corpos, foi fácil manipulá-lo. Entendeu?

    — Sim… — Max queria dizer mais, mas hesitou.

    Armon mudou a posição das pernas e disse:

    — Vocês possuem somente uma lei. Que pena.

    — Como sabe isso? — perguntou Max, alarmado.

    — Não sabia? As leis ressoam quando estão próximas, e consigo senti-las ressoando com a minha lei. Está no corpo do ousado que me atacou e naquela mestiça lá atrás.

    — Entendo, mas quero saber: o que queres conosco? Não era só para bater papo.

    — Sim, estás certo, Max. Tenho um pedido, mas antes disso, preciso explicar algo importante.

    — Algo?

    — Sim. Vou explicar como funcionam os relógios hoje em dia. Bem, como posso começar? Já sei: o ponteiro das horas aponta o número da sua lei, e o dos minutos indica quanto já portaram as leis.

    Logo atrás, Ui ergueu a mão lentamente e interrompeu a explicação, perguntando:

    — Qual é, mesmo, o ponteiro das horas e o dos minutos?

    Armon olhou para ela com indiferença e certa decepção, mas Max, ao lado, agradeceu a pergunta. Nem ele sabia qual era qual e sentiu alívio, embora torcesse para que o destemido não pedisse que explicasse.

    — O menor é das horas e o maior, dos minutos. Entendeu?

    — O que são horas e minutos? — perguntou, hesitante. — Desculpe.

    Armon ficou ainda mais decepcionado com ela e continuou.

    — No momento em que passam de sessenta portadores de uma lei, ela atinge a energia máxima, o que permite aumentar a defesa contra o ressurgimento do Rei Demônio. No entanto, há um porém.

    — Porém? — questionou Ui.

    — Eu só tenho uma lei; não consigo fazer isso e não posso sair daqui. Entendeu onde quero chegar, Max?

    — Sim, você quer que reunamos as outras leis.

    — Sim!

    Izumi, que estava ao lado e não entendia quase nada do que se dizia, compreendeu aquela parte e começou a rir, surpreendendo a todos.

    Sim, é fácil. Vou matar outras sete energias negativas enquanto fico mais forte e, depois, mato esse.

    Armon olhou para Max, batendo um dedo na própria testa, e o mestiço respondeu encolhendo os ombros, mostrando as mãos. Enquanto isso, o destemido fitou Ui, que sorria ao observar o amado, e então compreendeu.

    Quando Izumi cessou o riso, guardou as espadas e partiu; Ui seguiu atrás dele.

    — E como posso acreditar que isso não é uma armadilha?

    O destemido fechou os olhos, e sua energia negativa começou a fluir para fora do corpo, até que a lei de escorpião se desprendeu dele. Com ela na mão, fitou o seu alvo. Antes que o mestiço percebesse, o destemido já estava à sua frente e inseriu a lei em seu corpo.

    — Fica para você!

    Max não teve chance de reagir e foi tomado pela lei, desmaiando no chão.

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