Índice de Capítulo

    Aura era uma energia oposta à energia negativa. Poder-se-ia dizer que a aura negativa era o que os demônios usavam. Quando essas duas forças se chocavam, prevalecia a mais forte, e a mais débil enfraquecia até desaparecer.

    Como a aura de Izumi era mais fraca que sua energia negativa, ela perdeu poder ao longo do tempo. Para combater esse gasto, o mestiço colecionou aura ao longo de sua jornada.

    Mas por que, ao longo de sua jornada, mostrou-se mais forte por causa de sua aura? Poder-se-ia dizer que até aquele momento não havia nascido alguém como ele. Assim, não havia uma explicação plausível. Ainda assim, podia-se declarar: Izumi era a exceção da regra.

    Ao drenar a aura do tigre, a opressão que sentia vinda da mestiça o afetou ainda mais, mais do que o normal. Tornou-se insuportável ficar ao lado dela. Então, ele tomou sua decisão: confrontar Ui.

    Mesmo dizendo tudo aquilo para a mestiça, não era o que ele realmente queria dizer, mas não tinha escolha. Aquela opressão o deixava mais fraco mentalmente. Seu corpo não se cansava, mas sua mente era diferente.

    O mestiço se afastou do grupo, ele pediu desculpas à sua mãe. Disse que não havia outra forma de parar aquilo. No entanto, foi interrompido por um ataque surpresa. Com seus reflexos, ele defendeu o ferrão com um dedo.

    — Seu inseto, peça desculpas à minha mestra agora! — declarou Ziro, com firmeza.

    — Não! — respondeu, ao balançar o dedo fortemente ao chão

    Ziro caiu no chão, nocauteado. Seu corpo ficou imóvel. Ainda assim, ele riu de canto de boca.

    — Eu te peguei, o meu veneno vai fazer você sofrer — avisou, com um sorriso de vitória.

    — Veneno? — perguntou. — Mas isso não funciona em demônios.

    — Talvez, mas você não é totalmente um — retrucou, com convicção.

    — Realmente, mas veja — concordou, aproximando-se e mostrou o seu dedo. — Consegue sentir a minha energia acumulada?

    — Não pode ser? — perguntou, incrédulo, com os olhos arregalados.

    — Sim, eu sabia que ias me envenenar, então reforcei a minha pele o suficiente para barrar o seu ataque — explicou.

    Naquele momento, Izumi usou sua habilidade Dark Purge e extinguiu a energia de Ziro aos poucos. Ele exibiu um sorriso triunfante.

    — Eu… tava tão… confiante… — lamentou Ziro.

    Max aproximou-se de seu irmão lentamente, colocou a mão no seu ombro, com pesar, e disse:

    — Foste duro demais, Izumi.

    — Isso é problema meu — respondeu, e parou de atormentar Ziro.

    — Crianças — murmurou Dam, de longe, observando a cena com desdém.

    Passaram-se alguns instantes. Ziro despertou nas mãos de Ui e disse:

    — Desculpe, eu não consegui.

    A mestiça olhou-o, desviando o olhar para o lado, pensativa, e falou:

    — Obrigado, Ziro. És o meu melhor amigo. Mas eu ainda não desisti, ok?

    Ziro olhou para o sorriso falso dela e se sentiu pior com aquilo. Logo depois, Max usou sua habilidade, assou a carne sem espalhar muita fumaça e partilhou cada parte com os membros presentes.

    Todos devoraram suas partes como bestas, exceto Idalme, que foi mais delicada. Ui, que normalmente comia mesmo sem precisar, não sentiu vontade de partilhar a mesma emoção que os outros.

    Após terminar, Max convocou uma reunião com todos.

    — O meu plano é o seguinte — disse, ao olhar ao redor, e depois sorriu de canto da boca. — Vamos, lindos, para a cidade!!!

    Todos mostraram rostos surpresos, exceto Izumi, que se considerava feio segundo sua própria percepção.

    — Bem, tirando o meu irmão, que não vai concordar em mudar de roupa — comentou alguém.

    Izumi fitou seu irmão com desprezo. Ui, notando isso, levantou a mão levemente e avisou:

    — Eu também não vou trocar…

    — Era só o que me faltava, agora o casal vai nas suas roupas normais — retrucou.

    — Casal?… — perguntou a mestiça, olhando para os lados enquanto enrolava o cabelo, sem jeito.

    — Eu vou normal, sempre fui lindo, diferente de você — declarou Dam.

    Max o fitou e depois sorriu ao olhar para Idalme. Em seguida, retrucou:

    — Amor não correspondido bateu forte.

    — Quer dizer alguma coisa? — perguntou o atirador, desconfiado.

    O líder levantou as duas mãos para cima e declarou:

    — Diferente de alguém, eu digo as coisas — zombou, fitando Idalme.

    — Parem com isso, seus idiotas! — declarou a peituda, insatisfeita.

    O líder levantou-se, foi em direção à sua mulher, segurou-a pela cintura e a abraçou de canto:

    — Pelo visto, seremos só nós que vamos lindos na cidade. Reunião encerrada.

    — Ei! — disse Izumi, em um tom firme. — Ainda não ouvi o motivo de ir assim naquela cidade.

    — Era de se esperar essa atitude, mas, de acordo com as minhas pesquisas, essa cidade tem um grande apreço por pessoas lindas e nós somos todos lindos. Vistam suas melhores roupas e vamos lá, espero vocês pela manhã — explicou, com confiança.

    Max agarrou a peituda nos braços e foi embora. No dia seguinte, estava pronto, vestido com uma camisa branca, um terno amarelo reluzente, uma gravata branca e calças da mesma cor. Seus sapatos seguiam o mesmo padrão, sem esquecer os óculos escuros. Ele se sentia poderoso, pelo menos em sua própria cabeça.

    Ao seu lado, estava Idalme, com um vestido vermelho que marcava suas curvas e mostrava mais dos seus volumosos seios. O vestido tinha um risco nas pernas, evidenciando-as.

    Os dois estavam esbeltos, mas, ao verem os outros membros do grupo com roupas habituais, pensaram: era o esperado.

    Dam estava levemente diferente; seu grande casaco, com vários bolsos interiores, parecia mais novo.

    — Então — disse Max. — Era o esperado, bem, vamos.

    O grupo aproximou-se da cidade e percebeu que era maior do que imaginavam, parecendo mais um país do que uma simples cidade.

    De longe, dois soldados avistaram alguém se aproximando. Eles se encararam e suspiraram fundo. Assim que o grupo chegou perto, suspiraram novamente.

    — Como eu disse, são bonitões — falou para Idalme, com um leve sorriso.

    — Sim, notei — respondeu, sem vontade, desviando o olhar.

    Um dos soldados, de cabelo vermelho, vestindo uma roupa verde com detalhes pretos de um símbolo de flores de cinco pétalas, acenou a mão e indicou que se afastassem.

    — Se eu fosse vocês, voltaria para casa — alertou ele, sério.

    Max, confiante, balançou a gravata, aproximou-se do guarda e tagarelou:

    — Relaxa, meu amigo, somente viemos visitar essa grande e bela fortaleza pacífica.

    O outro guarda ao lado, loiro e de olhos verdes, suspirou sorrindo e murmurou:

    — Pacífica, haha!

    O ruivo suspirou de lado e perguntou:

    — Vocês têm mesmo certeza disso?

    Max abriu as mãos, como se estivesse se vangloriando de si mesmo, e declarou com entusiasmo:

    — É claro!!! Nós somos muito lindos e atraentes!!! Não há dúvida alguma! Olhem só para nós, é impossível não notar! Até o sol deve se sentir ameaçado pelo nosso brilho!

    Os guardas suspiraram novamente, olharam um para o outro e riram da situação.

    — Que foi, a minha beleza foi ofuscante? Foi mal, eu brilho demais quando o sol está forte — completou o líder, com um sorriso confiante e provocador.

    Os dois homens se olharam, incrédulos, e balançaram a cabeça, como se dissessem: não acredito que estou passando por isso.

    Idalme, que estava logo atrás, sentiu vergonha da situação. Ui, quem vinha atrás achou aquilo o máximo. Dam e Izumi suspiraram.

    — Perguntarei novamente — disse o ruivo, sério, fitando-os de lado. — Têm certeza de que querem entrar nesse país?

    — Oh, então é realmente um país? — perguntou Max, arqueando as sobrancelhas e depois curvou-se como um cavaleiro diante de uma nobreza. — Seria um prazer entrar no vosso humilde país!

    Os dois soldados suspiraram novamente, e o loiro murmurou, rindo:

    — Humilde…

    — Depois não diz que não avisei — alertou o ruivo, ao cruzar os braços.

    — Obrigado pela compreensão! — respondeu, com um sorriso exagerado e cheio de teatralidade.

    O loiro, ao entender, aproximou-se do portão de ferro de três metros. Tirou do bolso um objeto quadrado com cores pretas.

    — Aqui fala o Henrique, temos novos expe… quero dizer, novas visitas — avisou, com um sorriso divertido e uma leve pausa na fala. — Abrem o portão!

    Ouviu-se um fraco barulho de ferro sendo arrastado, e o portão abriu-se de lado. Os dois soldados olharam para os visitantes e suspiraram, disseram:

    — Bem-vindo ao país Gorkd!

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