Índice de Capítulo

    Ao ver a cidade, todos ficaram maravilhados. A muralha era diferente de qualquer uma que eles haviam visto antes. As cabeças ergueram-se para o céu intenso. Alguém questionou, surpreso:

    — Isso não tem fim? — perguntou.

    Ui olhou para sua amiga que acabou de falar e respondeu:

    — Tem… mas é inacreditável.

    Até Izumi, que normalmente não esboçava nenhuma reação, ficou extremamente surpreso com o que viu. Dam, por sua vez, naquele momento, não estava com os olhos tão arregalados nem com a boca semiaberta.

    — O que estamos esperando? — perguntou o atirador, ao avançar. — Vou na frente.

    Mesmo sem esboçar muita surpresa, o atirador era o mais empolgado com a situação. Na sua cabeça, passavam pedras preciosas que poderia encontrar naquele lugar e, melhor ainda, armas que nunca tinha visto ou sonhado em fazer. No entanto, alguém segurou o seu ombro e o jogou para trás.

    — Seu idiota! — gritou Max. — Não se aproxime assim!

    — Quer morrer? — perguntou Dam, ao ver seu alvo afastar-se.

    — Afastem! — declarou.

    Ninguém entendia nada. Ui e Idalme, que estavam mais à frente, afastaram-se até a sombra das folhas da árvore.

    — O que está acontecendo, Max? — perguntou a peituda.

    — Não acham isso estranho? — perguntou. — Aquela muralha não é normal.

    — Isso todos percebemos, seu idiota! — respondeu o atirador.

    Max o ignorou e continuou:

    — Aquela muralha é impressionante, de fato, mas neste mundo infestado de demônios, uma muralha daquele porte, tão chamativa, não apresentava nenhuma rachadura.

    — Talvez eles tenham consertado — sugeriu Ui.

    — Pode até ser, mas demônios atacam todo dia onde há infestação de seres vivos, e não há como uma muralha tão chamativa não sofrer ataques.

    Izumi, que estava de lado ouvindo tudo, lembrou-se da primeira vila em que esteve. Ao redor daquela lugar, não havia nenhum monstro.

    — Isso parece igual à vila da Ui.

    — Hum, minha vila? — perguntou, confusa.

    — Naquele lugar, ao redor da vila, não havia um demônio sequer.

    A mestiça fitou seu amado, com dúvida, e respondeu:

    — Mas éramos atacados por demônios.

    Izumi a encarou e explicou:

    — Sim, mas apenas em dias determinados, não é?

    Naquele momento, Ui ficou feliz por seu amado encará-la e ainda responder. Na sua cabeça, a frase “ele me respondeu” se repetia várias vezes. Ficou tão contente que quase esqueceu de responder, mas acabou concordando, numa voz exaltada e com um sorriso.

    — Então querem dizer… — disse Idalme, trêmula — que nessa cidade pode haver uma das sete energias?

    — Receio que sim — afirmou Max.

    O mestiço apertou forte o punho, riu baixo e pensou consigo mesmo:

    Venho reunindo aura todo esse tempo… quando eu ver esse demônio, vou descarregar tudo nele!

    — Então, o que vamos fazer? — perguntou Dam.

    — Esperem um pouco — pediu o líder, voando mais alto, sem passar pela enorme floresta.

    Quando desceu, o olhar estava mais preocupado do que antes.

    — Vocês notaram? Uma muralha desse tamanho não foi vista de longe. Isso deixa tudo ainda mais estranho.

    Todos, exceto Izumi, que estava perdido em sua própria mente, ficaram preocupados.

    — O que vamos fazer, Max? — perguntou Idalme, aflita.

    Ele riu de canto de boca e declarou:

    — É hora do banho!

    Todos arregalaram os olhos diante da afirmação.

    — Lá de cima eu pude ver um lago. Podemos tomar banho depois de tanto tempo! — disse, apontando para um lado, feliz.

    — Banho? — perguntou o mestiço. — Não temos tempo para isso.

    — Quando foi a última vez que tomou banho, irmãozinho?

    Os dois se encaravam. O líder sorria de canto de boca, enquanto o seu irmão olhava seriamente. O mestiço, ao perceber que perderia a batalha, começou a tirar as roupas e correu em direção ao lago.

    — Quê! Não, Izumi! — gritou, correndo atrás. — Eu vi primeiro!

    — Perdeu! Lhialhialhia!

    De longe, viu o lago, tirou as roupas rapidamente e caiu na água, relaxado, com semblante de quem havia vencido a batalha. Max logo pulou no lago. As meninas ficaram constrangidas ao ver os dois pelados na água.

    — Estão atrasados! — declarou Dam, ao lado, e lavava o corpo com sabão.

    Os dois arregalaram os olhos, se perguntavam como um lerdo conseguiu chegar antes deles. Não fazia sentido. Foi então que perceberam: para chegar primeiro, ele teria que ter partido muito antes.

    Foi quando declarei sobre o lago? pensou Max.

    — Hahahahaha! Perdemos, Izumi!

    — Cala a boca!

    — Eles realmente não têm vergonha de ficar pelados na frente de mulheres. E Ui, quando vais parar de olhar? — perguntou Idalme. — Ui?

    — Ah, quê?

    — Esquece, só me segue.

    A mestiça desviou o olhar do amado, com pesar, e seguiu a peituda.

    — Mais rápido que eu, mas não para notar seus sentimentos. Inseto lamentável — falou Ziro.

    — Um dia ele vai — afirmou Ui.

    — Tem certeza?

    — Tenho!

    Os três se banharam e vestiram outras roupas enquanto lavavam as antigas. Izumi apenas lavou sua única peça e a vestiu novamente. Os homens decidiram caçar enquanto as mulheres continuavam no banho.

    Como previsto, não encontraram nenhum animal ou demônio nas proximidades. Ao voltar, Max viu uma fumaça subindo aos céus e correu até o local, encontrou seu estúpido irmão. Rapidamente, chutou a fogueira de lenha e gritou:

    — Seu idiota! — gritou o líder, ao avançar alguns passos, os olhos faiscando de irritação.

    — O que pensa que está fazendo? — disse o mestiço, encarando-o com seriedade.

    — Você é maluco, acender uma fogueira aqui? — retrucou Max, apontando para o chão. — Queres revelar nossa localização para qualquer um que esteja por perto?

    — Isso mesmo, — concordou Izumi, ao cruzar os braços. — não tenho tempo para seus planos.

    Dam se aproximou e franziu o cenho.

    — O que estão fazendo?

    — Não se intrometa, cabeça de arbusto — zombou Izumi.

    Ele estreitou os olhos, e a raiva se espalhou pelo rosto.

    — Do que você me chamou?

    Enquanto isso, as meninas se aproximaram, sem acreditar que eles estavam discutindo. Logo depois, os três olharam para outro canto, surpresos.

    Demônios eram mais comuns fora das cidades, mas aquilo beirava o raro; não se via muito disso atualmente. Ao olhar a presa, os três declararam:

    — Ele é meu!

    Max avançou primeiro, enquanto Dam apontava a arma para abater o animal. Izumi, ao ver seu irmão tão perto da presa e a bala quase alcançando o alvo, pensou consigo mesmo:

    Isso não é o momento de poupar aura!!! Eu preciso dele vivo!!! Speed Iz!

    O soco do líder atingiu o tigre branco, enquanto a bala penetrava a cabeça do animal. No entanto, Izumi foi mais rápido, agarrou o animal pela cabeça e o afastou.

    — Ele é meu!

    Aos poucos, começou a drenar a energia do animal e sentiu algo diferente do normal. Como imaginava, os seres vivos tinham mais aura para consumir. Max e os demais observavam o animal contorcendo-se de dor enquanto o mestiço sugava cada vez mais sua energia, até a morte.

    Quando o animal parou de contorcer-se, sacou a espada e declarou:

    — Agora é hora da degustação!

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