Índice de Capítulo

    A chuva caia.

    O som constante preenchia tudo. 

    Gotas batendo no telhado. 

    Escorrendo pelas janelas. 

    Um dia cinza.

    Em uma sala simples. 

    Katsu ainda criança.

    Sentado no chão.

    Pequenas faíscas de fogo tremendo na palma da mão.

    Instáveis e fracas.

    Se apagando e voltando.

    Do outro lado.

    Kazan estava de pé.

    Uniforme novo.

    Nas costas a marca de capitão recém conquistada. 

    Olhos fixos no filho.

    — Isso é tudo?

    Katsu abaixa a cabeça. 

    Tenta de novo.

    A chama cresce…

    Desfazem-se, mas queimaduras se formam em suas mãos.

    Kazan fecha os olhos.

    Respira fundo.

    — …

    Vozes do lado de fora.

    Baixas.

    Mas audíveis.

    Misa mãe de Katsu.

    Estava conversando com Kazan, seu pai.

    — Ele ainda é novo…

    — Não é isso.

    — Você acabou de se tornar capitão, Kazan… por que você está pressionando tanto o nosso filho?

    — Eu sei, só queria que ele fosse o meu braço direito, aquele que sempre estaria comigo?

    — Mas acima de tudo…

    Ela toca em sua mão.

    — Ele é o seu filho, e sempre vai estar com você.

    A voz de Kazan vem baixa.

    — Certo… desculpa, acho que peguei muito pesado com ele.

    Ela o abraça.

    — Nosso filho já é especial por ter o nosso amor, não por ter poder.

    Dias passam.

    Treinos.

    Tentativas.

    Frustrações.

    A chama nunca responde como deveria.

    E a cada dia que passava.

    A pele queimada.

    Lágrimas.

    Em um hospital.

    Chuva do lado de fora. 

    O som é constante. 

    Katsu na maca.

    Braços enfaixados.

    Olhos baixos.

    A porta abre.

    Sua mãe entra.

    Sorriso cansado.

    Mas gentil.

    — Meu querido filho, eu já falei.

    Ela senta ao lado dele. 

    Passa a mão em seu cabelo. 

    — você não precisa provar nada para ninguém. 

    Katsu aperta os olhos. 

    — Eu só queria… 

    A voz falha. 

    — …que o papai tivesse orgulho de mim…

    Ela segura a mão dele. 

    — Mas ele tem meu amor, só não sabe demonstrar direito.

    Com um sorriso no rosto.

    Ela se aproxima e beija a testa de Katsu.

    Na estrada. 

    A chuva rompia a noite.

    Misa estava no carro.

    Estressada.

    — Eu não acredito que Kazan ainda está pressionando Katsu.

    Ela tenta pegar o celular no banco do passageiro.

    Mas não acha.

    — Quantas vezes a gente vai ter a mesma conversa, parece que ele não entende.

    Faróis iluminando a estrada.

    O volante firme. 

    Mas a pista está escorregadia. 

    Ela abre o porta-luvas e coloca a mão dentro.

    — Eu preferia quando ele não era capitão e tinha mais tempo e cuidado com a família… Cadê a merda desse celular?

    Ela abaixa a cabeça por um segundo.

    Só um. 

    O pneu desliza. 

    O carro perde o controle. 

    SKREEECH!! 

    O carro vai em direção às muretas da estrada. 

    Que se quebram.

    Silêncio. 

    Som distante da chuva. 

    E a última coisa que passa pela mente de Misa…

    “Será que Katsu vai ficar bem…”

    Vazio. 

    A noticia chega poucos minutos depois…

    Dentro do salão da 4ª divisão.

    Um dos membros da divisão abre a porta de forma desesperada.

    — Capitão Kazan, rápido, sua esposa…

    Kazan se vira rapidamente, olhando em sua direção.

    — Ela sofreu um acidente…

    Naquele momento Kazan.

    Se desligou do mundo.

    Apenas correu.

    Mas…

    Já era muito tarde.

    No funeral. 

    Guarda-chuvas pretos. 

    Katsu imóvel. 

    Lágrimas não paravam de escorres pelos seus olhos.

    — Papai, por que estão enterrando a mamãe?

    Kazan ao lado. 

    Olhos vazios. 

    Não olhava para o filho. 

    — Tira ela de lá, vai rapido.

    Seu tio se aproxima, e abraça Katsu.

    — Calma Katsu, seu tio está aqui.

    Ele olha para Kazan que não mostrava nenhuma expressão.

    Meses passam. 

    A casa muda. 

    Mais fria. 

    Mais silenciosa. 

    Em um jantar.

    Katsu tenta falar. 

    — Pai… 

    Kazan não responde. 

    Outra tentativa. 

    — Eu posso treinar de novo…

    — Chega. 

    A voz vem seca. 

    Katsu trava. 

    Kazan vira o rosto. 

    Não encara.

    — Já chega.

    O tempo passa.

    E com ele…

    A distância cresce.

    O que antes eram pai e filho.

    Se tornam duas pessoas que dividem o mesmo teto.

    3 anos depois. 

    Kazan estava diferente.

    A pessoa que sempre o apoiava não estava mais lá…

    Seus sonhos e objetivos não tinham mais sentido.

    Mas em um corredor. 

    Vozes ao fundo.

    — Aquele garoto…

    — Sobreviveu sozinho por anos…

    — O poder dele é absurdo…

    Kazan para.

    Orfanato.

    Porta antiga.

    Um garoto no fundo do pátio. 

    Estava sozinho, socando o ar.

    Seu olhar era forte.

    Sem hesitação.

    Sem medo.

    Kazan se aproxima de uma das funcionárias.

    — Qual é o nome daquele garoto?

    — O nome dele é Fallon senhor Kazan.

    Ao ver aquilo.

    A chama de um sonho antigo.

    Que foi deixado de lado.

    É reacessa.

    Ele se aproxima.

    Fallon para.

    Kazan tenta tocar em seu ombro.

    Fallon observa.

    E desvia.

    Kazan se surpreende. 

    Ele olha para Fallon e vê uma aura se formando.

    E sorri.

    Depois de tantos anos…

    — Gostei de você, tem potencial.

    Ele estende a mão.

    — A partir de hoje… você será Fallon Keenan.

    Fallon olha um pouco desconfiado.

    Mas aperta a mão de Kazan.

    Alguns dias depois.

    Fallon se muda para a casa dos Keenan.

    Kazan à frente. 

    — Bem vindo a sua nova casa.

    No quintal.

    Fallon ataca.

    Golpes rápidos.

    Fortes.

    Kazan bloqueia.

    Corrige.

    — Mais firme.

    — Não hesite.

    Fallon sorri.

    — Sim, senhor.

    No corredor.

    Katsu observa.

    Em silêncio.

    Mãos fechadas.

    Dias passam.

    Treinos continuam.

    — Muito bom, Fallon.

    — Você aprende rápido.

    O nome de Fallon Keenan começa a se espalhar.

    O prodígio japonês na família Keenan.

    Fazendo o ser conhecido.

    E recebendo o tão honrado título…

    Milagre dessa geração.

    Mas enquanto Fallon ascendia ao lado de seu pai adotivo Kazan.

    Que tanto se orgulhava de finalmente ter algum próximo e forte.

    E que pode chamar de filho.

    Mas enquanto Um brilhava…

    Outro era esquecido na escuridão.

    Kazan aos poucos volta a falar com Katsu.

    Mas agora…

    Apenas cobranças por ser fraco e comparação com Fallon.

    — Desculpa pai… eu venho treinando com o tio para poder me fortalecer.

    Kazan bate na mesa.

    — Espero que não venha me trazer problemas.

    Kazan apenas conversava casualmente, e arcava com custos de vida.

    Como alimentação e estudos.

    Mas toda a sua atenção era destinada a Fallon…

    De volta ao presente.

    Arena.

    Chamas nos punhos de Katsu.

    Instáveis.

    Mas mais intensas.

    Fallon à frente.

    Postura firme.

    Olhar sério.

    Katsu fecha o punho.

    Mais forte.

    As chamas aumentam.

    A pele começa a marcar.

    Ele range os dentes.

    Mas ele não solta.

    Mesmo sendo uma curta luta.

    A falta de sua espada começa a cobrar…

    Fallon percebe.

    — O que foi maninho? Está começando a se queimar?

    Katsu dá um passo à frente. 

    Ele ignora a dor.

    Com um olhar frio.

    Sem hesitação.

    O desejo de vencer seu irmão e finalmente se provar.

    É maior que a dor.

    Ele avança. 

    — Vamos acabar com isso irmão.

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