Índice de Capítulo

    O ar muda.

    Rays permanece parado.

    Seus braços erguidos.

    Seus pés… ainda firmes.

    Mesmo tremendo.

    Ivanov observa.

    Seus olhos estreitam.

    Uma faísca percorre o braço de Rays.

    — Ainda não acabamos. 

    Yara, que estava na plateia assistindo ao lado de James, observava, surpresa.

    — Eu conheço Rays há muito tempo… É a primeira vez que o vejo usar as mãos para lutar. — Ele se vira para James, que também estava surpreso. — Você sabia disso, senhor James?

    — Não, Yara… estou tão surpreso quanto você.

    Há três anos…

    James estava conversando com Rays após uma missão.

    — Parabéns pelo sucesso na missão, você resolveu tudo sozinho, nem deixou seus companheiros ajudarem.

    — Eles são fracos, não estão no meu nível, só vão me atrapalhar.

    — Não é certo pensar assim; todas as pessoas têm seu valor, sei que você ainda vai enxergar isso.

    — Pessoas fortes têm seu valor, por isso porto o título de milagres, enquanto eles são apenas “jovens com poderes”.

    James respira fundo.

    Ele observa que a calça de Rays estava muito suja e rasgada.

    — Desde que você entrou na Nexus, tem algo que reparei.

    — O que seria, senhor vice-capitão?

    — Você luta apenas com as pernas…

    Rays olha para suas próprias pernas.

    — Claro, naturalmente as pernas podem ser 2 a 4 vezes mais fortes do que os braços humanos! É uma questão de eficiência.

     — Sim, eu entendo, mas se limitar apenas às pernas não o torna limitado em uma luta? Com as mãos, você tem mais liberdade e variedade de movimentos!

    — Até hoje não achei ninguém que eu não pudesse derrotar apenas com minhas pernas. Enquanto elas forem rápidas e fortes, assim vão continuar. 

    James suspira com um sorriso.

    — Tudo bem então, confio que você irá vencer assim, mas, se aceita uma dica… comece a praticar taekwondo, suas pernas serão ainda mais fortes.

    James se vira e sai.

    Rays olha para suas pernas.

    “Taekwondo? Ser mais forte?”

    No presente.

    Rays respira fundo, relaxa os ombros.

    Seus pés deslizam pelo chão como uma dança.

    — Só porque está usando as mãos, acha que vai mudar algo?

    Ele inclina o corpo.

    O ar ao redor começa a vibrar violentamente.

    O chão racha.

    — Vamos ver quanto tempo seus braços vão aguentar.

    Ele desaparece.

    O som rasga a arena.

    Antes mesmo do impacto chegar…

    Rays se move.

    Um curto passo lateral.

    O golpe passa por milímetros.

    Ivanov surge atrás com o cotovelo alto.

    Rays gira o corpo.

    Seus braços conduzem o movimento.

    Sem bloqueio.

    Ele redireciona.

    Um impacto invisível desvia o golpe.

    Ivanov erra.

    Seus olhos se arregalam.

    — …?!

    Rays já está ao lado.

    Seu braço desliza.

    Com as costas das mãos…

    — …

    O impacto invisível atinge.

    Ivanov é lançado para o lado.

    Se estabiliza.

    Ele olha sério.

    — Isso não é taekwondo…

    Rays permanece em movimento.

    — Não.

    Outra faísca percorre seu braço.

    Um som explode no ar.

    Ivanov surge em sua frente.

    Com o punho carregado… rompendo a barreira do som.

    Ruídos incomodam na audição de Rays.

    Mas, com calma, ele reage.

    Com a palma da mão aberta.

    Ele pressiona o braço de Ivanov para baixo.

    Enquanto ergue simultaneamente a perna direita.

    Acertando um chute em cheio no rosto de Ivanov.

    Jogando-o contra a parede.

    A explosão levanta uma grande poeira.

    A plateia não entende o que havia acabado de acontecer.

    Tudo aconteceu em menos de um segundo.

    Ivanov dispara como um vulto em direção a Rays, e em menos de um piscar de olhos…

    Duas explosões acontecem na arena.

    De um lado, Rays ainda de pé, com os braços erguidos e com um buraco no chão ao seu lado.

    Do outro… Ivanov estava encostado na parede.

    — Você está certo, isso não é taekwondo!

    Rays ergue seus braços enquanto mais faixas de energia fluíam.

    — Eu apresento a você… o Taekkyeon. 

    Ivanov ergue o olhar.

    Sangue escorria por seu rosto.

    — Taekkyeon?

    Ele se levanta e limpa a poeira em seu corpo enquanto ri sem parar.

    — Vamos ver se consegue reagir de novo!

    O zumbido, mais uma vez, rasga a arena.

    Ivanov avança com o mesmo golpe.

    Mas… a pele em seu braço estava se rasgando.

    Rays, mais uma vez tenta seu taekkyeon counter de antes.

    Só que ele não esperava…

    Que, enquanto redirecionava para o chão o impacto do braço esquerdo de Ivanov…

    O que era apenas um leve zumbido.

    Torna-se um ruído na audição de Rays.

    Que, ao olhar para Ivanov, sua perna direita vinha com outro golpe, um chute rompendo a barreira do som.

    Rays reagiu por reflexo…

    Inconscientemente ergue seu joelho.

    O impacto acerta em cheio.

    CRACK.

    Os ossos internos de Rays se racham e quebram.

    Ele usa as costas de sua mão com correntes elétricas.

    Rays golpeia o peito de Ivanov e a descarga elétrica o repele para longe.

    Mas ele reage com mais um soco, rompendo o som.

    Parando seu corpo e impedindo que se afaste muito.

    A respiração de Rays estava pesada.

    Ele tenta encostar levemente a perna no chão.

    Até com o menor toque…

    Um choque percorre seu corpo.

    A dor era indescritível.

    Rays estava mordendo os lábios até sangrar para segurar a dor e não gritar.

    Naquele momento, Rays não poderia mais realizar nenhum chute… 

    Mas Ivanov também estava gravemente ferido.

    Os músculos dos braços rasgados, sangue escorria por seus braços, sua perna tremia.

    Ambos já haviam passado dos limites.

    Agora, o primeiro a ceder… terá perdido.

    Ivanov aproveita limitação nos movimentos das pernas de Rays e avança.

    Ele corre em velocidade ao redor de Rays, esperando o momento certo.

    Eletricidade flui pelos braços.

    Seus olhos acompanham os movimentos e a corrida de Ivanov.

    “Ele parece estar mais lento… O próximo golpe tem que ser certeiro!”

    Um chute veloz se encaminha.

    Rompendo a barreira do som.

    Rays desvia o rosto sem sair do lugar.

    Mas o impacto no ar faz seu corpo desequilibrar.

    Fazendo Rays usar suas pernas com o joelho quebrado para se equilibrar.

    Ele rapidamente reage.

    Com sua mão, ele aplica uma descarga de choque em sua perna.

    A descarga elétrica bloqueia temporariamente os nervos, evitando a dor, similar a uma “anestesia”.

    Sem perder tempo, ele já prepara um contra-ataque.

    Um golpe invisível com as costas das mãos.

    Depois, outro golpe com a palma da mão.

    A eletricidade acompanha e atinge o corpo de Ivanov. 

    Uma explosão elétrica se espalha pela arena.

    Faíscas…

     Poeira e fumaça por todos os lados.

    Um ruído ainda ecoava no ar.

    Rays estava parado em pé, agora com queimaduras na perna também.

    Ivanov se levanta rangendo os dentes.

    Pequenas faíscas passavam por seu corpo.

    Sua perna já estava roxa e sangrando.

    Ele coloca sua perna à frente.

    Rays arregala os olhos assustados.

    “Ele… vai continuar…?”

    — Fim do jogo, hoje você vai perder, pequeno milagre!

    Ivanov sorri.

    Mesmo destruído.

    Mesmo sangrando.

    Ele inclina o corpo para frente.

    Sua perna treme violentamente.

    O ar ao redor começa a colapsar. 

    O chão racha.

    Rays permanece parado.

    Braços erguidos e respiração pesada.

    — …

    Ivanov dá o primeiro passo.

    BOOOOOOM!!

    Uma explosão rasga a arena.

    Mas…

    Ele para, apenas alguns centímetros à frente.

    Seu corpo trava.

    Os olhos se arregalam.

    Então…

    — AAAAAGHHHH!!

    Um grito brutal ecoa por toda a arena.

    Seu corpo despenca.

    A poeira baixa.

    Rays encara em silêncio.

    Volta ao presente.

    Lance observava, chocado.

    A perna de Ivanov estava destruída.

    A pele havia se rompido.

    Os músculos rasgados pendiam em sangue.

    O osso da canela atravessava a carne.

    Fratura exposta…

    O excesso de aceleração… havia destruído o próprio corpo.

    Todos na arena estavam em silêncio, assustados com a cena em sua frente.

    Marco grita no microfone.

    Não para anunciar uma vitória… mas sim uma emergência.

    — MÉDICOS AGORA NA ARENA!

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