Capítulo 660: Neve Branca
As duas poderosas bestas voadoras se encontraram no ar. Flocos de neve apareceram ao redor da Águia da Neve e, em um instante, todo o céu pareceu se transformar em um campo nevado.
No entanto, um escudo bloqueou os flocos de neve pouco antes deles caírem e se aproximarem de Abel. Como mestre da Fortaleza de Batalha, ele mantinha a proteção de um escudo a qualquer momento enquanto estivesse dentro dela.
Chama Voadora voou livremente em meio aos flocos de neve, parecendo não ser afetado por eles. Seus olhos transbordaram desdém. Afinal, era um Pseudo-dragão do tipo fogo, possuindo o atributo exatamente oposto ao da Águia da Neve.
O encontro de atributos tão opostos não definia uma vantagem absoluta, apenas dependia de quem possuía a maior força, exatamente como naquele momento.
A força de Chama Voadora superava a da Águia, permitindo que voasse livremente pela neve do oponente. Os flocos ao redor da águia não deviam ser subestimados, pois formavam o seu domínio de gelo. Recebia um aumento em seu poder de ataque e reduzia a velocidade dos inimigos enquanto eles estivessem dentro da área nevada.
A Águia também percebeu a força de Chama Voadora. Contudo, seu instinto orgulhoso a fez lançar um novo ataque. Uma esfera de gelo surgiu em suas garras, e ela a arremessou com ferocidade contra Chama Voadora.
Chama Voadora cuspiu uma bola de fogo branca, que colidiu com a esfera de gelo. O gelo derreteu em um instante, e a bola de fogo branca continuou voando na direção da Águia.
A Águia sentiu a ameaça daquela bola de fogo branca. Ela disparou uma flecha de gelo azul-escuro pela boca, atingindo o ataque inimigo. Os dois feitiços se encontraram no ar e se anularam, dissipando-se por completo.
O sentido espiritual de Abel detectou uma enorme ameaça naquele instante. Tanto a bola de fogo branca quanto a flecha de gelo azul-escuro representavam poderes de ataque de fogo e gelo que apenas os Magos Avançados de elite podiam possuir.
Ele observou Chama Voadora e a Águia usarem o poder elemental de Magos Avançados de elite em um ataque casual. Abel suspirou, pensando em como os céus favoreciam as bestas espirituais. Os humanos precisavam passar por incontáveis anos de cultivo, e apenas uma pequena fração deles conseguia alcançar esse nível.
As bestas espirituais, por outro lado, precisavam apenas crescer normalmente para obter uma força de combate igual ou até superior à de um Mago Avançado humano.
Chama Voadora e a Águia da Neve trocavam golpes contínuos no ar, aparentando estar em uma disputa equilibrada. Abel, no entanto, percebeu a verdade. Chama Voadora não brincava há muito tempo e estava apenas se divertindo no momento!
“Chama Voadora, termine a batalha rápido, pare de brincar!” Abel gritou alto.
Chama Voadora ouviu as palavras do seu mestre e dobrou a sua velocidade imediatamente. A Águia, que já era mais lenta, mal conseguiu acompanhar a direção do voo do oponente.
Chama Voadora mudou de direção no ar e logo chegou às costas da Águia. Ela se tornou uma existência anômala no céu, graças ao fortalecimento da Velocidade Extra.
O próprio voo de um Pseudo-dragão consistia em manipular o ar, sofrendo quase nenhuma restrição da resistência do vento. Isso tornava o Pseudo-dragão a criatura mais rápida do mundo inteiro, perdendo apenas para os dragões.
Com essa base, Chama Voadora ainda recebeu a melhoria da Velocidade Extra, uma habilidade vinda do inferno. Sua velocidade quebrou os limites das regras e alcançou um nível impossível.
Chama Voadora se posicionou atrás da Águia e usou as pernas curtas para agarrar suas asas, enquanto as duas garras dianteiras prenderam o pescoço da ave. Ao mesmo tempo, ativou o seu Vigor Draconiano com força total para suprimi-la impiedosamente.
A Águia da Neve perdeu a capacidade de voar quase instantaneamente. Ela não despencou apenas porque Chama Voadora a segurou no ar. O mais assustador foi a intensa supressão do Vigor Dracônico em sua mente, lançando-a em uma confusão temporária.
Chama Voadora carregou a Águia dessa maneira até o lado de Abel. A ave acabou de despertar de sua confusão e viu o humano.
Ela tentou atacá-lo, mas teve a sua energia bloqueada pelas garras de Chama Voadora no seu pescoço assim que tentou canalizar o seu poder.
Abel observou a Águia à sua frente. Suas penas brancas ficaram um pouco bagunçadas devido à batalha, mas isso não afetou a sua aparência majestosa. As águias podiam ser consideradas as aves mais orgulhosas. Tanto humanos quanto orcs viam a dominação de uma águia como uma exibição de força.
Essa Águia da Neve representava a mais forte entre as de sua espécie. Cada uma de suas penas emitia flutuações de energia, o que fez Abel estender a mão para acariciar a plumagem que parecia esculpida em gelo e neve.
A Águia das Neves começou a se debater loucamente ao ver a mão do humano se aproximar. Ela era uma fera orgulhosa e a filha predileta do céu, jamais permitiria o toque de um humano.
Entretanto, uma terrível e inigualável pressão opressiva emanou do corpo de Abel bem no momento em que ela resistia. A pressão a fez desistir de lutar instantaneamente.
Dragão! Uma palavra transmitida por incontáveis gerações surgiu na mente da Águia da Neve. Aquele era um tabu, representando uma nobreza insuperável.
Ela se sentiu como uma formiga insignificante sob aquela enorme supressão. Seu orgulho desapareceu. A ave abaixou a cabeça instintivamente e abriu todas as suas defesas para Abel, retraindo toda a energia presente em suas penas.
Abel colocou a mão sobre ela e ativou a antiga Técnica de Fortalecimento de Montaria. A Águia da Neve não sentia mais nenhuma vontade de resistir, cooperando instintivamente com as ações do humano.
Ele logo sentiu uma alma aterrorizada e transmitiu uma emoção reconfortante. A alma assustada pela pressão só então se acalmou lentamente.
Naquele momento, a Águia já tinha se tornado mais uma besta contratada. Abel olhou para o seu espaço da alma com um sorriso amargo. O espaço, que cresceu após o seu avanço para Alto-Comandante e os sucessivos avanços de nível como Mago, ficou cheio novamente por conta desse contrato.
Ele acreditou que um espaço da alma tão grande permitiria contratar pelo menos mais duas bestas espirituais, mas acabou subestimando a força da Águia da Neve.
A Águia das Neves enfrentou um oponente como Chama Voadora, que também podia voar. Se fosse uma criatura contratada terrestre, não conseguiria ameaçá-la de verdade, não importando o quão forte fosse.
A orgulhosa Águia das Neves preferiria a morte a assinar um contrato com um humano, se Abel não tivesse usado sua aura dragonica. Tratava-se do orgulho de sua raça. As bestas espirituais de alto nível nasciam quase predestinadas a pertencer à pequena fração de criaturas no topo do mundo.
“De agora em diante, você se chamará Neve Branca!” Abel observou as penas imaculadas da ave e escolheu o nome casualmente.
Neve Branca olhou ao redor, ainda um pouco incomodada. Nesse momento, Chama Voadora pareceu ficar com fome após a luta. Ela tirou uma Poção Nutritiva da Bolsa Dimensional pendurada em seu pescoço usando a garra dianteira, bebeu o conteúdo e se preparou para jogar o frasco vazio fora.
A criatura notou o olhar fixo de Abel e, obedientemente, sacudiu o frasco vazio mais duas vezes para limpá-lo antes de entregá-lo nas mãos do mestre.
Os frascos de cristal do Mundo Sombrio possuíam a capacidade de preservar a eficácia das poções por muito tempo. A preciosidade do recipiente era evidente pelas poções ainda utilizáveis nas lojas de Lut Gholein após dezenas de milhares de anos.
“Ah, Neve Branca, isto é para você!” Abel pegou uma Bolsa Dimensional vazia ao seu lado, colocou algumas Poções Nutritivas com sabor de Coelho Uivante Azul dentro e se aproximou para pendurá-la no pescoço da águia.
Neve Branca olhou para a Bolsa Dimensional em seu peito com curiosidade. Sua inteligência não era baixa e, após ver a ação recente de Chama Voadora, logo descobriu o segredo da bolsa.
A ave puxou uma Poção Nutritiva da bolsa com o bico, usou-o agilmente para abrir a tampa, derramou o líquido na boca e imitou Chama Voadora, entregando o frasco vazio nas mãos de Abel.
Abel deu um tapinha no pescoço de Neve Branca e disse para Chama Voadora: “Veja só, a Neve Branca sabe que deve devolver a garrafa vazia sem que eu precise pedir!”
Chama Voadora esticou a cabeça imediatamente e se esfregou no peito de Abel, agindo com manha. O humano não teve escolha a não ser acariciar o seu pescoço para consolá-la até que ficasse quieta.
“Neve Branca, você quer pegar alguma coisa na sua caverna?” Abel perguntou à águia ao seu lado.
A ave assentiu com a cabeça rapidamente, como se houvesse muitos tesouros na caverna dos quais ela não conseguia se separar.
“03, libere as defesas e eleve a permissão da Neve Branca para entrada e saída livres!” Abel ordenou à Fortaleza de Batalha sob seus pés.
“Sim, mestre. Confirmando a elevação da permissão da Neve Branca. Elevação concluída!” A voz mecânica ressoou, e o espírito da Fortaleza de Batalha 03 aumentou o nível de acesso da ave de imediato.
Neve Branca abriu as asas e deixou a plataforma com um leve bater, voando para o céu. Ela atravessou o escudo e rumou para sua caverna rapidamente.
Abel aguardou por alguns minutos até ver Neve Branca voar para fora da caverna e retornar para o seu lado.
A ave retirou uma pilha de safiras da Bolsa Dimensional em seu pescoço, a maioria sendo Safiras Perfeitas. Esse provável acúmulo de anos no topo nevado foi empurrado na direção de Abel.

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