Capítulo 69 - Bruce Vs Irmãos Mercenários
Bruce aparou o ataque com a adaga, o impacto reverberando por seu braço. Ele respondeu com um corte fluido que mirava o pescoço do careca, mas o homem recuou com um salto ágil.
Enquanto isso, os homens-lagartos avançaram, dividindo-se para atacar ambos os humanos. Bruce acompanhou o careca, atuando como sombra de seu aliado, protegendo-o de golpes mortais e criando aberturas no ritmo da batalha.
— Que merda! Não tem jeito… — reclamou o careca, visivelmente frustrado.
Foi então que algo mudou. A postura do humano se ajustou, e a atmosfera ao seu redor pareceu vibrar com uma energia quase palpável. Bruce estreitou os olhos, reconhecendo aquilo.
“Fluxo.”
O careca avançou novamente, agora com uma velocidade que deixava um rastro quase imperceptível. Bruce preparou-se, os músculos tensos. Ele sabia que a verdadeira luta estava apenas começando.
A ativação do Fluxo transformou a batalha em questão de instantes. Bruce sentiu a pressão mudar como se o ar ao seu redor estivesse sendo engolido por algo invisível.
Bruce viu uma lâmina vir em sua direção, mas, ao reagir, percebeu que já era tarde. A dor atingiu sua barriga como uma onda elétrica. Ele se curvou instintivamente, seus músculos se contraindo ao máximo. Antes que a espada pudesse perfurá-lo por completo, o aço encontrou a resistência do impossível. Com um estalo seco, a lâmina quebrou dentro dele.
— O quê?! — o outro humano gritou, os olhos arregalados em incredulidade ao ver o metal ceder.
O alívio foi breve. Bruce mal teve tempo de reagir quando dessa vez o careca avançou, a força bruta do impacto o lançando como uma pedra atirada. Ele foi arremessado para trás, seus pés arrastando no chão antes de perder o equilíbrio. O golpe seguinte o jogou longe, seu corpo quicando contra o solo antes de mergulhar nas águas escuras do lago.
Ele afundou. A dor latejava em sua barriga, irradiando calor e frio ao mesmo tempo, mas Bruce não cedeu. Dentro da água, apertou os dentes e arrancou a lâmina quebrada que ainda estava presa. Sangue misturou-se à água ao seu redor, formando um borrão escarlate que se dissipava lentamente. Ele emergiu com uma arfada, o som de sua respiração ofegante misturando-se ao eco distante da batalha acima.
“Se minha regeneração fosse como a de Pendragon… isso aqui não seria nada.”
Ele murmurou para si mesmo, jogando o pedaço de lâmina fora com um ar de desdém.
De volta à margem, Bruce viu a cena que tanto temia: outro de seus companheiros homens-lagartos caíra. O corpo inerte no chão era um lembrete cruel da diferença de poder entre eles e os humanos. Estava de joelhos, suas forças claramente esgotadas. As adagas que segurava tremiam em suas mãos.
Bruce fechou os olhos por um instante, os números se gravando em sua mente como um peso.
— Hoje… morreram seis. — Ele murmurou, suas palavras carregadas de amargura. — Parece que somos realmente fracos… comparados ao mundo dos humanos.
Os dois inimigos à sua frente mantinham-se em guarda, olhos fixos nele. O humano que havia perdido sua espada abaixou-se para pegar uma das armas caídas.
— Ainda pensa em nos capturar, lagartixa? — O homem careca perguntou, seu tom cheio de escárnio.
Por um momento, Bruce permaneceu imóvel. Então, de repente, uma risada escapou de seus lábios, crescendo em intensidade. Ele se levantou, ignorando a dor que pulsava em cada fibra de seu corpo.
— É isso que eu estava procurando. — Ele assumiu a postura de combate novamente, as adagas brilhando levemente sob a luz que filtrava entre as árvores. Seu sorriso era feroz, os olhos acesos por uma chama intensa. — Vamos lá… me deem isso! Me deem a experiência que preciso para ficar mais forte!
Os dois humanos trocaram olhares.
— Esse cara é maluco. — Um deles murmurou, nervoso.
— Temos que acabar com ele. Esse aí não vai parar até que um de nós esteja morto. — Disse o careca.
— Já usei duas vezes. E você? — Perguntou o outro, ajeitando a postura.
— Duas também.
Bruce estreitou os olhos, observando cada movimento dos inimigos. As palavras deles eram carregadas de significado, e ele analisava cada detalhe.
“Estão contando o número de vezes que usaram o Fluxo? Talvez haja um limite… mas eles ainda parecem confiantes. Não atingiram o ponto de exaustão.” Ele pensou, sentindo a adrenalina correr.
Sozinho. Contra dois inimigos superiores, tanto em força quanto em técnica. Tudo indicava que a derrota era inevitável. E, no entanto, Bruce sentiu um calafrio percorrer sua espinha, não de medo, mas de pura excitação.
“É isso.”
Ele pensou, apertando as adagas.
“Essa é a oportunidade que eu esperava. É assim que se aprende. É assim que se fica mais forte.”
Os dois humanos avançaram ao mesmo tempo, seus corpos envoltos em uma aura quase palpável de energia vibrante. Para Bruce, o tempo parecia desacelerar, mas a pressão no ar deixava claro que, na verdade, eram eles que estavam mais rápidos. Com o fluxo ativado pela terceira vez, ambos inimigos superavam sua velocidade de reação. Ele sabia que, mesmo se desviasse de um ataque, o outro o alcançaria.

“Prever o ataque… prever e contra-atacar,” Bruce repetiu mentalmente, seus olhos fixos nos movimentos dos adversários. Ele ergueu uma adaga, interceptando o golpe da espada do humano careca. O impacto fez faíscas dançarem no ar, mas ele já estava se abaixando, antecipando o ataque do segundo inimigo.
Não era apenas um desvio. Bruce girou o corpo com uma rasteira dupla planejada, sua perna cortando o ar como uma lâmina. Ele precisava atingir ambos de uma só vez, ou seria o fim.
Mas o careca era rápido. Com um movimento fluido, o humano girou o corpo e acertou um chute poderoso no tórax de Bruce antes que a rasteira pudesse conectá-lo. O impacto foi devastador.
Bruce foi lançado como uma boneca de pano, seu corpo colidindo com o tronco de uma árvore robusta. Um grito de dor escapou de seus lábios enquanto o impacto parecia ecoar pelo seu estômago.
Ele não podia se dar ao luxo de parar. Antes que o inimigo pudesse capitalizar o momento, Bruce rolou para o lado, afastando-se. Mas a margem de segurança durou apenas um piscar de olhos — o segundo humano já estava sobre ele, sua espada cortando o ar em uma sequência implacável.
Os golpes eram rápidos demais para serem bloqueados completamente. Bruce conseguiu evitar cortes fatais, mas sentiu uma pontada aguda na coxa direita. Uma lâmina atravessou seus músculos, saindo do outro lado, e ele quase caiu de joelhos.
“Droga!” Ele rangeu os dentes, ignorando a dor enquanto bloqueava, uma a uma, as estocadas seguintes do inimigo. Sua perna latejava, mas sua mente permanecia focada.
Mesmo preso, Bruce conseguiu algo surpreendente. Usando uma das adagas, ele defletiu uma estocada e, sem hesitar, atirou a outra adaga na direção do humano careca. O movimento pegou o homem desprevenido, forçando-o a se esquivar. O humano largou a espada na pressa, a lâmina permanecendo cravada na coxa de Bruce.
A dor ao recuar era quase insuportável, mas Bruce sabia que precisava ganhar distância. Ele cambaleou para trás, afastando-se enquanto o outro humano finalmente começava a mostrar sinais de cansaço.
Os dois inimigos recuaram juntos, suas respirações entrecortadas e corpos tremendo. O humano careca cuspiu no chão e praguejou:
— Merda… o efeito acabou. Três vezes agora.
— Aqui também… — respondeu o outro, ofegante.
Bruce estava em um estado ainda pior. Suas feridas pulsavam, o sangue manchava a terra abaixo de si, e cada movimento parecia um sacrifício. Mas ele ainda estava de pé, segurando as adagas com mãos trêmulas.
“Douglas… é realmente fora da curva. Quando ele usou o fluxo contra mim no treino, eu nem consegui acompanhar,” pensou Bruce, lutando para manter o foco. “Esses dois não estão no mesmo nível que ele. Mesmo assim…”
De repente, um grito cortou a tensão do campo de batalha:
— Soltem as armas!
Todos se voltaram para a floresta. Flechas surgiram das sombras, uma delas cravando na perna do humano careca antes que ele pudesse reagir. Em seguida, homens-lagartos surgiram das árvores, armados com espadas e arcos, cercando o local.
Bruce reconheceu imediatamente a voz que havia dado a ordem.
— Shayax… — ele murmurou, surpreso.
Um dos homens-lagartos avançou, colocando-se entre Bruce e os inimigos.
— Pode deixar com a gente agora, Bruce, — disse Shayax, seu tom calmo, mas firme.
Bruce deixou escapar um sorriso cansado.
— Se minha irmã te visse agora, ia ficar toda animadinha… — comentou ele, sua voz carregada de dor, mas com uma pontada de humor.
— Isso não é hora pra… — Shayax começou, mas parou, visivelmente envergonhado. — Bom, quando voltarmos, conta isso pra ela.
Os dois humanos, agora completamente cercados, deixaram cair suas armas. Não havia mais luta neles. Amarrados e rendidos, eles foram levados pelos homens-lagartos.
Enquanto caminhavam de volta, Bruce olhou para Shayax e, pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se aliviado. Mesmo em meio à dor, ele sabia que tinha sobrevivido para lutar outro dia — e isso era tudo o que importava.
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