Capítulo 147 - Clã Zeimah vs Time Demifaiku: Punho e Palma
No telão, era mostrada a grade de confrontos.
Clã Zeimah versus Time Demifaiku
Templo Shenhua versus Time Omna
Clã Planície Ovalada do Sul versus Templo Kirameku Kitakaze
Clã Orudofeza versus Time Taipe
Time Avalice versus Clã Dongfang Dilímíng
Time Estrela Roca versus Time Sonson
Time Monsenhor Sesto versus Templo Xionhue Zu
Clã Aurora Florida versus Time Akumu
A torcida, afoita por lutas, cochichava nas arquibancadas.
“O Time Omna vai passar por cima dos Shenhua!”
“Os Taipe tiveram sorte! Pegaram um templo desconhecido, haha!”
“Time Akumu?! Haha! Que nome clichê, pelos deuses!”
Os burburinhos eram inúmeros.
Por toda a Arena Shang Mu, histórias, rumores e “aumentos, mas sem inventos” elevavam ainda mais a temperatura da panela de pressão prestes a entrar em ebulição.
Enquanto isso, no Panteão dos Milenares, o time Avalice aguardava ansioso pelo momento de sua luta. O adversário já estava definido.
— O que você sabe desse clã, Santino? — perguntava Lilac.
O canino marrom, de braços cruzados, respondeu:
— Como posso dizer? — franziu a testa, que tremia. — Eu lutei contra o Sang Bã Uo três vezes. Ele é forte… então os outros devem estar no mesmo nível.
Carol empinou a cabeça um pouco para frente, lentamente, percebendo algo.
— Peraí… o nome do cara forte é Sang Bã Uo, é sério?
— Sim, kiddo? O que foi?
— Ah, nada, nadinha… Esse cara deve ser sangue bom até demais, nyah! — deu uma risadinha.
Pouco depois, um chau gong (gongo chinês) soou por um dos monges do staff. Não muito agudo, mas o suficiente para chamar atenção.
No lei tai, lá estava Ana Andirá.
— Clã Zeimah e Time Demifaiku… apresente-se à área de luta!
O chamado.
E, com ele, universos estavam prestes a colidir.

A luz abaixou, a arena ficou um pouco mais escura. O cenário ganhou clima noir, era a intenção.
No centro do lei tai, um holofote cobriu Ana Andirá. Segurando seu microfone com as duas mãos, como se o estivesse abraçando com carinho, sua voz firme e doce foi ouvida.
— No passado, a história em Avalice estava sendo escrita. Povos distintos, em disputas que duraram anos, buscavam a supremacia das artes marciais de seus próprios estilos e clãs.
Veio um silêncio. A morcega puxou o ar.
A seriedade estava em cada letra.
— Não eram tempos de paz, não iremos romantizar. Os que caíram deixaram um legado, mesmo que já não tivessem o brilho de seu Nirvana nessa terra. Avalice perdeu nomes, mas ganhou lendas.
Toda a arena estava calada.
O luto foi respeitado.
— Mas hoje, aqui na Arena Shang Mu, iremos honrar o que todos eles deixaram. A Guerra dos Milenares… será recontada pelos próprios lutadores de hoje!
As arquibancadas explodiram. Mesmo na escuridão, os gritos ensandecidos das pessoas transformaram o local — pulsava, como um coração.
— Título: O Início. Onde tudo começou e que definiu também como seria o fim.
As luzes se acenderam, lentamente. As cores ficaram mais fortes, com as laterais do lei tai ganhando textura: tochas acesas abriram abas, para que, enfim, os dois times entrassem juntos.
Enquanto isso, na Tribuna de Honra da Arena Shang Mu, Huli observava a cerimônia da área luxuosa e reservada. O raposo ruivo, sentado na poltrona, acompanhou a cerimônia.
Quieto, se limitava a observar o lei tai, com a entrada dos times.
Enquanto contemplava a bela visão, eis que a porta do salão se abriu. Passos foram ouvidos, caminhando em sua direção.
Era Bryan.
O urso se sentou ao seu lado, na outra poltrona.
— Gostando do que está vendo, caro guardião?
— Deveras. Um belo espetáculo. É de extrema importância ver o povo bradar e se inquietar. Eles amam artes marciais.
— Hm… era o que eu queria ouvir.
Um silêncio entre os dois veio. Só o ruído das arquibancadas infladas foi ouvido.
Após um breve momento, Huli disse:
— A senhorita Leda Ilford-Cooke trouxe atualizações? Sobre o Samsara, seu portador.
— Ainda não. Mas não se preocupe; ela se mostrou bem competente.
— E as provas?
— Minha secretária garante isso.
Huli sorriu, raridade. Foi o suficiente.
— Essa luta inicial… Ela tem um aspecto interessante — falava o raposo. — Duas escolas distintas.
— Ouro Superior. Aquele cara é um figuraça!
— Você o conhece?
— Sim… E os punhos dele também, haha!
— O Clã Zeimah tem história. Conheci, há poucos meses, o Sifu sênior deles. Um indivíduo polido e honrado, mas…
Bryan olhou para o raposo, sorrindo como antes.
Huli concluiu.
— Vejamos como as Sementes de Zeimah germinarão.
A cena fugiu da Tribuna, correndo para lei tai como o vento.
As encaradas entre os membros ocorreram, como a torcida esperava.
Amy veio na frente, liderando seu time.
No outro, um canino, monge bem vestido. Seu rosto estava escondido por sombras, provenientes da iluminação forte, causando o escurecimento em seu rosto.
A jovem o olhou, possuía determinação, e o outro capitão lhe devolveu a mesma “gentileza”. Mas foi além disso: desviou o olhar com desdém.
Nevada percebeu isso, fixando seu olhar para ele.
— “Esse é o tipo de cara que merece levar um soco na cara.”
Não só ele, mas também Detroit e Ohio sentiram um pouco de desconforto ao olhar seus oponentes. A esquilo cochichou:
— Psiu, Ohio… — falou em seu ouvido. — Notou o nariz empinado?
— Hm… só ignore — olhou para o lado, os encarando.
Logo atrás, observando o comportamento, Gil Son acompanhava o cortejo até o lei tai. Mas, a exemplo dos colegas, ele notou.
— “Hehe… como esperado. Ô, isso vai ser muito interessante…”
Já sobre a área de luta milenar, ambos os times estavam um de frente para o outro, com Ana Andirá no meio deles.
— Nessa primeira fase do torneio Tormenta, as regras são as seguintes… — caminhou um pouco mais à frente.
Os dois times já se encaravam.
O Clã Zeimah era formado por monges do extremo sul de Shang Mu — todos felinos. Eles tinham um ar nobre, porém elitista.
Sem desviarem o olhar, o quinteto conversava — cochichos quase inaudíveis — na frente do Time Demifaiku. Era visível que o assunto era um só:
“Um clube de pé-rapados.”
“Devemos nos conter. Varrê-los pode sujar nossa reputação.”
“Precisamos fazer um esforço para não feri-los com gravidade.”
Todos os cinco tinham o mesmo viés.
Neste cenário, Ana explicou:
— É uma luta de domínio. Ou seja, a vitória será conquistada ao jogar o adversário para fora do octógono. Porém, caso um lutador seja nocauteado, eu abrirei a contagem;
A impaciência de Nevada se mostrou: o cougar cabeludo andava para um lado e para o outro, olhando para cada um dos membros do time adversário.
A morcega continuou:
— O espírito esportivo deve ser respeitado. Nenhum oponente poderá realizar provocações que ultrapassem o tolerável. Interações verbais são permitidas, ademais;
Detroit deu uma risadinha, fitando um dos felinos do outro time. Com o polegar, traçou no pescoço um gesto, uma provocação direta.
Um mal-estar surgiu. O desdém aumentou.
Ana ainda falava:
— O integrante vencedor poderá permanecer no octógono até sofrer uma derrota ou, se quiser, ser trocado por outro integrante após uma vitória. Usem isso com sapiência: o lutador substituído não poderá mais retornar ao lei tai nessa fase;
Ametista Superior estava imóvel tanto quanto todo o Clã Zeimah. Seu foco era o líder, onde as luzes projetadas contra as estruturas superiores do lei tai lançavam sombras sobre seu semblante, o deixando anônimo.
Ela nem piscava.
E, finalmente, Ana terminou de explicar as regras.
— Nessa primeira fase, as lutas ocorrerão no estilo “melhor de cinco”: o time que conquistar três vitórias estará classificado para a próxima fase do torneio. Então… hora da luta!
Terminado, com entusiasmo Ana olhou para os dois times, confirmando o entendimento.
— Escolham o primeiro lutador, times!
Os grupos foram para a área de cada um, em lados opostos da arena.
Mas, antes disso ocorrer, um dos membros do Clã Zeimah, um felino com cabelos vermelhos, fixou seu olhar em Detroit. Nevada percebeu.
— Aí, algum problema? — disse, se intrometendo.
— Ela… — apontou com o indicador. — Aquele sinal que fez… foi ofensivo ou só uma brincadeira?
— Coisas de adolescente. Ou isso te abalou?
— Seja qual for o objetivo, será respondido.
— Ótimo… — manteve a proteção. — E seja lá qual for a resposta, veremos ela no lei tai, não é?
O felino de cabelos vermelhos insistiu no olhar. Detroit o encarou, mas não do mesmo jeito. A risadinha não tinha o mesmo brilho.
— “Esse aí sentiu…” — pensou, uma gota de suor escorreu. — “Por que eu tô tensa com o cara então? Tss…”
No Time Demifaiku, reunido, Ametista Superior apontou para o primeiro.
— Nevada… contamos com você.
— Ótimo… — ele bateu os dois punhos um contra o outro. — Vamos abrir a primeira luta com chave de ouro.
Ele subiu a plataforma, ajeitando as luvas.
Ana Andirá, ao centro, aguardava os dois lutadores.
— Vamos começar a primeira luta!

O cougar escuro estava a postos enquanto seu adversário subia na plataforma.
Do outro lado, o time do Clã Zeimah se manteve em silêncio. O líder, cuja face se manteve anônima à cena, executou um estalar de dedos, e convocou um deles.
O escolhido deu um passo, reverenciando seu capitão. Seu visual era diferenciado: cabelos vermelho-esbranquiçados, tão natural quanto seu andar elegante.
Antes de sair do espaço, um outro membro de pelagem bege foi até ele — os brincos em espiral que usava fizeram um “trim” baixo.
— Não exagere nessa rodada. Faça o mínimo para vencer, Lito — disse, colocando a mão sobre o ombro do colega.
— Beji, os mil anos de artes marciais em Avalice estão protegidos — voltou a caminhar, olhando para frente. — Nosso clã tem influência o suficiente para o “não combate”.
O traje do monge felino era impecável: chuba (vestimenta de monge tibetano) bordado e lampejado. Seu caminhar calmo e olhar dominante buscaram o de Nevada, que o encarava — a testa franzida mostrava tensão.
Com os dois frente a frente, Ana Andirá anunciou:
— Lito Zyan Xi contra Nevada Clinch! Começ… — ela foi interrompida.
O felino estendeu sua mão, pedindo a palavra, e então disse:
— Estou tentando aceitar o fato de meu adversário ser alguém sem linhagem. Essa luta não é necessária, cara juíza.
Clinch respirou fundo, ainda tenso. Lentamente, sua aura envolvia seu corpo.
No centro, a morcega falou:
— Trate de guardar sua opinião consigo e faça o que veio fazer. Estamos conversados?
— Senhorita, eu insisto. Essa luta não é necessária. Proclame meu time como o vencedor e poupe “acidentes”.
A torcida, mesmo de longe, sentiu o tom do lei tai. A demora, as palavras, o não início… Tudo isso minou o público.
“Cadê a luta?”
“Queremos ver sangue e ossos quebrados!”
“Menos conversa, mais ação, platinado!”
As reações foram muitas.
Diante da arrogância de Lito, Nevada falou:
— Posso criar “necessidades”, se você quiser.
— Sem linhagem, sem honra. Essa doutrina pugilista, bruta e sem arte, que vocês praticam ofende ao meu clã.
— Ótimo. Então você tem um motivo pra lutar. E mude seu linguajar. Não estamos em um teatro, cabelinho bom.
— Você tem um humor estranho, selvagem.
— Selvagem? Está me elogiando… Mas vou te dizer uma coisa: você me deu um motivo pra te esmagar feito uma geleia. E eu odeio geleia…
Lito fechou o semblante, balançando a cabeça em negação. Colocou-se em posição de luta — pernas flexionadas e palma direita aberta — e Nevada pôs os punhos à frente, com as pernas se movimentando para frente e para trás.
— Comecem a lutar!
O anúncio — o famoso “let’s fight” — soou: somente dois passos foram necessários para que o cougar executasse um poderoso soco no rosto de Lito.
— Soco direto… Dempsey Drill!
Nevada investiu com tudo, com o punho energizado de Nirvana — brilhoso e com cheiro de metal. Seu soco era tão potente que deslocou o ar, gerando um ruído agudo enquanto seu braço girava em espiral — parecia uma furadeira.
Isso fez com que Lito tocasse a palma sobre o punho iluminado, deslocando milímetros de seu rosto, mas houve um custo: o golpe arremessou o monge para longe, com a arquibancada vibrando pelo movimento sísmico.
— Hm… ele conseguiu defletir — falou Nevada.
Na lateral, a leitura de Amy:
— “A palma para frente… Eles são o Clã Zeimah. Meu pai me contou que são especialistas em controlar danos.”
O monge, longe do seu oponente, ainda se recuperava. O golpe foi potente.
— Devo admitir que esse soco primitivo é poderoso, mas ineficiente à minha técnica Mão Evasiva Zeimah.
— Ótimo… você usou essa técnica para evitar ser esmagado. Quer uma medalha?
— Você não é só um selvagem, percebi… — voltou a sua forma de luta. — Então, acho que essa é a mi…
Antes que completasse, com um passo, Nevada já estava em seu encalço, com sua aura recém aflorada brilhando.
— Dois socos: Dyla-Rina! — gritou, executando o movimento.
Um golpe duplo ritmado, com explosão de energia branca, emergiu pelos punhos do cougar obrigando Lito a pensar rápido.
O primeiro veio cruzado, com Nevada girando o quadril durante o movimento. Ele “engrossou” o ar; um ruído seco soou no vácuo.
Lito usou sua palma — sentiu arder sua mão — e precisou ter um olhar crítico.
O segundo soco veio, mais condensado, fez Nevada trincar o abdômen: o poder foi ainda maior, propagando uma gama de energia por todo seu braço até o punho. O barulho gerado era de um estrondo.
Lito deu um passo para trás, levando sua palma aberta até a extremidade do punho energético de seu oponente.
A pressão o fez não só defletir: foi necessário um deslocamento maior, foram quatro passos para o lado, evitando danos maiores. A borda do lei tai estava logo atrás.
Enfim, foi nesse momento que as coisas mudaram.
A torcida urrou, batendo os pés contra o chão da arquibancada. Se era um show que esperavam, os dois mostraram.
“Era disso que eu tava falando!”
“O Nirvana do cabeludo aflorou! Aflorou!”
“Agora a luta começou de verdade!”
As artes marciais respiravam.
Face a face, Nevada e Lito se estudavam. Enquanto o cougar se movia para frente e para trás, o felino monge manteve sua palma à frente e estático, porém não calado.
— Selvagem… Seu nome é Nevada, não é?
— Sim. E o seu é Lito, estou sabendo.
— Esqueceu de dizer minha linguagem, selvagem! Nunca esqueça.
— Claro… assim como você não deve se esquecer dos meus socos.
— Troca justa.
Dois mundos distintos se confrontavam.
E também começavam a se conhecer.
Esse capítulo presta uma homenagem emocionada à minha tia Cristina.
Ela adorava filmes de terror, mas era um amor de pessoa.
Que Deus a receba com todas as honras e glórias. E tenho certeza de que ela está lá em cima em vigilância por todos os familiares.
“Eu quero é mais rabanada!”
☀️ 1965
⭐ 2026
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Visitem seus parentes regularmente.
Para você pode ser só uma evento esporádico, mas para eles pode ser um acontecimento inesquecível… e pode ser o último na vida.
Fiquem na paz.

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