Capítulo 357: Registros (2)
O Dragão Ancestral Eruhaben, que estava indo em direção a Cale com um sorriso, estremeceu ao ver a expressão de Cale.
Cale não se importou e estendeu a mão para Eruhaben.
— …O que você quer?
Eruhaben não sabia o que Cale queria dele.
— Ah, você vai fingir ignorância, Eruhaben-nim?
O tom de Cale foi extremamente áspero.
Cale começou a falar novamente enquanto o Dragão Ancestral lentamente começou a franzir a testa ao ouvir o tom de Cale, que era diferente do normal.
— Por favor, entregue o artefato ancestral.
Era um tom estranhamente rude. No entanto, Eruhaben, que fez contato visual com Cale, não reclamou do tom.
Em vez disso, ele respondeu com uma expressão calma.
— Artefato ancestral? Você não ouviu ele se quebrar?
— Haaaa.
Cale soltou um suspiro profundo.
Eruhaben teve que se esforçar para não se encolher ao ouvir aquele suspiro. Ele viu Cale Henituse olhar para o teto do campo de treinamento antes de voltar a encará-lo.
— Eruhaben-nim.
Cale continuou calmamente.
— Parece que caí no seu truque?
Cale olhou de volta para Eruhaben, que o observava em silêncio.
O artefato ancestral.
A água que saía do jarro cheio de vitalidade enchia até a quantidade desejada pelo usuário.
Ele só preenchia o necessário para o usuário. Quebraria se não atendesse aos desejos do usuário.
Foi isso que o Rei Mercenário lhe disse.
— Não tenho intenção de perguntar por que você não usou o jarro corretamente.
A expressão de Cale continuou calma enquanto Eruhaben começou a franzir a testa cada vez mais.
— Haaa, você-
Eruhaben começou a falar, mas não conseguiu continuar.
Foi porque Cale o interrompeu.
— O jarro supostamente enche tanto quanto o usuário quiser.
Um passo, depois outro passo.
Cale começou a se aproximar do Dragão Ancestral.
— Esse artefato ancestral será inútil em suas mãos agora, Eruhaben-nim.
Mil anos.
Ele era alguém que viveu por tanto tempo. Cale não tinha tanto medo desse Dragão, que era o mais longevo da espécie, conhecido por ser arrogante e independente.
— É inútil porque você não deseja viver muito mais tempo.
Um passo.
Cale parou a apenas um passo de Eruhaben, que começou a falar.
— Você tem razão.
Ele não discordou de Cale.
— Esse jarro não encherá de água mesmo que você o coloque de volta na minha mão.
Eruhaben admitiu que não queria viver muito mais tempo.
Cale viu que Eruhaben, que havia empalidecido após a luta contra o Estrela Branca, parecia bem novamente e perguntou de volta.
— É cerca de um ano?
Ele se lembrou do que um Elemental do Vento lhe disse.
Dizia que Eruhaben havia tomado apenas um gole.
Cale estava perguntando quanta vitalidade havia naquele gole.
— …Sim. Acho que provavelmente viverei mais um ano.
Um ano.
Isso era semelhante ao tempo que restava a Eruhaben antes de gastar sua energia para lutar contra o Estrela Branca.
Eruhaben havia determinado que seria o suficiente.
— Derrotaremos o Estrela Branca nesse período.
O Dragão Ancestral parecia certo de que derrotariam o Estrela Branca nesse tempo. Era também sua maneira de demonstrar sua vontade de fazer isso acontecer.
— Mas como você sabia?
Eruhaben estava perguntando ao silencioso Cale como ele sabia o que ele fez com o artefato ancestral.
Ele não sentiu nenhum tipo de magia ou Poder Ancestral fora do portão de ferro.
— Isso é importante?
Cale respondeu sem rodeios antes de continuar a falar.
— Há algo que ganhei depois de fortalecer o poder ancestral do atributo vento.
Cale contou aos outros que havia fortificado o poder ancestral do atributo vento, mas não o que essa fortificação implicava.
O grupo não estava curioso, pois estava mais focado em fazer Cale descansar e comer.
— Posso ouvir as vozes dos Elementais do Vento quando quiser.
— Ah.
Eruhaben assentiu com a cabeça.
Ouvir as vozes dos Elementais. Isso não exigia magia nem poderes ancestrais.
Foi algo que aconteceu naturalmente.
— Os Elementais devem ter lhe contado.
— Algo assim.
Eruhaben apenas suspirou após ouvir a resposta de Cale.
O Dragão Ancestral tentou mudar de assunto para superar a situação, mas a mão de Cale ainda estava estendida em sua direção.
Parecia que ele continuaria assim se Eruhaben não entregasse o jarro.
O Dragão Ancestral começou a falar.
— Você deveria ter percebido, já que lutou contra o Estrela Branca também.
Ele decidiu ser honesto.
— Não sei como você reagiria se um Dragão dissesse isso, mas o Estrela Branca é muito forte.
Ele saberia disso depois de enfrentar o Estrela Branca algumas vezes.
Ele saberia o quão forte o Estrela Branca é. Ele saberia se seria capaz de vencer.
— E ainda há muitas pessoas que seguem o Estrela Branca.
Arm, a tribo Leão e a tribo Urso estavam entre aqueles que eram subordinados do Estrela Branca.
O grupo de Cale não precisava apenas lutar contra o Estrela Branca.
— Então pode chegar um momento em que algumas pessoas se machucarem durante as batalhas.
Vencer uma guerra sem ter nenhuma baixa?
Eruhaben achou que tal ideia era um absurdo.
— É por isso que decidi que seria melhor preservar o artefato ancestral para os casos hipotéticos.
Foi uma decisão simples para Eruhaben.
— Eu poderia usar isso e ganhar tempo extra na minha vida.
Ele viveria mais do que deveria. Isso seria ótimo.
— No entanto, todos vocês ainda não viveram suas vidas plenamente.
Cale, Raon e todos os outros. Todos precisavam viver o quanto pudessem.
Seria triste se eles não pudessem viver a vida inteira por causa de uma guerra. Mesmo que sacrificassem suas vidas pelo bem maior, ainda assim seria triste.
Eruhaben viu que Cale ainda estava com a mão estendida em sua direção e tirou o jarro.
Cale imediatamente colocou o jarro em sua bolsa espacial.
Eruhaben suspirou enquanto observava as ações de Cale.
O jarro não encheu de água, mesmo quando Cale o segurava.
Não encheu, embora Cale parecesse pálido e devesse estar com dificuldades físicas.
Ele não se encheu, embora Cale precisasse de um corpo mais forte do que qualquer outra pessoa, porque ele poderia acabar usando seus Poderes Ancestrais com frequência.
Mas o jarro não encheu enquanto estava na mão de Cale.
Foi porque Cale não queria que ele enchesse.
“E ainda assim ele me trata tão rudemente?”
Foi por isso que Eruhaben ficou cheio de descrença, mas também foi a razão pela qual ele não usou o jarro em si mesmo.
— Eruhaben-nim.
Foi nesse momento.
Eruhaben pôde ver Cale olhando para ele depois de guardar o jarro em sua bolsa espacial.
— Acredito que chegará o dia em que devolverei este artefato a você.
Sorriso.
Cale começou a sorrir.
— Acho que o jarro estará cheio nessa hora.
Eruhaben soltou um suspiro.
O jarro cheio até o fim significaria que Eruhaben desejaria viver mais.
— …Esse dia nunca chegará.
No entanto, ele teve que ouvir a voz severa de Cale.
— Ele vai.
Cale acreditava que esse dia chegaria.
Ele pensava que as pessoas desejavam viver mais quando estavam diante da morte ou quando estavam extremamente felizes.
O momento em que eles derrotam o Estrela Branca.
O momento em que tudo acaba.
No momento em que a paz retornar, eles poderão relaxar e suas vidas começarão a se encher de felicidade.
— Tenho certeza de que esse dia chegará.
Cale estava planejando garantir que todos vivessem para ver aquele momento.
— Não tenho certeza.
Eruhaben, que não conseguia ler os pensamentos de Cale, apenas respondeu antes de caminhar em direção ao portão.
Ele precisava mostrar aos outros que estavam do lado de fora do portão que sua pele havia voltado ao normal.
— Eruhaben-nim.
No entanto, havia alguém que não queria que a conversa terminasse ainda.
— Por que não conversamos um pouco mais já que estamos aqui?
Cale queria que fossem só os dois por mais um tempinho.
— Sobre o que você quer conversar?
Cale apontou para o portão depois de ouvir a pergunta de Eruhaben.
— Por favor, use uma barreira mágica à prova de som, só por precaução.
— Barreira mágica à prova de som?
— Sim, senhor.
Eruhaben finalmente pôde ver que o sorriso havia desaparecido do rosto de Cale.
O Dragão Ancestral já sabia que ninguém lá fora estava usando qualquer tipo de feitiço, no entanto, ele lançou um feitiço de barreira à prova de som como Cale desejava.
— Agora ninguém lá fora poderá ouvir nossa conversa.
Eruhaben pôde ver Cale finalmente abrindo a boca lentamente.
— Dragões.
Cale pensou na Árvore do Mundo.
Ele se lembrou do que aquilo lhe havia dito.
Encontre a Água do Julgamento.
Existe alguém com três Poderes Ancestrais.
Nenhuma dessas duas era algo que ele pudesse ignorar. Foi por isso que Cale não teve escolha a não ser continuar pensando na última coisa que a Árvore do Mundo lhe disse.
— Encontre os rastros que os pais do Dragão Negro deixaram para trás.
O Dragão Negro. Raon Miru.
— Dragões, como os dragões encontram seus pais?
Cale estava pensando que precisava encontrar os pais de Raon, ou pelo menos os rastros que seus pais deixaram para trás.
— …Os pais de um dragão?
— Sim, senhor.
A expressão de Eruhaben ficou estranha.
Isso era algo que ele não esperava.
Entretanto, Cale ainda não havia terminado.
Ele também tinha outra coisa a perguntar.
— Você conhece o Castelo da Luz?
— …Uma das Três Áreas Restritas?
A expressão de Eruhaben ficou ainda mais estranha depois de ouvir Cale de repente mencionando o Castelo da Luz.
Cale continuou a falar. Ele ainda não havia contado aos outros o que aconteceu nos tempos ancestrais. No entanto, era hora de revelar parte daquilo.
— A vila dos Matadores de Dragões aparentemente fica no Castelo da Luz. Você sabia disso?
Cale podia ver os olhos de Eruhaben se arregalando.
— …É lá que fica a Vila dos Caçadores de Dragões? Sério?
De repente, ele sentiu arrepios ao ver o Dragão ancestral completamente chocado. A reação foi maior do que ele esperava de alguém que acabava de descobrir algo.
Cale balançou a cabeça lentamente, pensando no que o Super Rocha lhe disse.
— …Não tenho certeza, mas as chances de ser esse o caso são muito altas.
— Ho.
Eruhaben soltou um suspiro.
Cale sentiu ainda mais arrepios depois de ver o Dragão Ancestral esfregando sua nuca.
Havia algo estranho na reação do Dragão Ancestral.
O Dragão Ancestral começou a falar como se respondesse ao pensamento de Cale.
— O Castelo da Luz.
Agora que a Ilha do Vento havia desaparecido, o Castelo da Luz era uma das Duas Áreas Restritas.
Eruhaben estava muito familiarizado com aquele local.
— Aquele lugar, embora os humanos provavelmente não saibam muito sobre ele…
Humanos, elfos, anões e todas as outras raças provavelmente não sabiam.
Entretanto, Eruhaben sabia algo sobre aquele lugar.
Cale e Eruhaben estavam olhando um para o outro.
— É lá que fica o túmulo do último Lorde Dragão.
“O que?”
Os olhos de Cale se arregalaram.
O Castelo da Luz.
A localização mais provável da vila dos Caçadores de Dragões.
Esse era o local do túmulo do último Lorde Dragão.
— O último Lorde Dragão foi alguém que vivenciou os tempos ancestrais e o mundo posterior.
Eruhaben lembrou-se das informações que ouviu de outros dragões ancestrais no passado.
O último Lorde Dragão que nasceu perto do fim dos tempos antigos.
Aquele Dragão era alguém que havia vivenciado tanto os tempos ancestrais quanto o mundo posterior.
— E a posição de Lorde Dragão terminou com aquele reverenciado Dragão.
Ninguém mais pôde assumir o título de Lorde Dragão depois disso.
— É por isso que dizemos que os Lordes Dragões desapareceram depois dos tempos ancestrais.
Isso ocorreu porque nenhum Dragão que pudesse se tornar Lorde Dragão apareceu depois.
Cale lembrou-se do que Eruhaben lhe disse no passado.
— Ah, dizem que o Caçador de Dragões era o único amigo do Lorde Dragão.
Cale achava que a posição de Lorde dos Dragões havia permanecido por gerações junto com a linhagem dos Caçadores de Dragões e que eles continuavam amigos.
Entretanto, ele agora percebeu que não era esse o caso.
Algo estava estranho.
O último Lorde Dragão que nasceu perto do fim dos tempos ancestrais.
E o primeiro Matador de Dragões foi a única criança a sobreviver à batalha final nos tempos ancestrais.
Algo que aconteceu há aproximadamente 10.000 anos.
Cale percebeu que havia mais nessa história.
“Talvez…”
Sobre o que Eruhaben lhe disse no passado…
A história sobre como o Lorde Dragão e o Matador de Dragões eram amigos…
“Talvez não fosse sobre títulos ou gerações, mas apenas sobre dois indivíduos.”
O último Lorde Dragão e o primeiro Matador de Dragões.
A história sobre esses dois pode ter sido mal interpretada depois de 10.000 anos.
10.000 anos era muito tempo até mesmo para dragões.
O Castelo da Luz.
Cale começou a falar.
— Vamos primeiro para o Castelo da Luz.
E mais uma coisa.
— Desejo procurar vestígios dos pais de Raon.
Cale pôde ver a expressão de Eruhaben, que estava balançando a cabeça, ficar estranha.
Ele parecia estar cheio de descrença.
— Cale.
— Sim, senhor?
— Você não sabe como os dragões nascem, certo?
— Com licença?
— Você não sabe, não é?
“…Como eles nascem?”
Cale respondeu calmamente a Eruhaben, que o olhava incrédulo.
— De um ovo.
Os dragões nascem de ovos.
Eruhaben suspirou antes de começar a falar.
— Aparentemente levei cinquenta anos para sair do meu ovo.
— Com licença?
“O que ele está dizendo de repente?”
A expressão de Cale continuou estranha.
Essa pergunta repentina foi estranha, mas dizer que ele levou cinquenta anos para sair do ovo? Fazia algum sentido?
“Isso é possível mesmo que este seja um mundo de fantasia?”
— Você se lembra do Olienne? Ele levou cinco anos.
Agora ele estava dizendo que um Dragão diferente levaria apenas cinco anos.
Eruhaben continuou a falar enquanto olhava para um Cale confuso.
— Veja, dragões, todos nós temos períodos de incubação diferentes.
Alguns dragões eclodiram em um dia, alguns em um mês, alguns em um ano e alguns até levaram dezenas de anos.
Eruhaben não tinha certeza, pois não conhecia todos os dragões dos continentes oriental e ocidental, porém, ele tinha quase certeza de que todos os dragões tinham diferentes períodos de eclosão.
— Claro, há uma razão para isso. Os Dragões com períodos de incubação mais longos são os Dragões mais fortes.
Cale pensou no que tinha acabado de dizer a Eruhaben.
— Desejo procurar vestígios dos pais de Raon.
— O garotinho é alguém que se tornará um dragão muito, muito forte.
Eruhaben continuou com certeza.
— Talvez seja necessário voltar pelo menos 100 anos para procurar os pais da criança.
Ele então continuou com uma voz fria.
— As chances de eles também estarem vivos são praticamente nulas. Até mesmo os dragões, que são extremamente egocêntricos, prezam seus filhos.
Se ao menos um dos pais de Raon estivesse vivo, eles nunca o deixariam sofrer naquela caverna daquele jeito.
— É provavelmente por isso que você está dizendo que quer encontrar pistas dos pais da criança. No entanto, isso também não será fácil.
A maioria dos dragões retorna à natureza após a morte.
Se isso acontecesse, seria muito difícil encontrar qualquer vestígio.
Cale jogou o cabelo para trás com uma das mãos antes de começar a falar.
— Vamos fazer tudo o que pudermos primeiro.
O desejo de Cale de se tornar um preguiçoso ficou um pouco mais forte depois do teste do Som do Vento.
A Vila do Super Rocha tinha que ser preenchida com seres vivos.
“Um de cada vez.”
Era por isso que eles faziam isso um por um.
— Vamos dar um passo de cada vez. Vamos fazer isso juntos de qualquer maneira, certo?
Cale sorriu para Eruhaben, que começou a rir enquanto respondia.
— Você está dizendo algo com que concordo pela primeira vez em muito tempo, seu desgraçado. Claro, faremos isso juntos.
Cale acenou com a mão depois de ouvir essa resposta.
Um redemoinho bateu no portão de ferro.
*Clang!*
O grande portão de ferro se abriu completamente.
As crianças, com idade média de nove anos, correram em direção a Cale e Eruhaben.
— Vovô! Humano!
— Vovô, sua pele está linda!
— Você está melhor! Uau!
Cale passou pelas crianças de nove anos de idade que se aproximavam do Dragão Ancestral com expressões alegres e saiu pelo portão de ferro.
— Hum?
— Humano?
Raon, On e Hong olharam para Cale, mas ele já estava colocando a mão no ombro de alguém.
— Secretário-nim.
— …Hum?
Bud respondeu ao Cale repentinamente caloroso com uma expressão desconfiada. Cale abriu um sorriso radiante naquele momento.
— Vovô! O humano está sorrindo como o príncipe herdeiro!
Cale ignorou o comentário de Raon e continuou em um tom gentil.
— Entregue o diretório.
O histórico de indivíduos fortes da Guilda dos Mercenários. O Diretório.
E então eles visitariam o Castelo da Luz.
Os tempos ancestrais e o Estrela Branca. A verdade sobre tudo isso.
Cale estava caminhando em direção a tudo isso, assim como ao momento em que ele poderia acertar o Estrela Branca por trás.

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