Capítulo 147: Profecia
Pelo que Leylin tinha reunido, Magos das Trevas de todo o continente se disfarçavam para entrar na Cidade Sem Noite todos os dias. O objetivo deles era negociar itens, além de realizar outras atividades.
Os guardas da cidade faziam vista grossa a essas ações.
Podia-se dizer que a prosperidade da Cidade Sem Noite dependia, em grande parte, dos Magos das Trevas.
Dentro da cidade, enquanto os Magos das Trevas não revelassem a própria identidade de propósito, os Magos da Luz não se incomodariam com eles.
Por isso, Leylin apenas sorriu e disse a Jenna: “Vim às Grandes Planícies Teljose em busca de uma vida tranquila. Estou disposto a obedecer às regras daqui.”
“A Cidade Sem Noite é fértil e bela. Tenho certeza de que você vai gostar daqui!”
Jenna riu ao dizer isso.
Leylin conversou um pouco com ela e conseguiu obter uma boa quantidade de informações exclusivas sobre a cidade.
Ele tinha vislumbrado a Cidade Vulcânica ainda à tarde, mas só alcançou o portão depois que o céu escureceu.
Naquele momento, filas se formavam diante dos portões da cidade.
A multidão lembrava um formigueiro, dividida em diferentes grupos que entravam por acessos distintos.
Leylin notou que, além das muitas portas pequenas, também havia várias passagens enormes. Os portões da própria cidade tinham mais de dez metros de altura, e essas vias permaneciam fechadas.
“Essas portas são para gigantes e criaturas de grande porte, então, em regra, não ficam abertas!” Jenna explicou ao lado.
“Nós, por sermos Magos oficiais, podemos entrar pelo passe de prestígio!”
Disse Jenna, enquanto conduzia Leylin até uma porta menor e com menos movimento.
Dos dois lados da porta, havia uma dúzia de guardas cuja força equivalia à de acólitos de nível 3, os corpos emitindo flutuações de energia vindas de Artefatos Mágicos.
“Respeitados senhores, posso perguntar se a permanência será temporária ou permanente…”
Ao verem Leylin e Jenna, aquela dúzia de acólitos se curvou de imediato e os saudou.
Leylin notou que eles seguravam um item circular que emanava um brilho mágico. Pelas runas gravadas na superfície, devia se tratar de uma matriz rúnica para detectar flutuações de energia.
Jenna ergueu a mão direita de imediato e revelou um anel branco no dedo.
O anel antigo tinha aro prateado e inscrições detalhadas na superfície, soltando pequenos fragmentos de luz sem cessar.
“Então é uma Senhora com residência permanente. Por favor, entre!” Os acólitos abriram passagem com respeito.
“É minha primeira vez aqui. Há algum procedimento que eu precise seguir?” Leylin perguntou ao acólito de antes.
“Sim. Para Magos que entram pela primeira vez, temos um procedimento simples. O senhor pode pagar 200 Cristais Mágicos e obter residência permanente, ou gastar 10 Cristais Mágicos e permanecer na Cidade Sem Noite por um mês!”
“Registre uma residência permanente para mim!” Leylin lançou dois Cristais Mágicos de alto grau na mesma hora.
“Claro. Por favor, aguarde um momento…” O acólito logo retirou um pedaço de pergaminho e rabiscou algo nele. “Posso saber seu nome?”
“Leylin Farlier!” Este era o território dos Magos da Luz, e a influência da família Lilytell não se estendia até ali. Leylin decidiu usar o nome verdadeiro.
“Aqui está sua credencial. Por favor, guarde-a bem!”
Todo o processo foi surpreendentemente direto. O acólito apenas perguntou o nome de Leylin, anotou-o e então lhe entregou um anel prateado.
“Esta é a credencial de que o senhor precisará para entrar na cidade. Por favor, guarde-a com cuidado! Além disso, por favor, não permaneça nas ruas depois da meia-noite. Caso contrário, o Esquadrão de Execução o prenderá!”
O acólito acrescentou o aviso enquanto se curvava.
Leylin acenou com a cabeça, indicando que havia entendido, antes de partir com Jenna, que o aguardava ao lado.
Leylin atravessou uma passagem de cinco ou seis metros de profundidade e, antes mesmo de ter a chance de observar a cidade, ouviu uma voz rouca: “Jenna, eu estava à sua espera!”
Um homem loiro e corpulento, que aguardava junto à porta havia algum tempo, avançou às pressas com uma expressão preocupada.
“Tio Manla!” A jovem exibiu um ar dengoso e abraçou o homem grande de imediato. “Jenna sentiu sua falta!”
“Haha… Eu também!” O homem corpulento sorriu e olhou para Leylin ao lado dela.
“Esse sujeito fede a sangue. Parece vir dos pântanos do leste!”
A aura assassina e o forte cheiro de sangue que emanavam de Leylin puseram o homem em guarda contra ele na mesma hora. Manla se posicionou entre Leylin e Jenna.
“Este é…” O homem corpulento o encarou, como se estivesse pronto para agir ao menor deslize nas palavras.
“Este é Leylin, alguém que encontrei pelo caminho!” Jenna se pendurou no braço de Manla.
“Ele é um Mago errante que planeja ficar na Cidade Sem Noite!”
“Sério? Esta é uma cidade que defende a paz e a harmonia, então espero que aproveite sua estadia aqui. Este é um mapa completo da cidade!”
O homem corpulento abriu um sorriso gentil e entregou o mapa a Leylin. Ficava claro que ele não queria que Leylin continuasse viajando com Jenna.
“Muito obrigado!” Leylin abriu um sorriso radiante.
Ele entendia de onde vinha aquela reação. Se fosse um pai ao ver o filho se misturar com uma pessoa suspeita, reagiria da mesma maneira.
“Foi muito divertido viajar com você! Até nos vermos de novo, senhorita!” Leylin voltou-se para Jenna com um sorriso e fez uma reverência de cavalheiro; Jenna respondeu com uma expressão acanhada.
Depois de receber o mapa, Leylin o examinou de relance e entrou no centro comercial da costa sul, também conhecido como Cidade Vulcânica de Teljoso, onde a noite era tão clara quanto o dia.
Manla esperou até Leylin desaparecer por completo antes de se voltar para a Maga, com uma expressão severa no rosto.
“Jenna, pelo que sei, você normalmente não se aproxima tanto de estranhos, não é?”
Manla exibiu uma expressão perplexa.
“Não sei por quê, mas tenho uma premonição que me faz querer me aproximar dele…” Seus olhos pareceram se cobrir por uma névoa.
“Ou talvez seja isso que o destino decretou!”
“Isso parece plausível!” Manla coçou a cabeça. “A técnica de meditação de alto grau que você cultiva talvez não seja muito poderosa, mas, às vezes, consegue localizar com precisão um traço do futuro. Já que aquele Mago lhe dá uma sensação tão peculiar, você quer que eu mande alguém investigar…”
“Deixe isso de lado! Tenho a sensação de que, se fizermos isso, sem dúvida provocaremos o desagrado dele.”
Os olhos de Jenna, de repente, ficaram de um branco completo, sem qualquer traço de outra cor.
“Duas vezes! Você fez duas profecias sobre ele!”
Manla pareceu chocado. “O destino daquele Mago com certeza vai se entrelaçar ao seu!”1
“Não ao meu, mas ao de toda a costa sul!”
A cor voltou aos olhos da Maga, e suor frio escorria por seu rosto. Ela parecia ter tido toda a energia arrancada do corpo.
“Rápido, leve-me de volta à casa da minha avó!”
Jenna cuspiu as palavras e desmaiou logo em seguida.
“Jenna! Jenna!” A expressão de Manla ficou sombria enquanto a segurava nos braços e deixava a área às pressas…
Leylin, porém, permanecia alheio a tudo. Naquele momento, passeava pelas ruas da Cidade Sem Noite.
No instante em que entrou, a primeira impressão de Leylin foi: gente! Um mar de gente!
Incontáveis cabeças se comprimiam umas contra as outras, formando um mar escuro. Havia também várias lojas e barracas dispostas sem qualquer ordem aparente. O barulho constante de pechinchas e pregões feria os ouvidos.
Muitos Magos e acólitos vestidos com roupas de cores diferentes discutiam com agressividade com os vendedores.
Aquilo quase fez Leylin se lembrar dos mercados de seu mundo anterior.
No entanto, as diferentes raças que viu entre a massa o trouxeram de volta ao presente.
Havia a raça marinha escamosa, os sub-humanos cobertos de pelos e marcas no corpo, versões menores de gigantes com mais de cinco metros de altura, além de pequenos seres verdes com pares de asas transparentes nas costas, dançando graciosamente no ar.
Muitas formas de vida do Mundo dos Magos se comunicavam entre si, deixando escapar trechos dos próprios idiomas durante a fala.
Entre eles, Leylin chegou a ver vários humanos comuns que não irradiavam nenhuma flutuação de energia, e ainda assim negociavam itens com confiança nas ruas, às claras.
“Meu Senhor, é sua primeira vez na Cidade Sem Noite?”
O ar intrigado de Leylin não demorou a atrair a atenção de muitas pessoas. Um homem tão magro que parecia um graveto se aproximou dele com uma reverência e ar bajulador.
“Precisa de um guia? Minha taxa é, sem dúvida, a mais baixa. Além disso, minha casa fica dentro da Cidade Sem Noite, então conheço cada canto deste lugar!”
“Você é um dos ‘ouvidos’ desta cidade?”
Leylin perguntou para confirmar.
“Claro. Se houver algo que o senhor queira saber, também posso fazer algumas averiguações…”
“Qual é seu nome?” Leylin perguntou.
“Sean! Meu Senhor, pode me chamar de Sean.” O homem magro ficou radiante, pois aquela situação significava que havia uma chance de fechar o negócio.
“Bom. Pretendo ficar aqui por um período prolongado. Leve-me a um lugar onde eu possa alugar uma moradia. Precisa ter instalações completas!”
“Se deseja ficar aqui por bastante tempo, alugar um apartamento no coração da Cidade Sem Noite seria a opção mais vantajosa!” Sean respondeu de pronto, sem precisar pensar.
Como se temesse que Leylin não entendesse, Sean continuou às pressas: “O coração da cidade é controlado por várias grandes facções que apoiam a Cidade Sem Noite. Há apartamentos de vários tipos à venda, e eles costumam ser bastante seguros e convenientes…”
“Muito bem, vamos para lá!”
Leylin acenou com a cabeça, e Sean se apressou em liderar o caminho com uma expressão radiante.
Depois de atravessar a multidão e caminhar por cerca de meia hora, Sean levou Leylin até uma pequena porta.
“A Cidade Sem Noite tem cinco zonas, e a zona mais externa é destinada à moradia de humanos comuns e acólitos. Sua organização é a mais caótica e, desde que alguém tenha uma credencial, pode entrar e sair da cidade à vontade.”
“A segunda zona é reservada aos que fizeram o registro de residência permanente. Claro, Magos oficiais também podem ficar aqui!” Sean levou Leylin à fila diante da porta e continuou explicando.
“Quanto à terceira e à quarta zonas, são as residências dos Magos oficiais. Também há uma área de comércio instalada dentro dessas zonas, voltada especificamente para Magos oficiais.”
“Por fim, temos a quinta zona, onde várias forças estabeleceram suas filiais. Em regra, elas não são abertas ao público; se você não for membro, não tem permissão para entrar!”
Sean explicou tudo a Leylin com clareza.
- Será que ele vai pegar ela?[↩]

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