Índice de Capítulo

    “Marca secreta?”

    Leylin fez que sim com a cabeça e interrompeu o que fazia.

    A chamada técnica da marca secreta era uma ferramenta usada pelos Magos oficiais para se comunicar.

    Todo Mago oficial que acabara de avançar podia criar um símbolo especial para representar a si mesmo. No futuro, podia deixar sua marca secreta para fins de comunicação.

    Alguns Magos chegavam até a gravá-la em familiares ou escravos, como símbolo da autoridade concedida.

    Leylin havia criado uma marca para si. Era um triângulo invertido inscrito num círculo. Sobre o triângulo, havia uma serpente negra subindo em espiral até o topo.

    No peito do líder, a imagem de uma cabeça de pássaro dodô azul emitia lampejos.

    Ao que parecia, iniciar a comunicação com o chefe exigia uma tremenda quantidade de força espiritual e Poder Mágico. Poucos minutos depois, o rosto do líder ficou mortalmente pálido.

    Felizmente, pouco antes de não aguentar mais, a luz azul brilhou com intensidade, e um pássaro dodô azul voou para fora do peito dele e pousou no ombro.

    “Sulley, queria falar comigo sobre algo?”

    O dodô parecia não ter notado Leylin e perguntou de imediato ao líder.

    “Ch… Chefe, foi assim…” Aquele líder se apressou em sussurrar ao dodô e resumiu às pressas o que havia acontecido.

    A marca secreta tinha suas limitações e só podia projetar vozes, não imagens. Além disso, sem a ajuda da torre de comunicação, se a distância fosse grande demais, nem mesmo as vozes poderiam ser transmitidas.

    “Olá, jovem especialista!” O dodô cumprimentou Leylin.

    “É uma honra conhecer o chefe da família Yale, Sam Yale!” disse Leylin, com a voz áspera e rouca. Ela estava claramente alterada com a ajuda do Chip de I.A.

    “Peço desculpas em nome daqueles membros da família, estúpidos o bastante para ofendê-lo…” O dodô azul já havia voltado ao peito do líder, transformando-se numa tatuagem de aparência viva.

    “Tiveram a ousadia de me ofender, a mim, um Mago oficial. Portanto, devem pagar o preço!” A voz de Leylin carregava intenção assassina.

    “Eles?” O dodô fez uma pausa antes de voltar a falar. “Posso responder por eles e compensá-lo…”

    “Compensação?” Leylin soltou uma gargalhada. “Está zombando de mim?”

    “Isso é ruim, corram!” O líder não esperava que Leylin não demonstrasse ao chefe da família a menor deferência e recuou às pressas.

    “Depois de me ofender, ainda querem ir embora?”

    Os olhos de Leylin ficaram injetados, e ele lançou várias bolas de fogo vermelhas, reduzindo os três, incapazes de se esquivar a tempo, a cinzas.

    Diante de Magos oficiais, o poder dos acólitos era frágil como papel.

    Quanto à marca secreta, como era apenas um meio de comunicação, naturalmente era incapaz de transmitir ataques.

    Aproveitando essa limitação da marca secreta, Leylin optou por matá-los.

    De todo modo, sua voz estava disfarçada pela alteração do Chip de I.A., então Sam jamais conseguiria encontrá-lo.

    Mantê-los vivos, por outro lado, só lhe traria problemas.

    Além disso, não pretendia permanecer no Ducado de Inlan. Assim que deixasse o lugar, o outro lado também nada poderia lhe fazer.

    Ao se aproximar da dupla de avô e neta, a menina ainda estava inconsciente, com várias lágrimas no rosto.

    “Lor… Lorde Mago!”

    Uma expressão atônita tomou o rosto do velhote. Obviamente, ele jamais tinha imaginado que aquela pessoa, que tinha viajado na mesma carruagem, fosse na verdade um Mago oficial.

    Leylin se agachou e examinou os ferimentos do velhote.

    O ferimento era grave. Um mortal comum certamente morreria por causa dele. Mesmo sendo um acólito de nível 2, no máximo sobreviveria mais dez horas.

    Claro, Leylin podia curar o velhote, mas perderia algumas ervas e remédios preciosos no processo. Além disso, o velhote não possuía linhagem de Bruxo, então Leylin hesitava bastante em tratá-lo.

    Ainda assim, o que precisava ser feito teria de ser feito.

    “Beba isto! Vai fazer você se sentir melhor!” Leylin entregou ao velhote um frasco de poção de vitalidade. Depois disso, foi acordar a menina.

    “Vovô Miles!” Assim que despertou, a menina gritou, atirou-se sobre Miles e caiu num choro sofrido.

    Depois de beber a poção, o rosto do velhote recuperou um lampejo de vida. Por um momento, até o ânimo se elevou. Aquela poção era apenas um estimulante. Era muito mais barata que uma cura de verdade, então Leylin se dispunha a gastar uma coisa tão barata.

    “Boa menina!”

    Miles estendeu as mãos enrugadas e trêmulas para acariciar de leve a cabeça da criança.

    “Este… este Lorde Mago, poderia levá-la até o Grande Cânion Margaret, onde Marian está…”

    O velhote implorou a Leylin com sinceridade.

    “Posso.” Leylin ponderou em silêncio por um momento antes de fazer que sim com a cabeça.

    “Muito obrigado! Será para sempre um amigo da família Langster!”

    O velhote pegou as mãos da menina e a instruiu: “A partir de hoje, ouça este Lorde Leylin. Lembre-se: você deve obedecer a cada palavra dele, entendeu?”

    Como se tivesse gasto o último resto de energia, sangue vermelho-enegrecido escorreu dos lábios do velho no instante em que terminou de falar.

    “Eu… eu entendi…” A menina soluçou em silêncio.

    O velhote sorriu, satisfeito ao ver a menina concordar, antes de fechar os olhos para sempre.

    “Vovô Miles! Vovô Miles!”

    A menina chorou em desespero.

    Leylin ficou ao lado e esperou cerca de doze minutos. Quando a menina parou de soluçar, perguntou: “É melhor enterrarmos o Vovô Miles. Além disso, qual é o seu nome?”

    “Ivy, Senhor!” A voz da menina estava rouca, mas transbordava respeito.

    Embora Ivy não fosse uma acólita, por ter crescido desde pequena numa família de Magos, naturalmente sabia o que significava ser um Mago.

    Uma hora depois, Leylin e a pequena Ivy olhavam para uma lápide recém-erguida, prestando em silêncio a última homenagem.

    Após a revelação do velhote e o relato da própria menina, Leylin enfim compreendeu as origens da família Langster.

    A família Langster era muito pequena. Corria o rumor de que possuíam a herança de uma técnica de meditação incompleta.

    No entanto, o enfraquecimento da linhagem de Bruxo e a ausência de um Mago oficial transformaram a família numa casa de baixa categoria no Mundo dos Magos.

    Duzentos anos atrás, a técnica de meditação incompleta se perdeu num acidente infeliz.

    As limitações dos Bruxos estavam na linhagem, pois eles só podiam cultivar técnicas de meditação adequadas a si mesmos. As construções comuns de runas mentais dos acólitos não lhes serviam.

    Portanto, era inevitável que essa família, que não havia produzido nenhum Mago, declinasse ao longo dos anos.

    Se não fosse por algumas gerações de chefes de família que se mantiveram firmes e acolheram alguns órfãos e os treinaram como acólitos, era bem provável que hoje nem mesmo houvesse um acólito na família.

    Quanto a Miles, ele era um desses acólitos órfãos, encarregado de servir como mordomo da família Langster.

    Há apenas um mês, a família Yale, que cobiçava a família Langster, declarou guerra contra ela.

    Com exceção de Ivy, todos os membros da família morreram nessa guerra. Miles, por sua vez, abriu caminho à força para levá-la embora, preparando-se para buscar asilo com Marian, amiga dos pais de Ivy, no Grande Cânion Margaret.

    Assim, Ivy, agora nas mãos de Leylin, era a última portadora da linhagem da família Langster.

    Claro, ao saber disso, um sentimento indescritível brotou no coração de Leylin.

    No entanto, ao ver uma família com origens de Bruxo degradada a tal estado, sentiu-se como a raposa que lamenta a morte do coelho1.

    É claro que não deixaria essas emoções alimentarem qualquer desejo de vingança pela família Langster. No entanto, se o desprezível chefe da família Yale acabasse cruzando seu caminho, seria outra história.

    “Vamos!” Leylin segurou a pequena mão de Ivy e partiu rumo ao novo destino.

    Pretendia levar a menina até o Grande Cânion Margaret. Não era por ter amolecido de repente, mas porque tinha outros planos.

    Antes de tudo, alguns experimentos exigiam a cooperação voluntária de Ivy para atingir os melhores resultados.

    Além disso, o Grande Cânion Margaret era um dos lugares por onde Leylin precisava passar, então isso não lhe traria incômodo algum. E, se descobrisse no caminho que Ivy tinha outras utilidades, com certeza não a entregaria a Marian.

    Leylin não descartava fazer boas ações dentro do que lhe fosse possível para aumentar a própria reputação. No entanto, isso só aconteceria se em nada prejudicasse os interesses pessoais dele.

    Mesmo que alguém o espancasse até a morte, Leylin jamais praticaria uma estupidez como o altruísmo.

    Porém, se pudesse fazer certas coisas sem esforço e ainda ganhar boa reputação, faria isso com todo gosto.

    Na visão de Leylin, reputação também era uma forma de recurso, um tipo de benefício.

    Só que cada pessoa atribuía pesos diferentes à fama e aos interesses pessoais. Aos olhos delas, a fama ocupava uma posição baixa nessa balança.

    “Mais uma coisa, tenho certo interesse na linhagem da sua família. Preciso que coopere comigo em alguns experimentos, entendeu?”

    À medida que o céu escurecia, um campo de visão verde-esmeralda se abriu diante dos olhos de Leylin. Isso lhe permitia ver ainda melhor do que à luz do dia.

    Ao falar, Leylin sentiu as mãos de Ivy tremerem visivelmente.

    “Como desejar, Lorde!”

    Ivy respondeu apenas um bom tempo depois, com voz trêmula.

    “Eu adoro crianças inteligentes e obedientes!” A obediência e a maturidade de Ivy foram uma agradável surpresa para Leylin, pois a princípio ele achou que precisaria gastar algum esforço para lidar com ela.

    Acariciou de leve a cabeça de Ivy e a tomou nos braços.

    “Mest… Mestre…” Ivy chamou baixinho, com uma voz fina como o zumbido de um mosquito.

    “Se não consegue ver a estrada direito nesta noite escura, eu posso ajudar!”

    Sentindo o pequeno corpo tremer contra o peito, Leylin sorriu e deu tapinhas nas costas de Ivy. Ao acelerar o passo, os dois logo desapareceram na escuridão.

    ‘Esse tipo de visão… é o de uma serpente?’

    A visão de Leylin estava coberta por um tom verde-esmeralda.

    Mesmo com a noite escura, Leylin conseguia ver tudo.

    A algumas dezenas de metros dali, havia uma criatura parecida com um cachorro, irradiando calor vermelho do corpo.

    Aquilo lembrava um pouco uma visão térmica.

    ‘Ao que parece, o chamado caminho dos Bruxos consiste em explorar sem cessar a origem da linhagem e, nesse processo, remodelar o próprio corpo…’

    As peças se encaixaram para Leylin. ‘Parece que vou precisar gastar mais tempo com minha transfiguração…’

    1. “Se o coelho morre, a raposa se entristece.” Significa sentir compaixão por alguém parecido com você que está em apuros.[]

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