Capítulo 135: Cidade Angler
Modificando a inscrição de runas do Pingente da Estrela Cadente, aumentando as runas ilusórias para tornar o Hospedeiro compatível com seu controle.
O Chip de I.A. soou exatamente naquele momento.
Uma luz azul lampejou nos olhos de Leylin, e inúmeros padrões transparentes começaram a surgir na superfície do Pingente da Estrela Cadente.
A partir dali, tudo o que precisava fazer era prosseguir com as modificações, seguindo os padrões transparentes sobre o Pingente da Estrela Cadente.
E o Chip de I.A. podia auxiliar Leylin durante o processo de inscrição, de modo que não haveria erros.
Com uma pinça, Leylin colocou o Pingente da Estrela Cadente sobre um pano branco, pegou uma robusta caneta de inscrição e começou a entalhar cuidadosamente a superfície da cruz.
Naquele momento, sua mão parecia uma escultura de aço, tão firme quanto podia ser, sem o menor tremor.
Isso exigia enorme atenção e resistência, além de consumir muito tempo e energia.
Com o passar do tempo, gotas de suor começaram a escorrer da testa de Leylin.
Modificação das runas do Pingente da Estrela Cadente bem-sucedida! Novas runas adicionadas: runas de reforço, runas de dissipação de energia, runas de extensão…
Ao ouvir o aviso do Chip de I.A., Leylin deixou escapar um sorriso.
Imediatamente, pegou a outra caneta de inscrição ao lado. Ela tinha sulcos no corpo e era igualmente robusta.
“Agora, vou preencher esses entalhes!”
Leylin aqueceu dois béqueres e começou a derreter as matérias-primas que havia separado antes dos Artefatos Mágicos. Naquele momento, os béqueres continham apenas líquidos.
Depois, seguindo uma proporção fixa, misturou os dois líquidos.
Leylin acionou os sulcos da caneta, e ela se abriu, revelando um pequeno orifício por onde o líquido podia ser despejado.
Em seguida, despejou o líquido negro-prateado concentrado no corpo da caneta.
Runas finas começaram a cintilar ao redor da caneta de inscrição, produzindo um brilho encantador.
Com expressão satisfeita, Leylin encostou a ponta da caneta nos sulcos das inscrições que havia entalhado antes e repetiu o processo.
Mas, dessa vez, a caneta deixava um líquido negro-prateado por onde passava, preenchendo cada entalhe da inscrição.
Depois de concluir o último traço, Leylin examinou a cruz completamente reformada e acenou com a cabeça, satisfeito.
“Ative!”
Leylin usou a antiga Linguagem Byron e leu duas palavras em voz alta.
Plong! Um feixe cilíndrico de luz cinza começou a emanar da cruz. Fios de luz prateada percorriam as inscrições rúnicas que Leylin havia entalhado antes.
À medida que os raios cinza-prateados se fundiam uns aos outros, tornavam-se cada vez mais brilhantes e, por fim, engoliram o Pingente da Estrela Cadente.
Quando os raios desapareceram por completo, a aparência do Pingente da Estrela Cadente tinha mudado inteiramente.
Mantinha apenas o formato de cruz, mas estava mais robusto que antes.
Além disso, havia deixado a cor negro-prateada e assumido um tom vermelho-escuro.
Na superfície, havia inúmeras inscrições rúnicas finas e detalhadas, sob as quais se ocultavam os fragmentos originais de gemas.
Leylin então pegou o Pingente da Estrela Cadente vermelho-escuro e notou que estava mais pesado que antes.
[Beep! Aprimoramento do Pingente da Estrela Cadente bem-sucedido com os Artefatos Mágicos de grau médio! Defesa Física atual: 24, Defesa Mágica: 25!] O Chip de I.A. soou outra vez, trazendo a Leylin a boa notícia.
“A Defesa Física subiu de 13 para 24, e a Defesa Mágica, de 15 para 25! Nada mal, realmente nada mal!”
Esse patamar quase superava a defesa das Escamas de Kemoyin. Era quase o mesmo que ganhar outro feitiço defensivo inato. Leylin naturalmente ficou muito satisfeito.
Mas havia muitos outros Artefatos Mágicos com feitiços inatos melhores. No futuro, eles teriam outro aumento de poder e defesa.
Quanto ao Pingente da Estrela Cadente, a menos que encontrasse materiais ainda mais preciosos para aprimorá-lo, seria difícil elevar suas características defensivas conforme as exigências de Leylin.
Por isso, a longo prazo, concentrar-se nos próprios feitiços inatos era mais confiável.
“Na costa sul, os acólitos usam Artefatos Mágicos de grau iniciante. Magos de rank 1 usam Artefatos Mágicos de grau médio e, ocasionalmente, Artefatos Mágicos de grau iniciante. Só os Magos de rank 2 extremamente poderosos têm capacidade de pôr as mãos em Artefatos Mágicos de alto grau!”
Leylin pensou nas informações que tinha visto no Livro da Serpente Gigante.
Embora a era do Grande Mago Serholm já estivesse um tanto distante, ainda era possível ver a distribuição geral de poder e cultura por toda a costa sul.
Agora que o Pingente da Estrela Cadente havia sido elevado a um Artefato Mágico de grau médio, ele era eficaz para Leylin como Bruxo de rank 1. Isso, é claro, o deixou de bom humor.
O Grande Cânion Margaret se estendia pelo Ducado de Inlan e por vários reinos próximos. Também era um lugar pelo qual era necessário passar para entrar na Torre do Anel de Marfim Ennea, controlada pelos Magos da Luz.
Claro, isso dizia respeito apenas aos Magos.
Os cidadãos comuns desse ducado raramente deixavam o reino, do nascimento até a morte. Até os mercenários só recebiam missões dentro dele.
Mercenários e bardos errantes que haviam viajado pelas redondezas podiam usar a experiência adquirida para se exibir ou conquistar respeito.
“O Grande Cânion Margaret está repleto de perigos. Mesmo uma viagem apressada leva vários meses…”
Leylin franziu levemente a testa enquanto refletia sobre as informações do Grande Cânion.
O transporte no Mundo dos Magos era pouco prático, causando grande incômodo aos magos que viajavam por toda parte.
Claro, havia outra escolha: podia viajar num dirigível.
Mas, infelizmente, não só esse meio de transporte era caro, como também havia apenas um número fixo de partidas por ano. Além disso, os passageiros precisavam atender a exigências rigorosas. Era necessário que uma família local ou uma organização servisse como fiadora.
Leylin já constava na lista de procurados da Academia da Floresta de Ossos Abissal. Naturalmente, não podia esperar pelo dirigível e teve de seguir viagem às pressas, a pé.
“Aquela Tia Marian, a boa amiga dos seus pais, onde ela mora?”
Leylin perguntou a Ivy, que estava atrás dele.
“Na Cidade Angler, ao lado do Grande Cânion!” Ivy disse em voz baixa.
Leylin acenou com a cabeça. O sangue dessa garota o havia ajudado bastante. Além disso, não havia conflito no itinerário. Nessas circunstâncias, ele não se importava em estender a mão.
“Muito bem! Primeiro vou levá-la à Cidade Angler para encontrar sua Tia Marian!”
Leylin disse a Ivy.
“Lo… Lorde! Posso continuar seguindo o senhor?”
Depois do que Leylin disse, Ivy ficou em silêncio por um momento antes de fazer essa pergunta.
“Oh? Mas por quê? Eu não a tratei muito bem!”
Leylin ficou surpreso. Desde que transmigrou, era de origem nobre e um respeitado acólito. Nunca havia cuidado de ninguém antes. Ivy chegou até a adoecer levemente durante a viagem. As coisas teriam tomado um rumo ruim se Leylin não fosse um Mestre em Preparo de Poções.
Além disso, de vez em quando Leylin precisava tirar de Ivy um grande tubo de sangue. Ele simplesmente não conseguia entender por que a garota ainda queria continuar ao seu lado.
‘Talvez eu fosse charmoso demais? Ou ela tinha sido tão oprimida que sentimentos distorcidos começaram a surgir?’
Leylin se entregou a essas especulações enquanto esfregava o queixo.
“É por vingança?” Mas logo percebeu o que a garota tinha em mente.
Ivy baixou a cabeça, concordando em silêncio.
“Ivy, você deve saber que, por causa da constituição hereditária da família, enquanto não encontrar a técnica de meditação perdida, nunca poderá se tornar uma acólita. Nem eu posso fazer nada a respeito!”
Só porque Ivy e Leylin eram herdeiros da mesma antiga linhagem, ele achou que devia esclarecer isso para ela.
“Eu sei! Mas peço que vingue-me! Por isso, estou disposta a suportar qualquer consequência!”
A garotinha fez sua última tentativa.
“Minhas desculpas. Magos defendem transações justas. E, independentemente de riqueza, saúde ou espírito, isso não basta para que eu enfrente outro Mago oficial!”
Leylin não hesitou em rejeitar o pedido da garota.
Ao ouvir as palavras cruéis, mas muito reais, de Leylin, os ombros de Ivy tremeram; sentada na carruagem, ela abraçou os joelhos e se calou.
Logo, a carruagem entrou na Cidade Angler.
Aquele era obviamente um ponto de reunião de Magos. Havia poucas pessoas comuns, quase nenhuma, e a arquitetura dos edifícios ao redor exibia um estilo sombrio, frio e estranho. Até o ar estava impregnado por um fedor úmido de putrefação.
“Esse tipo de lugar não parece nada bom!”
Leylin franziu a testa. Segundo sua experiência, em distritos perigosos como esse, ao lado de uma grande rota de transporte, costumavam se reunir sujeitos mal-intencionados e Magos sem ter para onde ir. Em termos simples, criminosos procurados!
Leylin sentiu pena de Ivy. Seguiram pela rua e por fim chegaram ao número que Ivy havia informado antes.
Diante dele erguia-se um sobrado dilapidado de dois andares. Tábuas pretas de madeira à beira do colapso exalavam uma atmosfera decadente.
O primeiro andar havia sido transformado numa mercearia. Mas ela claramente não ia bem, e as pessoas que entravam eram poucas.
Depois de estacionar a carruagem de lado, Leylin puxou Ivy pela mão enquanto entravam na mercearia.
“Marian! Marian está aqui?” Leylin gritou. Não tentou ocultar as flutuações de energia no corpo, já que o caminho até a Cidade Angler estava sem obstáculos.
“Respeitável Lorde Mago, como posso servi-lo?”
Antes que Leylin terminasse de falar, uma senhora obesa de meia-idade, com um avental cinza engordurado e maquiagem pesada, saiu de dentro, exibindo humildade e bajulação.
Se não fosse pela aura de acólita de nível 3 no corpo, com aquela aparência ela pareceria exatamente uma dona de casa desagradável.
“É essa a Marian?” Leylin perguntou a Ivy, que estava num canto.
“Sim… Sim!” Ivy acenou com a cabeça. Leylin enfim entendeu por que Ivy estava tão relutante.
Ao que parecia, os pais de Ivy provavelmente não tinham mais ninguém a quem recorrer naquela época. Por isso, permitiram que a governanta a enviasse para Marian.
“Esta é Ivy! Lembra-se dela?” Leylin puxou Ivy para a frente.
“A filha do John?!” A expressão de Marian mudou ligeiramente. “Quanto ao assunto da família Langster, fico triste…” Marian disse, espremendo algumas lágrimas.
“…Na época, eu apenas passava por lá, e a governanta me implorou para trazê-la até aqui…”
Leylin expôs brevemente o ocorrido.
Ao ouvir que teria de acolher Ivy mais uma vez, o rosto de Marian se encheu de embaraço, como se a própria situação dela já fosse difícil. Leylin calculou que, se não estivesse ali, Ivy já teria sido enxotada.
“Já que é o desejo do Lorde, tudo bem!” ela respondeu com um sorriso feio depois de hesitar por um bom tempo.

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